{"id":63637,"date":"2018-07-05T13:06:49","date_gmt":"2018-07-05T16:06:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=63637"},"modified":"2018-07-05T13:06:49","modified_gmt":"2018-07-05T16:06:49","slug":"violencia-sexual-27-dos-meninos-e-36-das-meninas-sofreram-abuso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/violencia-sexual-27-dos-meninos-e-36-das-meninas-sofreram-abuso\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia sexual: 27% dos meninos e 36% das meninas j\u00e1 sofreram abuso"},"content":{"rendered":"<p>Ao falar na Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira, 4,\u00a0 a pedagoga e escritora Caroline Arcari revelou dados de uma pesquisa que aponta a gravidade dos n\u00edveis de viol\u00eancia sexual no Brasil:\u00a0 27 % dos meninos e 36% das meninas de at\u00e9 12 anos sofreram algum tipo de abuso sexual .<br \/>\nO levantamento foi apresentado na noite de quarta-feira (4) no semin\u00e1rio\u00a0O Combate ao Abuso e a Explora\u00e7\u00e3o Sexual de Crian\u00e7as e Adolescentes, promovido pela Procuradoria Especial da Mulher, sob coordena\u00e7\u00e3o da deputada Manuela d \u00c1vila (PCdoB).<br \/>\nO casamento infantil foi o tema da gerente de G\u00eanero e Incid\u00eancia Pol\u00edtica da Plan Internacional, Viviana Santiago da Silva. &#8220;A pr\u00e1tica \u00e9 comum n\u00e3o apenas no contexto rural, mas tamb\u00e9m cidades&#8221;, disse ela..<br \/>\nO Brasil ocupa a quarta posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial de casamentos infantis. Nos \u00faltimos dez anos, conforme a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Plan International, 250 mil meninas com menos de 18 anos contra\u00edram matrim\u00f4nio com homens, em m\u00e9dia, nove anos mais velhos.<br \/>\nO casamento infantil, conforme Viviana, est\u00e1 associado \u00e0 gravidez precoce e de risco, ao aumento da vulnerabilidade social das mulheres que, normalmente, s\u00e3o for\u00e7adas a abandonar a escola e impedidas de se inserirem no mercado de trabalho, viol\u00eancia de g\u00eanero e agravos \u00e0 sa\u00fade.<br \/>\n\u201cA produ\u00e7\u00e3o do casamento infantil \u00e9 uma pr\u00e1tica social autorizada, relacionada \u00e0 pedofiliza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d, avaliou.<br \/>\nOutro tema em debate foi a gravidez for\u00e7ada, problema que tamb\u00e9m tem se agravado nos \u00faltimos anos.<br \/>\nS\u00f3 em 2015, ocorreram 26.700 partos de meninas com menos de 15 anos no Brasil, muitos dos quais podem ser enquadrados nesta categoria, de acordo com o Comit\u00ea Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher.<br \/>\n\u201cA gravidez for\u00e7ada \u00e9 uma forma de viol\u00eancia e tortura contra as mulheres\u201d, alertou R\u00fabia Abs de Cruz, representante da entidade.<br \/>\nSegundo ela, h\u00e1 o registro de casos de gravidez de meninas de 9 e 10 anos no Brasil e muitos casos de meninas com apenas 12 anos. Na maioria das vezes, s\u00e3o resultados de estupros incestuosos, casamentos precoces, falta de preven\u00e7\u00e3o e costumes que naturalizam a irresponsabilidade do homem na preven\u00e7\u00e3o da gravidez.<br \/>\n\u201cO enfrentamento do problema passa necessariamente pela educa\u00e7\u00e3o sexual. No entanto, as tentativas de trabalhar este tema nas escolas geraram uma onda conservadora no Brasil&#8221;.<br \/>\nJ\u00e1 a pedagoga e educadora sexual Caroline Arcari, autora do livro\u00a0Pipo e Fifi, de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia sexual contra os pequenos,\u00a0alertou que o ambiente de sil\u00eancio \u00e9 prop\u00edcio \u00e0 viol\u00eancia sexual. \u201cQuando restringimos o espa\u00e7o do di\u00e1logo e da educa\u00e7\u00e3o sexual, ampliamos o espa\u00e7o da vulnerabilidade\u201d, afirmou a pedagoga.<br \/>\nEla apresentou os dados de uma pesquisa, revelando que 27% dos meninos e 36% das meninas brasileiras at\u00e9 12 anos j\u00e1 passaram por alguma situa\u00e7\u00e3o envolvendo viol\u00eancia sexual.<br \/>\nEla ressaltou ainda que \u00e9 preciso desconstituir alguns mitos que envolvem o tema, como a cren\u00e7a de que s\u00f3 quando ocorrer conjun\u00e7\u00e3o carnal h\u00e1 abuso e que a pr\u00e1tica sempre est\u00e1 associada \u00e0 dor f\u00edsica. \u201c\u00c9 preciso levar em conta que o abuso \u00e9 progressivo e nem sempre envolve viol\u00eancia percept\u00edvel\u201d, ressaltou.<br \/>\nCaroline revelou ainda que 90% dos abusadores s\u00e3o homens e que apenas 10% s\u00e3o considerados ped\u00f3filos, que \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<br \/>\nA deputada Manuela d\u00b4\u00c1vila afirmou que a obra rompe um paradigma ao tratar as crian\u00e7as como cidad\u00e3os. \u201cSe n\u00e3o falarmos com as crian\u00e7as, elas acabam achando que padr\u00f5es de viol\u00eancia s\u00e3o normais. Neste sentido, esta obra est\u00e1 anos-luz\u00a0\u00e0 frente do retrocesso que vivemos hoje no Brasil\u201d, salientou a procuradora.<br \/>\n<strong>Aliena\u00e7\u00e3o parental<\/strong><br \/>\nA chamada Lei da Aliena\u00e7\u00e3o Parental foi outro aspecto abordado no semin\u00e1rio. A coordenadora do Coletivo de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Voz Materna, Alessandra Pereira de Andrade, afirmou que a legisla\u00e7\u00e3o estigmatiza as m\u00e3es, beneficia o abusador e descarta a den\u00fancia das crian\u00e7as. \u201cVeio com r\u00f3tulo de lei protetora, mas perpetua a viol\u00eancia. Pune a v\u00edtima e o genitor protetor e protege o agressor\u201d, denunciou.<br \/>\nAlessandra relatou que 48% dos processos com acusa\u00e7\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o parental tem den\u00fancia de abuso sexual. No entanto, poucos casos prosperam, pois a Justi\u00e7a exige prova material do abuso, o que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel.<br \/>\n\u201c\u00c9 uma lei feita para punir as m\u00e3es. Os dados mostram que 41% das m\u00e3es perderam a guarda e s\u00f3 24% depois da senten\u00e7a final\u201d, apontou, ressaltando que a legisla\u00e7\u00e3o viola mais de 50 artigos da Lei Maria da Penha, do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente e da declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos das Crian\u00e7as.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao falar na Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira, 4,\u00a0 a pedagoga e escritora Caroline Arcari revelou dados de uma pesquisa que aponta a gravidade dos n\u00edveis de viol\u00eancia sexual no Brasil:\u00a0 27 % dos meninos e 36% das meninas de at\u00e9 12 anos sofreram algum tipo de abuso sexual . 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