{"id":62053,"date":"2018-05-09T13:52:21","date_gmt":"2018-05-09T16:52:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=62053"},"modified":"2018-05-09T13:52:21","modified_gmt":"2018-05-09T16:52:21","slug":"62053-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/62053-2\/","title":{"rendered":"Escorpi\u00e3o amarelo: Vigil\u00e2ncia alerta para o risco de infesta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Um escorpi\u00e3o amarelo encontrado \u00e0 luz do dia no corredor de um pr\u00e9dio no centro acendeu o alerta: Porto Alegre est\u00e1 infestada. Foi o segundo encontrado no mesmo local este ano.<br \/>\nAinda n\u00e3o se tem a exata dimens\u00e3o do fen\u00f4meno.<br \/>\nO que se sabe \u00e9 que, desde 2001, quando foi registrada a primeira picada, &#8220;a situa\u00e7\u00e3o na cidade s\u00f3 se agrava&#8221;, conforme constata Fabiana Ninov, a \u00fanica bi\u00f3loga da Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade a dedicar-se ao problema.<br \/>\nSeu trabalho tem sido percorrer os locais onde o escorpi\u00e3o \u00e9 visto, orientando porteiros, zeladores, s\u00edndicos, comerciantes sobre os riscos e os cuidados.<br \/>\nO <em>Tityus serrulatus<\/em>, nome cient\u00edfico do bicho, \u00e9 o escorpi\u00e3o mais venenoso do continente americano. Sua picada pode ser fatal para crian\u00e7as e idosos.<br \/>\nEm 2017, foram registrados pelo Centro de Informa\u00e7\u00f5es Toxicol\u00f3gicas 17 casos no Rio Grande do Sul, sete na capital, em v\u00e1rios pontos da cidade: Assis Brasil, Restinga, Partenon, Ceasa.<br \/>\nAgora, no in\u00edcio deste ano, foi encontrado no centro, na rua Senhor dos Passos. \u00c9 prov\u00e1vel que haja infesta\u00e7\u00f5es em outros pr\u00e9dios antigos, onde h\u00e1 acumula\u00e7\u00e3o de entulhos, pois ele se multiplica velozmente.<br \/>\nCada f\u00eamea d\u00e1 20 a 30 filhotes por vez, uns 160 durante a vida, e sem acasalamento (se reproduz por partenog\u00eanese).<br \/>\nDe h\u00e1bitos noturnos, vivem nos esgotos, escondem-se em frestas e rachaduras das paredes, podem escolher seu sapato para se abrigar enquanto voc\u00ea dorme. No meio urbano seu alimento favorito s\u00e3o as baratas.<br \/>\nO\u00a0<em>Tityus serrulatus\u00a0<\/em>chegou ao Sul de caminh\u00e3o, a cerca de 20 anos, oriundo da regi\u00e3o de Minas Gerais e S\u00e3o Paulo, provavelmente num carregamento de hortali\u00e7as. Tamb\u00e9m h\u00e1 relato de alguns vindos numa carga de madeira da China, mais tarde.<br \/>\nUma centena de tipos de escorpi\u00f5es habita o brasil, cerca de dez s\u00e3o nativos no Rio Grande do Sul, mas os perigosos s\u00e3o minoria.<br \/>\nO\u00a0<em>Tityus serrulatus<\/em>, que n\u00e3o existia no Estado at\u00e9 o ano 2000, \u00e9 o mais venenoso: pode matar em poucas horas uma crian\u00e7a ou um idoso. Por terem menos \u00e1gua no corpo, a concentra\u00e7\u00e3o t\u00f3xica do veneno \u00e9 maior.<br \/>\nEm outubro, uma crian\u00e7a de cinco anos foi picada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Aquele foi o quinto registro do ano. Levada rapidamente ao HPS, foi tratada e se recuperou. Em novembro a Prefeitura emitiu um alerta epidemiol\u00f3gico.<br \/>\nEm janeiro, um deles foi visto num pr\u00e9dio na rua Senhor dos Passos, entre Andradas e Alberto Bins, um ponto comercial movimentado do centro velho. Agora em maio, de novo, no mesmo edif\u00edcio, misto de com\u00e9rcio e resid\u00eancias. Chamada ao local, a bi\u00f3loga Fabiana Ninov, da Vigil\u00e2cia em Sa\u00fade do munic\u00edpio, constatou que o subsolo est\u00e1 cheio de entulho, ambiente convidativo para qualquer escorpi\u00e3o.<br \/>\nA visita culminou numa reuni\u00e3o de capacita\u00e7\u00e3o de pessoas do pr\u00e9dio para identificar e controlar a presen\u00e7a do escorpi\u00e3o amarelo. Respons\u00e1vel por uma das empresas que funciona naquele endere\u00e7o, a Barcellos Assessoria Imobili\u00e1ria, Fernando Barcellos decidiu sugerir ao Secovi, sindicato que re\u00fane construtoras e imobili\u00e1rias, promover a capacita\u00e7\u00e3o de agentes em todas as imobili\u00e1rias, e que estes transmitam a porteiros, zeladores, s\u00edndicos.\u00a0\u00a0\u201cFoi muito boa esta ideia, \u00e9 desse tipo de iniciativa que precisamos\u201d, anima-se a bi\u00f3loga. \u201c\u00c9 essencial que todos estejam informados e mantenham-se de olhos bem abertos.\u201d<br \/>\n<strong>Falta sincronia entre os agentes p\u00fablicos<\/strong><br \/>\nO bi\u00f3logo Ricardo Ott, da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica, lamenta que n\u00e3o exista uma \u00e7\u00e3o integrada entre \u00f3rg\u00e3os estaduais e municipais e compara a situa\u00e7\u00e3o do escorpi\u00e3o amarelo com a da lexmaniose. \u201cH\u00e1 20 anos todos sabem que existe no Morro S\u00e3o Pedro. Agora chegou ao Morro Santana\u201d.<br \/>\nO Estado, avalia Ott, deveria promover financiamento de pesquisa voltada a identificar vetores de lexmaniose. \u201cQual a causa? Desmatamento, lixo acumulado? Qual \u00e9 o vetor, qual \u00e9 o mosquito? N\u00e3o sabemos\u201d. Em vez disso, quer extinguir a Funda\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cSe a Zoobot\u00e2nica fechar mesmo, seria \u00f3timo que viessem trabalhar conosco. O \u00faltimo concurso para bi\u00f3logo em Porto Alegre foi em 1998, estamos nos aposentando\u201d, diz Fabiana Ninov.<br \/>\n<strong>Como manter o escorpi\u00e3o longe<\/strong><br \/>\n<figure id=\"attachment_62056\" aria-describedby=\"caption-attachment-62056\" style=\"width: 322px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-62056\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Tityus-serrulatus.jpg\" alt=\"\" width=\"322\" height=\"243\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-62056\" class=\"wp-caption-text\">O Tityus serrulatus se reproduz nos subterr\u00e2neos<\/figcaption><\/figure><br \/>\nMuita limpeza, rigor com o lixo, ac\u00famulo de entulho de jeito nenhum, telas em todos os ralos, rebocar frestas e rachaduras, consertar rodap\u00e9s soltos, vedar soleiras de portas e combate \u00e0s baratas s\u00e3o provid\u00eancias urgentes para que o escorpi\u00e3o n\u00e3o seja atra\u00eddo.<br \/>\nEm locais de maior risco, como moradias t\u00e9rreas em locais com lixo acumulado por perto, cuidados cotidianos devem ser adotados, como sacudir bem len\u00e7\u00f3is e travesseiros, vistoriar embaixo das camas antes de deitar e dentro dos sapatos antes de os cal\u00e7ar, colocar telas nas janelas, pias, tanque.<br \/>\nTudo o que atrai baratas \u2013 lixo, lou\u00e7a suja, cebola, restos de cerveja deve ser evitado.<br \/>\nEm abril, foram distribu\u00eddas aos agentes municipais de controle de endemias luvas refor\u00e7adas e pin\u00e7as adequadas \u00e0 captura dos escorpi\u00f5es. Como a picada n\u00e3o deixa marca, as enfermeiras das unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade est\u00e3o recebendo capacita\u00e7\u00e3o para reconhecer um caso pelos sintomas, na triagem, para agilizar o atendimento<br \/>\n<strong>O que n\u00e3o fazer<\/strong><br \/>\nEscorpi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 inseto, inseticida s\u00f3 vai deix\u00e1-lo mais agressivo.<br \/>\nQuem se deparar com um deve mat\u00e1-lo, segundo orienta\u00e7\u00e3o da Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade, usando um tijolo, pedra, um objeto duro. Pisar nele, s\u00f3 se estiver usando botas. Depois, o ideal \u00e9 comunicar pelo 156 e encaminhar para identifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO soro antiescorpi\u00f4nico \u00e9 produzido em SP, MG e RJ, onde sobra mat\u00e9ria-prima, que \u00e9 o veneno extra\u00eddo do animal vivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um escorpi\u00e3o amarelo encontrado \u00e0 luz do dia no corredor de um pr\u00e9dio no centro acendeu o alerta: Porto Alegre est\u00e1 infestada. 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