{"id":61550,"date":"2018-04-17T18:40:39","date_gmt":"2018-04-17T21:40:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=61550"},"modified":"2018-04-17T18:40:39","modified_gmt":"2018-04-17T21:40:39","slug":"velhos-apicultores-vivem-dilema-nao-tem-para-quem-passar-as-colmeias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/velhos-apicultores-vivem-dilema-nao-tem-para-quem-passar-as-colmeias\/","title":{"rendered":"Velhos apicultores vivem dilema: n\u00e3o t\u00eam para quem passar as colmeias"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">GERALDO HASSE<\/span><br \/>\nMuitos apicultores chegam \u00e0 idade de se aposentar sem ter um herdeiro disposto e ou preparado para dar continuidade \u00e0 atividade iniciada como bico ou hobby e que, em muitos casos, se tornou a principal fonte de renda familiar.<br \/>\nIronicamente, em muitos casos, foi a renda do mel que permitiu aos filhos dos sitiantes estudar fora e, ao escolher uma carreira urbana, desprezar a cria\u00e7\u00e3o de abelhas no exato momento em que os produtos ap\u00edcolas est\u00e3o bastante valorizados.<br \/>\nEm Cambar\u00e1 do Sul, que desponta como um dos p\u00f3los de produ\u00e7\u00e3o do mel branco dos Campos de Cima da Serra, no nordeste do Rio Grande do Sul, o apicultor Cely Carvalho chegou aos 81 anos sem que possa transferir suas 500 colmeias a um dos tr\u00eas filhos, todos militantes de of\u00edcios urbanos em cidades da Grande Porto Alegre.<br \/>\n\u201cQuando estudavam, eles levavam potes de mel para vender, era de onde tiravam a mesada\u201d, lembra Carvalho, que reduziu suas atividades depois de sofrer um infarto.<br \/>\n\u00c9 representativo dessa situa\u00e7\u00e3o o caso do atual presidente da Federa\u00e7\u00e3o Ap\u00edcola do RGS, Anselmo Kuhn, de 62 anos, que j\u00e1 sabe que n\u00e3o poder\u00e1 legar suas 400 colmeias a seu casal de filhos, ela radicada na Nova Zel\u00e2ndia.<br \/>\nPara minimizar a falta de sucessores nas fam\u00edlias dos veteranos, intensifica-se a forma\u00e7\u00e3o de novos apicultores por meio de cursos ministrados pelo Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) com apoio da Emater e de algumas das 90 associa\u00e7\u00f5es ap\u00edcolas existentes no territ\u00f3rio ga\u00facho.<br \/>\nDestas, a julgar pela pontualidade no pagamento das anuidades \u00e0 FARGS, menos da metade est\u00e3o ativas.<br \/>\n\u00c9 fato que as associa\u00e7\u00f5es ap\u00edcolas passam por longos per\u00edodos de crise ou inatividade, em decorr\u00eancia das oscila\u00e7\u00f5es resultantes de problemas clim\u00e1ticos ou de sa\u00fade das abelhas e de seus criadores.<br \/>\nMas os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e privados continuam dizendo que h\u00e1 no Rio Grande do Sul entre 30 mil e 40 mil apicultores, a maioria constitu\u00edda por \u201camadores\u201d ou diletantes que se dedicam \u00e0 atividade por gosto e ou para usufruir de uma renda complementar. No total, somando agregados e auxiliares, a apicultura ga\u00facha mobilizaria 100 mil pessoas.<br \/>\nNo entanto, os profissionais que vivem efetivamente da apicultura somam menos de um milhar. De 300 mil a 450 mil colmeias mantidas no Estado, menos de um ter\u00e7o \u00e9 bem estruturado tecnicamente.<br \/>\nOficialmente, o Estado produz de 8 a 10 mil toneladas\/ano com um rendimento m\u00e9dio de 18 a 20 quilos por colmeia\/ano. Todos esses n\u00fameros, por\u00e9m, carecem de precis\u00e3o, j\u00e1 que muitos praticantes da apicultura prefere n\u00e3o revelar ganhos e perdas em seu hobby-neg\u00f3cio.<br \/>\nSeja porque os api\u00e1rios profissionais precisam de operadores bem preparados, seja porque a apicultura continua a exercer fasc\u00ednio sobre moradores do campo e da cidade que se disp\u00f5em a iniciar pequenas cria\u00e7\u00f5es, os cursos n\u00e3o cessam de formar novos apicultores.<br \/>\nNo total, apenas os cursos formais, de 40 horas, estariam formando pelo menos 200 novos \u201cabelheiros\u201d por ano. Isso sem contar os ajudantes de apicultores que aprendem o of\u00edcio na pr\u00e1tica.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Mel silvestre<\/span><br \/>\nSegundo um dos gestores do Senar-RS, a regi\u00e3o com maior demanda por cursos atualmente \u00e9 o Pampa, onde est\u00e3o sediados alguns dos maiores api\u00e1rios ga\u00fachos, que produzem grandes volumes de mel silvestre, nome gen\u00e9rico do produto resultante do processamento pelas abelhas do n\u00e9ctar de diversas floradas \u2013 de \u00e1rvores nativas, flores campestres, eucaliptos, lavouras e pomares.<br \/>\nNessa regi\u00e3o, os munic\u00edpios com maior produ\u00e7\u00e3o de mel s\u00e3o Bag\u00e9, Cachoeira do Sul, Livramento, S\u00e3o Gabriel, Santiago e S\u00e3o Borja. Cidades menores como Ca\u00e7apava do Sul despacham sua produ\u00e7\u00e3o de mel para organiza\u00e7\u00f5es como a Cooperativa de Apicultores do Pampa (Coapama), sediada em S\u00e3o Gabriel.<br \/>\nA mais antiga associa\u00e7\u00e3o ap\u00edcola do Rio Grande do Sul \u00e9 a AGA, fundada em 1962 em Porto Alegre.<br \/>\nEla promove dois cursos por ano, um em cada semestre. No \u00faltimo, realizado no primeiro trimestre de 2018, participaram oito alunos que receber\u00e3o seus certificados em maio. Cada aluno pagou 200 reais.<br \/>\nO pr\u00f3ximo curso est\u00e1 programado para a primavera. O limite \u00e9 de 20 vagas para evitar tumulto nas oito horas de aulas pr\u00e1ticas. As aulas te\u00f3ricas somam 32 horas distribu\u00eddas entre s\u00e1bados (8 horas) e as noites de ter\u00e7as e quintas.<br \/>\nO instrutor tem sido Carlos Alberto Osowski, aposentado da Petrobras que herdou um api\u00e1rio em Guarani das Miss\u00f5es e mant\u00e9m colmeias na Grande Porto Alegre.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Mel branco<\/span><br \/>\nA mais nova associa\u00e7\u00e3o do RS \u00e9 a Apicampos. Com sede em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Ausentes, \u00e9 uma \u201cregional\u201d que pretende representar a apicultura da dezena de munic\u00edpios dos Campos de Cima da Serra, cuja \u00e1rea abrange 21 milh\u00f5es de hectares ricos em pastos e matas, 7% do territ\u00f3rio ga\u00facho.<br \/>\nInspirada no potencial do mel branco, um produto exclusivo dessa regi\u00e3o, a Apicampos programou para 2018 tr\u00eas cursos, o que pode resultar na forma\u00e7\u00e3o de mais 40 apicultores.<br \/>\nPela experi\u00eancia do ano passado, a forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica interessa sobretudo a moradores da regi\u00e3o que acompanham a movimenta\u00e7\u00e3o em torno da produ\u00e7\u00e3o do mel branco \u2013 produto t\u00edpico dos Campos de Cima da Serra que vem atraindo para os munic\u00edpios da regi\u00e3o dezenas de apicultores procedentes de Santa Catarina e de outras \u00e1reas do Rio Grande do Sul.<br \/>\nResultante do n\u00e9ctar de tr\u00eas \u00e1rvores nativas (carne-de-vaca, guamimunha e guaraper\u00ea), esse mel est\u00e1 sendo objeto de uma campanha pela obten\u00e7\u00e3o do selo de indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica.<br \/>\n<figure id=\"attachment_61555\" aria-describedby=\"caption-attachment-61555\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-61555\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Apicultores-presidente.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"646\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61555\" class=\"wp-caption-text\">Presidente da Apicampos \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO fundador da Apicampos, Mario Boeira, de 55 anos, acaba de passar a presid\u00eancia da associa\u00e7\u00e3o a seu filho, Gabriel Boeira, 29, que come\u00e7ou na apicultura ajudando o pai quando estava com 14 anos.<br \/>\nAl\u00e9m de produzir mel, Gabriel \u00e9 pastor evang\u00e9lico e radialista &#8211; produz e apresenta um programa de m\u00fasica gauchesca na R\u00e1dio Fidelidade AM, que tem a abelha como s\u00edmbolo.<br \/>\nAtualmente, a Apicampos est\u00e1 construindo uma \u2018casa de mel\u2019 cuja meta \u00e9 processar toda a produ\u00e7\u00e3o regional, evitando que os apicultores da regi\u00e3o tenham de recorrer a entrepostos situados em cidades da regi\u00e3o metropolitana, a pelo menos 150 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE Muitos apicultores chegam \u00e0 idade de se aposentar sem ter um herdeiro disposto e ou preparado para dar continuidade \u00e0 atividade iniciada como bico ou hobby e que, em muitos casos, se tornou a principal fonte de renda familiar. 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