{"id":58747,"date":"2018-01-09T14:04:38","date_gmt":"2018-01-09T16:04:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=58747"},"modified":"2018-01-09T14:04:38","modified_gmt":"2018-01-09T16:04:38","slug":"apicultores-unidos-contra-o-mau-uso-de-toxicos-no-agro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/apicultores-unidos-contra-o-mau-uso-de-toxicos-no-agro\/","title":{"rendered":"Grupo de trabalho investiga morte de abelhas por agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Geraldo Hasse<\/span><br \/>\nFormado h\u00e1 um m\u00eas no \u00e2mbito da C\u00e2mara Setorial de Abelhas, Produtos e Servi\u00e7os da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, o grupo de trabalho sobre o impacto dos agrot\u00f3xicos na apicultura faz nesta quarta-feira, 10, sua primeira reuni\u00e3o.<br \/>\nO grupo, que tem por meta equacionar o principal problema da apicultura \u2013 a mortalidade das abelhas provocada pelo uso indiscriminado dos venenos agr\u00edcolas -, \u00e9 composto por t\u00e9cnicos da Secretaria da Agricultura, da Federa\u00e7\u00e3o dos Apicultores (FARGS), da Emater, da Farsul e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (SEMA).<br \/>\n<figure id=\"attachment_58077\" aria-describedby=\"caption-attachment-58077\" style=\"width: 267px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-58077 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/anselmo_taquari2-267x400.jpg\" alt=\"\" width=\"267\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58077\" class=\"wp-caption-text\">Anselmo Kuhn, presidente da FARGS \/ T\u00e2nia Meinerz<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cO mau uso dos agrot\u00f3xicos colocou a apicultura numa encruzilhada\u201d, afirmou o presidente da FARGS, Anselmo Kuhn, na reuni\u00e3o da C\u00e2mara Setorial das Abelhas, realizada em\u00a0dezembro. Consciente de que a maioria dos apicultores trabalha dentro do esp\u00edrito do extrativismo, com baixo grau de associativismo, Kuhn reconhece que, embora tenha criado recentemente o Sistema Integrado do Gest\u00e3o de Agrot\u00f3xicos (SIGA), o Estado carece de informa\u00e7\u00f5es sobre o uso de venenos na agricultura. Os casos registrados configuram a ponta de um iceberg ainda n\u00e3o dimensionado.<br \/>\nSegundo um levantamento apresentado em dezembro por Nadilson Ferreira, coordenador da C\u00e2mara Setorial, apenas no in\u00edcio do ano agr\u00edcola 2017\/2018 (em andamento) a apicultura ga\u00facha havia perdido 1489 colmeias em seis munic\u00edpios onde foram registradas ocorr\u00eancias envolvendo o uso irrespons\u00e1vel de venenos em lavouras de soja.<br \/>\nOs locais mais afetados foram S\u00e3o Gabriel (657 colmeias) e S\u00e3o Francisco de Assis (418 colmeias). Estima-se que cada colmeia perdida represente um preju\u00edzo de R$ 800 aos apicultores, que somente agora come\u00e7am a reclamar, pois boa parte deles opera na informalidade, com um at\u00e1vico receio da fiscaliza\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e tribut\u00e1ria.<br \/>\nAl\u00e9m de cadastrar os apicultores, a Secretaria da Agricultura est\u00e1 em campanha para que, em caso de \u201cacidentes\u201d com suas colmeias, os produtores de mel prestem queixa em inspetorias regionais de veterin\u00e1ria, cujos t\u00e9cnicos, por sua vez, est\u00e3o sendo orientados a enviar amostras (de mel e de abelhas mortas) a laborat\u00f3rios de an\u00e1lises biol\u00f3gicas e bioqu\u00edmicas \u2013 no Estado h\u00e1 tr\u00eas aptos a fazer os exames: em Porto Alegre (UFRGS), Santa Maria (UFSM) e Lajeado (Univates). Com isso, pretende-se fechar paulatinamente o circuito de controle do mau uso de agrot\u00f3xicos.<br \/>\nNo \u00e2mbito federal, apenas h\u00e1 pouco o Minist\u00e9rio da Agricultura criou o Programa Nacional de Sanidade Ap\u00edcola, que abre perspectivas para que os apicultores consigam financiamentos do sistema de cr\u00e9dito agr\u00edcola. Enquanto isso, o Sindicato Nacional de Ind\u00fastria de Defesa Vegetal (Sindiveg) criou um projeto chamado Colmeia Viva, que se prop\u00f5e a ajudar os apicultores a se defenderem das aplica\u00e7\u00f5es irrespons\u00e1veis de venenos em lavouras.<br \/>\nA agr\u00f4noma respons\u00e1vel pelo projeto, Paula Arigoni, foi bem recebida na reuni\u00e3o de dezembro da C\u00e2mara Setorial das Abelhas, mas a maioria dos apicultores presentes ficou na defensiva, pois acredita que os fabricantes de agrot\u00f3xicos est\u00e3o chegando ao problema com um atraso de dez anos.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58748\" aria-describedby=\"caption-attachment-58748\" style=\"width: 267px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-58748 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paula-arigoni-sindiveg-267x400.jpg\" alt=\"\" width=\"267\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58748\" class=\"wp-caption-text\">Paula Arigoni, coordenadora do projeto Colmeia Viva \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nFoi em 2007 que surgiram nos EUA e na Europa as primeiras den\u00fancias e suspeitas de que a onda de mortandade das abelhas tinha como principal causa a m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o de agroqu\u00edmicos. Em anos recentes, concluiu-se que, al\u00e9m dos venenos agr\u00edcolas, h\u00e1 outras causas \u2013 doen\u00e7as dos insetos, por exemplo &#8212; para o problema, presente em todos os pa\u00edses em que a apicultura vem sendo acuada pelo avan\u00e7o da agricultura ultramecanizada.<br \/>\nPreocupada com a judicializa\u00e7\u00e3o dos \u201cacidentes\u201d, a ind\u00fastria agroqu\u00edmica quer que os comerciantes de venenos assumam sua responsabilidade, junto com os agricultores e os prestadores de servi\u00e7os \u2013 entre os quais se destacam as empresas de avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, que costumam operar em regime de urg\u00eancia, sem dar tempo para que os apicultores retirem suas colmeias dos arredores das lavouras pulverizadas. Em alguns locais, na regi\u00e3o da campanha,\u00a0\u00a0est\u00e1 se desenvolvendo um di\u00e1logo produtivo entre apicultores e agricultores.<br \/>\nEm agosto passado, Ademir Hattinger, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Apicultores de Santiago, cujos 43 s\u00f3cios mant\u00eam cerca de 20 000 colmeias itinerantes num raio de 100 quil\u00f4metros da cidade, passou um fim de semana trabalhando para remover cerca de 500 colmeias de uma \u00e1rea de soja que seria alvo de pulveriza\u00e7\u00e3o. \u201cAinda bem que fomos avisados com anteced\u00eancia\u201d, lembra Hattinger, que acabou ficando sem tempo para comparecer ao congresso estadual de apicultura que se realizava, naqueles dias, em S\u00e3o Gabriel.<br \/>\nNesse evento, com mais de 300 apicultores presentes, surgiram relatos de que, na Argentina, h\u00e1 casos exemplares de \u201caproxima\u00e7\u00e3o\u201d e entendimento entre apicultores e sojicultores, enfim conscientes de que as abelhas fazem parte de um complexo sistema interdependente de produ\u00e7\u00e3o. Sem as abelhas e outros insetos, a poliniza\u00e7\u00e3o dos vegetais fica radicalmente prejudicada, comprometendo n\u00e3o apenas a produ\u00e7\u00e3o de alimentos mas a pr\u00f3pria sustentabilidade dos biomas.<br \/>\nPor tudo isso, junto com a consci\u00eancia de que os agrot\u00f3xicos s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela morte das abelhas, cresce a vigil\u00e2ncia sobre a aplica\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de venenos nas lavouras. Em 2016, 80% dos processos abertos no conselho de \u00e9tica do CREA-RS estavam relacionados a irregularidades nas receitas emitidas por agr\u00f4nomos \u2013 alguns s\u00e3o citados jocosamente como PhD, em que a sigla Philosophical Doctor foi trocada por \u201cProfissional habilitado em Defensivos\u201d. Na reuni\u00e3o de dezembro da C\u00e2mara Setorial das Abelhas, foi citado o caso do Mertin: indicado oficialmente para as culturas de algod\u00e3o e feij\u00e3o, esse \u201cdefensivo\u201d foi receitado para matar caramujos nas lavouras de arroz irrigado do Rio Grande do Sul.<br \/>\nPor fatos como esses, est\u00e3o na mira da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente do Minist\u00e9rio P\u00fablico as 1500 revendas de agrot\u00f3xicos existentes no Estado. O problema \u00e9 que, para controlar a venda de venenos, o eventual contrabando de insumos e as pr\u00e1ticas nefastas de profissionais avulsos da agricultura, o MP depende da colabora\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os de governo ou institui\u00e7\u00f5es de pesquisa em que atuam poucos abnegados. Os mais citados, por antiguidade, s\u00e3o Aroni Sattler, professor da UFRGS; e Nadilson Ferreira, da C\u00e2mara Setorial de Abelhas, Produtos e Servi\u00e7os, ambos doutores em assuntos ap\u00edcolas.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58290\" aria-describedby=\"caption-attachment-58290\" style=\"width: 267px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-58290\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/andres_canhedo-267x400.jpg\" alt=\"\" width=\"267\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58290\" class=\"wp-caption-text\">Andr\u00e9s Canhedo, professor da Unipampa: &#8220;A gente precisa abrir a boca contra os abusos na aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos&#8221; \/ T\u00e2nia Meinerz<\/figcaption><\/figure><br \/>\nUltimamente vem se sobressaindo o jovem professor Andr\u00e9s Canhedo, da Unipampa. De origem uruguaia, em eventos do setor ele usa uma camiseta contendo uma sutil adapta\u00e7\u00e3o da frase shakespeariana \u201cBee Or Not To Be\u201d, d\u00favida que remete \u00e0 famosa senten\u00e7a de Einstein, segundo o qual a humanidade n\u00e3o sobreviveria mais do que quatro anos em caso de desaparecimento das abelhas. Canhedo est\u00e1 convencido de que o problema da morte das abelhas provocado por agrot\u00f3xicos, roubo de colmeias e outras causas, s\u00f3 ser\u00e1 resolvido se os apicultores e demais participantes da cadeia ap\u00edcola denunciarem todas as ocorr\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse Formado h\u00e1 um m\u00eas no \u00e2mbito da C\u00e2mara Setorial de Abelhas, Produtos e Servi\u00e7os da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, o grupo de trabalho sobre o impacto dos agrot\u00f3xicos na apicultura faz nesta quarta-feira, 10, sua primeira reuni\u00e3o. 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