{"id":61371,"date":"2018-04-11T09:22:10","date_gmt":"2018-04-11T12:22:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=61371"},"modified":"2018-04-11T09:22:10","modified_gmt":"2018-04-11T12:22:10","slug":"sobre-tioes-e-marielles-na-presidencia-da-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/sobre-tioes-e-marielles-na-presidencia-da-republica\/","title":{"rendered":"Sobre Ti\u00f5es e Marielles na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">MAR\u00cdLIA VER\u00cdSSIMO VERONESE<\/span><br \/>\nNa quarta-feira que antecedeu o feriado de P\u00e1scoa, recebi por e-mail uma mensagem do reitor da universidade onde trabalho, padre jesu\u00edta, enviada para toda a comunidade universit\u00e1ria. Ela me aqueceu o cora\u00e7\u00e3o, me empoderou de um modo muito especial, tanto que a partir dela decidi promover uma vers\u00e3o do evento \u201cLuzes para Marielle e Anderson\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, no campus da Unisinos, onde eu estaria na segunda-feira, dia 2 de abril de 2018.<br \/>\nAlguns colegas (negligenciando o que nos ensina a antropologia sobre a articula\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o, afetos, cultura e subjetividade), talvez me achem \u201cing\u00eanua\u201d ou \u201cigrejeira\u201d, na melhor das hip\u00f3teses (Risos). O fato \u00e9 que fui criada numa fam\u00edlia cat\u00f3lica. O amor\/devo\u00e7\u00e3o que toda a crian\u00e7a sente por seus pais, na minha inf\u00e2ncia, foi mediado pela cruz, pelo ter\u00e7o que rezavam todas as noites, pela missa de domingo, pelos quadros das madonas que minha tia pintava, pelos fachos de luz que saiam da cabe\u00e7a de Jesus Cristo nos vitrais da igreja. Recordo sobretudo da luz pelos vitrais coloridos, do sol matinal, dos afetos muitos.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-61372 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/TATUAGEM.png\" alt=\"\" width=\"89\" height=\"152\" \/>Acontece que toda a rejei\u00e7\u00e3o que os adolescentes sentem por seus pais e a autoridade que representam tamb\u00e9m veio para mim, junto com a recusa de seguir frequentando a missa de domingo, aos 14 anos, para desespero deles. Nessa \u00e9poca, estudava no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o, tendo acesso a forma\u00e7\u00e3o laica e cr\u00edtica. Mixando tudo isso no liquidificador da subjetividade, fiquei com a teologia da liberta\u00e7\u00e3o e o senso profundo de liberdade, igualdade na diferen\u00e7a, pluralidade e solidariedade. Todos esses valores convergiram para um s\u00f3, o de JUSTI\u00c7A. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que tenho essa palavra tatuada na pele.<br \/>\nMas vamos \u00e0 mensagem do padre Marcelo (figura querida e respeitada na institui\u00e7\u00e3o por suas qualidades, que incluem a afetividade)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>:<br \/>\n<strong><em>Mensagem de P\u00e1scoa<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Nossa comunidade universit\u00e1ria se faz peregrina como os Disc\u00edpulos de Ema\u00fas, perguntando-se pelo sentido de tanto sofrimento no mundo de hoje.<\/em><br \/>\n<em>A morte do justo e do inocente nos toca no mais \u00edntimo de nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Como os disc\u00edpulos, comentamos entre n\u00f3s os epis\u00f3dios de intoler\u00e2ncia religiosa, pol\u00edtica, \u00e9tnico-racial, de g\u00eanero e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade LGBT. E nos dizemos: \u201cN\u00e3o ardia em n\u00f3s o nosso cora\u00e7\u00e3o quando ele nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras?\u201d (Lucas 24, 32).<\/em><br \/>\n<em>Nessa P\u00e1scoa de 2018, vamos construir pontes de di\u00e1logo e de afei\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, pois somos todos membros da mesma fam\u00edlia humana.<\/em><br \/>\n<em>Feliz e aben\u00e7oada P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>\u00a0Pe. Marcelo de Aquino, S. J.<\/em><br \/>\n<em>Reitor da Unisino<\/em>s<br \/>\nN\u00e3o houve d\u00favida sobre quem eram os inocentes e justos a quem Marcelo referiu-se. Participamos do evento #LuzesParaMarielleEAnderson e fizemos dentro do campus de S\u00e3o Leopoldo uma roda de conversa, acendemos velas, bradamos que Marielle e Anderson estavam presentes; cada uma e cada um dos alunos, professores e funcion\u00e1rios ali reunidos puderam se manifestar. Compartilhamos o que estava em nossos cora\u00e7\u00f5es, o medo do presente de viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia, o horror de viver no pa\u00eds que mais mata ativistas de direitos humanos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Teve gente pr\u00f3xima a n\u00f3s que passou com ar de deboche, e convidada a participar, negou-se. Os motivos? Dif\u00edcil dizer. Provavelmente uma incompreens\u00e3o sobre a raz\u00e3o pela qual est\u00e1vamos ali: negros e negras, pobres e favelados, ind\u00edgenas expropriados de terra, cultura e dignidade; demais ativistas de direitos humanos assassinados (Chico Mendes, Irm\u00e3 Dorothy e tantos mais), moradores de rua, presos pol\u00edticos como Rafael Braga e tantos outros, LGBTs, todos e todas que anseiam a justi\u00e7a e a dignidade que lhes s\u00e3o negadas&#8230; N\u00e3o est\u00e1vamos ali somente por duas pessoas, mas sim por Merielle ser t\u00e3o <em>representativa<\/em> de milhares de outras. A maioria dos casos registrados de assassinatos de ativistas entre janeiro e agosto de 2017 envolve ind\u00edgenas, trabalhadores rurais e pessoas envolvidas com disputas de terra, territ\u00f3rio e luta pelo meio ambiente. Muitos e muitas tombam lutando pela justi\u00e7a, enquanto a bancada ruralista no congresso nacional trata de proteger os assassinos, muitas vezes grileiros de terras, eles sim os verdadeiros bandidos. Era por todos e todas que est\u00e1vamos ali. Pena que algumas pessoas n\u00e3o compreenderam.<br \/>\nLembro do meu professor de filosofia no mestrado, Carlos Roberto Cirne Lima, nos explicando o conceito de dial\u00e9tica, \u201co uno est\u00e1 no todo e o todo est\u00e1 no uno\u201d. Todas as coisas do mundo podem ser sintetizadas no uno; a \u201csubst\u00e2ncia \u00fanica de Espinoza\u201d frente ao \u201cEu livre de Kant\u201d, em intera\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica permamente. Edgar Morin refere-se \u00e0 recursividade, utilizando tamb\u00e9m no\u00e7\u00f5es da filosofia dial\u00e9tica. Toda a \u00e2nsia de justi\u00e7a do mundo estava representada ali naquele ato por Marielle e Anderson, figuras emblem\u00e1ticas, naquele momento, de tantos outros e outras. \u00c9 a filosofia, meus caros e caras (e n\u00e3o \u201cest\u00fapidos\u201d!).<br \/>\nA filosofia est\u00e1 na base de tudo. Por isso acompanho com muito interesse o trabalho de fil\u00f3sofas feministas como a Marcia Tiburi, que saiu da Unisinos mais ou menos na \u00e9poca em que entrei, h\u00e1 13 anos atr\u00e1s. Cada uma das ci\u00eancias sociais desenvolve e leva adiante distintos aspectos da experi\u00eancia humana; que \u00e9 temporal e relativa, e tamb\u00e9m limitada e ampla, <em>ao mesmo tempo<\/em>. Porque os opostos n\u00e3o somente se atraem, eles se constituem; tudo \u00e9 relativo, \u201c\u00e9 absoluto que tudo seja relativo\u201d, nos dizia o professor Cirne Lima, amigo pessoal de J\u00fcrgen Habermas, com quem estudou em Frankfurt, tendo ambos sido alunos de T. Adorno e M. Horkheimer, nos anos 1950. E a\u00ed cabem as contradi\u00e7\u00f5es, as ambiguidades e as ambival\u00eancias que s\u00e3o a nossa marca, a nossa realidade mais primeva. Essa \u00e9 uma das poucas coisas inexor\u00e1veis do nosso processo hist\u00f3rico de evolu\u00e7\u00e3o, como <em>homo sapiens sapiens<\/em>. Essa atra\u00e7\u00e3o pelo \u201ctiro no p\u00e9\u201d, pela disson\u00e2ncia cognitiva, pelo quanto nos auto boicotamos, ao mesmo tempo em que queremos evoluir no processo civilizat\u00f3rio. Quantos embates esse processo tem nos colocado, quantas lutas, quantas divis\u00f5es, quanto sofrimento.<br \/>\nContemporaneamente, tenho percebido que, em meio a todas essas lutas, por diferentes causas, pela justi\u00e7a em suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es, as vezes companheir@s que deveriam se somar se desencontram dolorosamente. Se deparam com suas diferen\u00e7as, reais e imaginadas, e lembro sempre nessas ocasi\u00f5es do que disse meu irm\u00e3o de alma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/eduardo.marinho.3152?fref=mentions\">Eduardo Marinho<\/a><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>: se a gente n\u00e3o se questiona internamente, n\u00e3o faz um trabalho de auto lapida\u00e7\u00e3o, a luta n\u00e3o vai para frente. Portanto, tenho tentado n\u00e3o<em> achar feio o que n\u00e3o \u00e9 espelho<\/em>. Dentro de limites que respeitem a dignidade humana b\u00e1sica, claro. Porque quando eles s\u00e3o ultrapassados, a\u00ed a feiura imp\u00f5e-se sobre o mundo de forma intoler\u00e1vel e \u00e9 caso de combat\u00ea-la, sempre tendo inspira\u00e7\u00e3o na beleza da \u00e9tica humanista que nos prop\u00f4s o padre Marcelo.<br \/>\nPara n\u00e3o deixar d\u00favidas sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o que j\u00e1 mencionei no texto at\u00e9 aqui e o que mencionarei na sequ\u00eancia, gostaria de pontuar alguns de meus pressupostos. <em>N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa<\/em> e definitivamente <em>n\u00e3o quero comparar<\/em> o caso Marielle e o caso Lula. Embora Lula tamb\u00e9m sofra racismo por ser nordestino, \u00e9 algo muito diferente e j\u00e1 escrevi bastante sobre tudo isso.<br \/>\nDepois do horror do atentado que vitimou Marielle, fechei os olhos e sonhei acordada com ela eleita PRESIDENTA DA REP\u00daBLICA: nem sei dizer da alegria que seria, ver aquela pessoa linda e honesta, batalhadora e comprometida com as melhores causas, vestir a faixa presidencial. Est\u00e1vamos construindo um caminho que, lentamente \u2013 mas quem sabe ainda no meu tempo de vida?! \u2013 nos permitiria sonhar com isso. J\u00e1 t\u00ednhamos uma primeira mulher eleita duas vezes.<br \/>\nMas a\u00ed veio esse golpe hediondo e mis\u00f3gino, no qual corruptos de carteirinha sacaram o mandato de uma mulher honesta, que jamais se envolveu em corrup\u00e7\u00e3o. Fazia um segundo governo sofr\u00edvel, cometeu v\u00e1rios equ\u00edvocos, incluindo o neoliberal incompetente que nomeou para gerir a pol\u00edtica econ\u00f4mica; mas isso n\u00e3o \u00e9 motivo de impedimento! Governo que n\u00e3o est\u00e1 bom, numa democracia s\u00e9ria, a gente tira nas urnas! O que aconteceu foi uma vergonha, capaz de colocar o Brasil como uma republiqueta bananeira da pior qualidade, capaz da pior das ignom\u00ednias! Jamais, nem nos meus piores pesadelos, pensei em ver o que vem acontecendo desde abril de 2016. Afinal, em 1964 eu n\u00e3o havia nascido. N\u00e3o presenciei a parcela do empresariado e da classe m\u00e9dia que comemorou a chegada de uma ditadura sangrenta que torturou, estuprou, assassinou e ocultou os cad\u00e1veres. At\u00e9 hoje h\u00e1 fam\u00edlias que sequer puderam enterrar seus mortos. O deputado Engenheiro Rubens Paiva, por exemplo: o cad\u00e1ver nunca apareceu. Stuart Angel Jones, filho da estilista Zuzu Angel (tamb\u00e9m assassinada pela ditadura), idem. Perguntem ao escritor Marcelo Rubens Paiva e \u00e0 jornalista Hildegard Angel o que eles acham de terem pai e irm\u00e3o desaparecidos para sempre, seus corpos se desintegrando alhures, num cemit\u00e9rio clandestino qualquer!? E s\u00e3o t\u00e3o valentes que conseguem seguir suas vidas, apesar dessa injusti\u00e7a acachapante.<br \/>\nPortanto, desde esse contexto, \u00e9 preciso entender que, assim como na \u00e9poca da ditadura, FHC, Lula, Brizola, Ulysses, Sobral Pinto, Tancredo Neves e outros t\u00e3o diferentes entre si dividiam o mesmo palanque, agora considero imperativo seguir essa ideia de &#8220;frente ampla&#8221;, porque o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o arremedo incompleto de democracia que t\u00ednhamos, as conquistas \u2013 t\u00e3o importantes &#8211; que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 nos legou, e at\u00e9 isso\u00a0estamos vendo se esvair pelo ralo do enxovalho do golpe. Se n\u00e3o reagirmos, eles v\u00e3o tirar tudo dos brasileiros: pol\u00edticas de sa\u00fade universal, educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, direitos trabalhistas, previd\u00eancia p\u00fablica etc.<br \/>\nEnt\u00e3o, eu refor\u00e7o: o nordestino que foi boia-fria na inf\u00e2ncia ter chegado \u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica pavimentou o caminho para que outros e outras com a sua origem de classe pudessem sonhar a chegar tamb\u00e9m; \u00e9 uma quest\u00e3o <em>simb\u00f3lica<\/em>, antes de tudo!<br \/>\nSim, meus amigos cr\u00edticos, voc\u00eas t\u00eam algumas raz\u00f5es; o \u201cpet\u00ea\u201d cometeu erros lament\u00e1veis, como por exemplo o de nomear um STF execr\u00e1vel, loteando-o como um minist\u00e9rio ao PP (ah, a terr\u00edvel \u201cgovernabilidade\u201d!); e agora sofre as consequ\u00eancias, quando poderia ter nomeado gente qualificada como L\u00eanio Luiz Streck, Maria Lucia Karam, Vera Regina Pereira de Andrade ou Rubens Casara e ter\u00edamos uma suprema corte s\u00e9ria, que n\u00e3o permitiria esse pat\u00e9tico convescote dos podres poderes. N\u00e3o pretendo ser exaustiva pois n\u00e3o sou jurista, mas lendo e navegando nas redes sociais de alguns juristas renomados, consigo refer\u00eancias e perspectivas interessantes. A postagem do Salah H. Khaled Jr. me inspirou nessas sugest\u00f5es<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Em di\u00e1logo virtual com Salah, jurista e professor na Universidade Federal do Rio Grande, conclui-se que as vagas destinadas ao Supremo foram decididas com base nos mesmos crit\u00e9rios que muitos minist\u00e9rios, na era petista. Se muitas vezes os ministros foram escolhidos apenas para contemplar\/agradar a base aliada, e n\u00e3o por qualidades pessoais que os recomendassem para aquelas fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, no Supremo Tribunal Federal n\u00e3o foi diferente. O PT subestimou o quanto o STF poderia ser decisivo para o pa\u00eds e n\u00e3o houve preocupa\u00e7\u00e3o em escolher aqueles que, de fato, seriam os melhores ministros, ou seja, os melhores juristas do pa\u00eds, capazes de julgar com \u00e9tica e isen\u00e7\u00e3o. As escolhas em grande maioria contemplaram quem construiu um caminho pol\u00edtico para chegar l\u00e1. O resultado \u201c\u00e9 um desastre de longo prazo para o pa\u00eds\u201d, me dizia o colega da \u00e1rea do direito, a quem agrade\u00e7o pelos insumos que vieram a contribuir para a reflex\u00e3o neste texto.<br \/>\nTemos de admitir, os erros pesaram: rid\u00edculas e imorais &#8220;leis antiterrorismo&#8221; foram promulgadas sob gest\u00e3o petista; o povo negro continuou morrendo nas favelas e periferias Brasil afora, sem Estado de direito algum para habitar e no \u00e2mbito do qual se formar cidad\u00e3o\/\u00e3. Os ind\u00edgenas e ribeirinhos seguiram sendo trucidados em benef\u00edcio do agroneg\u00f3cio e para dar lugar ao \u201ccrescimento econ\u00f4mico\u201d em Belo Monte.<br \/>\nMas acontece, meus caros e caras, que isso \u00e9 assim desde o ano da (des)gra\u00e7a de 1500, e o que se estava tentando fazer ao apostar em Lula e na sequencia Dilma, era reverter pelo menos em parte tudo isso. Pol\u00edticas sociais compensat\u00f3rias minimizaram a fome a mis\u00e9ria, aliviando o sofrimento de milh\u00f5es. Estudantes pobres e negros tiveram acesso \u00e0 universidade, a eles negado por s\u00e9culos; a luz e a \u00e1gua chegaram para quem n\u00e3o as tinha, no nordeste profundo (o programa das cisternas \u00e9 uma das coisas mais lindas desse governo).<br \/>\nDepois do PT, sonh\u00e1vamos n\u00f3s, poder\u00edamos pautar e lutar por um governo ainda mais avan\u00e7ado em termos de combate \u00e0s desigualdades, incluindo as imateriais. Em vez disso (continuarmos avan\u00e7ando aos poucos), retrocedemos 50 anos em 2, ap\u00f3s o golpe mais que \u00f3bvio (para todos que n\u00e3o se pautam pelos jornais da Globo e afins, ou <em>fakes<\/em> que chegam pelo WhatsApp). E \u00e9 essa a raz\u00e3o que me faz, apesar da abissal diferen\u00e7a, me manifestar contra uma pris\u00e3o cheia de ilegalidades judici\u00e1rias, cujo mandato foi emitido por um psicopata de voz fina que \u00e9 um <em>sintoma<\/em> da doen\u00e7a do poder judici\u00e1rio em nosso pa\u00eds, assim como me manifestei veementemente contra o assassinato da mulher negra, favelada e feminista. N\u00e3o comparo o assassinato f\u00edsico de Marielle, levado a cabo por mil\u00edcias mafiosas com bra\u00e7os no Estado, ao assassinato da reputa\u00e7\u00e3o de Lula, constru\u00eddo por uma m\u00eddia nojenta e manipuladora e um judici\u00e1rio viciado e corrompido. S\u00e3o acontecimentos de ordens muito distintas, envolvendo injusti\u00e7as incompar\u00e1veis e incomensur\u00e1veis. O fato \u00e9 que as vivemos ao mesmo tempo, em termos cronol\u00f3gicos.<br \/>\nOs avan\u00e7os que sonh\u00e1vamos n\u00e3o se dariam em linearidade cronol\u00f3gica, mas sim em idas e vindas, avan\u00e7os e retrocessos. Come\u00e7amos pela urg\u00eancia maior: minimizar a indignidade da fome, que tem pressa, como dizia o soci\u00f3logo Herbert de Souza. Tirar o Brasil do mapa da fome do mundo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 relevante para quem tem de sobra o que comer e \u00e9 insens\u00edvel e ego\u00edsta ao extremo (serviu o chap\u00e9u? N\u00e3o se ofenda: reflita. Esse mal-estar pode ser o in\u00edcio da sua transforma\u00e7\u00e3o). Coisa que abunda por a\u00ed, infelizmente. Quem se julga \u201cgente de bem\u201d, mas n\u00e3o move uma palha contra abusos e injusti\u00e7as, contra viol\u00eancias sem explica\u00e7\u00e3o como crian\u00e7a passando fome.<br \/>\nOutra cr\u00edtica recorrente (geralmente \u00e0 esquerda, as \u00fanicas que comento, porque as feitas \u00e0 direita s\u00e3o muito desqualificadas) \u00e9 que durante os governos do PT muitas faculdades privadas, sem uma estrutura adequada ou tradi\u00e7\u00e3o em ensino, pesquisa e extens\u00e3o, ganharam dinheiro a rodo com os estudantes do ProUni e do FIES. Essa expans\u00e3o das faculdades consideradas \u201cca\u00e7a-n\u00edquel\u201d, que refor\u00e7am a precariza\u00e7\u00e3o de seus funcion\u00e1rios e a massifica\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o privada, se deveu em grande medida aos programas governamentais, que uma vez minguados na era p\u00f3s-golpe causaram grandes problemas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, funcion\u00e1rios e estudantes. Embora haja muitos pontos positivos e eu mesma tenha presenciado lindos relatos de alunos\/as que n\u00e3o poderiam estar nos bancos universit\u00e1rios sem as pol\u00edticas como ProUni- sou totalmente a favor! -, penso que os crit\u00e9rios deveriam ter sido mais vinculados a benef\u00edcios sustent\u00e1veis para as futuras gera\u00e7\u00f5es de estudantes de baixa renda.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nFinalmente, gostaria de ponderar algumas quest\u00f5es e citar algumas manifesta\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas que vi recentemente publicadas. A perspectiva &#8211; a meu ver falsa -, que li em an\u00e1lise de um intelectual \u2013 considero-o respeit\u00e1vel e acompanho suas pesquisas &#8211; de que haveria apenas tr\u00eas lados: os fan\u00e1ticos petistas, os fan\u00e1ticos anti-petistas e os abnegados seres que tentam ser independentes, mas s\u00e3o trucidados por ambos os lados, n\u00e3o se sustenta quando se v\u00ea tanta gente pensante (para tanto basta ser medianamente inteligente), que sabe que n\u00e3o se trata de defender &#8220;santidade\u201d alguma de lado nenhum. \u00c9 \u00f3bvio e sabido que os altos cargos do poder executivo sempre envolveram, em algum n\u00edvel, benesses de grandes empreiteiras, ganhos secund\u00e1rios etc. (vide o apartamento parisiense de FHC e tantas outras coisas, antes e depois dessa, que sumiram rapidamente dos notici\u00e1rios). O que se reprova em rela\u00e7\u00e3o a essa absurda e inconstitucional pris\u00e3o do ex-presidente Lula, \u00e9 o \u00d3BVIO uso de &#8220;dois pesos e duas medidas&#8221;, \u00e9 a persegui\u00e7\u00e3o clara e explicita, \u00e9 a diferen\u00e7a no tratamento de casos onde crimes at\u00e9 bem piores e mais comprovados por evid\u00eancias concretas, saem impunes ou se arrastam por anos e mesmo d\u00e9cadas de embargos, em casos de condenados em segunda inst\u00e2ncia, como Eduardo Azeredo (PSDB). Trata-se aqui da exig\u00eancia b\u00e1sica de manter um Estado de direito e um sistema judici\u00e1rio que garanta os direitos individuais quando os outros poderes falham.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRecorro ao texto do professor F\u00e1bio W. Reys, professor em\u00e9rito da UFMG, um cientista pol\u00edtico de mais de 80 anos, que afirma que a pris\u00e3o de Lula, nas circunst\u00e2ncias em que aconteceu e com o processo judicial que se viu, \u00e9 clara indica\u00e7\u00e3o de que <em>a lei N\u00c3O vale para todos.<\/em> O primeiro presidente de origem autenticamente popular, e, portanto, da casta \u201cerrada\u201d, \u00e9 tamb\u00e9m o primeiro presidente a ser condenado e preso por crime comum. E isso acontece \u201cnum pa\u00eds marcado pela estrutura de castas, constru\u00edda nos s\u00e9culos de nossa longu\u00edssima escravid\u00e3o, cujos efeitos est\u00e3o pesadamente ainda conosco na enorme desigualdade, na patologia social com ela ligada e, de maneira especialmente vis\u00edvel, na ruindade espantosamente duradoura de nossas pol\u00edticas educacionais como fator de incorpora\u00e7\u00e3o social (derrotadas fragorosamente, como mostram estudos s\u00e9rios, at\u00e9 em compara\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica do Sul do <em>apartheid<\/em>) \u201d.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSim, o \u00f3dio ao Lula, professor F\u00e1bio, \u00e9 mesmo o \u00f3dio de classe que o senhor menciona em seu texto. Nem Temer, nem A\u00e9cio, nem Moreira Franco, nem Romero Juc\u00e1, nem nenhum corrupto not\u00f3rio desperta esse \u00f3dio. A institui\u00e7\u00e3o que funda o Brasil \u00e9 a <em>escravid\u00e3o<\/em>, e somos todos herdeiros subjetivos dessa chaga aberta. Sem nem percebermos. A desigualdade est\u00e1 entranhada e \u00e9 naturalizada. E \u00e9 essa desigualdade enraizada nas c\u00e9lulas que faz com que as pessoas temam e\/ou odeiem os pobres e desvalidos. At\u00e9 parece que \u00e9 \u201clei natural\u201d, existem \u201ccastas\u201d que determinam quem \u00e9 confi\u00e1vel e quem n\u00e3o \u00e9.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEu passei v\u00e1rias vezes em aula, nos cursos da gradua\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da economia, o filme &#8220;Lixo Extraordin\u00e1rio&#8221;<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, que mostra o artista Vik Muniz e sua parceria com os catadores\/as da Acamjg Jardim Gramacho (Associa\u00e7\u00e3o dos Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho, Duque de Caxias-RJ). Indicado ao Oscar, o filme fez bela carreira. A hist\u00f3ria \u00e9 incr\u00edvel, a qualidade humana dos personagens -reais, de carne e osso e como eles pr\u00f3prios-, \u00e9 admir\u00e1vel. Discut\u00edamos em aula v\u00e1rias quest\u00f5es relativas \u00e0 sa\u00fade e sociedade e aos empreendimentos econ\u00f4micos solid\u00e1rios. As cenas finais do document\u00e1rio mostram o presidente da Acamjg, Ti\u00e3o Santos, lideran\u00e7a importante da comunidade e que foi \u00e0 Inglaterra leiloar o trabalho art\u00edstico do grupo. L\u00e1 nos idos de 2011, seus companheiros acreditavam que TI\u00c3O PODERIA VIR A SER PRESIDENTE DO BRASIL (a figura ilustra o filme, para quem n\u00e3o viu). E voc\u00eas sabem por que eles acreditavam nisso, n\u00e3o?! Exatamente: porque um nordestino boia-fria, oper\u00e1rio que foi mutilado na ind\u00fastria automobil\u00edstica, conseguiu a fa\u00e7anha um dia. E \u00e9 justamente essa esperan\u00e7a que est\u00e3o encarcerando junto com o Lula. \u00c9 isso que as &#8220;elites&#8221; corruptas e execr\u00e1veis no Brasil, com seus eternos interesses escusos, \u00f3dio de classe e vilania profunda, n\u00e3o podem admitir. N\u00e3o podem aceitar que o povo simples brasileiro sonhe com essa possibilidade, como algo concreto. \u00c9 preciso matar esse sonho. Enxovalh\u00e1-lo e mat\u00e1-lo simbolicamente (se conseguirem matar concretamente, n\u00e3o hesitar\u00e3o), arrancar a possibilidade desse sonho florescer.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nH\u00e1 quem use o argumento do \u201cforo privilegiado\u201d para justificar a persegui\u00e7\u00e3o a Lula. N\u00e3o se trataria de persegui\u00e7\u00e3o, os outros n\u00e3o v\u00e3o presos porque o t\u00eam. Ora, que n\u00e3o sejam c\u00ednicos, ou vou ter de achar feio o que n\u00e3o \u00e9 espelho pois n\u00e3o atende ao crit\u00e9rio de dignidade b\u00e1sica&#8230; A\u00e9cio j\u00e1 foi a julgamento no STF e sua cara foi livrada, mesmo com grava\u00e7\u00e3o contra ele autenticada e tudo. Voltou ao senado, numa palha\u00e7ada hom\u00e9rica. Sacrificam uns bois de piranha de vez em quando, para disfar\u00e7ar; tipo o Cunha (e sempre depois que fazem o servi\u00e7o sujo, a\u00ed os \u201cmilh\u00f5es de Cunhas\u201d do MBL desaparecem das ruas, assobiando e olhando para cima!). Ou o idoso Maluf, que viveu seus 87 anos sem ser incomodado pela pol\u00edcia, eternamente listado na p\u00e1gina da Interpol como \u201cprocurado\u201d, mas que agora \u00e9 espetacularmente preso apenas para simular alguma simetria e \u201cpreparar\u201d a pris\u00e3o de Lula, ainda tentando criar simetria entre elas. Bobagem, gentes, s\u00f3 os idiotas natos ou consentidos caem nessa.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nJean Wyllys disse em alto e bom som, dando nome aos bois, sobre quem hoje protagoniza a farsa: \u201cMoro, o TRF4, o STF, as organiza\u00e7\u00f5es Globo, os plutocratas e cleptocratas do mercado financeiro e do PSDB e a parte fascista, ignorante e invejosa da classe m\u00e9dia que quer continuar tratando empregada dom\u00e9stica e motorista como escravo e o Nordeste do pa\u00eds como seu balne\u00e1rio! \u201d Diz Boaventura de Sousa Santos que \u201co princ\u00edpio da independ\u00eancia dos tribunais constitui um dos princ\u00edpios b\u00e1sicos do constitucionalismo moderno, como garantia do direito dos cidad\u00e3os a uma justi\u00e7a livre de press\u00f5es e de interfer\u00eancias, quer do poder pol\u00edtico quer de poderes f\u00e1cticos, nacionais ou internacionais\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nJuremir Machado da Silva acusou, lembrando Zola<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>: \u201cCento e vinte anos depois do grito de Emile Zola, eu acuso o juiz S\u00e9rgio Moro de encarni\u00e7amento contra Lula em nome de um projeto de brilho pessoal. Eu acuso Moro de querer aparecer e de for\u00e7ar institui\u00e7\u00f5es a partir de uma vis\u00e3o ideol\u00f3gica seletiva. Eu o acuso de, contrariando o princ\u00edpio de distanciamento do julgador, ter formado equipe com o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Pol\u00edcia Federal, apoiado por parte da m\u00eddia, para desequilibrar o jogo pol\u00edtico brasileiro. Eu acuso o judici\u00e1rio, numa das suas diversas ramifica\u00e7\u00f5es, de parcialidade, subjetivismo e tendenciosidade, tendo, como prova dessa seletividade, deixado at\u00e9 hoje livre, sem ter mais foro privilegiado, por fatos ocorridos h\u00e1 20 anos, condenado em segunda inst\u00e2ncia, no conveniente aguardo de demorado julgamento de embargos, o tucano Eduardo Azeredo, pai dos mensal\u00f5es e ex-governador de Minas Gerais. S\u00f3 no pr\u00f3ximo dia 24 de abril, pressionado pelos acontecimentos atuais, acontecer\u00e1 o julgamento do recurso de Azeredo. Ser\u00e1 preso ou esperar\u00e1 em liberdade o exame dos embargos dos embargos que dever\u00e1 interpor? Eu acuso o Supremo Tribunal Federal de ter descumprido clamorosamente a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que prev\u00ea no inciso XVII do seu artigo 5\u00ba a culpabilidade <em>s\u00f3 depois do tr\u00e2nsito em julgado<\/em>. Eu acuso o judici\u00e1rio de condenar sem provas, com base em constru\u00e7\u00f5es claudicantes como a \u201cteoria do dom\u00ednio do fato\u201d e a teoria da cegueira deliberada, em nome de um punitivismo messi\u00e2nico. Eu acuso o messi\u00e2nico procurador Deltan Dallagnol de confundir ila\u00e7\u00f5es com fatos e de comportar-se como um \u201ciluminado salvador de consci\u00eancias\u201d [E eu Marilia acrescento: de misturar Estado e religi\u00e3o, coisa t\u00edpica da idade m\u00e9dia! ]. Eu acuso o Senado de manter A\u00e9cio Neves nos seus quadros apesar da fartura de provas contra ele, que, al\u00e9m de tudo, quebrou de todas as formas o decoro. Eu o acuso o STF de dois pesos e duas medidas, tendo afastado Eduardo Cunha do cargo s\u00f3 depois de ele ter convenientemente conduzido o impeachment da presidente Dilma Rousseff, e n\u00e3o ter sustentado a mesma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a Renan Calheiros e A\u00e9cio Neves. Eu acuso o STF de permitir a pris\u00e3o de um homem a partir de provas sobre as quais pairam d\u00favidas e de manter como senador um homem sobre o qual pesam provas robustas. Eu acuso o STF de ambiguidade, hipocrisia, conveni\u00eancia e seletividade ideol\u00f3gica. Se podia afastar Eduardo Cunha, sem autoriza\u00e7\u00e3o parlamentar, podia fazer e manter o mesmo quanto a A\u00e9cio. Eu acuso a ministra Carmen L\u00facia, presidente do STF, de ter se acovardado no caso de Calheiros, soltado A\u00e9cio e atropelado a ordem jur\u00eddica para apressar a pris\u00e3o de Lula. Eu acuso todas as inst\u00e2ncias de jamais terem querido levar adiante investiga\u00e7\u00f5es sobre as den\u00fancias de compra da emenda constitucional que permitiu a reelei\u00e7\u00e3o de Fernando Henrique Cardoso. Eu acuso o STF de deixar convenientemente prescrever a\u00e7\u00f5es contra Romero Juc\u00e1 e outros que tais. Eu acuso Michel Temer de ter usado emendas parlamentares para cabalar votos capazes de mant\u00ea-lo no poder. Eu acuso o TRF-4 de celeridade ideol\u00f3gica, tendo apressado o julgamento de Lula e a autoriza\u00e7\u00e3o em tempo recorde da sua pris\u00e3o n\u00e3o por virtude, mas por paix\u00e3o e ideologia. Eu acuso parte da sociedade brasileira de fomentar o \u00f3dio ideol\u00f3gico [E eu, Marilia, acrescento: compartilhar <em>fakes<\/em> e <em>hoax<\/em> por <em>WhatsApp<\/em> \u00e9 fomentar \u00f3dio ideol\u00f3gico baseado em mentiras! Acuso v\u00e1rias pessoas do meu conhecimento desse ato indigno]. Eu acuso especialistas de dissimularem suas prefer\u00eancias ideol\u00f3gicas como discursos de autoridade, vomitando subjetividade com palavr\u00f3rio enganoso. Eu acuso parte do Brasil de promover uma vingan\u00e7a contra o intruso, o \u201cquatro dedos\u201d, o retirante, o \u201canalfabeto\u201d, o oper\u00e1rio que governou, em muitos aspectos, melhor que os bachar\u00e9is, tendo produzido, apesar da limita\u00e7\u00e3o dos seus feitos, das contradi\u00e7\u00f5es, dos delitos no seu entorno, um dos melhores, ou menos piores, per\u00edodos para a parte menos aquinhoada deste pa\u00eds de canibais. Eu acuso as institui\u00e7\u00f5es do dispositivo policial-judicial de consagrarem um novo ditado: mais f\u00e1cil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um grande tucano ser preso. Logo haver\u00e1 uma exce\u00e7\u00e3o para confirmar a regra. Eu acuso parte da m\u00eddia, sempre t\u00e3o falsamente sensata, de querer tirar de Lula at\u00e9 o direito de se sentir injusti\u00e7ado. Eu acuso os paneleiros de seletividade ideol\u00f3gica e indiferen\u00e7a \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. \u201d<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAchei t\u00e3o brilhante a acusa\u00e7\u00e3o do Juremir que tive de reproduzir aqui! O texto est\u00e1 p\u00fablico e referencio a fonte. Ataco, agora para terminar mesmo, de Emile Zola e tamb\u00e9m me uno ao grito de Juremir: <strong>EU ACUSO TODOS ELES<\/strong>! Mas saibam, seus sabujos: n\u00f3s jamais deixaremos de lutar por justi\u00e7a, igualdade na diferen\u00e7a, solidariedade e paz social com voz para tod@s. Isso voc\u00eas jamais v\u00e3o conseguir. N\u00e3o iremos nunca nos igualar a voc\u00eas, aos med\u00edocres, \u00e0 esc\u00f3ria que acha que dinheiro e poder s\u00e3o o mais importante da vida, n\u00e3o importa se obtidos \u00e0s custas da mis\u00e9ria do povo. Queremos mais \u00e9 ver MARIELLES E TI\u00d5ES NA PRESID\u00caNCIA DA REP\u00daBLICA e haveremos de conseguir, nem que demore d\u00e9cadas ou s\u00e9culos! Podemos morrer, ou sermos encarcerados, mas isso n\u00e3o termina a luta; com o l\u00edder aymara T\u00fapac Katari, afirmamos: \u201cA mi solo me matan, pero volver\u00e9 y ser\u00e9 millones! \u201d<br \/>\n<strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.mariellefranco.com.br\/luzes\">http:\/\/www.mariellefranco.com.br\/luzes<\/a><br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.bibliaonline.com.br\/acf\/lc\/24\">http:\/\/www.bibliaonline.com.br\/acf\/lc\/24<\/a> (Texto b\u00edblico do qual ele retira o trecho).<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2017-12\/brasil-e-um-dos-pa%C3%ADses-mais-perigosos-para-ativistas-diz-Anistia-Internacional\">http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2017-12\/brasil-e-um-dos-pa%C3%ADses-mais-perigosos-para-ativistas-diz-Anistia-Internacional<\/a><br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <a href=\"http:\/\/observareabsorver.blogspot.com.br\/\">http:\/\/observareabsorver.blogspot.com.br\/<\/a><br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/permalink.php?story_fbid=1742378152514007&amp;id=100002255189111\">http:\/\/www.facebook.com\/permalink.php?story_fbid=1742378152514007&amp;id=100002255189111<\/a><br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2017\/07\/23\/Como-o-Brasil-saiu-do-Mapa-da-Fome.-E-por-que-ele-pode-voltar\">http:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2017\/07\/23\/Como-o-Brasil-saiu-do-Mapa-da-Fome.-E-por-que-ele-pode-voltar<\/a><br \/>\n<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <a href=\"http:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DCOpmp8PizBc&amp;h=ATOe7d_590fNWsg9b0T0NJXNEIXibOBqGOSDCXzkbNSfEs7T_8kP_A1l1XhyRZnOjJ9GBqfxT_IXp4TGGx26DFBnKOPKVQP27APES9I\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=COpmp8PizBc<\/a><br \/>\n<a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Fonte do texto de Boaventura: <a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/2018\/04\/09\/mundo\/opiniao\/lula-da-silva-os-tribunais-o-condenam-a-historia-o-absolvera-1809552\">http:\/\/www.publico.pt\/2018\/04\/09\/mundo\/opiniao\/lula-da-silva-os-tribunais-o-condenam-a-historia-o-absolvera-1809552<\/a><br \/>\n<a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Fonte da publica\u00e7\u00e3o do jornalista Juremir Machado da Silva: <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/juremir.machadodasilva\/posts\/2268560726504038\">http:\/\/www.facebook.com\/juremir.machadodasilva\/posts\/2268560726504038<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MAR\u00cdLIA VER\u00cdSSIMO VERONESE Na quarta-feira que antecedeu o feriado de P\u00e1scoa, recebi por e-mail uma mensagem do reitor da universidade onde trabalho, padre jesu\u00edta, enviada para toda a comunidade universit\u00e1ria. Ela me aqueceu o cora\u00e7\u00e3o, me empoderou de um modo muito especial, tanto que a partir dela decidi promover uma vers\u00e3o do evento \u201cLuzes para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":61373,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[10,2011,2012],"tags":[],"class_list":["post-61371","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analiseopiniao","category-destaque","category-debates"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":61371,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-fXR","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61371"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61371\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}