{"id":61042,"date":"2018-04-03T12:36:51","date_gmt":"2018-04-03T15:36:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=61042"},"modified":"2018-04-03T12:36:51","modified_gmt":"2018-04-03T15:36:51","slug":"unidade-e-o-principal-desafio-da-esquerda-para-enfrentar-retrocesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/unidade-e-o-principal-desafio-da-esquerda-para-enfrentar-retrocesso\/","title":{"rendered":"Unidade \u00e9 o principal desafio da esquerda para enfrentar retrocesso"},"content":{"rendered":"<p>A unidade da esquerda para enfrentar o retrocesso democr\u00e1tico e a ascens\u00e3o do facismo na conjuntura mundial e nacional foi a t\u00f4nica\u00a0 do painel de abertura\u00a0 do semin\u00e1rio \u201cDesenvolvimento nacional: dilemas e perspectivas\u201d na noite\u00a0 desta segunda-feira (02\/04). No teatro Dante Barone na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.<br \/>\nOs palestrantes foram Tarso Genro, ex-ministro e ex-governador, \u00c2ngela Albino, ex-deputada federal de Santa Catarina e presidente da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois daquele estado e Jairo Jorge, ex-prefeito de Canoas\/RS e representante da Funda\u00e7\u00e3o Leonel Brizola-Alberto Pasqualini.<br \/>\nA media\u00e7\u00e3o foi de Jos\u00e9 Vicente Tavares dos Santos, coordenador do Instituto Latino-americano de Estudos Avan\u00e7ados da UFRGS.<br \/>\n<strong>Limites da democracia representativa<\/strong><br \/>\n&#8220;H\u00e1 momentos em nossa hist\u00f3ria que s\u00e3o momentos de virada da consci\u00eancia p\u00fablica, de ousadia da direita e do fascismo e estamos vivendo um desses momentos\u201d, disse o ex-ministro Tarso Genro.<br \/>\n\u201cTodos aqui estamos preocupados em construir uma unidade pol\u00edtica superior, n\u00e3o s\u00f3 de resist\u00eancia ao fascismo e ao projeto neoliberal rentista, mas tamb\u00e9m de construir um programa comum de uma esquerda plural, capaz de construir um grande plano pol\u00edtico e democr\u00e1tico de avan\u00e7o para o pa\u00eds\u201d, salientou.<br \/>\nGenro lembrou que o moderno estado de direito deixou legados importantes como os princ\u00edpios da igualdade e da inviolabilidade dos direitos. &#8220;Quando esses fundamentos come\u00e7am a ser erodidos de maneira planejada, \u00e9 porque o estado moderno, tal qual foi concebido, est\u00e1 em crise\u201d.<br \/>\nUm dos exemplos dessa eros\u00e3o destacados pelo ex-ministro \u00e9 o tratamento diferente que a Justi\u00e7a tem reservado a acusados de corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAo fazer isso, a Justi\u00e7a &#8220;rompe com o princ\u00edpio da igualdade formal, segundo o qual todos s\u00e3o iguais perante a lei. Portanto, aquilo que \u00e9 uma deforma\u00e7\u00e3o se torna um elemento constante do pr\u00f3prio regime, colocando o Estado contra um determinado setor da sociedade, contra alguns partidos pol\u00edticos e algumas lideran\u00e7as\u201d.<br \/>\nOutra viola\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais, segundo Genro, \u00e9 a reforma trabalhista, especialmente pela modalidade intermitente. &#8220;Um trabalhador intermitente ter\u00e1 de trabalhar 12 horas di\u00e1rias para ganhar um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Essa regra viola direitos como a jornada de 8 horas, com reflexos na sa\u00fade e na vida das pessoas. E isso est\u00e1 sendo feito, aprovado \u201clegalmente\u201d por um Congresso eleito pelo povo\u201d.<br \/>\nPara ele, ataques como estes s\u00e3o poss\u00edveis gra\u00e7as a mecanismos de forma\u00e7\u00e3o de hegemonia comandada pelas classes dominantes e pelo sistema financeiro, nas quais se inserem think tanks como o Instituto Millenium e grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, como a Rede Globo. \u201cEles formam pensamentos e produzem o senso comum alienado\u201d, explicou. \u201cIsso \u00e9 o v\u00edrus do fascismo, que compra a opini\u00e3o do povo para atacar a pol\u00edtica e dissolve-la, abrindo fendas para a for\u00e7a normativa do capital sobre as massas populares\u201d, explicou.<br \/>\nTarso Genro finalizou dizendo que diante deste cen\u00e1rio, a neutralidade acaba sendo &#8220;a manifesta\u00e7\u00e3o dos covardes e ineptos&#8221;. Para ele, &#8220;n\u00e3o pode haver neutralidade contra o fascismo\u201d. \u201cA supera\u00e7\u00e3o deste momento passa pela forma\u00e7\u00e3o de uma frente pol\u00edtica com dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de hegemonia da esquerda para dar consequ\u00eancia a esse processo de lutas\u201d.<br \/>\nPara isso defendeu a necessidade de se trabalhar com tr\u00eas elementos concretos: a reforma pol\u00edtica, a democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a \u201cdesdinheiriza\u00e7\u00e3o&#8221; da pol\u00edtica, porque \u201cn\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel que a pol\u00edtica tenha de passar por rela\u00e7\u00f5es esp\u00farias ou de mendic\u00e2ncia\u201d junto ao empresariado.<br \/>\n<strong>Equ\u00edvocos da esquerda<\/strong><br \/>\nA ex-deputada \u00c2ngela Albino iniciou sua apresenta\u00e7\u00e3o homenageando o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o Cau, cujo suic\u00eddio, destacou, foi &#8220;fruto do Estado de exce\u00e7\u00e3o que vivemos no Brasil\u201d.<br \/>\nNa sequ\u00eancia, a advogada elencou algumas das dificuldades da esquerda que precisam ser superadas para o enfrentamento do momento atual. Um deles \u00e9 o n\u00e3o reconhecimento do real inimigo, o imperialismo.<br \/>\n\u201cNa hora em que o Brasil diz que \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o soberana, que passa a ter assento na ONU, que faz acordos que v\u00e3o al\u00e9m dos acordos aos quais historicamente estivemos submetidos como quintal dos EUA, a partir deste momento, deveriam ter sido adotadas medidas que nos protegessem deste grande e real inimigo\u201d.<br \/>\nOutro ponto salientado por \u00c2ngela \u00e9 que \u201ca melhor pol\u00edtica de direitos humanos \u00e9 o desenvolvimento econ\u00f4mico\u201d. \u201cEm algum momento, tivemos a impress\u00e3o de que as nossas lutas segmentadas (LGTB, negros, mulheres) eram maiores do que a luta de classes\u201d, explicou.<br \/>\nO terceiro equ\u00edvoco destacado por \u00c2ngela foi a &#8220;incompreens\u00e3o dos limites da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as\u201d. \u201cEsperamos que deste momento t\u00e3o doloroso que estamos vivendo, possamos aprender que o inimigo n\u00e3o est\u00e1 entre n\u00f3s; o inimigo n\u00e3o \u00e9 aquele com o qual se disputa uma elei\u00e7\u00e3o num mesmo segmento; o inimigo est\u00e1 do outro lado. E precisamos construir, sobre bases concretas, essa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mais favor\u00e1vel\u201d.<br \/>\nPor fim, o \u00faltimo equ\u00edvoco apontado pela ex-deputada foi uma profunda ilus\u00e3o de Estado e do republicanismo. Ela abordou as carreiras de estado neste processo atualmente vivido. Para exemplificar, lembrou o jejum prometido pelo procurador Daltan Dallagnol que busca pressionar o STF com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 decis\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia. \u201c\u00c9 uma l\u00e1stima que n\u00e3o tenham jejuado pelo fim do aux\u00edlio-moradia\u201d, brincou.<br \/>\n\u00c2ngela Albino tamb\u00e9m destacou que a grande vota\u00e7\u00e3o de Marine Le Pen na Fran\u00e7a e a vit\u00f3ria de Donald Trump nos EUA acendem um alerta importante: \u201cdemonstram que tem muita gente que precisamos disputar no campo das ideias, incansavelmente, todos os dias\u201d. Para ela, essas vota\u00e7\u00f5es, bem como certas candidaturas de extrema-direita no Brasil, n\u00e3o t\u00eam como base apenas o discurso de \u00f3dio. \u201cElas falam da vida concreta, do cara que tem medo de sair com o celular e ser assaltado. Como disputar essas pessoas? \u201d, questionou.<br \/>\nPara ela, o papel da esquerda \u00e9 &#8220;ganhar essas pessoas adeptas desse discurso de \u00f3dio porque por tr\u00e1s disso h\u00e1 uma ang\u00fastia profunda com a seguran\u00e7a e com a perspectiva de futuro&#8221;. E defendeu a necessidade de uma frente ampla para construir um novo projeto nacional de desenvolvimento. &#8220;Nossas diverg\u00eancias, se somos leninistas ou trotskistas, n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia agora porque estamos numa encruzilhada civilizat\u00f3ria no Brasil e temos de ter a responsabilidade de conduzi-la da melhor maneira\u201d.<br \/>\n<strong>Aprofundar a democracia<\/strong><br \/>\nA \u00faltima palestra da noite foi feita pelo jornalista e ex-prefeito de Canoas, Jairo Jorge, que se focou no aprofundamento da gest\u00e3o democr\u00e1tica no campo governamental. \u201cVivemos tempos de intoler\u00e2ncia, \u00f3dio e viol\u00eancia. Tempos de desconstru\u00e7\u00e3o de um projeto nacional e de a\u00e7\u00f5es para solapar conquistas sociais e avan\u00e7os democr\u00e1ticos\u201d, disse.<br \/>\nDe acordo com Jorge, h\u00e1 uma crise de legitimidade entre o representante e o representado. &#8220;As pessoas n\u00e3o v\u00eam nos eleitos pr\u00e1ticas e propostas que estejam conectados com seus anseios e perspectivas e isso \u00e9 um fen\u00f4meno mundial\u201d, destacou.<br \/>\nSegundo ele, o grande desafio, hoje, \u201c\u00e9 re-encantar os indiv\u00edduos com a pol\u00edtica e a esfera p\u00fablica; n\u00e3o podemos dar velhas respostas para novas perguntas\u201d. Para o capital, explicou, \u201ca democracia deixa de ser essencial\u201d e \u201ch\u00e1 um processo de desconstru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica na cena mundial, em que os temas da corrup\u00e7\u00e3o e da inefici\u00eancia surgem como ar\u00edetes para derrubar governos progressistas e colocar em seu lugar a necessidade de solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas sem colora\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas ou partid\u00e1rias\u201d.<br \/>\nNeste sentido, disse que \u201ca vers\u00e3o neoliberal do desencanto se manifesta de diversas formas; uma delas \u00e9 a apologia dos governos t\u00e9cnicos, apresentando o pol\u00edtico como respons\u00e1vel por todos os males, como algo antiquado, uma esp\u00e9cie de tumor que precisa ser extirpado\u201d.<br \/>\nDiante deste novo momento, destacou, \u201cdefendo que a melhor resposta da esquerda \u00e9 estimular a cultura da participa\u00e7\u00e3o popular, aprofundar a democracia fortalecendo as atuais e criando novas ferramentas de participa\u00e7\u00e3o\u201d. Para ele, \u00e9 preciso \u201cdessacralizar a autoridade e aproximar cada vez mais os cidad\u00e3os de nossos pol\u00edticos\u201d e a &#8220;vontade popular precisa estar no centro da administra\u00e7\u00e3o\u201d, um contraponto ao conceito de \u201cchoque de gest\u00e3o\u201d formulada pela direita neoliberal, na qual o cidad\u00e3o \u00e9 mero consumidor.<br \/>\n&#8220;Hoje, infelizmente, h\u00e1 um processo crescente de criminaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, afastando as pessoas do engajamento c\u00edvico. Isso leva ao afastamento de in\u00fameros talentos da constru\u00e7\u00e3o de um Estado compromissado com a justi\u00e7a e a garantia de direitos, com a promo\u00e7\u00e3o da democracia e de um projeto de desenvolvimento a servi\u00e7o do povo\u201d. Neste sentido, tamb\u00e9m defendeu a converg\u00eancia e a unidade do campo da esquerda para a supera\u00e7\u00e3o dos atuais desafios.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Um minuto de aplausos a Marielle Franco<\/strong><br \/>\nA abertura do evento teve a participa\u00e7\u00e3o do deputado Altemir Tortelli(PT), representando a presid\u00eancia da Alergs; Raul Carrion, da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois; Jorge Branco, da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo; Miguelina Vecchio, da Funda\u00e7\u00e3o Leonel Brizola\/Alberto Pasqualini; Francisvaldo Mendes de Souza, da Funda\u00e7\u00e3o Lauro de Campos \u2014 que prestou homenagem \u00e0 vereadora Marielle Franco e ao seu motorista, Anderson Gomes, assassinados no dia 14 de mar\u00e7o no Rio de Janeiro; Vicente Selistre, da Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Mangabeira; da ex-deputada e atual dirigente do Cebrapaz-RS, Jussara Cony; Miguel Frederico do Esp\u00edrito Santo, do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do RS; Benedito Tadeu Cesar, do Comit\u00ea Ga\u00facho em Defesa da Democracia e Mark Kuschick, da Sociedade de Economia do RS.<br \/>\nO semin\u00e1rio segue no dia 09\/04 com a mesa &#8220;Soberania nacional e integra\u00e7\u00e3o internacional n\u00e3o-subordinada\u201d, com as participa\u00e7\u00f5es de Renato Rabelo (Presidente da FMG), do historiador Gilberto Maringoni (Funda\u00e7\u00e3o Lauro Campos e UFABC), do soci\u00f3logo Miguel Rossetto (ex-Ministro do Desenvolvimento Agr\u00e1rio) e da historiadora Anal\u00facia Danilevicz (NERINT\/UFRGS).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A unidade da esquerda para enfrentar o retrocesso democr\u00e1tico e a ascens\u00e3o do facismo na conjuntura mundial e nacional foi a t\u00f4nica\u00a0 do painel de abertura\u00a0 do semin\u00e1rio \u201cDesenvolvimento nacional: dilemas e perspectivas\u201d na noite\u00a0 desta segunda-feira (02\/04). 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