{"id":58283,"date":"2017-12-13T16:06:37","date_gmt":"2017-12-13T18:06:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=58283"},"modified":"2017-12-13T16:06:37","modified_gmt":"2017-12-13T18:06:37","slug":"apicultores-vao-encarar-defensores-de-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/apicultores-vao-encarar-defensores-de-agrotoxicos\/","title":{"rendered":"Apicultores v\u00e3o encarar defensores de agrot\u00f3xicos\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Geraldo Hasse<\/span><br \/>\nEm assembleia geral convocada pela Federa\u00e7\u00e3o Ap\u00edcola do Rio Grande do Sul, os apicultores ga\u00fachos decidiram no dia 09\/12 \u201cconversar\u201d com a A.B.E.L.H.A \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos de Abelhas, entidade t\u00e9cnico-cient\u00edfica que vem propondo um conv\u00eanio de coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca.<br \/>\nA decis\u00e3o demorou a ser tomada porque, da c\u00fapula \u00e0s bases da apicultura, h\u00e1 um misto de desconfian\u00e7a e inseguran\u00e7a quanto aos prop\u00f3sitos da ABELHA, vista como cunha setorial ou testa-de-ferro do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), o poderoso lobby da ind\u00fastria agroqu\u00edmica.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58293\" aria-describedby=\"caption-attachment-58293\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-58293 size-large\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cunha2-1150x767.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"767\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58293\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Cunha, ex-presidente da CBA, n\u00e3o quer conversa com a ind\u00fastria de venenos ou prepostos \/ T\u00e2nia Meinerz \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO l\u00edder mais resistente a uma simples aproxima\u00e7\u00e3o com a ABELHA \u00e9 Jos\u00e9 Gomercindo Corr\u00eaa da Cunha, criador de abelhas-rainha em Viam\u00e3o e ex-presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Apicultura (CBA). Segundo ele, desde o banimento dos neonicotin\u00f3ides na Europa, em 2011, os fabricantes de inseticidas, liderados mundialmente pela Bayer (que comprou a gigante norte-americana Monsanto recentemente), est\u00e3o usando entidades como a ABELHA para intermediar suas rela\u00e7\u00f5es com as v\u00edtimas de agrot\u00f3xicos, entre as quais figuram, com destaque crescente, as abelhas mel\u00edferas e as abelhas nativas, que exercem um papel fundamental na poliniza\u00e7\u00e3o da flora.<br \/>\nCom verba aprovada pelo CNPq para financiar pesquisas na \u00e1rea ap\u00edcola, a ABELHA vem oferecendo conv\u00eanios a federa\u00e7\u00f5es ap\u00edcolas. At\u00e9 agora todas recusaram. \u201cO conv\u00eanio proposto \u00e0 FARGS n\u00e3o prev\u00ea repasse de recursos\u201d, reclamou Cunha, salientando que a pr\u00f3pria CBA, atualmente presidida por Jos\u00e9 Soares de Arag\u00e3o Brito, de Sergipe, rejeitou proposta de conv\u00eanio.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58289\" aria-describedby=\"caption-attachment-58289\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-58289\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/aldomachado1-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58289\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;A agricultura n\u00e3o vai parar&#8221;, diz Aldo Machado dos Santos, defensor do di\u00e1logo entre apicultores e sojicultores \/ T\u00e2nia Meinerz \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO maior defensor de uma negocia\u00e7\u00e3o com a ABELHA \u00e9 Aldo Machado dos Santos, dono dos Api\u00e1rios S\u00e3o Gabriel e ex-presidente da FARGS at\u00e9 agosto passado. Criticado por apicultores por ter recebido dirigentes da ABELHA em S\u00e3o Gabriel, quando ainda estava \u00e0 frente da federa\u00e7\u00e3o, ele acredita que \u00e9 preciso buscar uma forma de entendimento com os fabricantes de produtos qu\u00edmicos porque \u201ca agricultura n\u00e3o vai parar\u201d.\u00a0\u00a0Ele mesmo se queixou de ter perdido 500 colmeias recentemente.<br \/>\n\u201cTemos que sentar e conversar com a ABELHA, que est\u00e1 valorizada pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia e pelo IBAMA\u201d, disse Machado dos Santos, que \u00e9 um dos l\u00edderes da Cooperativa de Apicultores do Pampa (Coapampa), cujas instala\u00e7\u00f5es est\u00e3o quase prontas em S\u00e3o Gabriel. A Coapampa est\u00e1 se preparando para exportar mel em grande escala.<br \/>\nOutros apicultores presentes \u00e0 assembleia realizada na esta\u00e7\u00e3o experimental da UFRGS em Eldorado do Sul, no Km 146 da BR-290, mencionaram not\u00edcias sobre estudos para se criar um fundo destinado a indenizar apicultores cujas colmeias tenham sido atingidas por pulveriza\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas.<br \/>\nPor relato de um participante da assembleia, soube-se que um apicultor de Encruzilhada do Sul, ap\u00f3s entrar na Justi\u00e7a por danos sofridos e lucros cessantes, foi indenizado liminarmente por uma empresa de avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola respons\u00e1vel pela morte de 60 colmeias de abelhas mel\u00edferas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">RS exporta US$ 6,7 milh\u00f5es em mel anualmente<\/span><br \/>\nMesmo sendo uma das primas pobres do agroneg\u00f3cio, a apicultura maneja um dos bra\u00e7os do ambientalismo. Al\u00e9m de produzir mel, as abelhas fazem a poliniza\u00e7\u00e3o dos vegetais nativos ou cultivados, contribuindo diretamente para o aumento do rendimento de diversas lavouras e para a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. Os apicultores, portanto, tendem a unir-se a todos os defensores do equil\u00edbrio ambiental amea\u00e7ado por pr\u00e1ticas predat\u00f3rias em campos e florestas.<br \/>\nContando a caixa, os caixilhos, a cera e o enxame de abelhas, uma colmeia n\u00e3o chega ao mato ou ao campo por menos\u00a0\u00a0de R$ 300. Al\u00e9m da vigil\u00e2ncia feita por um parceiro, os api\u00e1rios precisam ser vistoriados pelos seus propriet\u00e1rios, que precisam dispor de equipamentos especiais. Um uniforme ap\u00edcola custa R$ 180.<br \/>\nA morte das abelhas por agrot\u00f3xicos n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema da apicultura. O furto de colmeias come\u00e7a a ser visto como uma forma emergente de abigeato.<br \/>\nA granel, nas fontes de produ\u00e7\u00e3o, o quilo de mel n\u00e3o custa menos de R$ 10. No varejo, est\u00e1 sendo vendido a R$ 20, no m\u00ednimo. A exporta\u00e7\u00e3o de mel oscila ao sabor das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas nos \u00faltimos dez anos o Rio Grande do Sul teve uma receita m\u00e9dia anual de US$ 6,7 milh\u00f5es com vendas para o mercado externo &#8211; isso sem contar o produto ga\u00facho exportado por empresas do sul de Santa Catarina que compram mel a granel de apicultores do RS.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Pesquisador da UFRGS \u00e9 a favor da aproxima\u00e7\u00e3o com multinacionais<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_58291\" aria-describedby=\"caption-attachment-58291\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-58291 size-large\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/aronisattler1-1150x767.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"767\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58291\" class=\"wp-caption-text\">Para o professor Sattler, da UFRGS, n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda sen\u00e3o negociar com a Bayer e seus aliados \/ T\u00e2nia Meinerz \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nConsiderando os dois lados do confronto apicultores x usu\u00e1rios de agrot\u00f3xicos, o veterano professor Aroni Sattler, diretor do Departamento de Apicultura da UFRGS, aconselhou os apicultores a negociar com os sojicultores e seus fornecedores. Para ele, n\u00e3o adiantar fingir que as coisas n\u00e3o est\u00e3o acontecendo. \u201cA Bayer est\u00e1 credenciada pelo Minist\u00e9rio da Agricultura para produzir venenos\u201d, disse, lembrando que \u00e9 preciso buscar formas de conviv\u00eancia com todos os elos da cadeia \u2013 desde a ind\u00fastria at\u00e9 agricultores, passando pelos comerciantes de insumos e os prestadores de servi\u00e7os, como as empresas de avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<br \/>\nComo exemplo, Sattler citou o pr\u00f3prio caso: convidado pela Bayer, foi \u00e0 Alemanha conhecer as instala\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria. De volta a Porto Alegre, encaminhou um pedido de aux\u00edlio financeiro para um projeto de pesquisa sobre a apicultura migrat\u00f3ria praticada nos eucaliptais da Celulose Riograndense, que j\u00e1 atua como parceira da UFRGS ao liberar a atividade ap\u00edcola em seus \u201chortos florestais\u201d.<br \/>\nO fomento ap\u00edcola da ind\u00fastria de celulose de Gua\u00edba alcan\u00e7a 159 apicultores que cedem \u00e0 empresa, como pagamento pelo pasto das abelhas, 2,5 quilos anuais de mel por colmeia.\u00a0\u00a0Desse volume, 40% s\u00e3o encaminhados \u00e0 UFRGS em forma de equipamentos de extra\u00e7\u00e3o e envasamento de mel. Segundo Sattler, a Celulose ainda tem vagas para apicultores em 12 mil hectares de eucaliptais. No ano passado, a empresa recebeu 8 mil quilos de mel distribu\u00eddo a escolas dos munic\u00edpios em que atua.<br \/>\nAssim como se montou essa rede de amparo aos produtores de mel, est\u00e1 se formando uma rede para proteger os apicultores contra os danos dos agrot\u00f3xicos. Agora, em caso de acidente com colmeias situadas perto de lavouras, em vez de se queixar ao vento, os apicultores devem prestar queixa \u00e0s inspetorias veterin\u00e1rias regionais, que est\u00e3o orientadas a lavrar boletins de ocorr\u00eancia, recolher provas e pedir an\u00e1lise ao laborat\u00f3rio (Lanagro) do Minist\u00e9rio da Agricultura, que planejou o programa nacional de sanidade ap\u00edcola (PNSA)\u00a0como parte de uma articula\u00e7\u00e3o mundial de preven\u00e7\u00e3o ao mau uso de agrot\u00f3xicos.<br \/>\nCredenciada para dar andamento ao PNSA, a Secretaria da Agricultura est\u00e1 come\u00e7ando uma campanha de cadastramento de apicultores cujo mote \u00e9 \u201ccadastrar para poder cuidar\u201d. Segundo Nadilson Ferreira, coordenador da C\u00e2mara Setorial de Abelhas, Produtos e Servi\u00e7os da Secretaria, este ano morreram 1500 colmeias no interior ga\u00facho por conta de venenos agr\u00edcolas. \u201cA ABELHA ofereceu ajuda no cadastramento dos apicultores\u201d, admitiu Ferreira.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58290\" aria-describedby=\"caption-attachment-58290\" style=\"width: 267px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-58290\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/andres_canhedo-267x400.jpg\" alt=\"\" width=\"267\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58290\" class=\"wp-caption-text\">Andr\u00e9s Canhedo, professor da Unipampa: &#8220;A gente precisa abrir a boca&#8221; contra os abusos na aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos \/ T\u00e2nia Meinerz \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nFechando o cerco aos agrot\u00f3xicos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Meio Ambiente pediu \u00e0s entidades ap\u00edcolas que denunciem usu\u00e1rios de venenos que pratiquem crimes ambientais. \u201cSe a gente n\u00e3o abrir a boca, esse problema vai continuar\u201d, disse Andr\u00e9s Canhedo, professor de apicultura na Unipampa, de Bag\u00e9. Anselmo Kuhn, presidente da FARGS, botou lenha na fogueira: \u201cO Minist\u00e9rio P\u00fablico aceita den\u00fancia an\u00f4nima. Se o denunciante n\u00e3o quiser aparecer, a FARGS assume\u201d.<br \/>\n\u201cQuero lembrar que represento a FARGS no F\u00f3rum Ga\u00facho de Preven\u00e7\u00e3o ao Uso de Agrot\u00f3xicos, que opera dentro do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema)\u201d, lembrou Rog\u00e9rio Dall\u00f3, diretor-executivo da FARGS e da Coapampa.\u00a0Para ele, o ambiente est\u00e1 maduro para o fechamento de acordos com \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e institui\u00e7\u00f5es privadas em defesa da apicultura, at\u00e9 agora um elo esquecido da cadeia do agroneg\u00f3cio.<br \/>\nA assembleia geral da FARGS terminou com o consenso de que \u00e9 preciso conversar (com a temida A.B.E.L.H.A e com quem mais aparecer)\u00a0\u00a0para criar regras de conviv\u00eancia e definir objetivos comuns.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse Em assembleia geral convocada pela Federa\u00e7\u00e3o Ap\u00edcola do Rio Grande do Sul, os apicultores ga\u00fachos decidiram no dia 09\/12 \u201cconversar\u201d com a A.B.E.L.H.A \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos de Abelhas, entidade t\u00e9cnico-cient\u00edfica que vem propondo um conv\u00eanio de coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca. 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