{"id":64844,"date":"2018-08-27T17:26:02","date_gmt":"2018-08-27T20:26:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=64844"},"modified":"2018-08-27T17:26:02","modified_gmt":"2018-08-27T20:26:02","slug":"as-novas-regras-de-campanha-ajudam-quem-busca-reeleicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/as-novas-regras-de-campanha-ajudam-quem-busca-reeleicao\/","title":{"rendered":"As novas regras para campanha deste ano favorecem quem busca reelei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Francisco Ribeiro<\/span><br \/>\nAs elei\u00e7\u00f5es de 2018 vieram com uma s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es tais como a introdu\u00e7\u00e3o do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, normas restritivas a publicidade dos candidatos nas ruas, diminui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o de propaganda eleitoral no r\u00e1dio e na tv.<br \/>\nMedidas que, al\u00e9m de tornarem a campanha mais curta, podem, segundo a<br \/>\ncientista pol\u00edtica e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Maria<br \/>\nL\u00facia Moritz, \u201ccontribuir para reeleger quem j\u00e1 est\u00e1 no jogo, quem j\u00e1<br \/>\ntem expertise. N\u00e3o sei se isso \u00e9 bom para a democracia\u201d.<br \/>\nDe 1982, ano da primeira elei\u00e7\u00e3o para governador p\u00f3s-golpe de 1964, at\u00e9 \u00faltima,<br \/>\n2014, que conduziu Jos\u00e9 Ivo Sartori ao Piratini, constata-se que o eleitor ga\u00facho n\u00e3o<br \/>\nreelege o projeto que est\u00e1 no poder, seja o partido ou o governador desde que a<br \/>\nreelei\u00e7\u00e3o para um segundo mandato foi permitida.<br \/>\nAlgo bem diferente do governo municipal de Porto Alegre onde, durante 16 anos, a maioria reconduziu o projeto petista \u00e0 prefeitura da capital, um ato e um feito hist\u00f3rico e pol\u00edtico.<br \/>\nSartori, no caso espec\u00edfico ao governo do estado, seria o primeiro a quebrar aquilo que muitos chamam de maldi\u00e7\u00e3o da reelei\u00e7\u00e3o?<br \/>\nPara Moritz, Sartori, assim como os candidatos a reelei\u00e7\u00e3o ao legislativo ga\u00facho,<br \/>\nbeneficiam-se deste quadro de regras novas,\u201cpois \u00e9 necess\u00e1rio tempo para apresentar novas ideias e projetos, principalmente aqueles que s\u00e3o estreantes na vitrine. Ent\u00e3o, desta vez, em termos de renova\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma campanha muito restritiva, um preju\u00edzo. Cabe a pergunta: at\u00e9 que ponto, para a democracia, isto \u00e9 bom? Eis a\u00ed um grande ponto de interroga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO fato de as pesquisas mostrarem Sartori na dianteira tem muito mais a ver com a visibilidade de estar h\u00e1 quatro anos a frente de um governo.<br \/>\nNo entanto, o \u00edndice de rejei\u00e7\u00e3o dele \u00e9 muito grande, 44 por cento, o que n\u00e3o deixa de ser um fator limitador, um sinalizador para uma poss\u00edvel reviravolta e a continuidade da maldi\u00e7\u00e3o, para o bem, ou para o mal\u201d.<br \/>\nO fim da polaridade entre a direita e o PT, que esta muito enfraquecido, \u00e9 para<br \/>\nMoritz outro fator determinante , \u201cj\u00e1 que facilita o caminho pra quem quer se reeleger&#8221;.<br \/>\nEduardo Leite, mesmo sendo oposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 do mesmo campo que Sartori. Temos assim<br \/>\numa configura\u00e7\u00e3o centro-direita versus centro-direita, o que \u00e9 algo in\u00e9dito no Rio<br \/>\nGrande do Sul.<br \/>\nContudo, deve-se levar em conta que o PSDB \u00e9 um partido que n\u00e3o tem muita estrutura no Rio Grande do Sul. E talvez a\u00ed esteja a dificuldade de Leite avan\u00e7ar<br \/>\nmais. Mas estamos muito no in\u00edcio para determinar que o grande embate seja entre<br \/>\nEduardo Leite &#8211; que tecnicamente est\u00e1 empatado com Miguel Rossetto (PT) e Jairo<br \/>\nJorge (PDT) &#8211; e Sartori. E n\u00e3o podemos esquecer que Mateus Bandeira (Novo) disputa o mesmo eleitor que o PSDB, podendo com isso desbanc\u00e1-lo da disputa no segundo turno, abrindo espa\u00e7o para Rossetto ou Jorge\u201d.<br \/>\nMoritz salienta que, como sempre, a m\u00e1quina partid\u00e1ria far\u00e1 diferen\u00e7a, e isto \u00e9 o<br \/>\nque n\u00e3o falta ao MDB e ao PT: \u201cNuma campanha curta o trabalho da milit\u00e2ncia, o corpo a corpo em busca do voto, conta muito. Tamb\u00e9m os meios, os canais tradicionais de campanha ainda ser\u00e3o mais eficientes&#8221;.<br \/>\n&#8220;O tempo de r\u00e1dio e televis\u00e3o acaba por desequilibrar a disputa, mas depende do desempenho de cada candidato. O mundo digital das redes sociais tamb\u00e9m ter\u00e1 sua import\u00e2ncia, mas n\u00e3o com a dimens\u00e3o que algumas pessoas acreditam. N\u00f3s n\u00e3o temos o mesmo padr\u00e3o que os Estados Unidos, quando Barack Obama fazia programas bem segmentados, direcionados \u00e0s redes sociais\u201d.<br \/>\nEm sua conclus\u00e3o, Moritz faz um alerta para que os candidatos prestem muita<br \/>\naten\u00e7\u00e3o no eleitorado feminino ga\u00facho, que corresponde a 52, 5 por cento de um total<br \/>\nde 8.354.732 eleitores. E n\u00e3o se trata de acusa\u00e7\u00f5es de descaso ou de comportamento<br \/>\nmachista, ou mis\u00f3gino. Mas da constata\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de um estudo de pesquisa de<br \/>\ninten\u00e7\u00e3o, que \u00e9 entre as eleitoras que se encontra o maior n\u00famero de indecisos,<br \/>\nprincipalmente naquelas de menor n\u00edvel de escolaridade, nas classes mais baixas. Eis a\u00ed um nicho que dever\u00e1 requerer mais aten\u00e7\u00e3o e sensibilidade dos coordenadores de<br \/>\ncampanha e marqueteiros, pois, afinal, como\u00a0como j\u00e1 indagou certa vez Freud: o que elas querem?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Ribeiro As elei\u00e7\u00f5es de 2018 vieram com uma s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es tais como a introdu\u00e7\u00e3o do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, normas restritivas a publicidade dos candidatos nas ruas, diminui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o de propaganda eleitoral no r\u00e1dio e na tv. 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