{"id":61790,"date":"2018-04-27T15:49:53","date_gmt":"2018-04-27T18:49:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=61790"},"modified":"2018-04-27T15:49:53","modified_gmt":"2018-04-27T18:49:53","slug":"batalha-do-brooklin-novo-ponto-cultural-da-cidade-vive-o-conflito-entre-moradores-e-frequentadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/batalha-do-brooklin-novo-ponto-cultural-da-cidade-vive-o-conflito-entre-moradores-e-frequentadores\/","title":{"rendered":"Batalha do Brooklin: novo ponto cultural vive conflito entre moradores e frequentadores"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intertit assina\">Matheus Chaparini<\/span><br \/>\nConhecido e frequentado nos \u00faltimos anos em fun\u00e7\u00e3o de batalhas de rap ou de poesia falada \u2013 os slams \u2013 o Viaduto Imperatriz Dona Leopoldina, rebatizado popularmente de Brooklin, ganha agora visibilidade em fun\u00e7\u00e3o de outro conflito bem menos po\u00e9tico.<br \/>\nUm grupo de moradores, incomodados com o som alto nas madrugadas, organizou um abaixo assinado &#8211; com cerca de 80 assinaturas &#8211; e procurou o Minist\u00e9rio P\u00fablico, para mediar o conflito. Um inqu\u00e9rito foi aberto no final do ano passado e uma primeira audi\u00eancia foi realizada em mar\u00e7o. Em resposta, outro abaixo assinado foi criado \u201cem defesa do Brooklin\u201d, reunindo assinaturas de frequentadores dos eventos.<br \/>\nA ocupa\u00e7\u00e3o do viaduto come\u00e7ou atrav\u00e9s de skatistas que passaram a praticar o esporte no local, ent\u00e3o pouco utilizado e com grande incid\u00eancia de assaltos. De forma aut\u00f4noma, foram constru\u00eddas rampas e outros obst\u00e1culos transformando o espa\u00e7o em uma pista de skate frequentada diariamente. Em seguida, o local foi descoberto por produtores e pela boemia da cidade e tornou-se reduto de samba, cumbia, forr\u00f3, rap, poesia, feiras e afins. E o movimento repercutiu na imprensa.<br \/>\nAo chegar de viagem em uma ter\u00e7a-feira, o morador e comerciante Rafael Dei Svaldi se deparou com uma mat\u00e9ria do jornal Zero Hora que apresentava dois novos redutos do samba na capital \u2013 Brooklin e o viaduto Ot\u00e1vio Rocha, na Borges de Medeiros. Indignado, escreveu um e-mail para o jornal, reclamando que a mat\u00e9ria n\u00e3o ouvia os moradores insatisfeitos nem citava a situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 havia chegado ao MP. Outra mat\u00e9ria foi publicada, com este enfoque. Desta vez, a rea\u00e7\u00e3o veio do outro lado e o conflito de vizinhos ganhou uma dimens\u00e3o bem maior.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Moradores reclamam do abandono do poder p\u00fablico<\/span><br \/>\nRafael mora e trabalha em um im\u00f3vel na rua Sarmento Leite desde 1994 e diz n\u00e3o conseguir dormir ou trabalhar \u00e0s madrugadas em fun\u00e7\u00e3o do barulho. Propriet\u00e1rio da loja Nerdz, ele afirma ter tentado negociar o hor\u00e1rio com realizadores de eventos alguma vezes sem sucesso. \u201cAgora n\u00e3o existe mais, de nossa parte, a inten\u00e7\u00e3o de negociar\u201d, afirma.<br \/>\nAl\u00e9m do barulho, outras reclama\u00e7\u00f5es por parte de moradores dizem respeito \u00e0 urina em frente aos im\u00f3veis e picha\u00e7\u00f5es. At\u00e9 a permiss\u00e3o ou n\u00e3o para estacionar autom\u00f3veis gera atritos. O viaduto fica no encontro da avenida Jo\u00e3o Pessoa com a rua Sarmento Leite. Parte da \u00e1rea \u00e9 rua, ainda que sem tr\u00e2nsito, parte \u00e9 viaduto e parte \u00e9 o largo Archimedes Fortini.<br \/>\nSegundo Rafael, ao longo dos anos foram v\u00e1rias as tentativas dos moradores de se fazer melhorias no local. \u201cNunca esteve abandonado pelos moradores, e sim pela Prefeitura\u201d, afirma. Propriet\u00e1ria do edif\u00edcio da esquina, onde est\u00e3o alguns estabelecimentos, como a Bugio Discos e o Espa\u00e7o Cultural Lechiguana, Ivone Mendina de Morais chegou a propor em 2016 para a ent\u00e3o Secretaria do Meio Ambiente a ado\u00e7\u00e3o da pra\u00e7a.<br \/>\nUm projeto chegou a ser feito e o custo de manuten\u00e7\u00e3o era de aproximadamente dois mil reais mensais. Como contrapartida, ela pedia que a Prefeitura acabasse com as festas na madrugada. \u201cN\u00e3o temos apoio de \u00f3rg\u00e3o nenhum. Tenho interesse em investir no local, mas a contrapartida \u00e9 s\u00f3 uma foto com o prefeito. Que contrapartida \u00e9 essa?\u201d<br \/>\n<span class=\"intertit\">Duelo de abaixo assinados<\/span><br \/>\nUm movimento em defesa da realiza\u00e7\u00e3o de eventos no local foi puxado pelo grupo Encruzilhada do Samba, que desde o in\u00edcio do ano realiza suas rodas todas as ter\u00e7as em frente ao Lechiguana. Foi criado um abaixo assinado \u201cem defesa do Brooklin\u201d. Na primeira noite foram coletadas 495 assinaturas. A escolha do local, segundo Diego Silva, integrante do Encruzilhada, deu-se em fun\u00e7\u00e3o de j\u00e1 ser um espa\u00e7o cultural estabelecido da cidade e pelas caracter\u00edsticas favor\u00e1veis. \u201c\u00c9 amplo, tem uma \u00e1rea coberta, embaixo do viaduto, e n\u00e3o tem muito pr\u00e9dio, ent\u00e3o n\u00e3o tem tantas pessoas que possam se sentir incomodadas.\u201d<br \/>\nO bar Lechiguana, que realiza alguns eventos, como a roda de samba da ter\u00e7a-feira, est\u00e1 em contato com a SMIC para regularizar sua situa\u00e7\u00e3o. Atualmente, a casa funciona com alvar\u00e1 provis\u00f3rio, mas M\u00e1rcio Andrei, s\u00f3cio do estabelecimento, garante que o definitivo j\u00e1 est\u00e1 processo junto \u00e0 secretaria. Ele defende que as atividades realizadas pelo estabelecimento n\u00e3o s\u00e3o as de maior impacto. \u201cN\u00e3o somos s\u00f3 n\u00f3s que fazemos eventos aqui, s\u00e3o diversos grupos\u201d, afirma.<br \/>\nEste \u00e9 outro empecilho ao di\u00e1logo entre as partes. S\u00e3o diversos moradores com suas reclama\u00e7\u00f5es e, de outro lado, s\u00e3o muitos os grupos que realizam atividades no local. Para tentar reunir estes grupos, uma reuni\u00e3o foi marcada para esta sexta-feira, a partir das 18h, no Largo Zumbi dos Palmares.<br \/>\n\u201c\u00c9 um espa\u00e7o cultural que surgiu espontaneamente, porque h\u00e1 uma demanda por isso. Claro que tem que ter organiza\u00e7\u00e3o, criar regras. Precisamos achar maneiras de continuar utilizando o Brooklin em harmonia com as pessoas que moram ali\u201d, conclui Diego Silva.<br \/>\n<span class=\"intertit\">MP cogita desmembrar inqu\u00e9rito<\/span><br \/>\nEm fun\u00e7\u00e3o da grande quantidade de partes envolvidas, o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o descarta desmembrar o inqu\u00e9rito. A promotora do Meio Ambiente, Ana Maria Marchesan, explica que a investiga\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em fase inicial e que o objetivo \u00e9 colher a maior quantidade de informa\u00e7\u00f5es. O inqu\u00e9rito foi instaurado em 30 de janeiro. A promotora definiu a media\u00e7\u00e3o como \u201ccomplicada, mas poss\u00edvel\u201d. \u201cComo tudo, tem um lado bom e um lado ruim. Tem o lado de revitalizar a \u00e1rea, mas por outro lado tem a perturba\u00e7\u00e3o do sossego\u201d.<br \/>\nPara Ana Maria Marchesan, a principal dificuldade \u00e9 a grande quantidade de partes envolvidas. \u201cN\u00e3o afasto a possibilidade de vir a desmembrar, tratar em inqu\u00e9ritos separados. Um inqu\u00e9rito tratando s\u00f3 de um bar, outro para determinado tipo de evento, por exemplo\u201d, explica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Chaparini Conhecido e frequentado nos \u00faltimos anos em fun\u00e7\u00e3o de batalhas de rap ou de poesia falada \u2013 os slams \u2013 o Viaduto Imperatriz Dona Leopoldina, rebatizado popularmente de Brooklin, ganha agora visibilidade em fun\u00e7\u00e3o de outro conflito bem menos po\u00e9tico. 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