{"id":64798,"date":"2018-08-24T18:59:19","date_gmt":"2018-08-24T21:59:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=64798"},"modified":"2018-08-24T18:59:19","modified_gmt":"2018-08-24T21:59:19","slug":"corrupcao-e-desconfianca-afastam-jovens-da-politica-segundo-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/corrupcao-e-desconfianca-afastam-jovens-da-politica-segundo-pesquisador\/","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o e desconfian\u00e7a afastam jovens da pol\u00edtica, segundo pesquisador"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">FRANCISCO RIBEIRO<\/span><br \/>\nA elei\u00e7\u00e3o de 2018 ter\u00e1 o voto da primeira gera\u00e7\u00e3o de brasileiros do s\u00e9culo XXI. Um sinal de como esses jovens v\u00e3o reagir j\u00e1 foi detectado na diminui\u00e7\u00e3o de inscri\u00e7\u00f5es de jovens entre 16 e 18 anos incompletos para o voto facultativo.<br \/>\nNo Rio Grande do Sul, as primeiras causas evidentes deste decr\u00e9scimo s\u00e3o os fatores demogr\u00e1ficos e econ\u00f4micos. Houve uma diminui\u00e7\u00e3o do eleitorado ga\u00facho como um todo devido \u00e0 baixa taxa de natalidade. E muita gente foi embora atr\u00e1s de oportunidades de trabalho no centro do pa\u00eds e no exterior.<br \/>\nPor\u00e9m, para Rodrigo Stumpf Gonzales, cientista pol\u00edtico e professor da UFRGS, as principais raz\u00f5es do desinteresse dos jovens pela pol\u00edtica v\u00e3o muito al\u00e9m: \u201cH\u00e1 um desencanto, ligam a pol\u00edtica e os pol\u00edticos a corrup\u00e7\u00e3o. Soma-se a isto a inexist\u00eancia de candidatos capazes de mobilizar a juventude\u201d.<br \/>\nGonzales enfatiza que grande parte desta desilus\u00e3o do jovem com a pol\u00edtica tem por base a sucess\u00e3o de esc\u00e2ndalos \u2013 opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e outros \u2013 divulgados e explorados <em>ad nauseam<\/em> pela m\u00eddia.<br \/>\n\u201cOs meios de comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do bombardeio sistem\u00e1tico de den\u00fancias criaram uma imagem negativa dos poderes executivo e legislativo, acabando por quase estigmatizar a pol\u00edtica como algo ruim. E falta discernimento a maioria para n\u00e3o cair na generaliza\u00e7\u00e3o. Num dos question\u00e1rios de uma pesquisa que fizemos junto a alunos de uma escola secund\u00e1ria de Porto Alegre constava a seguinte pergunta: que palavra voc\u00ea associa a pol\u00edtica? Os alunos perguntaram se podia escrever palavr\u00e3o. Eram jovens de 16 anos\u201d.<br \/>\nEsta falta de discernimento, segundo Gonzales, deve-se, principalmente, a car\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o e aos novos tipos de socializa\u00e7\u00e3o decorrentes das novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. \u201cNo tempo da ditadura, criticava-se, e com raz\u00e3o, as aulas de OSPB (Organiza\u00e7\u00e3o Social e Pol\u00edtica Brasileira), um neg\u00f3cio horroroso, de doutrina\u00e7\u00e3o. Mas ao rejeitar isso n\u00f3s eliminamos do curr\u00edculo escolar as discuss\u00f5es sobre institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Ali, pelo menos, aprendia-se que o Brasil era uma rep\u00fablica federativa. Pergunte, hoje, para algu\u00e9m quais s\u00e3o os limites de um governador ou presidente? A maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabe\u201d.<br \/>\nAl\u00e9m de uma defici\u00eancia que come\u00e7a na falta de conhecimento, Gonzales acrescenta que o jovem quer algo que dialogue com o tipo de tecnologia e experi\u00eancia que tem no cotidiano e lhe d\u00ea uma perspectiva: \u201celes tomam conhecimento do mundo pol\u00edtico pelas redes sociais. N\u00e3o temos mais o modelo cl\u00e1ssico de integra\u00e7\u00e3o: fam\u00edlia, escola, igreja.<br \/>\nO indiv\u00edduo toma contato com a pol\u00edtica no Facebook, twitter, Whatsapp, enfim, a rede que ele estiver conectado. Ou seja, n\u00e3o existe o debate, apenas o refor\u00e7o das pr\u00f3prias percep\u00e7\u00f5es. O outro n\u00e3o \u00e9 divergente, \u00e9 o inimigo\u201d.<br \/>\nContudo, n\u00e3o se trata de mera aliena\u00e7\u00e3o. Para Gonzales, outro fator da n\u00e3o ades\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica\u00a0 &#8211; ou a movimentos, sejam de esquerda ou direita &#8211; \u00e9 a falta de lideran\u00e7as que os jovens se identifiquem: \u201cele n\u00e3o sabe se confia na escolha dos pais por causa da quest\u00e3o de geracional.\u00a0 Acha que os pais n\u00e3o sabem nada porque t\u00eam menos dom\u00ednio do computador e redes do que ele. Portanto, est\u00e3o mal informados. E faltam lideran\u00e7as pol\u00edticas, ou da sociedade civil, capazes de mobiliz\u00e1-lo nas suas escolhas. As redes sociais n\u00e3o criam lideran\u00e7as, criam celebridades\u201d.<br \/>\nPara o cientista pol\u00edtico, nenhum dos candidatos \u00e0 elei\u00e7\u00e3o para o governo do estado \u00e9 capaz de empolgar os jovens: \u201cRoberto Robaina (PSOL) \u00e9 o jovem daquele personagem do Chico Anysio. Miguel Rossetto (PT) \u00e9 um bom sujeito, fala em investir na escola, num ensino de qualidade, mas n\u00e3o tem carisma, uma fala que entusiasme. N\u00e3o basta a um pretendente ter apenas boas propostas. Numa situa\u00e7\u00e3o normal, Rossetto seria um candidato razo\u00e1vel, mas n\u00e3o neste momento de baixa credibilidade do PT. Os demais postulantes disputam o eleitorado adulto e de terceira idade. O caso extremo \u00e9 o J\u00falio Flores (PSTU), cujo crescimento, quatro por cento, mostra bem a crise que vivemos. Mas, como sempre, sua candidatura \u00e9 simplesmente para marcar posi\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nN\u00e3o se trata, contudo, em rela\u00e7\u00e3o ao eleitorado jovem, de um comportamento onde a apatia, a passividade, a indiferen\u00e7a, a hostilidade sejam regras. H\u00e1 um sentimento de frustra\u00e7\u00e3o, conclui Gonzales, \u00a0na popula\u00e7\u00e3o como um todo. \u201c O jovem necessita visualizar boas perspectivas de futuro, um bom est\u00e1gio profissional, por exemplo. Um dos candidatos poderia falar mais concretamente sobre isso. Enfim, a politiza\u00e7\u00e3o da juventude passa pelo processo de inclus\u00e3o, de socializa\u00e7\u00e3o, caso contr\u00e1rio, participar para ele, como acontece hoje, na maioria dos casos, ser\u00e1 ligar o celular e digitar alguma coisa\u201d.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FRANCISCO RIBEIRO A elei\u00e7\u00e3o de 2018 ter\u00e1 o voto da primeira gera\u00e7\u00e3o de brasileiros do s\u00e9culo XXI. Um sinal de como esses jovens v\u00e3o reagir j\u00e1 foi detectado na diminui\u00e7\u00e3o de inscri\u00e7\u00f5es de jovens entre 16 e 18 anos incompletos para o voto facultativo. 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