{"id":59631,"date":"2018-02-06T22:48:52","date_gmt":"2018-02-07T00:48:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=59631"},"modified":"2018-02-06T22:48:52","modified_gmt":"2018-02-07T00:48:52","slug":"carnaval-na-cidade-baixa-inaugura-a-privatizacao-do-espaco-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/carnaval-na-cidade-baixa-inaugura-a-privatizacao-do-espaco-publico\/","title":{"rendered":"Carnaval na Cidade Baixa inaugura a privatiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Higino Barros<\/span><br \/>\nA manh\u00e3 dessa segunda-feira, 05\/02, foi mais trabalhosa para Celso Bota, aposentado, morador no n\u00famero 209 da Rua da Rep\u00fablica, Cidade Baixa, bairro escolhido pela maioria dos blocos de Porto Alegre para celebrar o carnaval de rua de 2018. Normalmente, nesse dia da semana ele lava a cal\u00e7ada do pr\u00e9dio onde mora para limpar o que uma popula\u00e7\u00e3o itinerante e sem compromisso com o espa\u00e7o que frequenta deixa no local. Garrafas, latas, fezes, cheiro forte de urina e outros detritos \u00e9 o que ele encontra.<br \/>\n\u201cNesse fim de semana foi muito pior\u201d, desabafa Bota, ap\u00f3s jogar bastante \u00e1gua na cal\u00e7ada e nos cantos dos pr\u00e9dios pr\u00f3ximos, fazendo o balan\u00e7o de dois dias em que as esquinas da Rep\u00fablica e da Sofia Veloso, com a Lima e Silva, abrigaram eventos em que milhares de pessoas acorreram ao local, para evidente desagrado da maioria dos moradores do bairro da Cidade Baixa. C\u00e1lculos dos organizadores estimam que cerca de 50 mil pessoas passaram pela \u00e1rea nos dois dias.<br \/>\n\u201cNa Vila Madalena, em S\u00e3o Paulo, ocorre a mesma coisa, \u00e9 o pre\u00e7o que se paga por ser um bairro bo\u00eamio\u201d, lembrava um dos comunicadores da R\u00e1dio Bandeirantes ga\u00facha, enquanto outro argumentava: \u201cMas os moradores da Vila Madalena e da Cidade Baixa foram consultados se eles queriam que o bairro fosse bo\u00eamio?\u201d.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<figure id=\"attachment_59634\" aria-describedby=\"caption-attachment-59634\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-59634 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/celso-bota-300x400.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-59634\" class=\"wp-caption-text\">\u201cNesse fim de semana foi pior\u201d, desabafa Bota<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">A\u00e7\u00e3o promocional<\/span><br \/>\nNa opini\u00e3o de Celso Bota o problema \u00e9 irrevers\u00edvel e a cada ano piora. \u201cCom essa novidade da Skol aqui agravou ainda mais o barulho e a sujeira, j\u00e1 que atraiu mais gente\u201d, conta. Em uma a\u00e7\u00e3o promocional, a companhia de cerveja est\u00e1 marcando sua presen\u00e7a nesse carnaval em algumas cidades do Pa\u00eds, entre elas, Porto Alegre. E nos eventos carnavalescos instalou ventiladores gigantes que promete trazer o vento das praias do Nordeste para o local da folia.<br \/>\n<figure id=\"attachment_59635\" aria-describedby=\"caption-attachment-59635\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-59635 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/skol-1.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"360\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-59635\" class=\"wp-caption-text\">Ventiladores gigantes prometem trazer o vento das praias do Nordeste para o local da folia<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEm Porto Alegre, tal equipamento funcionou no s\u00e1bado e no domingo passado. Um trecho da Rua da Rep\u00fablica foi interditado e proibido a circula\u00e7\u00e3o de pedestres pela \u00e1rea do ventilador da Skol. O som foi m\u00fasica eletr\u00f4nica. \u201c\u00c9 a privatiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos \u201c, denunciaram internautas nas redes do facebook ao registrarem os eventos. A cervejaria se defende: o acesso aos menores na \u00e1rea \u00e9 proibido e como se distribui cerveja de gra\u00e7a \u00e9 necess\u00e1rio um cadastramento pr\u00e9vio para se ter acesso \u00e0 \u00e1rea fechada.<br \/>\nA pr\u00e1tica de empresas ocuparem espa\u00e7os p\u00fablicos, em acordos bancados pelo poder municipal tem sido crescente no carnaval brasileiro. Em Salvador, por exemplo, um dos lugares que o carnaval se tornou um evento de grande significado financeiro para a cidade, parece haver um esgotamento da f\u00f3rmula comercial e um apelo cada vez mais presente a tempos menos comerciais.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Palavra de Waltinho<\/span><br \/>\nWalter Pinheiro de Queiroz Junior, o Waltinho, advogado, publicit\u00e1rio e compositor, respeitado em Salvador, um dos fundadores do Bloco do Jacu, que procura, com sucesso, fazer contraponto aos grandes blocos baianos que vendem abad\u00e1s nessa \u00e9poca do ano para os foli\u00f5es concentrados em \u00e1reas isoladas por cordas, pontifica:<br \/>\n\u201cO carnaval \u00e9 na sua ess\u00eancia a mais alta experi\u00eancia de catarse coletiva. E num pa\u00eds de dolorosas diferen\u00e7as como o nosso, institucionalizar o j\u00e1 reinante apartheid do modelo atual, \u00e9 um tiro na esperan\u00e7a de uma festa mais humana e pac\u00edfica que s\u00f3 acontecer\u00e1 quando ca\u00edrem as cordas\u201d.<br \/>\nEm entrevista ao blog Uma Outra Bahia, do jornalista C\u00e9sio de Oliveira, Waltinho faz uma radiografia demolidora do que aconteceu com o carnaval baiano e que se projeta para outras cidades brasileiras:\u00a0\u201cA quest\u00e3o fundamental est\u00e1 no fato de que sa\u00edmos de um modelo participativo e democr\u00e1tico para uma festa espremida por cordas e camarotes. O gigantismo dos trios de som predador, fantasias med\u00edocres, m\u00fasicas an\u00f3dinas, o est\u00edmulo \u00e0 baixa sensualidade que aliada ao \u00e1lcool estimula a viol\u00eancia numa longa maratona momesca onde a poesia e a espontaneidade foram esquecidas\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Conta de tudo<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA jornalista baiana Gilka Bandeira tamb\u00e9m explica o que aconteceu em Salvador, ao tomar conhecimento da a\u00e7\u00e3o da Skol nos espa\u00e7os privativos p\u00fablicos da capital ga\u00facha. \u201cA\u00ed tamb\u00e9m? Em Salvador j\u00e1 acontece h\u00e1 bom tempo. Os camarotes para ricos e apadrinhados ocupam quase toda orla e Campo Grande. Antigamente, quem n\u00e3o queria se misturar com a plebe ia aos clubes, hoje os clubes ocupam as ruas\u201d. O fot\u00f3grafo Ren\u00e9 Cabrales, que conhece bem o carnaval da capital ga\u00facha, refor\u00e7a o que est\u00e1 vendo na capital baiana: \u201cAqui na Bahia, a Skol tomou conta do carnaval\u201d.<br \/>\nA jornalista ga\u00facha Andr\u00e9a Martins, ao comentar o assunto no facebook, passou a vers\u00e3o que justifica a presen\u00e7a da Skol na rua da Rep\u00fablica: \u201cO Carlos Machado, rep\u00f3rter da r\u00e1dio Gua\u00edba me explicou. Como o Jr. (prefeito Marchezan) n\u00e3o colaborou (financeiramente) com o carnaval, a Skol patrocinou tudo. Em troca pediu aquela quadra da Rep\u00fablica. Acho justo\u201d. O fot\u00f3grafo Pedro Henrich, que tamb\u00e9m participou da folia bancada pela fabricante de cerveja no s\u00e1bado, achou normal a sua presen\u00e7a: \u201cNo espa\u00e7o da Skol era m\u00fasica eletr\u00f4nica. Mas a poucos metros havia um trio el\u00e9trico tocando m\u00fasicas de carnaval. Assim, havia m\u00fasica para todos os gostos\u201d.<br \/>\nA Skol \u00e9 a maior patrocinadora dos blocos de rua de Porto Alegre, ao lado do aplicativo de t\u00e1xi 99 e da Claro, bancando principalmente os que s\u00e3o ligados \u00e0s produtoras Opini\u00e3o, Austral e Ol\u00eale. Em outras duas datas, dia 10 e dia 18, ela colocar\u00e1 seu aparato de novo em dois locais de Porto Alegre. Nn Rua da Rep\u00fablica novamente, em frente ao teatro T\u00falio Piva, e a segunda vez na avenida Edvaldo Pereira, junto \u00e0 pista de skate do Parque Marinha do Brasil.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Casa geri\u00e1trica<\/span><br \/>\nAna Maria Dorneles, 72 anos, moradora da rua Sofia Veloso, \u00e9 das que investem contra os blocos e a Skol, afirmando que tem pena dos moradores dos locais pr\u00f3ximos \u00e0 folia momesca. \u201cO som dos carros ficou mais alto, o barulho insuport\u00e1vel e aqui tem uma casa residencial geri\u00e1trica h\u00e1 poucos metros onde estava o caminh\u00e3o. N\u00e3o sei como seus moradores suportaram o som alto durante umas cinco horas\u201d, investe Ana Dorneles.<br \/>\nMas como um exemplo que o assunto \u00e9 controverso e divide uma parte dos pr\u00f3prios moradores da Cidade Baixa, uma faixa estendida na frente da casa geri\u00e1trica citada proclamava nos dias de folia: \u201cBloco Sassarico da melhor&#8230;direto do Camarote Velha Guarda Gerion sa\u00fada o Carnaval da Cidade Baixa e o Bloco Maria do Bairro\u201d.<br \/>\n<figure id=\"attachment_59633\" aria-describedby=\"caption-attachment-59633\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-59633 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/casa-geri\u00e1trica.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"863\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-59633\" class=\"wp-caption-text\">Casa geri\u00e1trica<\/figcaption><\/figure><br \/>\nAssim entre marchinhas de carnaval, sambas, funks, raps e outros ritmos an\u00f3dinos ao festejos de Momo se desenrola o Carnaval de Rua de Porto Alegre. Sem o dinheiro da Prefeitura para financi\u00e1-lo como j\u00e1 ocorreu no ano anterior e com o territ\u00f3rio livre para interven\u00e7\u00f5es, consentidas pelo poder municipal, para ocupa\u00e7\u00f5es de espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Higino Barros A manh\u00e3 dessa segunda-feira, 05\/02, foi mais trabalhosa para Celso Bota, aposentado, morador no n\u00famero 209 da Rua da Rep\u00fablica, Cidade Baixa, bairro escolhido pela maioria dos blocos de Porto Alegre para celebrar o carnaval de rua de 2018. 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