{"id":6143,"date":"2009-11-22T14:14:47","date_gmt":"2009-11-22T17:14:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=6143"},"modified":"2009-11-22T14:14:47","modified_gmt":"2009-11-22T17:14:47","slug":"eucalipto-novas-regras-para-plantio-aumentam-incerteza-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/eucalipto-novas-regras-para-plantio-aumentam-incerteza-no-rs\/","title":{"rendered":"Novas regras para plantio de florestas no RS"},"content":{"rendered":"<p>A C\u00e2mara T\u00e9cnica da Silvicultura do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), composta por 19 membros, aprovou por unanimidade um novo regulamento para a silvicultura ga\u00facha.<br \/>\nSegundo o engenheiro florestal Antonio Augusto Marques, que representa o Comit\u00ea da Bacia do rio Tramanda\u00ed na C\u00e2mara T\u00e9cnica, o novo regulamento \u00e9 fruto de um consenso arduamente trabalhado, com destaque para dois aspectos fundamentais: 1 &#8211; restringe ao m\u00e1ximo ou proibe o plantio de \u00e1rvores madeireiras ex\u00f3ticas (eucalipto, pinus e ac\u00e1cia) em \u00e1reas cr\u00edticas sob o ponto de vista h\u00eddrico; 2 \u2013 limita as dimens\u00f5es dos supertalh\u00f5es pretendidos pela silvicultura atrelada \u00e0s ind\u00fastrias madeireira e de celulose\/papel.<br \/>\nEste \u00e9 o terceiro regulamento em tr\u00eas anos. O primeiro foi criado no final de 2006 pela Fepam com a ajuda da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica e outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e privados. Por ser muito \u201cambientalista\u201d, foi repudiado pelo setor empresarial.<br \/>\nO segundo, que veio em 2007 em oposi\u00e7\u00e3o ao primeiro, foi fruto de uma tratoragem pilotada pela Ageflor e a Farsul com o benepl\u00e1cito da dire\u00e7\u00e3o da Fepam e o apoio estrat\u00e9gico da ind\u00fastria dita florestal, representada sobretudo pelas f\u00e1bricas de celulose Aracruz, Votorantim e Stora Enso.<br \/>\nColocado sub judice pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, o regulamento \u201cempresarial\u201d vem sendo aplicado aos trancos e barrancos mas tende a ser rifado porque os plantadores de \u00e1rvores madeireiras sossegaram o facho desde a eclos\u00e3o da crise financeira de setembro de 2008, que provocou o surpreendente colapso da Aracruz.<br \/>\nMesmo que o segmento florestal-madeireiro entre em 2010 tendo que cumprir novas regras para o plantio de eucalipto, pinus e ac\u00e1cia, ainda \u00e9 incerta a retomada dos plantios dito florestais e dos projetos de f\u00e1bricas de celulose, pois a crise ainda est\u00e1 provocando uma reacomoda\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no mercado.<br \/>\nUm ano depois da crise, a Aracruz n\u00e3o existe mais. Envolvido num tsunami financeiro, o grupo controlado por Erling Lorentzen foi absorvido pela Votorantim, que para isso precisou da ajuda do Banco do Brasil e do BNDES.<br \/>\nPara reduzir as d\u00edvidas, a Votorantim acaba de vender a unidade de Gua\u00edba ao grupo chileno CMPC por US$ 1,43 bilh\u00f5es, neg\u00f3cio de porteira fechada que envolveu 220 mil hectares de terras em dezenas de munic\u00edpios ga\u00fachos.<br \/>\nAt\u00e9 meados de outubro os chilenos n\u00e3o haviam aberto o jogo, mas a perman\u00eancia da equipe diretiva da ex-Aracruz Gua\u00edba sugere a manuten\u00e7\u00e3o do projeto de quadruplica\u00e7\u00e3o da capacidade da planta de 450 mil toneladas\/ano de celulose.<br \/>\nResta saber em quanto tempo o projeto ser\u00e1 finalizado. Pelo cronograma original, ele devia ficar pronto em 2011. Agora n\u00e3o h\u00e1 mais pressa porque o mercado de celulose sofreu uma baixa  da qual ainda n\u00e3o se recuperou.<br \/>\nMesmo assim, o projeto de Gua\u00edba \u00e9 o mais adiantado dos tr\u00eas prometidos para a Metade Sul ga\u00facha. Se for retomado em 2010, pode entrar em opera\u00e7\u00e3o em fins de 2012 ou no primeiro semestre de 2013.<br \/>\nO segundo projeto em volume de produ\u00e7\u00e3o, \u00e1rea plantada e investimento total \u2013 o da Votorantim no pol\u00edgono Pelotas-Rio Grande-Pinheiro Machado-Jaguar\u00e3o \u2013 permanece em banho-maria porque a prioridade do grupo  no momento \u00e9 pagar as d\u00edvidas, estimadas em R$ 10 bilh\u00f5es.<br \/>\n\u00c9 prov\u00e1vel que somente seja conclu\u00eddo na segunda metade desta d\u00e9cada.<br \/>\nFinalmente, aguarda-se para o final deste ano ou o in\u00edcio do pr\u00f3ximo uma defini\u00e7\u00e3o do grupo sueco-finland\u00eas Stora Enso sobre seu projeto no oeste do Rio Grande do Sul, onde plantou eucalipto em 20 mil dos 47 mil hectares comprados em 2005, no primeiro tempo de um investimento de mais de US$ 1 bilh\u00e3o para produzir 900 mil toneladas anuais de celulose.<br \/>\nO plantio realizado representa 20% das necessidades de mat\u00e9ria-prima para a f\u00e1brica. A paralisa\u00e7\u00e3o do projeto foi determinada pela den\u00fancia de que a Stora Enso teria infringido a Lei de Seguran\u00e7a Nacional, que pro\u00edbe a posse de terras a 150 quil\u00f4metros das fronteiras por estrangeiros.<br \/>\nA empresa tentou contornar o problema registrando as \u00e1reas compradas em nome de brasileiros comprometidos com o projeto, mas isso s\u00f3 agravou a pol\u00eamica. Em agosto, finalmente, o Conselho de Defesa Nacional deu parecer favor\u00e1vel ao projeto, que ainda carece das necess\u00e1rias licen\u00e7as ambientais.<br \/>\nOs eucaliptais mais velhos da Stora Enso na regi\u00e3o de Ros\u00e1rio do Sul, S\u00e3o Francisco de Assis e Santiago est\u00e3o com tr\u00eas anos e foram liberados para pastoreio de criadores vizinhos, que j\u00e1 mantinham gado em regime de parceria nas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental ou de pastos nativos nas quais \u00e9 proibido plantar \u00e1rvores.<br \/>\nApicultores tamb\u00e9m est\u00e3o sendo convidados a levar suas abelhas para pastar nas \u00e1reas da empresa, mas tudo isso s\u00e3o paliativos para o maior e mais antigo grupo papeleiro do mundo.<br \/>\nA \u00fanica certeza \u00e9 que n\u00e3o falta bala para o investimento: em meados de outubro, a Stora Enso anunciou a compra de 130 mil hectares de \u00e1reas plantadas pela espanhola ENCE na regi\u00e3o de Fray Bentos, no oeste do Uruguai. A meia com a chilena Arauco, ela pagou US$ 344 milh\u00f5es para apossar-se de um dos maiores ativos florestais da Am\u00e9rica do Sul. N\u00e3o est\u00e1 decidido o que ser\u00e1 feito com tanta madeira.<br \/>\nPor Geraldo Hasse, especial para o J\u00c1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A C\u00e2mara T\u00e9cnica da Silvicultura do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), composta por 19 membros, aprovou por unanimidade um novo regulamento para a silvicultura ga\u00facha. 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