{"id":63408,"date":"2018-06-25T13:03:25","date_gmt":"2018-06-25T16:03:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=63408"},"modified":"2018-06-25T13:03:25","modified_gmt":"2018-06-25T16:03:25","slug":"sai-a-quinta-edicao-do-guia-historico-de-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/sai-a-quinta-edicao-do-guia-historico-de-porto-alegre\/","title":{"rendered":"Sai a quinta edi\u00e7\u00e3o do Guia Hist\u00f3rico de Porto Alegre"},"content":{"rendered":"<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>\u00a0G<\/strong><strong style=\"color: #333333;font-family: inherit;font-size: inherit;font-style: normal\">ERALDO HASSE<\/strong><br \/>\nEm palestra para cerca de 40 f\u00e3s (entre eles filhos, netos e o bisneto) na manh\u00e3 de s\u00e1bado (23), o historiador Sergio da Costa Franco autografou a quinta edi\u00e7\u00e3o do Guia Hist\u00f3rico de Porto Alegre, lan\u00e7ado originalmente h\u00e1 30 anos.<br \/>\nDesta vez o livro foi editado com recursos pr\u00f3prios, sem incentivos de leis culturais, pela Edigal, dirigida por Ivo Almansa, propriet\u00e1rio, tamb\u00e9m, das Livrarias Erico Verissimo e Martins Livreiro.<br \/>\nEm palestra durante o evento, o autor de 83 anos fez uma retrospectiva dos mapas da cidade em seus primeiros 150 anos.<br \/>\nO pioneiro foi uma planta simples desenhada em 1825 e que desapareceu na esteira de uma longa quest\u00e3o jur\u00eddica entre a prefeitura e os herdeiros do a\u00e7oriano considerado o fundador da cidade.<br \/>\n\u201cAcredito que essa planta tenha sido suprimida pelos herdeiros que reclamavam a posse de uma \u00e1rea enorme &#8212; onde hoje est\u00e1 o Parque da Reden\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o autor do Guia, lembrando que a pend\u00eancia s\u00f3 foi resolvida no final do s\u00e9culo XIX.<br \/>\nA segunda planta foi feita em 1836 e republicada em 1839, no per\u00edodo em que Porto Alegre esteve sitiada pelos farrapos. Nela est\u00e3o sinalizadas as trincheiras dos defensores da cidade considerada \u201cmui leal e valerosa\u201d pelo governo imperial.<br \/>\nDessa \u00faltima planta consta tamb\u00e9m o projeto de um loteamento da \u00e1rea equivalente ao Parque da Reden\u00e7\u00e3o, ideia recusada pela prefeitura porque esse lugar era reservado para exerc\u00edcios militares.<br \/>\nCuriosamente, observa o historiador, a cidade homenageia v\u00e1rios dos atacantes e silencia sobre v\u00e1rios dos seus defensores.<br \/>\nO mais not\u00f3rio injusti\u00e7ado \u00e9 o portoalegrense Francisco de Abreu, o\u00a0\u00a0Chico Moringue, que ganhou o t\u00edtulo de Bar\u00e3o do Jacu\u00ed mas n\u00e3o consta como nome de rua.<br \/>\nNo Cristal h\u00e1 uma Rua Chico Pedro, mas esse Chico n\u00e3o \u00e9 o Moringue e, sim, um oficial da Brigada Militar que viveu meio s\u00e9culo depois de findo conflito entre caramurus e farroupilhas.<br \/>\nEm 1844, finda a Guerra dos Farrapos, que foi vencida pelo Bar\u00e3o de Caxias com a ajuda do general Bento Manuel Ribeiro, o &#8220;Bento Vira-Casaca&#8221;, uma reuni\u00e3o da C\u00e2mara de Vereadores realizada na Pra\u00e7a da Azenha (hoje Pra\u00e7a Princesa Isabel) definiu tr\u00eas novos eixos de expans\u00e3o da cidade: eram as avenidas que mais tarde levariam os nomes de Bento Gon\u00e7alves, Carlos Barbosa e Cavalhada.<br \/>\nEm 1868 um novo mapa trouxe novos nomes de ruas. A Rua da Praia passou a chamar-se Rua dos Andradas; a cidade ganhou a rua Sete de Setembro em homenagem \u00e0 data da Independ\u00eancia; e foi nomeada a Rua Riachuelo em alus\u00e3o \u00e0 principal batalha da Guerra do Paraguai (1864-70), conflito que inspirou tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o da rua Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria.<br \/>\nEm 1881 uma nova planta j\u00e1 identificava a exist\u00eancia de novos bairros criados sob influ\u00eancia do transporte coletivo por ve\u00edculos tracionados por burros, servi\u00e7o inaugurado em 1873. Uma das linhas principais seguia pela Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria no rumo de ch\u00e1caras que se estendiam para os lados de Canoas.<br \/>\nEm 1890, um novo mapa registra o incremento na expans\u00e3o da cidade. Aparece pela primeira vez a Avenida Independ\u00eancia, que se chamava Estrada da Aldeia dos Anjos \u2013 primeiro nome de Gravata\u00ed. Mais tarde o Caminho do Meio (para Viam\u00e3o) seria batizado com o nome de Prot\u00e1sio Alves.<br \/>\nNo mapa de 1896, consta a exist\u00eancia de quatro prados (hip\u00f3dromos) em diversos pontos da cidade \u2014 as corridas de cavalos eram a principal divers\u00e3o da cidade: Menino Deus (atual sede da Secretaria da Agricultura); Boa Vista (no Partenon); Independ\u00eancia (Moinhos de Vento, atual Parc\u00e3o); e Navegantes, de exist\u00eancia ef\u00eamera, pois j\u00e1 n\u00e3o aparece em mapa de 1906, no qual constam diversos \u201carraiais\u201d \u2013 da Gl\u00f3ria (da Rep\u00fablica), de Teres\u00f3polis e dos Moinhos de Vento.<br \/>\nEm 1909, o mapa de Porto Alegre registra a fixa\u00e7\u00e3o de trilhos para circula\u00e7\u00e3o dos bondes el\u00e9tricos, que \u201cpromovem uma revolu\u00e7\u00e3o na cidade\u201d, afian\u00e7a o historiador.<br \/>\nAs linhas f\u00e9rreas do transporte coletivo chegam a algumas zonas antes mesmo dos moradores, que s\u00e3o atra\u00eddos por loteamentos promovidos pela Cia For\u00e7a e Luz.<br \/>\nAtendendo a reclama\u00e7\u00f5es dos pequenos acionistas da Cia Carris, o Correio do Povo denuncia o favorecimento dos grandes acionistas Manoel Py e seu genro Possidonio da Cunha, acusados de ganhar mais com a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria do que com o servi\u00e7o de transporte de passageiros. Para se defender dos ataques de Caldas Jr., dono do Correio, os acionistas da Carris e da For\u00e7a e Luz lan\u00e7am o jornal O Di\u00e1rio, que marcou \u00e9poca na cidade.<br \/>\nEm 1920, \u00e9 editado por Afonso Ferreira de Lima o mapa hist\u00f3rico de Porto Alegre que pela primeira vez diferencia os cinco distritos do centro hist\u00f3rico, estrangulado por becos que privilegiavam a circula\u00e7\u00e3o de pedestres e impediam o tr\u00e2nsito de autom\u00f3veis \u2013 o primeiro ve\u00edculo motorizado apareceu em 1916.\u00a0\u00a0\u201cOs becos mediam 12 palmos de largura\u201d, explica o historiador, lembrando que havia becos longos. O Beco da Cadeia, por exemplo, ia da Santa Casa \u00e0 rua Marechal Floriano. J\u00e1 o Beco do Ros\u00e1rio ligava a Pra\u00e7a da Matriz \u00e0 atual Rua Dr. Flores.<br \/>\nAp\u00f3s os sucessivos mandatos de Jos\u00e9 Montaury, que governou a cidade por 27 anos, os novos administradores abriram ruas e avenidas para a livre circula\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel &#8212; em 1925, fora lan\u00e7ado o \u201cpopular\u201d Ford modelo T, um carro r\u00fastico, \u201cquase um jipe\u201d, que custava cinco contos, o equivalente a cinco vencimentos de um desembargador, na \u00e9poca.<br \/>\n\u201cOs prefeitos que tiraram as algemas da cidade foram Otavio Rocha e Alberto Bins\u201d, lembra Sergio da Costa Franco, citando como uma das obras mais marcantes a passagem da Avenida Borges de Medeiros sob o Viaduto Otavio Rocha, constru\u00e7\u00f5es de 1928. Tamb\u00e9m no centro foi aberta a Avenida Julio de Castilhos para ajudar no acesso ao cais do porto.<br \/>\nNascido em 1935 em Jaguar\u00e3o e morador de Porto Alegre desde os sete anos de idade, Sergio da Costa Franco viu a cidade crescer extraordinariamente a partir de 1950, quando come\u00e7aram a chegar\u00a0\u00a0\u2013 por barcos, trens, autom\u00f3veis, \u00f4nibus e caminh\u00f5es, e tamb\u00e9m a cavalo ou em carro\u00e7as \u2013 os milhares de novos habitantes origin\u00e1rios de cidades do interior e principalmente das zonas rurais.<br \/>\n\u201cNas \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d, afirma o historiador, \u201cPorto Alegre n\u00e3o cresceu, inchou\u201d.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 500\">Responder<\/span><span style=\"font-weight: 500\">Responder a todos<\/span><span style=\"font-weight: 500\">Encaminhar<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0GERALDO HASSE Em palestra para cerca de 40 f\u00e3s (entre eles filhos, netos e o bisneto) na manh\u00e3 de s\u00e1bado (23), o historiador Sergio da Costa Franco autografou a quinta edi\u00e7\u00e3o do Guia Hist\u00f3rico de Porto Alegre, lan\u00e7ado originalmente h\u00e1 30 anos. Desta vez o livro foi editado com recursos pr\u00f3prios, sem incentivos de leis [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":63410,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11,706],"tags":[],"class_list":["post-63408","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-materiasecundaria","category-jacultura"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":63408,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-guI","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63408","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63408"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63408\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}