{"id":61134,"date":"2018-04-05T15:21:00","date_gmt":"2018-04-05T18:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=61134"},"modified":"2018-04-05T15:21:00","modified_gmt":"2018-04-05T18:21:00","slug":"feira-de-cambara-do-sul-tem-o-melhor-mel-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/feira-de-cambara-do-sul-tem-o-melhor-mel-do-mundo\/","title":{"rendered":"Feira de Cambar\u00e1 do Sul tem o &quot;melhor mel do mundo&quot;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">GERALDO HASSE<\/span><br \/>\nOs mais antigos apicultores de Cambar\u00e1 do Sul n\u00e3o se esquecem da primeira tentativa de realizar uma feira do mel da cidade. O ano, ningu\u00e9m sabe, mas foi no m\u00eas de julho do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980.<br \/>\nO CTG Baio Ruano realizava seu tradicional rodeio na Fazenda das Corucacas, a um quil\u00f4metro do centro da cidade. Vendo a multid\u00e3o atra\u00edda pelo evento equestre, um grupo de apicultores teve a ideia de armar ali mesmo uma barraca para vender o estoque de mel remanescente do \u00faltimo ver\u00e3o.<br \/>\nTeria dado certo se os promotores do rodeio n\u00e3o se incomodassem com a incurs\u00e3o comercial dos produtores de mel.<br \/>\nObrigados a retirar seu caminh\u00e3o do recinto, os apicultores aproveitaram a desfeita para organizar a Associa\u00e7\u00e3o Cambaraense de Apicultores (Acapi), fundada em 11 de julho de 1984\u00a0 sob incentivo e orienta\u00e7\u00e3o do agr\u00f4nomo Jos\u00e9 Ot\u00e1vio Aragon, respons\u00e1vel t\u00e9cnico pelo escrit\u00f3rio da Emater-RS no munic\u00edpio (Aragon vive hoje em Florian\u00f3polis).<br \/>\nO primeiro presidente foi Luiz Eleu dos Santos Lima, o Biriva, auxiliar de veterin\u00e1rio da Secretaria da Agricultura do Estado. Aos 79 anos, \u201ctodo quebrado\u201d por acidentes com animais, ele continua na ativa, n\u00e3o mais como produtor de mel, mas como guia e zelador de api\u00e1rios migrat\u00f3rios que chegam para explorar a rica flora regional.<br \/>\nLogo depois da funda\u00e7\u00e3o da Acapi foi realizada a 1\u00aa Feira do Mel de Cambar\u00e1 do Sul, evento que passou a divulgar anualmente ou a cada dois anos as excepcionais qualidades do \u201cmel branco\u201d produzido pelas abelhas dos Campos de Cima da Serra a partir do n\u00e9ctar das flores de tr\u00eas \u00e1rvores t\u00edpicas desse ecossistema: carne-de-vaca, gramimunha e guaraper\u00ea.<br \/>\nTrata-se de um mel claro e arom\u00e1tico cuja principal caracter\u00edstica \u00e9 cristalizar sob baixa temperatura, assumindo facilmente a apar\u00eancia da banha de porco. Exatamente por isso ele gera desconfian\u00e7a nas pessoas acostumadas ao mel viscoso da maioria das fontes vegetais.<br \/>\nQuatro d\u00e9cadas depois da sua estr\u00e9ia, a feira do mel de Cambar\u00e1 est\u00e1 em plena 25\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCome\u00e7ou no fim de semana da P\u00e1scoa passada e termina no pr\u00f3ximo domingo, 8 de abril. Modesta, or\u00e7ada em R$ 105 mil, ocupa um quarteir\u00e3o ao lado da igreja matriz consagrada a S\u00e3o Jos\u00e9.<br \/>\nPara evitar o frio e as chuvas comuns nos Campos de Cima de Terra, o local foi coberto por uma estrutura de lona branca que abriga cerca de 30 expositores, seis deles membros ativos da Acapi, que ap\u00f3ia o esfor\u00e7o da nova Associa\u00e7\u00e3o dos Apicultores dos Campos de Cima da Serra (Apicampos) para registrar o mel branco como um produto regional digno de merecer um selo de origem geogr\u00e1fica, como os vinhos da Serra Ga\u00facha, as carnes do Pampa e os queijos artesanais da agricultura familiar, entre outros alimentos org\u00e2nicos.<br \/>\nCom sete mil habitantes, Cambar\u00e1 do Sul tem 400 fam\u00edlias rurais atendidas pela Emater-RS. Destas, 120 possuem alguma atividade ap\u00edcola. Destes, 30 s\u00e3o profissionais que t\u00eam na apicultura sua maior fonte de renda.<br \/>\n\u201cA maioria das pessoas ignora que o mel se tornou um bom neg\u00f3cio\u201d, diz Nivaldo Castellan, presidente da Acapi, autodeclarado profissional da apicultura, embora tamb\u00e9m fa\u00e7a dinheiro com a cria\u00e7\u00e3o de gado.<br \/>\nAos 50 anos, ajudado em sua banca pelo filho Maicon, de 15 anos, e a esposa Lurdinha, funcion\u00e1ria municipal, Castellan est\u00e1 vendendo mel a R$ 25 o quilo, o mesmo valor praticado pelos apicultores presentes na feira. Est\u00e3o todos satisfeitos com as vendas.<br \/>\nA safra de 2018 revelou-se melhor do que os progn\u00f3sticos feitos com base no comportamento an\u00f4malo do clima. Ainda n\u00e3o foi feito um balan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 consenso que n\u00e3o se chegou ao recorde de 2002, quando Cambar\u00e1 produziu 450 toneladas de mel, o equivalente a 1% da produ\u00e7\u00e3o nacional.<br \/>\nNaquele ano sobrou tanto mel que o veterano apicultor Cely Carvalho foi escalado para apresentar o produto cambaraense num semin\u00e1rio de apicultura em Porto Alegre. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 mel, \u00e9 puro a\u00e7\u00facar\u201d, disse um t\u00e9cnico diante do pote de conte\u00fado esbranqui\u00e7ado. \u201cPois mande analisar: se n\u00e3o for mel, eu pago a despesa do laborat\u00f3rio\u201d, respondeu Carvalho.<br \/>\n\u00c9 claro que o desafio n\u00e3o foi levado adiante, mas desde ent\u00e3o o mel branco n\u00e3o parou de crescer no conceito dos consumidores e dos especialistas em apicultura.<br \/>\n\u201cEstou pra lhe dizer que o mel de Cambar\u00e1 \u00e9 o melhor do mundo\u201d, afirma Carvalho, ainda ativo no ramo, aos 81 anos.<br \/>\nEntretanto, ao observar as mudan\u00e7as em curso nas atividades ap\u00edcolas, entre elas a presen\u00e7a crescente de apicultores migrat\u00f3rios disputando \u00e1reas de mata na regi\u00e3o e a diversifica\u00e7\u00e3o no uso das terras por agricultores vindos de fora para plantar batata e soja nos Campos de Cima da Serra, ele conclui: \u201cA apicultura est\u00e1 ficando mais complicada do que namoro de vesgo\u201d.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE Os mais antigos apicultores de Cambar\u00e1 do Sul n\u00e3o se esquecem da primeira tentativa de realizar uma feira do mel da cidade. O ano, ningu\u00e9m sabe, mas foi no m\u00eas de julho do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980. O CTG Baio Ruano realizava seu tradicional rodeio na Fazenda das Corucacas, a um quil\u00f4metro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":61135,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-61134","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-fU2","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61134\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}