{"id":641,"date":"2008-05-19T16:00:38","date_gmt":"2008-05-19T19:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=641"},"modified":"2008-05-19T16:00:38","modified_gmt":"2008-05-19T19:00:38","slug":"mercado-mantem-vitalidade-no-centro-da-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/mercado-mantem-vitalidade-no-centro-da-capital\/","title":{"rendered":"Mercado mant\u00e9m vitalidade no centro da Capital"},"content":{"rendered":"<p>Cleber Dioni<br \/>\nO Mercado P\u00fablico Central de Porto Alegre \u00e9 o marco de uma \u00e9poca de crescimento da capital ga\u00facha e permanece at\u00e9 hoje como um s\u00edmbolo extra-oficial da cidade. \u00c9 um dos poucos espa\u00e7os tradicionais que preserva sua vitalidade no centro da capital, uma \u00e1rea com enormes problemas, principalmente de seguran\u00e7a, n\u00e3o muito diferente de outras metr\u00f3poles.<br \/>\nOs n\u00fameros d\u00e3o id\u00e9ia da dimens\u00e3o do mais antigo centro de abastecimento dos porto-alegrenses: as 106 lojas empregam mil trabalhadores e ainda geram 800 empregos indiretos, sem contar as salas utilizadas pela Prefeitura e seus funcion\u00e1rios. Circulam diariamente pelo Mercado entre 100 mil e 150 mil pessoas. Atrativos n\u00e3o faltam: s\u00e3o a\u00e7ougues, peixarias, lojas de artigos ga\u00fachos, religiosos e de importados, mercearias, padarias, ag\u00eancias lot\u00e9ricas, bares e restaurantes, barbearia, livraria e revistarias.<br \/>\nExistem muitos saudosistas, de um mercado antes das grandes reformas, dizem que o movimento era melhor, menos tributos, havia uma proximidade maior com os clientes, se conheciam pelo nome, mas n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que esse grupo pertence \u00e0 faixa dos que t\u00eam entre 40 e 80 anos, de mercado. Os neg\u00f3cios cruzaram gera\u00e7\u00f5es e ningu\u00e9m se atreveu a vender.<br \/>\nH\u00e1 problemas, sem d\u00favida. E quest\u00f5es maiores, como a falta de estacionamento, mas o mi\u00fado \u00e9 o que incomoda mais. Dona Madalena diz que chove na cozinha e faz muito frio naquele quadrante, mas n\u00e3o deixa de servir o melhor sorvete da cidade na banca 40. O seu Cl\u00e1udio, h\u00e1 40 anos \u2018tomateiro\u2019 no local, falou ao jornalzinho que circula no Mercado e arredores que, \u201cagora, nem se compara, tem muitas despesas, porque \u00e9 obrigado a ter firma registrada, contador e outros tributos\u201d. Seu colega, Mauro Wendt, tamb\u00e9m \u2018tomateiro\u2019, disse ao Jornal do Mercado que no tempo da \u2018banquinha\u2019 era melhor, mas n\u00e3o tem muita certeza: \u201cAntes era tudo muito sujo, sem higiene, tudo meio atirado, at\u00e9 chovia dentro\u201d, lembra.<br \/>\nA administra\u00e7\u00e3o \u00e9 muito complexa, diz Fortunato Machado, que preside a Associa\u00e7\u00e3o dos Comerciantes. Dono de uma das duas bancas de revistas, ele acredita que as reformas chegaram em boa hora, apenas demoraram muito concluir. \u201cNesse intervalo muita coisa mudou, o mercado deixou de seu o \u00fanico grande centro de compras, ganhou concorrentes de peso, mas aos poucos fomos reconquistando a popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz Machado.<br \/>\nEle entende que a maioria das mudan\u00e7as propostas pela Prefeitura \u00e9 pensada a m\u00e9dio e longo prazos, o que \u00e9 bom no seu entendimento, embora torne mais dif\u00edcil convencer os permission\u00e1rios da sua necessidade. Mas ele tem uma cr\u00edtica: \u201cA interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica diretamente na venda dos produtos \u00e9 demasiada, o poder p\u00fablico n\u00e3o pode decidir que tipo de produtos tu podes ou n\u00e3o expor, claro que vai depender do teu tipo de com\u00e9rcio\u201d, destaca Machado.<br \/>\nDois pisos e cobertura<br \/>\nO Mercado come\u00e7ou a ser erguido em 1864, numa \u00e1rea aterrada, a partir do projeto do engenheiro Frederico Heydtmann, tendo como coordenador o empreiteiro Polidoro da Costa. A inaugura\u00e7\u00e3o ocorreu em 3 outubro de 1869, mas s\u00f3 foi aberto no ano seguinte. O primeiro centro de abastecimento que se tem not\u00edcia \u00e9 de 1840 e ficava no ent\u00e3o Largo do Para\u00edso, atual Pra\u00e7a 15 de Novembro, ao lado do atual.<br \/>\nNesses 139 anos, o Mercado passou por duas grandes modifica\u00e7\u00f5es. O pr\u00e9dio quadril\u00e1tero, com um p\u00e1tio central, tinha apenas um piso. Seu estilo neocl\u00e1ssico compunha com outros im\u00f3veis do Centro, como a Assembl\u00e9ia Legislativa e a Benefic\u00eancia Portuguesa, um novo visual da cidade.<br \/>\nEm 1913 recebeu o segundo piso, com ladrilhos trazidos de Pelotas e, a partir de 1991 at\u00e9 1997, a \u00e1rea interna foi totalmente reestruturada, com a reconfigura\u00e7\u00e3o das bancas, instala\u00e7\u00e3o de g\u00e1s central, de elevadores e escadas rolantes, e a principal interven\u00e7\u00e3o: uma cobertura de metal, com mais de 15 metros de altura. A fachada foi restaurada, preservando a cor original, o amarelo ouro. A parte externa do pr\u00e9dio n\u00e3o pode ser modificada desde 1979, quando foi tombado como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural do munic\u00edpio. Por isso, qualquer interven\u00e7\u00e3o tem que passar pela an\u00e1lise da Secretaria da Cultura.<br \/>\nEm 1999, aos 130 anos, o Mercado teve parte de seu condom\u00ednio repassado para gerenciamento da Prefeitura, atrav\u00e9s da Secretaria Municipal de Produ\u00e7\u00e3o, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio (SMIC). A Associa\u00e7\u00e3o dos Comerciantes vinha recebendo constantes cr\u00edticas de permission\u00e1rios insatisfeitos com a extens\u00e3o do hor\u00e1rio de funcionamento e a abertura aos domingos, o que aumentava muito os gastos com seguran\u00e7a, limpeza e energia el\u00e9trica, porque tamb\u00e9m tinha que manter ligada a escada rolante e os dois elevadores.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o era agravada pelo valor da permiss\u00e3o de uso, o aluguel, que representava duas vezes mais que as despesas do condom\u00ednio. Por outro lado, era a \u00fanica alternativa dos donos de bares e restaurantes aumentarem seus rendimentos.<br \/>\nHoje, a administra\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente gerenciada pela SMIC. O perfil dos lojistas no segundo pavimento mudou, de salas de escrit\u00f3rios para bares e restaurantes. A Prefeitura reservou cinco ou seis salas para o Banrisul, mas n\u00e3o abriu ainda e alguns esperam que nem abra. Recentemente, a associa\u00e7\u00e3o fez uma parceria com o Sebrae para qualificar os trabalhadores. \u201cTemos tradi\u00e7\u00e3o e pre\u00e7o, agora vamos qualificar, segmentar e trabalhar em escala\u201d, completa Machado, vislumbrando o futuro do Mercado.<br \/>\nUm v\u00eddeo de 37 minutos com depoimentos de diversos comerciantes est\u00e1 sendo apresentado todos os dias nos altos do pr\u00e9dio. \u201cVale a pena, para quem quer conhecer esta fam\u00edlia de trabalhadores\u201d, sugere a soci\u00f3loga Simone Derosso, diretora do Memorial do Mercado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleber Dioni O Mercado P\u00fablico Central de Porto Alegre \u00e9 o marco de uma \u00e9poca de crescimento da capital ga\u00facha e permanece at\u00e9 hoje como um s\u00edmbolo extra-oficial da cidade. \u00c9 um dos poucos espa\u00e7os tradicionais que preserva sua vitalidade no centro da capital, uma \u00e1rea com enormes problemas, principalmente de seguran\u00e7a, n\u00e3o muito diferente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-641","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":641,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-al","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/641","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=641"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/641\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}