{"id":64682,"date":"2018-08-19T23:11:30","date_gmt":"2018-08-20T02:11:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=64682"},"modified":"2018-08-19T23:11:30","modified_gmt":"2018-08-20T02:11:30","slug":"o-mel-organico-produzido-no-rs-ganha-o-mundo-mas-ainda-esta-na-feira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-mel-organico-produzido-no-rs-ganha-o-mundo-mas-ainda-esta-na-feira\/","title":{"rendered":"O mel org\u00e2nico produzido no RS ganha o mundo mas ainda est\u00e1 na feira"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Geraldo Hasse<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Sinalizando o fim de um inverno extremamente rigoroso, as abelhas reapareceram na manh\u00e3 ensolarada do \u00faltimo s\u00e1bado (18) na feira agroecol\u00f3gica do bairro Bom Fim, em Porto Alegre. As respeit\u00e1veis\u00a0<em>Apis mellifera<\/em>\u00a0estiveram nas bancas de mel, de frutas, de sucos e de caldo de cana; e tamb\u00e9m sobrevoaram as mesas dos caf\u00e9s da vizinhan\u00e7a da Rua Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, onde os frequentadores da feira vacilavam diante dos pre\u00e7os dos m\u00e9is org\u00e2nicos \u2013 R$ 30 a R$ 35 por quilo \u2013 oferecidos por quatro diferentes marcas: Adams, Agromel, Beck e S\u00edtio Viver Bem, que exploram campos e matas nativas do Rio Grande do Sul. Uma aus\u00eancia notada: a do Mel Tio Gerson, tradicionalmente vendido por feirantes-representantes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Os consumidores mais atentos detectaram movimentos contradit\u00f3rios entre alguns dos apicultores-expositores. Enquanto Marcelo Giffhorn, executivo dos Api\u00e1rios Adams, de Taquara, colocou na banca um cartaz anunciando para o final de outubro sua retirada do Brique da Reden\u00e7\u00e3o ap\u00f3s 30 anos, o produtor Eduardo Ellwanger Beck, de Cachoeira do Sul, completava suas primeiras 11 semanas na banca 111, gentilmente aberta pelo amigo Mateus Von Rohr,\u00a0\u00a0produtor de nozes e de tomate org\u00e2nico (em recesso por causa do frio) no mesmo munic\u00edpio do m\u00e9dio vale do Jacu\u00ed.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Concorrentes frontais que oferecem o mel silvestre org\u00e2nico certificado em embalagens de vidro por R$ 35 o quilo, ambos apresentam perspectivas radicalmente diferentes. Se para o jovem apicultor Eduardo Beck a presen\u00e7a no Brique da Reden\u00e7\u00e3o \u00e9 um confiante investimento de futuro, para o veterano Giffhorn a feira se tornou motivo de exaspera\u00e7\u00e3o. \u201cEst\u00e1 havendo muita picuinha sobre o pre\u00e7o do mel\u201d,\u00a0\u00a0resume ele, lembrando que as pessoas acham caro e ignoram as exig\u00eancias de qualidade do produto. No fim das contas, acaba sendo pouco compensador permanecer horas na feira para obter uma receita que mal paga a soma das despesas de viagem, mais o custo do produto. Na realidade, os Api\u00e1rios Adams, com 34 anos de exist\u00eancia, est\u00e3o dispensando a vitrine do Brique porque est\u00e3o ganhando muito mais com a exporta\u00e7\u00e3o de produtos da apicultura.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O Brasil exporta pouco mais da metade da sua produ\u00e7\u00e3o de mel a 4 d\u00f3lares por quilo. A produ\u00e7\u00e3o anual \u00e9 de cerca de 40 mil toneladas. A receita com exporta\u00e7\u00e3o j\u00e1 chegou a 98 milh\u00f5es de d\u00f3lares em 2015, mas oscila muito em fun\u00e7\u00e3o da demanda internacional, da concorr\u00eancia e das oscila\u00e7\u00f5es das safras por problemas clim\u00e1ticos. O Rio Grande do Sul j\u00e1 exportou 13 milh\u00f5es de d\u00f3lares em 2011, mas a m\u00e9dia dos \u00faltimos dez anos n\u00e3o passa de 8 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Filho do apicultor Ednelson Beck, que mant\u00e9m 2500 colm\u00e9ias em diferentes locais arrendados da regi\u00e3o central do Estado, Eduardo foi zagueiro de futebol profissional \u2013 era chamado de Dutty no N\u00e1utico de Recife e em outros clubes \u2013 e aplicou na apicultura parte dos recursos ganhos no esporte. Na banca do Brique ele exercita sua paci\u00eancia ao explicar a freguesas por que seu mel tem o certificado de org\u00e2nico. \u201cUma das regras da certifica\u00e7\u00e3o diz que o api\u00e1rio precisa estar pelo menos a tr\u00eas quil\u00f4metros de qualquer lavoura para n\u00e3o haver o risco de contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos\u201d. A poss\u00edvel consumidora fica impressionada com a afirma\u00e7\u00e3o. O time ap\u00edcola de Dutty est\u00e1 concentrado nos \u201ccampos sujos\u201d de Encruzilhada do Sul, onde a agricultura n\u00e3o entra, porque ali tem muito mato e muita pedra, al\u00e9m de a topografia ser bastante irregular.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Bom para as abelhas e para os consumidores que podem escolher entre meia d\u00fazia de variedades de m\u00e9is considerados dos melhores do mundo: o silvestre ou de flores do campo, de eucalipto, de laranjeira, de uva-do-jap\u00e3o, o mel branco dos Campos de Cima da Serra, o mel de quitoco (do litoral norte) e o de bracatinga (denominado melato, porque \u00e9 feito principalmente com a resina dessa \u00e1rvore da Mata Atl\u00e2ntica).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o se sabe at\u00e9 quando os apicultores v\u00e3o desfrutar de \u00e1reas livres das chamadas \u201ccontamina\u00e7\u00f5es da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d. A cr\u00f4nica dos m\u00e9is org\u00e2nicos expostos na feira agroecol\u00f3gica do Bom Fim incrimina a soja como a maior contaminadora ambiental por pesticidas lan\u00e7ados regularmente sobre 5 milh\u00f5es de hectares cultivados todo ano no Estado, incluindo, nos \u00faltimos dez anos, \u00e1reas planas antes cultivadas por arrozeiros na Metade Sul. \u00c9 exatamente que se concentra o maior perigo atualmente, colocando em perigo a leva de apicultores que migrou da Metade Norte do Estado para a regi\u00e3o da campanha ga\u00facha. Os casos mais emblem\u00e1ticos s\u00e3o os de Pedro Ferronatto, que se mudou de Estrela para Livramento; e Gerson Ferstenseifer, que trocou Arroio do Meio por Bag\u00e9.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Os criadores de abelhas est\u00e3o tentando criar normas para a conviv\u00eancia pac\u00edfica com os sojicultores, mas t\u00eam sido praticamente ignorados pelos empres\u00e1rios agr\u00edcolas, pelas autoridades e pelos ambientalistas, os quais se mobilizaram fortemente em 2005, quando o Estado amea\u00e7ou implantar 1 milh\u00e3o de hectares de eucaliptos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00c9 consenso entre os apicultores que no contato com agrot\u00f3xicos, especialmente os neonicotin\u00f3ides, proibidos em outros pa\u00edses, as abelhas campeiras, que abastecem as colm\u00e9ias, perdem o senso de orienta\u00e7\u00e3o. Como se estivessem drogadas, ficam pelo campo e morrem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse Sinalizando o fim de um inverno extremamente rigoroso, as abelhas reapareceram na manh\u00e3 ensolarada do \u00faltimo s\u00e1bado (18) na feira agroecol\u00f3gica do bairro Bom Fim, em Porto Alegre. 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