{"id":61345,"date":"2018-04-10T20:29:28","date_gmt":"2018-04-10T23:29:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=61345"},"modified":"2018-04-10T20:29:28","modified_gmt":"2018-04-10T23:29:28","slug":"qualificacao-e-tecnologia-levam-jovens-de-volta-ao-campo-em-sc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/qualificacao-e-tecnologia-levam-jovens-de-volta-ao-campo-em-sc\/","title":{"rendered":"Qualifica\u00e7\u00e3o e tecnologia levam jovens de volta ao campo em SC"},"content":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que muitos jovens deixavam os neg\u00f3cios da fam\u00edlia no interior em busca de uma vida melhor na cidade.<br \/>\nH\u00e1 quem ainda fa\u00e7a isso, mas os n\u00fameros no setor cooperativista mostram que este pensamento est\u00e1 mudando.<br \/>\nOs filhos buscam qualifica\u00e7\u00e3o, mas permanecem ou voltam para a propriedade; porque os pais est\u00e3o abertos \u00e0s inova\u00e7\u00f5es; porque as tecnologias, as boas pr\u00e1ticas e as t\u00e9cnicas modernas de produtividade s\u00e3o realidade nas pequenas propriedades rurais; porque a gest\u00e3o \u00e9 empresarial, pois hoje os produtores percebem que s\u00e3o propriet\u00e1rios de um neg\u00f3cio.<br \/>\nRicardo Luiz Furlanetto\u00a0\u00e9 exemplo entre os jovens que vislumbram o futuro no campo.<br \/>\nAos 23 anos, ele administra os neg\u00f3cios juntamente com os pais e \u00e9 ali, na propriedade situada em Marema (oeste catarinense), que pretende constituir sua fam\u00edlia.<br \/>\nHoje, a \u00e1rea de planta\u00e7\u00e3o \u00e9 de\u00a031.5 hectares, al\u00e9m de dois galp\u00f5es que alojam em m\u00e9dia 45 mil aves\/lote.<br \/>\n\u201cDesde pequeno fui incentivado pelo meu pai, por\u00e9m, ele tamb\u00e9m me deu op\u00e7\u00e3o de fazer outra coisa, caso preferisse. E teve mesmo um per\u00edodo que busquei algo diferente. Trabalhei por seis meses como auxiliar de almoxarifado em Xaxim, mas decidi voltar\u201d.<br \/>\nRicardo trabalha como respons\u00e1vel pela avicultura juntamente com a m\u00e3e Carmem e seu pai\u00a0Luiz Furlanetto\u00a0cuida da lavoura.<br \/>\nAs decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em conjunto e as capacita\u00e7\u00f5es est\u00e3o entre as ferramentas para inovar. Entre os cursos, a fam\u00edlia participou do projeto \u201cEncadeamento Produtivo&#8221;, para qualificar cooperativados da Aurora Alimentos.<br \/>\nAtualmente, o empreendimento familiar se prepara para receber a certifica\u00e7\u00e3o de Propriedade Rural Sustent\u00e1vel.<br \/>\n\u201cOs programas ajudaram na amplia\u00e7\u00e3o da autoconfian\u00e7a e, principalmente, na lucratividade da granja. Antes de 2017, n\u00e3o t\u00ednhamos controle algum e o lucro era de 16%. Em 2017, o ano fechou com 40% de lucro. Est\u00e1vamos trabalhando no preju\u00edzo e n\u00e3o sab\u00edamos. A lavoura estava bem defasada com margem de lucro de 14% e passou nessa safra para 61%. Temos potencial para melhorar ainda mais\u201d, observa Ricardo.<br \/>\nSegundo ele, a meta \u00e9 ficar entre os 10 melhores produtores de aves da Aurora Alimentos em cinco anos.<br \/>\n\u201cTamb\u00e9m queremos melhorar nossa qualidade de vida tirando f\u00e9rias, coisa que n\u00e3o fazemos h\u00e1 anos, al\u00e9m atualizar e inovar a propriedade. N\u00e3o podemos parar de estudar.<br \/>\nFazer o QT foi uma prova disso porque achava que n\u00e3o teria tempo. A gente v\u00ea os resultados e se anima para trabalhar. Com o pai, tamb\u00e9m aprendo a cada dia. A decis\u00e3o dele pesa, pois tem experi\u00eancia\u201d, comenta.<br \/>\nOs pais tamb\u00e9m confirmam que os programas ajudaram a proporcionar um melhor controle da propriedade, com ferramentas para avaliar o lucro e os preju\u00edzos.<br \/>\nTamb\u00e9m destacam a import\u00e2ncia de dar continuidade \u00e0 propriedade.<br \/>\n\u201cPara n\u00f3s, \u00e9 um orgulho que nosso filho assuma os neg\u00f3cios. O mundo precisa de alimentos e com o uso correto das t\u00e9cnicas e tecnologias adequadas, al\u00e9m de uma gest\u00e3o eficiente, \u00e9 poss\u00edvel produzir um bom produto e ter uma vida de qualidade. Sabemos o que consumimos e, se \u00e9 bom para n\u00f3s, ser\u00e1 bom para o consumidor tamb\u00e9m\u201d, conclui Luiz.<br \/>\nN\u00daMEROS DO PROGRAMA<br \/>\nDe acordo com pesquisa feita por meio do Projeto \u201cEncadeamento Produtivo:\u00a0Aurora Alimentos\u00a0&#8211; Sebrae\/SC: su\u00ednos, aves e leite&#8221;\u00a0nas propriedades vinculadas ao cooperativismo, no per\u00edodo de\u00a02012 a\u00a02017 o programa atendeu um p\u00fablico de 10.238 produtores rurais.<br \/>\nNesta fase foram capacitados 1.479 (14,44%) jovens com idade entre 14 e 23 anos.<br \/>\nNa faixa-et\u00e1ria dos 24 aos 33 anos, 2.386 pessoas (23,30%) participaram dos treinamentos, seguido por 2.472 produtores (24,14%) com idade entre 34 e 43 anos.<br \/>\nNa faixa-et\u00e1ria dos 44 aos 53 anos o programa envolveu 2.682 pessoas (26,23%); dos 54 aos 63 anos, o p\u00fablico foi de 1.054 (10,29%); dos 64 aos 73 anos, foram 152 pessoas (1,48%); e dos 74 aos 83 anos 13 pessoas (0,12%).<br \/>\nO coordenador dos programas de qualidade da Cooperativa Central Aurora Alimentos,Joel Pinto,\u00a0observa que boa parte da popula\u00e7\u00e3o no campo est\u00e1 na faixa-et\u00e1ria altamente produtiva.<br \/>\n\u201cDos 16 aos 53 anos temos mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o nas propriedades rurais. Isso quer dizer que o campo realmente tem rejuvenescido\u201d.<br \/>\nEle complementa que nos \u00faltimos anos, esse percentual nas primeiras faixas-et\u00e1rias tem crescido mais.<br \/>\n\u201cExiste muito jovem permanecendo ou voltando para as propriedades. H\u00e1 casos isolados, mas na maioria das vezes, a sucess\u00e3o tem ocorrido. Se olharmos a faixa-et\u00e1ria acima dos 53 anos, o percentual \u00e9 pequeno. Isso demonstra que teremos gente nas empresas rurais, mesmo com todas as dificuldades que v\u00eam passando. As mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas, melhorias e o trabalho de gest\u00e3o que v\u00eam sendo feito nas propriedades mostram que o campo \u00e9 vi\u00e1vel, que existe qualidade de vida e que se os n\u00fameros estiverem bem cuidados temos condi\u00e7\u00f5es de segurar o jovem no campo\u201d.<br \/>\nEles est\u00e3o percebendo que tem futuro e que hoje a qualidade de vida \u00e9 t\u00e3o boa ou melhor que na cidade. \u201cAs propriedades est\u00e3o se tornando verdadeiras empresas rurais bem administradas. \u00c9 uma maneira de olhar diferente para o campo e os resultados mostram que as melhorias s\u00e3o poss\u00edveis. Temos propriedades rurais fant\u00e1sticas, exemplo nacional, que permitem \u00e0s pessoas viver melhor e com qualidade de vida\u201d, comenta Joel.<br \/>\nO vice-presidente da Aurora Alimentos,\u00a0Neivor Canton,\u00a0destaca que o objetivo n\u00e3o \u00e9 trabalhar para fixar o homem no campo, mas sim para oferecer alternativas atrativas e criar um ambiente para que a sucess\u00e3o aconte\u00e7a. \u201cObservamos com satisfa\u00e7\u00e3o os resultados. Em duas d\u00e9cadas disponibilizando os programas de qualidade atingimos mais de 38 mil fam\u00edlias e, por consequ\u00eancia, as pessoas reconhecem as conclus\u00f5es antes n\u00e3o observadas. Ficou para traz o per\u00edodo preocupante do \u00eaxodo intenso para a cidade\u201d.<br \/>\n\u201cNa maioria das propriedades minifundi\u00e1rias ocorre a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias \u2013 a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para manter a motiva\u00e7\u00e3o do jovem para permanecer no campo de forma satisfeita\u201d, conclui.<br \/>\n(Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria)<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que muitos jovens deixavam os neg\u00f3cios da fam\u00edlia no interior em busca de uma vida melhor na cidade. H\u00e1 quem ainda fa\u00e7a isso, mas os n\u00fameros no setor cooperativista mostram que este pensamento est\u00e1 mudando. 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