{"id":58302,"date":"2017-12-13T18:08:46","date_gmt":"2017-12-13T20:08:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=58302"},"modified":"2017-12-13T18:08:46","modified_gmt":"2017-12-13T20:08:46","slug":"a-grafar-vai-na-fumaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-grafar-vai-na-fumaca\/","title":{"rendered":"\u201cA Grafar vai na fuma\u00e7a\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Edgar Vasques resgata uma express\u00e3o que remonta \u00e0s guerras do pampa, para definir a Associa\u00e7\u00e3o dos Artistas Gr\u00e1ficos de Porto Alegre. Quem \u201cvai na fuma\u00e7a\u201d \u00e9 aquele que combate na vanguarda, debaixo do fogo da artilharia.<br \/>\nA Grafar, da qual Vasques \u00e9 um dos fundadores, est\u00e1 na origem de um movimento que \u00e9 vanguarda no Brasil, reconhecido at\u00e9 no exterior.<br \/>\nDesenhista em tempo integral, aos 68 anos, Vasques combate em todas as frentes do humor gr\u00e1fico \u2013 charge, cartoon, caricatura, quadrinho. Sempre debaixo da fuma\u00e7a.<br \/>\nDesde a estreia, no distante ano de 1973, quando come\u00e7ou a publicar o Rango, na Folha da Manh\u00e3.<br \/>\nEra plena ditadura, na euforia do milagre brasileiro. Ele apresentou um personagem que era o retrato da fome e da pobreza no pa\u00eds.<br \/>\nEdgar Vasques falou ao J\u00c1 sobre esse movimento dos artistas gr\u00e1ficos ga\u00fachos, na linha de frente do humor que n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9guas.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58300\" aria-describedby=\"caption-attachment-58300\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-58300 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rango109.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"360\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58300\" class=\"wp-caption-text\">Os quadrinhos do Rango, um dos mais c\u00e9lebres anti-her\u00f3is das tiras brasileiras, que resumia na \u00e9poca da ditadura \u2013 e ainda resume \u2013 a mis\u00e9ria do nosso povo \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"entreperg\">J\u00c1 &#8211; Onde come\u00e7a a Grafar?<\/span><br \/>\n<span class=\"entreperg\">Vasques &#8211; <\/span>Os antecedentes est\u00e3o na Folha da Manh\u00e3, em 1973. Entrei para cobrir umas f\u00e9rias do Ver\u00edssimo. Criamos o Quadr\u00e3o, um encarte editado pelo Fraga (Jos\u00e9 Guaraci Fraga). Ali surgiram o Santiago, o Corvo&#8230; Era ditadura&#8230; O que o jornalista n\u00e3o podia dizer, o humorista dizia, com um desenho ou uma charge.<br \/>\nO espa\u00e7o do humor foi valorizado. Vimos tamb\u00e9m que havia uma tradi\u00e7\u00e3o e, ent\u00e3o, juntamos os mais velhos: Bendatti, Mottini, Joaquim da Fonseca, Sampaulo, Sampaio, Canini \u2013 os mestres, com os guris que estavam come\u00e7ando \u2013 Bier, Iotti, Guazzelli, Rodrigo Rosa\u2026<br \/>\n<span class=\"entreperg\">O Quadr\u00e3o teve uma fase no Coojornal&#8230;<\/span><br \/>\nA Folha da Manh\u00e3 mudou e, depois, fechou. O Coojornal levou o Quadr\u00e3o e a partir dali a cooperativa criou um setor de arte aplicada, charge, ilustra\u00e7\u00e3o, quadrinho, comandada pelo S\u00e9rgio Batsow, onde tinha o Ferr\u00e9, o Corvo, Santiago, come\u00e7ando a chegar o Moa, o Juska, Roberto Silva.<br \/>\nA cooperativa tinha diversas publica\u00e7\u00f5es impressas, demandava bastante ilustra\u00e7\u00e3o. Tudo isso ajudou a aglutinar e resultou na Grafar, uma associa\u00e7\u00e3o completamente an\u00e1rquica. J\u00e1 tentamos organizar, com mensalidade, sede, estatuto, n\u00e3o deu certo.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Mas tem um presidente?<\/span><br \/>\nSim, o presidente \u00e9 o Hauss, est\u00e1 no cargo h\u00e1 dez anos, porque n\u00e3o se consegue fazer uma elei\u00e7\u00e3o. Apesar disso, de todas as tentativas de se criar associa\u00e7\u00f5es no pa\u00eds\u00a0 na \u00e1rea a Grafar \u00e9 mais bem sucedida.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">O que faz a Grafar?<\/span><br \/>\nA Grafar \u201cvai na fuma\u00e7a\u201d. Ela leva o humor e a cr\u00edtica aos limites, vai onde precisa, atrav\u00e9s de publica\u00e7\u00f5es, sal\u00f5es, palestras\u2026e por ultimo se expandiu pelo Estado: Rio Grande, Santa Maria, Passo Fundo, tem uma rapaziada furiosa. Tem lista na internet, tramam os planos e fazem acontecer, est\u00e3o sempre produzindo. Claro, tem fases desleixo&#8230;faz parte.<br \/>\n<span class=\"culturadestaque entreperg\">Da Grafar nasce o Sal\u00e3o de Desenho para Imprensa?<\/span><br \/>\nO sal\u00e3o nasce da\u00ed, pensamos numa coisa institucional, da cidade, uma mostra anual dessa arte aplicada que \u00e9 o desenho feito para a imprensa, para a popula\u00e7\u00e3o, aberta, gratuita. A ideia foi acolhida pelo secret\u00e1rio de Cultura, o jornalista Pilla Vares, e a vereadora Margarete Moraes aprovou uma lei incluindo o sal\u00e3o no calend\u00e1rio cultural do Munic\u00edpio. Nesse per\u00edodo o sal\u00e3o teve muito apoio. Trazia o Millor Fernandes para ser jurado. Os irm\u00e3os Caruso, cartunistas da argentina e do Uruguai, os melhores.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-58301 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Rango110.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"363\" \/><br \/>\n<span class=\"entreperg\">A Grafar era a curadora do Sal\u00e3o?<\/span><br \/>\nNo in\u00edcio sim, ajudamos a criar o regulamento, os conceitos porque era uma \u00e1rea que o poder p\u00fablico n\u00e3o conhecia. Mas era um evento da prefeitura. Depois nos afastamos, continuamos colaborando \u00e0 dist\u00e2ncia. Sempre participamos do j\u00fari, por exemplo. Sugerimos nomes, eu este ano fui jurado nas duas inst\u00e2ncias, na sele\u00e7\u00e3o que escolhe 100 trabalhos de um total de 300 inscritos e na premia\u00e7\u00e3o que indica os cinco melhores.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">O que houve com o Sal\u00e3o este ano?<\/span><br \/>\nAs \u00faltimas administra\u00e7\u00f5es n\u00e3o se interessavam pelo Sal\u00e3o, mas as equipes da Secretaria de Cultura, briosamente, faziam cumprir a lei.<br \/>\nAt\u00e9 que chegou abril deste ano e n\u00e3o aconteceu nada. N\u00e3o tinha os editais, prazo de inscri\u00e7\u00e3o&#8230; A lei prev\u00ea uma dota\u00e7\u00e3o de verba para realizar o Sal\u00e3o, \u00e9 20 ou 25 mil reais. S\u00e3o 10 mil para cinco pr\u00eamios de 2 mil cada um e o restante para a produ\u00e7\u00e3o do Sal\u00e3o.<br \/>\nFalamos com a vereadora Sofia Cavedon, foi marcada uma reuni\u00e3o com o secret\u00e1rio Municipal de Cultura, Luciano Alabarse. A\u00ed aconteceu que a reuni\u00e3o foi suspensa e n\u00e3o me avisaram, cheguei l\u00e1 na secretaria n\u00e3o tinha ningu\u00e9m. Mas quando estou saindo vem chegando o secret\u00e1rio Alabarse. Ele esteve tamb\u00e9m na prefeitura do PT, promotor do Porto Alegre em Cena&#8230;tem um curr\u00edculo a zelar. Falei e disse que o Sal\u00e3o este ano completa 25 anos e inclusive \u00e9 lei e burlar a lei tem consequ\u00eancia.<br \/>\nNa verdade ele n\u00e3o era contra, n\u00e3o estava nem a\u00ed\u2026 mas viu que o neg\u00f3cio da lei podia dar problema, mobilizou o pessoal da coordena\u00e7\u00e3o de artes pl\u00e1sticas e acabou saindo, sem pr\u00eamio. O vencedor ganha um portf\u00f3lio de seu trabalho. N\u00e3o teve nem cach\u00ea para o j\u00fari, fomos de gra\u00e7a, amor \u00e0 camiseta.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">E o resultado do Sal\u00e3o neste ano?<\/span><br \/>\nS\u00e3o cinco categorias. Quadrinhos tava legal, tem em Rio Grande um maravilhoso aquarelista, Alyssom Afonso &#8211; o que ele faz com a aquarela&#8230; lindo visualmente, conceitualmente muito adequado. N\u00e3o ganhou porque tinha Pablito Aguiar, de Alvorada. Ele aborda a vida daqueles em que ningu\u00e9m presta &#8211; \u00e9 um rep\u00f3rter.<br \/>\n<figure id=\"attachment_57881\" aria-describedby=\"caption-attachment-57881\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-57881 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/171130_Joel-Vargas_PMPA-005-200x143.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"143\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-57881\" class=\"wp-caption-text\">O artista Kleber Sales, com o trabalho Morte de Fidel, foi um dos premiados do sal\u00e3o de 2017 \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNa caricatura tinha coisas primorosas, a vencedora, do ator Tonico Pereira, \u00e9 um requinte. Na ilustra\u00e7\u00e3o, ganhou Cleber Salles, do Correio Brasiliense com uma caricatura de Fidel Castro.<br \/>\nCharges e cartoon foram os mais fracos. Falta de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o maior problema, os caras tentam fazer humor em torno de assunto que entenderam errado. Apenas uma charge inscrita se referia ao impeachment da presidente Dilma Roussef.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Como foi a participa\u00e7\u00e3o, assim com uma organiza\u00e7\u00e3o tardia?<\/span><br \/>\nFoi surpreendente, inclusive a inscri\u00e7\u00e3o de grandes nomes internacionais, da B\u00e9lgica, da Ucr\u00e1nia.<br \/>\nE tem at\u00e9 charges de Iber\u00ea Camargo.\u00a0\u201cIber\u00ea chargista\u201d \u00e9 o tema da mostra paralela do sal\u00e3o. \u00c9 uma exposi\u00e7\u00e3o surpreendente de trabalhos poucos conhecidos Iber\u00ea. Nem eu sabia que existia, uma coisa que o Iber\u00ea n\u00e3o tinha era humor, o que n\u00e3o quer dizer porque mau humor tamb\u00e9m \u00e9.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">E a imprensa local como reage a um sal\u00e3o sobre desenhos para a imprensa?<\/span><br \/>\nA imprensa ignora solenemente. Os desenhistas dos grandes ve\u00edculos n\u00e3o participam. As vezes s\u00e3o jurados, como o Fraga, da Zero Hora, o Iotti, quando est\u00e1 a\u00ed, porque mora nos EUA. Not\u00edcia mesmo quem dava alguma coisa era o Roger Lerina\u2026 Agora nem isso.<br \/>\n<span class=\"culturadestaque entreperg\">H\u00e1 sentido em falar em imprensa?<\/span><br \/>\nO meio impresso est\u00e1 combatendo em retirada&#8230; Na internet ningu\u00e9m \u00e9 de ningu\u00e9m&#8230; A crise \u00e9 muito grande. Eu me sinto cercado, precisamos de uma sortida para romper o cerco.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Voc\u00eas todos, de certa forma, s\u00e3o disc\u00edpulos do Sampaulo, n\u00e3o?<\/span><br \/>\nSampaulo foi o primeiro profissional. O Sampaio, o irm\u00e3o dele, excelente chargista, virou funcion\u00e1rio p\u00fablico. Ele n\u00e3o, viveu daquilo, mostrou para n\u00f3s que esse atividade pode ser uma profiss\u00e3o. Al\u00e9m da grande qualidade, ele tem esse m\u00e9rito.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Ele consagrou tamb\u00e9m o humor pol\u00edtico.<\/span><br \/>\nFizemos uma exposi\u00e7\u00e3o das charges publicadas (ou censuradas) na imprensa ga\u00facha durante a ditadura militar. J\u00e1 em 1965, Sampaulo escrachava o general Castelo Branco numa caricatura.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58308\" aria-describedby=\"caption-attachment-58308\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-58308 size-large\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cartLEVBrasil500-1150x795.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"795\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58308\" class=\"wp-caption-text\">Artista completo, Vasques vai desde cartuns a aquarelas \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-58309 size-large\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/aqLEVcapilha-1150x836.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"836\" \/><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edgar Vasques resgata uma express\u00e3o que remonta \u00e0s guerras do pampa, para definir a Associa\u00e7\u00e3o dos Artistas Gr\u00e1ficos de Porto Alegre. 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