{"id":600,"date":"2007-08-30T15:04:28","date_gmt":"2007-08-30T18:04:28","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=600"},"modified":"2007-08-30T15:04:28","modified_gmt":"2007-08-30T18:04:28","slug":"lixo-seco-e-disputado-em-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/lixo-seco-e-disputado-em-porto-alegre\/","title":{"rendered":"Lixo seco \u00e9 disputado em Porto Alegre"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Adriana Ag\u00fcero, especial para o J\u00c1<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Estimativas do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) apontam que cerca de 6 mil &#8220;papeleiros&#8221; recolhem 60 toneladas de lixo recicl\u00e1vel diariamente na capital. Esse material \u00e9 vendido a atravessadores, em dep\u00f3sitos clandestinos espalhados pela periferia. Outras 60 toneladas s\u00e3o recolhidas pelo pr\u00f3prio DMLU e levadas para as 13 Unidades de Separa\u00e7\u00e3o do Lixo da Coleta Seletiva da Prefeitura. Al\u00e9m disso, aproximadamente 4 mil carro\u00e7as est\u00e3o cadastradas na Empresa P\u00fablica de Tr\u00e2nsito e Circula\u00e7\u00e3o (EPTC) para transitarem diariamente recolhendo material. Estima-se que o n\u00famero real seja duas vezes maior.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ainda em 2006 o DMLU prop\u00f4s a assinatura de um conv\u00eanio com algumas organiza\u00e7\u00f5es representativas desses trabalhadores. A id\u00e9ia era formar cooperativas gerenciadas pelos catadores, na qual o poder p\u00fablico faria toda a coleta dos res\u00edduos e entregaria nas Unidades.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O conv\u00eanio, entretanto, n\u00e3o teve sucesso. O diretor de Projetos Sociais, Reaproveitamento e Reciclagem do DMLU, Jairo Armando dos Santos, explica que muitos catadores temem, com os galp\u00f5es de separa\u00e7\u00e3o, ganhar menos do que ganham como aut\u00f4nomos.\u00a0 \u201cEles n\u00e3o querem ter esse compromisso de trabalhar todos os dias durante um n\u00famero x de horas; eles est\u00e3o acostumados a trabalhar quando querem sem dar satisfa\u00e7\u00f5es a ningu\u00e9m. O que tem que ficar claro \u00e9 que o DMLU n\u00e3o quer tirar o lixo dos catadores, queremos, sim, entregar a eles todo o material recicl\u00e1vel diretamente nos galp\u00f5es da coleta seletiva\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em Porto Alegre j\u00e1 existem 13 Unidades como essa, administradas por cooperativados independentes que vendem o que separam e repartem o lucro. \u201cEm alguns galp\u00f5es cada trabalhador chega a receber at\u00e9 R$ 500,00 por m\u00eas, conforme as vendas\u201d, garante Jairo. Al\u00e9m disso, nas Unidades os cooperativados recebem palestras sobre educa\u00e7\u00e3o ambiental e vacinas gratuitas, como forma de preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as relacionadoas \u00e0 atividade.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em 2005, o vereador Sebasti\u00e3o Melo (PMDB), apresentou um projeto de lei visando reduzir gradativamente o n\u00famero de ve\u00edculos de tra\u00e7\u00e3o animal (VTA\u00b4s), implementando pol\u00edticas p\u00fablicas para transferir os carroceiros das ruas para os galp\u00f5es. O projeto de lei previa um novo cadastramento. \u201cO que \u00e9 feito hoje \u00e9 muito prec\u00e1rio, simplesmente registra a carro\u00e7a, mas n\u00e3o avalia a situa\u00e7\u00e3o social da fam\u00edlia do carroceiro\u201d, observa o vereador. O PL tamb\u00e9m previa o estancamento do n\u00famero de VTA\u00b4s, atrav\u00e9s da proibi\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o de novas habilita\u00e7\u00f5es, e a cria\u00e7\u00e3o de programas qualifica\u00e7\u00e3o profissional, educa\u00e7\u00e3o e cultura para os filhos dos carroceiros, visando afastar os menores carentes da condu\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos e do trabalho.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para o vereador, a proposta n\u00e3o segue adiante justamente por quest\u00f5es pol\u00edticas. \u201cAo governo falta vontade pol\u00edtica, j\u00e1 que este tema \u00e9 bastante pol\u00eamico. E ao DMLU falta uma pol\u00edtica mais agressiva de coleta do lixo, com a utiliza\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres ou modelos similares aos que se usam em outros munic\u00edpios, como em Caxias do Sul, por exemplo,\u201d opina. O substitutivo do projeto de lei ainda est\u00e1 tramitando na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a da C\u00e2mara dos Vereadores de Porto Alegre.<\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Interesse recente<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Carroceiros da Grande Porto Alegre (Ascarpoa), Te\u00f3filo Rodrigues Mota, o \u201cinteresse\u201d da Prefeitura pela regulariza\u00e7\u00e3o da atividade surgiu h\u00e1 pouco tempo. \u201cAntigamente quando o lixo n\u00e3o tinha valor comercial, o munic\u00edpio n\u00e3o se preocupava em separar, tudo ia junto misturado para dentro do aterro; mas desde que foi descoberto o lucrativo mercado do material recicl\u00e1vel, come\u00e7ou a disputa pela mat\u00e9ria-prima com a nossa categoria,\u201d argumenta.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ele revela que ganha em torno de R$ 300,00 a R$ 500,00 reais por m\u00eas na venda do material, e que o alum\u00ednio e os fios de cobre s\u00e3o os produtos mais valorizados. A Associa\u00e7\u00e3o formada por ele re\u00fane cerca de 1.000 associados e n\u00e3o cobra nenhum tipo de taxa ou contribui\u00e7\u00e3o dos participantes. Para Te\u00f3filo, a iniciativa, formada h\u00e1 menos de um ano, visa &#8220;organizar os carroceiros contra aqueles que querem tir\u00e1-los da rua&#8221;. Entre os planos a serem concretizados est\u00e1 a obten\u00e7\u00e3o de uma sede pr\u00f3pria, e que sirva tamb\u00e9m de dep\u00f3sito do material recolhido. \u201cN\u00e3o queremos ficar presos em galp\u00f5es sem direito ou benef\u00edcio algum. Se for assim, preferimos continuar a fazer a coleta nas ruas, porque dessa forma, mal ou bem, somos aut\u00f4nomos\u201d, argumenta.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Apesar da autonomia, a Associa\u00e7\u00e3o esbarra ainda em quest\u00f5es cruciais. Um dos problemas enfrentados pela categoria \u00e9 depender de atravessadores para vender o lixo. \u201cN\u00e3o h\u00e1 catador que n\u00e3o fa\u00e7a isso, n\u00e3o existe ainda outra forma,\u201d comenta desolado. Outra dificuldade \u00e9 o descr\u00e9dito na classe pol\u00edtica. \u201cN\u00e3o vamos atr\u00e1s de pol\u00edticos, porque se hoje ele te d\u00e1 algo, amanh\u00e3 ele te estar\u00e1 pedindo o dobro\u201d, observa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriana Ag\u00fcero, especial para o J\u00c1 Estimativas do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) apontam que cerca de 6 mil &#8220;papeleiros&#8221; recolhem 60 toneladas de lixo recicl\u00e1vel diariamente na capital. Esse material \u00e9 vendido a atravessadores, em dep\u00f3sitos clandestinos espalhados pela periferia. 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