{"id":640,"date":"2008-05-16T15:59:52","date_gmt":"2008-05-16T18:59:52","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=640"},"modified":"2008-05-16T15:59:52","modified_gmt":"2008-05-16T18:59:52","slug":"seis-anos-sem-jose-antonio-lutzenberger-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/seis-anos-sem-jose-antonio-lutzenberger-2\/","title":{"rendered":"Seis anos sem Jos\u00e9 Antonio Lutzenberger"},"content":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister<br \/>\nJos\u00e9 Antonio Lutzenberger, ecologista de renome internacional, era tamb\u00e9m um homem do bairro. O ex-vendedor de produtos qu\u00edmicos retornou ao Brasil no in\u00edcio dos anos 70 e foi viver na casa constru\u00edda pelo seu pai no n\u00famero 39 da Jacinto Gomes. Ali viveu at\u00e9 sua morte, em 14 de maio de 2002. Lutz podia ser visto caminhando pelo bairro, ou almo\u00e7ando no restaurante Cirilo, como se fosse um mortal qualquer.<br \/>\nMas n\u00e3o era. O homem que consumiu 30 anos de sua vida brigando em nome da natureza se manteve irredut\u00edvel at\u00e9 o fim e conquistou muitos adeptos. Foi rotulado de louco, retr\u00f3grado, irrespons\u00e1vel, vision\u00e1rio e g\u00eanio.<br \/>\nNascido em 17 de dezembro de 1926 em Porto Alegre, Jos\u00e9 Lutzenberger foi engenheiro agr\u00f4nomo formado pela UFRGS. Especializou-se em solos e agroqu\u00edmica nos Estados Unidos. Al\u00e9m do portugu\u00eas, sabia alem\u00e3o, ingl\u00eas, espanhol e franc\u00eas. Em 1957, foi trabalhar na ind\u00fastria qu\u00edmica alem\u00e3 Basf.<br \/>\nCome\u00e7ou ocupando postos na Alemanha, depois na Venezuela e no Marrocos. No in\u00edcio dos anos 1970, demitiu-se e voltou a Porto Alegre, onde ajudou a levantar a Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (Agapan), fundada por um grupo de amigos liderados por Augusto C\u00e9sar Cunha Carneiro.<br \/>\nQuando falava em p\u00fablico, combinava ensinamentos pr\u00e1ticos sobre a natureza e den\u00fancias contra os destruidores do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. Era aplaudido de p\u00e9. Mais convincente, sincero e entusiasmado do que a maioria dos ecologistas brasileiros, sensibilizou milhares de pessoas com suas mensagens sobre a delicada cadeia de vida que envolve a Terra, os crimes ambientais na Amaz\u00f4nia, o perigo dos agrot\u00f3xicos, os riscos da energia at\u00f4mica, entre outros assuntos.<br \/>\nImpulsivo e pouco organizado, escreveu centenas de artigos e confer\u00eancias. Sua obra mais caracter\u00edstica e importante \u00e9 O Fim do Futuro ou Manifesto Ecol\u00f3gico Brasileiro, que serviu de guia para os ecologistas do Brasil. Inicialmente foi editado em forma de tabl\u00f3ide e depois saiu em livro com 10.000 c\u00f3pias vendidas em bancas.<br \/>\nEm 1979, Lutz resolveu tornar-se empres\u00e1rio e hoje a Vida Produtos e Servi\u00e7os em Desenvolvimento Ecol\u00f3gico Ltda emprega mais de 100 pessoas. O que ele gostava mesmo era de orientar. \u201cMeu papel \u00e9 dar a filosofia. Tem gente competente para tocar o neg\u00f3cio e fazer a execu\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d.<br \/>\nE para trabalhar com Lutz, tinha que ter um perfil especial. \u201cEu n\u00e3o gosto de especialistas. Preciso de generalistas que tenham vis\u00e3o ampla, caso contr\u00e1rio eles n\u00e3o enxergam os problemas e as solu\u00e7\u00f5es que existem\u201d.<br \/>\nEm mar\u00e7o de 1990, fiel ao seu princ\u00edpio de que n\u00e3o basta protestar tem que tentar fazer o poss\u00edvel para mudar, ele aceitou ser ministro do Meio Ambiente do governo de Fernando Collor de Mello. Ficou um ano e um m\u00eas e considerou um dos piores per\u00edodos da sua vida. \u201cAli perdi boa parte da sa\u00fade que me restava\u201d, dizia ele aos 75 anos, alquebrado por uma asma que se manifestou tardiamente, para a qual ele n\u00e3o encontrou explica\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nTamb\u00e9m foi seguindo essa id\u00e9ia que ele aceitou ser conselheiro ambiental da Riocell, empresa que combateu publicamente quando ainda se chamava Borregaard e cujas chamin\u00e9s espalhavam um fedor conhecido por todo o porto-alegrense na d\u00e9cada de 1970.<br \/>\nOs caminhos de Lutz em Porto Alegre<br \/>\nJos\u00e9 Lutzenberger n\u00e3o apenas caminhava pelas ruas do bairro. Ele observava as particularidades de cada conjunto de \u00e1rvores e chegou a fazer um cat\u00e1logo informal em algumas vias em Porto Alegre. \u00c9 o que seu disc\u00edpulo e companheiro de ambientalismo, Augusto Carneiro lembra ao passear pela Vieira de Castro.<br \/>\n\u201cEm 1972, o Lutz trazia muita gente nessa rua, que ele considerava com a maior diversidade de esp\u00e9cies de Porto Alegre\u201d, relata.<br \/>\nAinda hoje a Vieira de Castro \u00e9 bastante arborizada. \u201cTem palmeiras, cinamomos, figueiras e a \u00fanica arauc\u00e1ria de Porto Alegre, que est\u00e1 bem escondida\u201d, enumera, apontando a \u00e1rvore mais alta em frente ao quartel, oculta no meio da vegeta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nHoje, a lembran\u00e7a de Lutzenberger segue sendo da luta pela preserva\u00e7\u00e3o desse lugar. \u201cAtentados t\u00eam todos os dias\u201d, observa Carneiro, mostrando a marca de um machado num tronco de figueira.<br \/>\nA maioria dos cinamomos plantados h\u00e1 mais de 60 anos morreu pela poda equivocada. \u201cMas muita gente derrubou\u201d, denuncia. Essas eram as \u00e1rvores mais especiais para Lutz e continuam vigiadas por Carneiro. \u201cEm cada cinamomo tem uma figueira se tu procurar bem\u201d, aponta.<br \/>\nA figueira se protege no tronco do cinamomo \u2013 o que tamb\u00e9m acaba matando a \u00e1rvore. Ele apalpa um peda\u00e7o de tronco amolecido. \u201cSe transformou em terra para alimentar a outra\u201d, observa.<br \/>\nCarneiro revela ainda que h\u00e1 outras quatro ruas em Porto Alegre que Lutz admirava. \u201cUma no Teres\u00f3polis e outras tr\u00eas na divisa dos bairros Moinhos de Vento e Independ\u00eancia\u201d. Ele diz que n\u00e3o lembra o nome, mas pela descri\u00e7\u00e3o, uma \u00e9 o t\u00fanel verde da Gon\u00e7alo de Carvalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister Jos\u00e9 Antonio Lutzenberger, ecologista de renome internacional, era tamb\u00e9m um homem do bairro. 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