{"id":64679,"date":"2018-08-19T23:16:34","date_gmt":"2018-08-20T02:16:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=64679"},"modified":"2018-08-19T23:16:34","modified_gmt":"2018-08-20T02:16:34","slug":"os-bolsonaristas-do-morro-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/os-bolsonaristas-do-morro-da-cruz\/","title":{"rendered":"Os bolsonaristas do Morro da Cruz"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><span class=\"assina\">Naira Hofmeister*<\/span><\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\">C\u00e1ssio Martins tem 18 anos e quer que a lei do morro onde ele vive, ditada pelos donos do tr\u00e1fico,\u00a0 valha tamb\u00e9m para o \u201casfalto\u201d. Assim, ele n\u00e3o vai mais precisar esconder o celular sempre que sair dos limites do Morro da Cruz, vila na periferia de\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/porto_alegre\">Porto Alegre<\/a>\u00a0que tem um dos piores \u00cdndices de Desenvolvimento Humano da capital do Rio Grande do Sul, mas onde ele se sente confort\u00e1vel para ouvir m\u00fasica e checar o Facebook no telefone sem medo de ser roubado. Essa \u00e9 a justificativa principal para dar\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/agr\/primeiro_voto\">o primeiro voto de sua vida<\/a>\u00a0para\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jair_messias_bolsonaro\">Jair Bolsonaro<\/a>\u00a0(PSL), o controverso candidato \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica que promete rigor com a criminalidade.<\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\nTamb\u00e9m s\u00e3o os problemas com a seguran\u00e7a que levam Anriel do Prado Neves, 24, a optar pela candidatura de extrema direita do parlamentar e capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito reformado. Sua convic\u00e7\u00e3o \u00e9 tanta que at\u00e9 colou um adesivo com a cara do candidato na traseira do autom\u00f3vel que dirige para um aplicativo de transporte. \u201cSei que tem gente que d\u00e1 nota ruim por isso, mas tudo bem\u201d, se resigna. Ele j\u00e1 foi assaltado duas vezes quando era taxista, mas o que preocupa mesmo Anriel \u00e9 o tr\u00e1fico e a guerra com a pol\u00edcia. \u201cDos meus 30 amigos de inf\u00e2ncia, s\u00f3 sobraram dois. Os outros todos morreram, foram executados\u201d, lamenta. No Morro da Cruz, metade das mortes de jovens entre 15 e 29 anos \u00e9 por homic\u00eddio.<br \/>\nPara ambos, o perfil \u201clinha dura\u201d do militar,\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/13\/politica\/1528925858_981167.html\">que promete endurecimento da legisla\u00e7\u00e3o penal e a revis\u00e3o do estatuto do desarmamento<\/a>, poderia ajudar a solucionar os problemas.<br \/>\nOs dois est\u00e3o na faixa et\u00e1ria em que Bolsonaro se destaca nas pesquisas eleitorais: entre os 16 e os 35 anos. Mas, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de serem jovens, C\u00e1ssio, Anriel e v\u00e1rios outros entrevistados pelo EL PA\u00cdS no Morro da Cruz pouco t\u00eam em comum com\u00a0<a href=\"http:\/\/drive.google.com\/open?id=12App9fSaVlQ9sVLT7r3YDZG6D2oHRPsv\">o perfil que institutos de pesquisa<\/a>\u00a0desenham dos poss\u00edveis eleitores do presidenci\u00e1vel do PSL: eles n\u00e3o s\u00e3o os mais escolarizados (chegaram ao ensino m\u00e9dio), nem ricos e tampouco est\u00e3o no Norte e Centro-Oeste do pa\u00eds. Tamb\u00e9m n\u00e3o se enquadram no estere\u00f3tipo que os cr\u00edticos do candidato dizem ter seus eleitores: s\u00e3o gente de fala branda, que defende opini\u00f5es com serenidade e argumenta\u00e7\u00e3o, busca informa\u00e7\u00f5es na imprensa e \u00e9, inclusive, capaz de discordar das propostas mais radicais de Bolsonaro.<br \/>\nAnriel, por exemplo, fica \u201ccom um p\u00e9 atr\u00e1s\u201d sobre a ideia de liberar o porte de armas para a popula\u00e7\u00e3o. Ele tem medo que discuss\u00f5es bobas de tr\u00e2nsito terminem em trag\u00e9dia se algu\u00e9m estiver com um rev\u00f3lver na cintura. Por outro lado, a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal n\u00e3o \u00e9 um problema. \u201cAqui, gurizada de 13 anos mata sem d\u00f3\u201d, exemplifica. C\u00e1ssio, por sua vez, gosta da ideia de estar \u201cno mesmo n\u00edvel\u201d de um potencial assaltante para sentir-se protegido e toparia ter uma arma. Mas confessa que o alerta do pai, sobre o radicalismo de Bolsonaro, o deixa intrigado: \u201cEle tem receio de que se n\u00e3o conseguir fazer o que pretende, possa dar um golpe ou coisa parecida\u201d, revela.<br \/>\nAnriel tem perfil mais liberal: admira o ex-prefeito e candidato a governador de S\u00e3o Paulo\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/joao_agripino_da_costa_doria_junior\">Jo\u00e3o Doria (PSDB)<\/a>\u00a0e faz discurso contra a burocracia para empreendedores. Mas tem consci\u00eancia da profunda desigualdade brasileira e acha que ampliar oportunidades aos mais pobres \u00e9 tarefa do Estado. Quando faz corridas para estudantes (ele detesta pegar passageiros das humanas na federal do Rio Grande do Sul), nota diferen\u00e7as: \u201cSe eu pego corrida na UFRGS \u00e9 s\u00f3 Assun\u00e7\u00e3o, Menino Deus, bairros finos. Mas se \u00e9 nas faculdades privadas, o destino \u00e9 Restinga, Pinheiro, s\u00f3 periferia\u201d. Por isso, embora contr\u00e1rio a cotas raciais, ele \u00e9 simp\u00e1tico \u00e0 reserva de vagas p\u00fablicas a quem tem baixa renda.<br \/>\n<strong>A pesquisa<\/strong><br \/>\nA complexidade do pensamento desses jovens eleitores de Bolsonaro e a disponibilidade que eles t\u00eam para o debate de propostas chamou a aten\u00e7\u00e3o de duas antrop\u00f3logas que pesquisam juventude, consumo e pol\u00edtica no Morro da Cruz h\u00e1 quase uma d\u00e9cada e que desenvolvem agora uma nova fase do trabalho que s\u00f3 termina depois das elei\u00e7\u00f5es. Foi acompanhando o trabalho de campo de\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/06\/politica\/1533580455_166954.html\">Rosana Pinheiro-Machado<\/a>\u00a0e Lucia Mury Scalco que a reportagem do EL PA\u00cdS esteve no local numa sexta-feira de agosto. \u201cEles n\u00e3o s\u00e3o fascistas, pelo contr\u00e1rio, tem argumentos para defender sua posi\u00e7\u00e3o\u201d, observa\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/06\/politica\/1533580455_166954.html\">Rosana<\/a>.<br \/>\nDe fato, tanto Anriel como C\u00e1ssio se sentem incomodados com os r\u00f3tulos costumeiramente a eles atribu\u00eddos quando revelam ser potenciais eleitores do militar da reserva. \u201cMe dizem que sou lixo, mas isso n\u00e3o descreve como sou. Eu n\u00e3o vou discriminar outra pessoa s\u00f3 porque gosta da\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dilma_rousseff\">Dilma<\/a>\u00a0ou do\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/michel_temer\">Temer<\/a>\u201d, queixa-se C\u00e1ssio.<br \/>\nAnriel tamb\u00e9m se ressente das frequentes investidas de advers\u00e1rios: \u201cMe chamam de racista. Justo eu, que namoro uma negra\u2026 e ela discorda da minha posi\u00e7\u00e3o, \u00e9 contra o Bolsonaro\u201d, argumenta, confirmando, ali\u00e1s, outro dos achados das pesquisadoras.<br \/>\nEm grupos focais que vem realizando em escolas, as antrop\u00f3logas Lucia e Rosana perceberam que o voto em Bolsonaro\u00a0<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/numero-de-eleitores-homens-de-bolsonaro-e-o-triplo-do-de-mulheres\/\">\u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de g\u00eanero<\/a>. \u201cAs meninas s\u00e3o muito articuladas na cr\u00edtica ao machismo que o candidato demonstra\u201d, assevera Rosana. A convic\u00e7\u00e3o delas era tanta que foi preciso criar um grupo exclusivamente masculino para que os rapazes se sentissem \u00e0 vontade para declarar seu voto, o que as pesquisadoras tamb\u00e9m interpretam como uma rea\u00e7\u00e3o ao feminismo crescente.<br \/>\nA namorada de C\u00e1ssio faz campanha abertamente contra o capit\u00e3o reformado, mas para ele o candidato n\u00e3o parece preconceituoso e suas opini\u00f5es mais pol\u00eamicas soam mais como galhofa: \u201cDizem que\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/14\/politica\/1523658724_086295.html\">Bolsonaro \u00e9 racista<\/a>, machista e homof\u00f3bico, mas acho que est\u00e3o distorcendo. Uma pessoa assim n\u00e3o \u00e9 legal e ele n\u00e3o parece ser algu\u00e9m ruim\u201d, analisa.<br \/>\nAo mesmo tempo, ele \u00e9 cr\u00edtico ao ataque de Bolsonaro \u00e0 deputada federal Maria do Ros\u00e1rio (PT). Em duas ocasi\u00f5es, o presidenci\u00e1vel do PSL disse que n\u00e3o estupraria sua colega na C\u00e2mara Federal porque ela \u201c\u00e9 feia\u201d e \u201cn\u00e3o merece\u201d. Bolsonaro j\u00e1 foi\u00a0<a href=\"http:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/STJ\/default\/pt_BR\/Comunica%C3%A7%C3%A3o\/noticias\/Not%C3%ADcias\/Jair-Bolsonaro-ter%C3%A1-de-indenizar-deputada-Maria-do-Ros%C3%A1rio-por-danos-morais\">condenado no Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/a>\u00a0por essa agress\u00e3o, e ainda responde a outro processo, em andamento no Supremo Tribunal Federal. \u201cTotalmente desrespeitoso\u201d, condena C\u00e1ssio.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\">\n<figure style=\"width: 318px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/17\/politica\/1534457864_835707_1534468908_sumario_normal.jpg\" alt=\"C\u00e1tia Cunha, f\u00e3 de Bolsonaro.\" width=\"318\" height=\"471\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">C\u00e1tia Cunha \u00e9 f\u00e3 de Bolsonaro \/ T\u00e2nia Meinerz<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"foto-pie\"><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A grosseria \u00e9 o ponto fraco do candidato mesmo na opini\u00e3o dos mais aficcionados. No Morro da Cruz, uma dessas figuras \u00e9 C\u00e1tia Cunha de Almeida Lopes, 40, que exibe num caderno uma lista com 28 motivos para votar em Bolsonaro e viaja todos os anos para o Rio de Janeiro em busca de um encontro com o \u00eddolo. \u201cJ\u00e1 entrei na casa dele, no condom\u00ednio, conheci a fam\u00edlia\u2026 Mas ver ele mesmo, pessoalmente, foi uma vez s\u00f3, e por acaso\u201d, recorda, exibindo a caneca em que mandou imprimir a foto que registra o momento. Ela tamb\u00e9m guarda revistas elogiosas ao candidato, que ocupa o mesmo lugar da dupla Bruno e Marrone no seu pante\u00e3o pessoal. Mesmo assim, para a t\u00e9cnica em enfermagem, na discuss\u00e3o com Maria do Ros\u00e1rio \u201cele pegou pesado\u201d, embora tenha sido uma rea\u00e7\u00e3o dita no calor dos acontecimentos \u2014<em>perdo\u00e1vel<\/em>, portanto.<br \/>\nAnriel tamb\u00e9m relativiza outra pol\u00eamica, mesmo mantendo um tom cr\u00edtico: o voto de Bolsonaro contra Dilma Rousseff, quando ao lado de outros 366 parlamentares, na C\u00e2mara, abriu caminho para o impeachment que viria na sequ\u00eancia. Na ocasi\u00e3o, o candidato do PSL fez de seu voto uma homenagem ao coronel Carlos Brilhante Ustra,\u00a0<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/brasil\/justica-mantem-decisao-que-reconhece-coronel-ustra-como-torturador\/\">condenado por torturar presos<\/a>\u00a0pol\u00edticos durante a ditadura militar.<br \/>\n\u201cEu tenho pena da Dilma, aquilo n\u00e3o era para ter ocorrido. Passamos uma vergonha na frente de outros pa\u00edses. Ela tinha votos para estar l\u00e1\u201d, lamenta. Ainda assim, entende a posi\u00e7\u00e3o do seu candidato: \u201cEle estava fazendo pol\u00edtica. Bolsonaro \u00e9 um democrata\u201d, acredita.<br \/>\n<strong>O Morro<\/strong><br \/>\nOs bairros onde o Morro da Cruz est\u00e1 localizado n\u00e3o s\u00e3o muito familiares ao porto-alegrense m\u00e9dio (S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 o principal, mas tamb\u00e9m a Vila Jo\u00e3o Pessoa e Coronel Apar\u00edcio Borges). Mas nem por isso a favela \u00e9 desconhecida da popula\u00e7\u00e3o em geral: l\u00e1 se celebra anualmente\u00a0<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=J2cRnj5mSmo\">a prociss\u00e3o de P\u00e1scoa mais famosa da cidade<\/a>, com a encena\u00e7\u00e3o da via sacra que termina justamente no alto da montanha, debaixo da cruz que lhe d\u00e1 nome. O morro tamb\u00e9m est\u00e1 a meio caminho entre as duas universidades mais tradicionais da capital, a cat\u00f3lica PUC e a federal UFRGS, e \u00e9 pelo mesmo corredor onde passam os \u00f4nibus dos estudantes que se acessa a comunidade, na avenida Bento Gon\u00e7alves, uma das mais importantes art\u00e9rias de Porto Alegre.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 raro ouvir de um morador do Morro da Cruz que ele \u201cvai pra Porto Alegre\u201d quando precisa sair da localidade (s\u00e3o nove quil\u00f4metros at\u00e9 o centro). L\u00e1 tem de tudo: supermercado, farm\u00e1cia, mec\u00e2nica, padaria. Placas de freteiros e de confeiteiras s\u00e3o muitas, penduradas nas grades de ferro das casas. Mesmo a parte alta do morro \u00e9 abastecida com transporte coletivo, os postos de sa\u00fade atendem a popula\u00e7\u00e3o apesar da precariedade, as escolas est\u00e3o abertas. Em uma lan house que estava cheia perto do meio-dia de uma sexta-feira, os cartazes avisam: \u201c\u00c9 proibido pornografia\u201d. Quem n\u00e3o atender \u00e9 punido com a \u201cperda de todos os cr\u00e9ditos\u201d. J\u00e1 falar palavr\u00e3o ou ter um ataque hist\u00e9rico s\u00e3o falhas menos graves, custam 30 cr\u00e9ditos a quem cometer os deslizes.<br \/>\n\u00c0 primeira vista, portanto, o Morro da Cruz n\u00e3o parece uma comunidade vulner\u00e1vel. Anriel mora com a irm\u00e3 em uma casa de concreto e rua pavimentada. C\u00e1ssio ajuda a m\u00e3e na creche particular que ela mant\u00e9m tamb\u00e9m em constru\u00e7\u00e3o de alvenaria, bem defronte a uma parada de \u00f4nibus. Mas as estat\u00edsticas s\u00e3o claras: a regi\u00e3o do Morro da Cruz est\u00e1 na\u00a0<a href=\"http:\/\/atlasbrasil.org.br\/2013\/pt\/perfil_udh\/22129\">posi\u00e7\u00e3o 581 entre os 722 locais<\/a>\u00a0acompanhados regularmente pelo Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil. Segundo o IBGE, 5% dos domic\u00edlios da localidade s\u00e3o considerados indigentes &#8211; seus moradores sobrevivem com \u00bc de sal\u00e1rio m\u00ednimo por pessoa, algo em torno de 250 reais. Outros 20% est\u00e3o em condi\u00e7\u00e3o levemente melhor: s\u00e3o os pobres, cuja renda per capita \u00e9 de meio sal\u00e1rio m\u00ednimo. Entre 2000 e 2010, o rendimento m\u00e9dio dos chefes de fam\u00edlia do Morro da Cruz caiu pela metade.<br \/>\nE a realidade pode ser ainda pior do que mostram os dados oficiais, porque h\u00e1 uma imensid\u00e3o de \u00e1reas irregulares no entorno do centrinho mais organizado, nos becos. Essa parte n\u00e3o entra nas estat\u00edsticas. Por exemplo, se os dados do IBGE contabilizam uma popula\u00e7\u00e3o de pouco mais de 16.000 pessoas, estima-se que a vila tenha entre 35 e 45 mil moradores. \u201cS\u00e3o muitas ocupa\u00e7\u00f5es, \u00e9 imposs\u00edvel saber com precis\u00e3o\u201d, argumenta Lucia Mury Scalco, que divide seu tempo no morro entre a pesquisa de p\u00f3s-doutorado em antropologia e um trabalho social que criou depois de 12 anos estudando a popula\u00e7\u00e3o do local.<br \/>\nNo mapa de vulnerabilidade do Departamento de Habita\u00e7\u00e3o (Demhab) de Porto Alegre, h\u00e1\u00a0<a href=\"http:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/viewer?ll=-30.073971877504352%2C-51.161068538375844&amp;z=16&amp;mid=1H0PfsLkO41tmanS6HTQpLKlSDV8\">duas enormes \u00e1reas de risco pintadas de azul sobre a regi\u00e3o da favela<\/a>, al\u00e9m de outras duas pequenas. A maior parte das ocorr\u00eancias da Defesa Civil na comunidade se refere a desabamentos ou desmoronamentos.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\">\n<figure style=\"width: 980px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/17\/politica\/1534457864_835707_1534468720_sumario_normal.jpg\" alt=\"Vista de um bairro do Morro da Cruz.\" width=\"980\" height=\"654\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">O Morro da Cruz \u00e9 maior do que aparece nos registros oficiais \/ TM<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"foto-pie\"><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial, em 2014, 20% dos moradores do Morro da Cruz habilitados ao voto n\u00e3o comparecerem \u00e0s urnas. Anriel n\u00e3o tem certeza, mas talvez tenha ajudado a engordar as estat\u00edsticas: \u201cAcho que justifiquei, porque o candidato que eu ia votar, morreu\u201d, diz, em refer\u00eancia a\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/eduardo_henrique_accioly_campos\">Eduardo Campos<\/a>\u00a0(PSB). Sua substituta na chapa PSB-Rede,\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/marina_silva\">Marina Silva<\/a>, n\u00e3o o atraiu tanto (nem antes nem agora) e ele se absteve.<br \/>\nQuem votou em uma das cinco zonas eleitorais do bairro S\u00e3o Jos\u00e9, onde fica a maior parte do Morro da Cruz elegeu Dilma Rousseff (PT) \u2014a candidata petista venceu\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/aecio_neves\">A\u00e9cio Neves<\/a>\u00a0(PSDB) em todas as se\u00e7\u00f5es eleitorais da regi\u00e3o. A sigla tem certa tradi\u00e7\u00e3o na localidade: a popula\u00e7\u00e3o do morro sempre foi muito atuante nas assembleias do Or\u00e7amento Participativo, criado no final dos anos 80 durante a gest\u00e3o de Ol\u00edvio Dutra na prefeitura, figura sempre lembrada e refer\u00eancia no bairro.<br \/>\nC\u00e1ssio lembra que os pais e os tios falam rotineiramente que \u201co PT ajudou muito o povo mais pobre\u201d, mas ele mesmo n\u00e3o sabe opinar sobre se a vida era melhor ou pior antes da era Lula, por exemplo \u2014tinha dois anos quando o ex-mandat\u00e1rio assumiu o poder.<br \/>\nPor essas e outras raz\u00f5es, as antrop\u00f3logas acham que o jogo no Morro da Cruz pode ter virado. \u201cNas \u00faltimas semanas, muitas pessoas nos abordam na rua para dizer que v\u00e3o votar no Bolsonaro. Sabem que estamos pesquisando o assunto e vem nos dar suas justificativas\u201d, revela Rosana.<br \/>\n<strong>Dos rolezinhos a Bolsonaro<\/strong><br \/>\nElas percebem que potencialmente os jovens est\u00e3o de fato declarando voto em Bolsonaro &#8211; e isso surpreendeu a ambas, que acompanham os movimentos da juventude do lugar desde 2009. Elas haviam desenvolvido uma tese de que as excurs\u00f5es aos shopping centers apelidadas pelos jovens da periferia de \u201crolezinhos\u201d ao mesmo tempo que eram uma atitude juvenil voltada consumo, tamb\u00e9m tinham um forte car\u00e1ter reivindicat\u00f3rio de inclus\u00e3o e de circula\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico. Intimamente, as pesquisadoras conclu\u00edram que havia ali um embri\u00e3o de um movimento pol\u00edtico promissor. Quando as ocupa\u00e7\u00f5es estudantis secundaristas explodiram em 2016 &#8211; no Rio Grande do Sul\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/558943-ocupacoes-escolares-no-rio-grande-do-sul-e-tema-de-debate-no-ihu\">mais de uma centena escolas foram ocupadas<\/a>\u00a0durante meses &#8211; tudo parecia confirmar a hip\u00f3tese. Mas quando foram ao Morro da Cruz perguntar aos jovens sobre as \u201cocupas\u201d, a maioria ignorava ou at\u00e9 desprezava o movimento secundarista. \u201cEram os vagabundos, maconheiros\u201d, ilustram.<br \/>\nFoi nesse caldo surpreendente que a candidatura de Jair Bolsonaro come\u00e7ou a decolar, pelo menos no Morro da Cruz, em Porto Alegre. \u201cN\u00e3o h\u00e1 um padr\u00e3o nem no perfil dos jovens eleitores de Bolsonaro nem nos argumentos que usam para defend\u00ea-lo\u201d, dizem as pesquisadoras. H\u00e1 simpatizantes do presidenci\u00e1vel em todos os universos poss\u00edveis: no Funk, no tr\u00e1fico, na igreja ou na escola. \u201cCada um desses grupos juvenis se apega a uma parte do repert\u00f3rio que, em comum, apenas passa pela figura de um homem que oferece uma solu\u00e7\u00e3o radical \u00e0 vida como ela \u00e9\u201d, sintetiza Rosana, que junto com L\u00facia finaliza um livro sobre a pesquisa completa, que deve chamar\u00a0<em>From Hope to Hate: the rise and fall of Brazilian emergence (Da esperan\u00e7a ao \u00f3dio: ascens\u00e3o e queda da emerg\u00eancia brasileira)<\/em>\u00a0.<br \/>\nMas h\u00e1 outros elementos em jogo. Anriel, por exemplo, se decidiu no ensino m\u00e9dio, \u201cantes dos protestos\u201d do \u00faltimos protestos. Como no Morro da Cruz n\u00e3o h\u00e1 escolas secund\u00e1rias, Anriel frequentou o tradicional\u00edssimo col\u00e9gio estadual Julio de Castilhos, na regi\u00e3o central de Porto Alegre, um caldeir\u00e3o da pol\u00edtica local, onde estudaram Leonel Brizola e Luciana Genro, entre uma\u00a0<a href=\"http:\/\/colegiojulinho.com.br\/famosos-do-julinho\/\">galeria de celebridades<\/a>\u00a0da vida p\u00fablica brasileira (Caco Barcelos e o av\u00f4 do\u00a0<a href=\"http:\/\/www2.trf4.jus.br\/memoria\/controlador.php?acao=pagina_visualizar&amp;id_pagina=1182\">atual presidente do TRF4<\/a>, Carlos Eduardo Thompson Flores tamb\u00e9m foram alunos).<br \/>\nA milit\u00e2ncia estudantil \u00e9 uma marca do \u201cJulinho\u201d, como a escola \u00e9 conhecida no Rio Grande do Sul. \u201cVinha gente principalmente dos partidos de esquerda, como o PSOL. Eu ouvia, mas comecei a procurar o outro lado e vi que concordava mais\u201d, recorda.<br \/>\nO argumento usualmente desqualificado pela esquerda de que o Bolsa Fam\u00edlia incentivava as pessoas a n\u00e3o procurarem trabalho fez sentido para ele &#8211; que tinha uma irm\u00e3 recebendo o benef\u00edcio, porque a creche da filhinha exigiu o cadastro no programa para aceitar a matr\u00edcula da menina. \u201cEu sei que tem gente que precisa mesmo, mas tamb\u00e9m conhe\u00e7o muitos que ficaram parados depois. Acho que deveria ser obrigat\u00f3rio, para quem recebesse, ir todos os dias no SINE para arrumar emprego\u201d, opina.<br \/>\nEle tamb\u00e9m desconfiava do expediente utilizado pelos partidos tradicionais para arregimentar apoios da estudantada do Julinho. \u201cEles ofereciam lanche para quem ia nos protestos\u201d, revela. \u00c0s vezes tamb\u00e9m prometiam algum benef\u00edcio imediato para jovens lideran\u00e7as da escola. Mas o problema pr\u00e1tico da falta de professores, por exemplo, n\u00e3o era atacado. \u201cA gente nunca teve professor fixo de hist\u00f3ria e filosofia, posso contar nos dedos as aulas que tive e era muito f\u00e1cil de passar\u201d, assegura Anriel.<br \/>\nAcostumado a vincular milit\u00e2ncia partid\u00e1ria com algum tipo de \u201cpagamento\u201d, ele decidiu adesivar a traseira do seu autom\u00f3vel no dia em que viu a recep\u00e7\u00e3o que o candidato teve no aeroporto de Porto Alegre. Ele estava a trabalho no local &#8211; por isso lamenta n\u00e3o ter podido descer do carro para chegar mais perto. \u201cEra um fanatismo impressionante. Nunca vi ningu\u00e9m receber assim um candidato sem ser pago\u201d, explica.<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA milit\u00e2ncia espont\u00e2nea \u00e9 um fator citado por muitos dos eleitores de Bolsonaro no Morro da Cruz entrevistados pela reportagem do EL PA\u00cdS. Outro ponto repetido por v\u00e1rios jovens \u00e9 que o candidato \u00e9 visto como algu\u00e9m sem papas na l\u00edngua, que n\u00e3o tem medo de dizer o que pensa e cuja comunica\u00e7\u00e3o na internet &#8211; feita sobretudo por memes &#8211; fala diretamente a esse p\u00fablico. \u201cEu deslizo o meu Facebook e s\u00f3 aparecem as coisas dele, nada dos concorrentes\u201d, exemplifica Juan da Paz, 19 anos.<br \/>\nApesar disso, os simpatizantes do presidenci\u00e1vel n\u00e3o s\u00e3o nem de longe pessoas desinformadas. A maioria procura informa\u00e7\u00e3o fora das redes do candidato e alguns t\u00eam o costume de conferir postagens antes de repassar\u00a0<em>fake news<\/em>. \u201cQuando morreu a Marielle (Franco), eu quase compartilhei que ela era envolvida com o tr\u00e1fico. Mas a\u00ed vi que nenhum jornal dizia isso e n\u00e3o fui atr\u00e1s\u201d, revela, aliviado, Anriel.<br \/>\nEles tamb\u00e9m querem ouvir o que os outros candidatos t\u00eam a dizer e acompanham entrevistas e declara\u00e7\u00f5es. A participa\u00e7\u00e3o de Bolsonaro no Roda Viva foi acompanhada por todos, mas n\u00e3o na TV, e sim, pelas redes sociais. Anriel, por exemplo, precisou resgatar o v\u00eddeo no YouTube na manh\u00e3 seguinte, embora tenha tentado ver ao vivo: \u201cTravou a transmiss\u00e3o do Twitter dele e n\u00e3o consegui mais assistir\u201d.<br \/>\nA entrevista ficou registrada na mem\u00f3ria como uma batalha entre o candidato e os jornalistas &#8211; outro argumento repetidamente levantado a seu favor: \u201cEst\u00e3o perseguindo ele, o tempo todo tentam fazer ele cair numa pegadinha\u201d, critica. \u201cNingu\u00e9m perguntou sobre o que importa: educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade. S\u00f3 sobre tortura, essas coisas que j\u00e1 passaram\u201d, argumenta o motorista &#8211; repetindo, de certa maneira, o pensamento do pr\u00f3prio candidato que mencionou no programa a lei da anistia: \u201cS\u00e3o feridas que n\u00e3o devem mais ser lembradas\u201d.<br \/>\n<strong>Oposi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nApesar de ter grande apoio, Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 unanimidade no Morro da Cruz \u2014e h\u00e1 muitos jovens contra suas propostas. Mas mesmo quem o critica, reconhece qualidades: \u201cEu n\u00e3o gosto dele e n\u00e3o votaria nele, mas ele prop\u00f5e coisas diferentes do que estamos acostumados\u201d, avalia Shaiane Carolina Azevedo, de 19 anos. \u201cAs propagandas dos outros s\u00e3o todas iguais\u201d, lamenta Bianca Martins, 20 anos, tamb\u00e9m contrariada.<br \/>\nA pauta da seguran\u00e7a, por exemplo, \u00e9 reconhecida como importante mesmo por seus detratores. \u201cEle tem objetivos maravilhosos, fant\u00e1sticos. Quem n\u00e3o quer sair tranquilo, de noite, na rua? Eu tenho filhos e fico preocupada se demoram a chegar do servi\u00e7o, da faculdade\u2026 Mas como ele sugere resolver, vai instigar mais a viol\u00eancia. O Brasil dele n\u00e3o \u00e9 real\u201d, contesta Fabiana Carniel Gon\u00e7alves, 42 anos.<br \/>\nPor motivos como esses, Camila Diefenthaler Zafanelli, 19 anos, est\u00e1 tentando virar o voto do pai, bolsonarista convicto. \u201cA gente conversa muito em casa, ele super apoia (o Bolsonaro), mas eu estou insistindo\u201d.<\/p>\n<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 class=\"articulo-titulo \"><em>*Reportagem publicada originalmente no site El Pa\u00eds com o t\u00edtulo <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/17\/politica\/1534457864_835707.html\">&#8220;Nem fascistas nem teleguiados: os bolsonaristas da periferia de Porto Alegre&#8221;<\/a><\/em><abbr title=\"Brasilia Time\"><\/abbr><\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister* C\u00e1ssio Martins tem 18 anos e quer que a lei do morro onde ele vive, ditada pelos donos do tr\u00e1fico,\u00a0 valha tamb\u00e9m para o \u201casfalto\u201d. Assim, ele n\u00e3o vai mais precisar esconder o celular sempre que sair dos limites do Morro da Cruz, vila na periferia de\u00a0Porto Alegre\u00a0que tem um dos piores \u00cdndices [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":64680,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-64679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-gPd","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64679\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}