{"id":64855,"date":"2018-08-27T20:25:25","date_gmt":"2018-08-27T23:25:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=64855"},"modified":"2018-08-27T20:25:25","modified_gmt":"2018-08-27T23:25:25","slug":"um-gaucho-chamado-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/um-gaucho-chamado-paixao\/","title":{"rendered":"Um ga\u00facho chamado Paix\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Morreu nesta segunda-feira 27 de agosto, aos 91 anos, o folclorista Paix\u00e3o Cortes, o maior pesquisador da cultura popular riograndense, compar\u00e1vel a Sim\u00f5es Lopes Neto.<br \/>\nEste depoimento foi gravado em 2010, quando ele foi patrono da Feira do Livro de Porto Alegre.<br \/>\nFoi o primeiro de uma s\u00e9rie que n\u00e3o se completou.<br \/>\n***<br \/>\nELMAR BONES<br \/>\n<span style=\"background-color: #ffffff;font-weight: 300\">Mesmo quando veste cal\u00e7a jeans, Paix\u00e3o Cortes d\u00e1 a impress\u00e3o de estar de bombacha. Penso nisso quando o vejo descer de um carro do Instituto Estadual do Livro na frente do edif\u00edcio onde ele mora, na rua Andr\u00e9 Puente, em Porto Alegre.<\/span><br \/>\n<span style=\"background-color: #ffffff;font-weight: 300\">Desce atabalhoado com um pacote de folhetos, livros, pap\u00e9is. Subo no elevador com ele e dona Marina, sua mulher. Ele segue falando como se estivesse continuando uma conversa.\u00a0<\/span><br \/>\nDiz que est\u00e1 chegando da gr\u00e1fica, onde foi buscar uns folhetos e alguns exemplares do seu livro que ser\u00e1 distribu\u00eddo na Feira. Reclama dos compromissos que n\u00e3o lhe d\u00e3o folga: \u201cA gente sai dum, entra noutro, sai dum, entra noutro&#8230;\u201d<br \/>\nO apartamento \u00e9 simples, um conjunto de estofados, uma mesinha com estatuetas, uma do La\u00e7ador.<br \/>\nA dois dias do in\u00edcio da Feira, o patrono est\u00e1 preocupado com a confus\u00e3o que os jornalistas continuam fazendo nas entrevistas, perguntando sobre o movimento tradicionalista com o qual hoje ele tem profundas diverg\u00eancias.<br \/>\nPaix\u00e3o Cortes \u00e9 o &#8220;descobridor&#8221; do ga\u00facho riograndense. Numa \u00e9poca em que os ga\u00fachos eram considerados &#8220;almas\u00a0 b\u00e1rbasra egressas do regime pastoril&#8221;, como escreveu Silvio Romero, ele foi buscar as origens da cultura popular do pampa brasileiro.<br \/>\nForam suas pesquisas, com Barbosa Lessa, que levantaram o material original sobre o qual se erigiu o pante\u00e3o do tradicionalismo, que atualmente ultrapassa as fronteiras do Rio Grande do Sul e chega at\u00e9 ao Jap\u00e3o.<br \/>\nHoje, Paix\u00e3o \u00e9, de certa forma, v\u00edtima da caricaturiza\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es gauchescas que se v\u00ea nos CTGs. Se irrita com os regramentos artificiais e com as demasiadas concess\u00f5es ao apelo comercial nos conjuntos de dan\u00e7a e m\u00fasica regional.<br \/>\nConfundido com o tradicionalismo cetegista, Paix\u00e3o C\u00f4rtes n\u00e3o consegue ter visibilidade para sua obra como folclorista, que n\u00e3o tem similar no Brasil atualmente.<br \/>\nPor sua figura arquet\u00edpica, n\u00e3o consegue se desvincular do gauchismo que tanto critica e por causa disso chegou a ter sua indica\u00e7\u00e3o para patrono da 56\u00aa Feira do Livro de Porto Alegre questionada.<br \/>\nEmbora tenha mais de 40 livros publicados e seja autor de uma obra original na cultura brasileira, Paix\u00e3o Cortes paga o tributo de ter sido modelo para a Est\u00e1tua do La\u00e7ador e muitos o v\u00eaem como o prot\u00f3tipo do ga\u00facho grosso e fanfarr\u00e3o, sem sequer suspeitar do intelectual sofisticado, do pesquisador rigoroso que ele realmente \u00e9.<br \/>\nQuando era classificador de l\u00e3s, of\u00edcio que abra\u00e7ou aos 17 anos, Paix\u00e3o C\u00f4rtes fez fama por n\u00e3o precisar de instrumentos para calcular a espessura dos fios, que se medem em microns. Com o tato da ponta dos dedos, ele media: \u201c15 microns\u201d, \u201c10 microns\u201d.<br \/>\nCom a mesma sensibilidade agu\u00e7ada, com a mesma intensidade primitiva e transbordante que coloca em tudo o que faz, ele se dedica h\u00e1 mais de seis d\u00e9cadas a resgatar as ra\u00edzes da cultura popular riograndense, a \u201calma do povo\u201d, como ele diz.<br \/>\nUma conversa com Paix\u00e3o C\u00f4rtes \u00e9 uma torrente, algo que jorra e inunda a gente. Dif\u00edcil \u00e9 sintetizar, depois, para colocar no papel algo que d\u00ea uma id\u00e9ia da riqueza de uma lenda, que continua viva e atuante.<br \/>\n<strong>Depoimento gravado no dia 27 de outubro de 2010:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cDepois que fui indicado patrono n\u00e3o parei mais&#8230;\u00e9 uma s\u00e9rie de pedidos&#8230; de perguntas&#8230; ent\u00e3o tu tens que informar as pessoas que v\u00e3o ou querem participar ou que de uma forma ou de outra est\u00e3o interligados \u00e0 tua presen\u00e7a l\u00e1&#8230; O resultado disso \u00e9 que tu sai dum entra noutro, sai dum entra noutro&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Os jornalistas de modo geral&#8230; h\u00e1 uma confus\u00e3o entre o movimento tradicionalista e o folclore. Em raz\u00e3o disso, a pergunta que vem da imprensa, da interroga\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o, \u00e9 o tradicionalismo&#8230;<\/em><br \/>\n<em>O tradicionalismo \u00e9 um movimento popular&#8230; com o fim de refor\u00e7ar o n\u00facleo de sua cultura. O folclore \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o genu\u00edna, viva da alma do povo&#8230; o tradicionalismo se serve do folclore&#8230; o folclorista \u00e9 o estudioso de uma ci\u00eancia, o tradicionalista \u00e9 militante de um movimento.<\/em><br \/>\n<em>Essa noite tava me lembrando&#8230; na segunda ou na terceira Feira do Livro em, 1957, eu fui feirante, j\u00e1 levando meus livros editados na \u00e9poca&#8230; no come\u00e7o a feira era uma coisa&#8230; n\u00e3o se sabia bem o que era&#8230; uns quiosquezinhos&#8230; tinhamos nossos livros l\u00e1&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Eu tenho esses livros&#8230; Manual de Dan\u00e7as Ga\u00fachas e Suplemento Musical, eu j\u00e1 vendia meus livros como feirante, a firma nossa era Tradisul, o Humberto Lopes e eu, n\u00f3s tivemos banca, n\u00e9 (risos) e tem at\u00e9 fotografia&#8230; a\u00ed tu come\u00e7a a pensar, porque naquele tempo nem se pensava, entende, nesse aspecto da proje\u00e7\u00e3o, que 56 anos depois estaria vivo&#8230; e presenciando mais um ato, sempre participando do ato.<\/em><br \/>\n<em>Ai tu come\u00e7a&#8230; mas vem c\u00e1&#8230; mas ch\u00ea&#8230; mas eu tenho uma fotografia disso ai&#8230; a\u00ed procurei, p\u00e1, p\u00e1, p\u00e1, achei&#8230; meu filho passou para o computar&#8230; aparece o Meneghetti* (*Ildo Meneghetti, ex-governador)|&#8230; o Humberto Lopes por dentro da barraca, eu pelo lado de fora recepcionando&#8230;tu v\u00ea, rapaz&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Al\u00e9m dos livros, tinha disco que a Inesita Barroso gravou* (*Inesita Barroso gravou \u201cDan\u00e7as Ga\u00fachas\u201d, em 1955, com o selo Copacabana, com as seguintes dan\u00e7as\/m\u00fasicas recolhidas por Paix\u00e3o Cortes e Barbosa Lessa: Ma\u00e7anico, Chimarrita Bal\u00e3o,Quero-Mana, O Anu, Pezinho, Meia-Canha,Tirana do Len\u00e7o) nem se sabia direito o que era regionalismo, ningu\u00e9m sabia quem dan\u00e7ava&#8230; ent\u00e3o, bota no livro, bota o disco, ah&#8230;mas isso \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o, mas e n\u00e3o tem ilustra\u00e7\u00e3o?&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Uma vez o Lutzenberger* (*Joseph Lutzenberger, arquiteto, pai do ambientalista) me chamou, para selecionar uns desenhos dele de cenas rurais&#8230; ele queria representar o ga\u00facho, os costumes, o trabalho, os arreios&#8230; s\u00e1bado pelas tr\u00eas horas eu ia l\u00e1 na casa dele, numa mesa grande todos os trabalhos que ele fazia na semana, dezenas, ele fazia bico de pena&#8230; publicou 25 selecionados por mim&#8230; tinha um textinho nosso&#8230; Barbosa Lessa, o Sanguinetti, Silvio Ferreira&#8230; era 1952, nem feira tinha&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Hoje n\u00e3o tem mais cultura superior, inferior, erudita, tanto faz o astronauta como um \u00edndio&#8230; todos produzem cultura.<\/em><br \/>\n<em>A Corag vai colocar na Feira o meu livro \u201cFolclore ga\u00facho festas bailes m\u00fasica e religiosidade rural\u201d, de quatrocentas e tantas p\u00e1ginas. Registra as manifesta\u00e7\u00f5es mais genu\u00ednas da cultura popular riograndense&#8230; no interior de Santo Antonio da Patrulha, Mostardas, Tavares&#8230; onde ainda correm cavalhadas isso tudo, rezas, sai bandeiras com pedit\u00f3rios, montados a cavalo.<\/em><br \/>\n<em>S\u00e3o os focos originais, heran\u00e7a lusitana, a base do folclore riograndense&#8230; \u00e9 o que ainda resta&#8230; nas Miss\u00f5es resta pouca coisa&#8230; na fronteira quase nada que remonte \u00e0s \u00e9pocas, essas s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es de origem mais remota&#8230; a alma do povo.<\/em><br \/>\n<em>Quando souberam que eu era patrono me telefonaram&#8230; Paix\u00e3o , queremos dan\u00e7ar pra ti&#8230; H\u00e1 muito convivo com eles, dan\u00e7o com eles, bebo cacha\u00e7a com eles&#8230;queriam vir&#8230;.as cavalhadas, os quicumbis, os negros com imperador e tudo&#8230; a\u00ed fui l\u00e1 na Feira&#8230; ah mas n\u00e3o tem verba&#8230;bueno, mas depois se resolveu, diz que vem 90 pessoas&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Vem noventa, com roupa, m\u00e1scaras, tambor e tudo&#8230; Ent\u00e3o peguei esses cinco temas folcl\u00f3ricos e botei nessas folhas para que os jornalistas tenham esses elementos para se louvar&#8230; quicumbi, caiambola&#8230; que \u00e9 isso&#8230; v\u00e3o dizer: o Paix\u00e3o j\u00e1 inventou coisa&#8230;mas n\u00e3o ta\u00ed, \u00f3. Eles v\u00eam a\u00ed em carne e osso.<\/em><br \/>\n<em>O neg\u00f3cio \u00e9 o seguinte: eu sou pessoa de quatro paredes para fora, n\u00e3o para dentro, n\u00e3o sou de palco, nem microfone, nem holofotes, sou de campo&#8230; ent\u00e3o&#8230; vem com o livro, e posso falar: esse \u00e9 o maior document\u00e1rio sobre folclore publicado no Rio Grande do Sul valor documental, tudo documento n\u00e3o tem tradi\u00e7\u00e3o, tradicionalismo, CTG nada disso&#8230; aqui \u00e9 \u201cin loco\u201d&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Olha aqui o Baile do Masque&#8230; homens vestidos de mulher&#8230; p\u00f4 mas, ent\u00e3o, como \u00e9 que \u00e9, o Paix\u00e3o vai trazer travestis, ent\u00e3o tem que ter um cuidado louco&#8230; (vai folhando o livro) olha aqui a Cavalhada&#8230; \u00f3 aqui, o terno de reis, \u00f3&#8230; ensaios e promessas dos quicumbis&#8230;.elementos originais&#8230; os bichos ao natural.<\/em><br \/>\n<em>Tem a parte de dan\u00e7a&#8230; a parte de dan\u00e7a \u00e9 reconstitui\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a, isso \u00e9 tradicionalismo&#8230; escreve um livro, pesquisa seu ciclano&#8230; seu ciclano dan\u00e7a assim, a m\u00fasica \u00e9 assim&#8230; as que n\u00f3s reconstitu\u00edmos j\u00e1 t\u00e3o na casa dos 100.<\/em><br \/>\n<em>Sempre reuni esse material&#8230; agora s\u00e3o 100 dan\u00e7as recolhidas&#8230; estou escrevendo um livro de 700 p\u00e1ginas que onde v\u00e3o estar essas coisas todas&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Naquele tempo nem tinha grava\u00e7\u00f5es&#8230;era de mem\u00f3ria&#8230; exercitei e fiz sistema de escrever,\u00a0 olho e leio, mesmo a escrita musical&#8230; gravador foi grande evolu\u00e7\u00e3o (riso) quando come\u00e7ou era no olho e no ouvido&#8230;\u00f3&#8230;\u00e9 assim&#8230; olha, vai de novo&#8230; e ai tu ia pegando a coisa.<\/em><br \/>\n<em>Essas coisas todas chegam aos dias de hoje&#8230;\u00e9 isso que posso dar de contribui\u00e7\u00e3o feita ao lado de professores, ficcionistas, historiadores, soci\u00f3logos acho que posso dar essa contribui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a alma do povo, n\u00e3o \u00e9 matem\u00e1tica, n\u00e3o \u00e9 n\u00famero&#8230; aprender a alma do povo&#8230; importante na preserva\u00e7\u00e3o dos seus valores&#8230; tudo isso \u00e9 alma do povo isso aprendi na conviv\u00eancia com eles&#8230; quando se perde, morreu. (segue)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morreu nesta segunda-feira 27 de agosto, aos 91 anos, o folclorista Paix\u00e3o Cortes, o maior pesquisador da cultura popular riograndense, compar\u00e1vel a Sim\u00f5es Lopes Neto. Este depoimento foi gravado em 2010, quando ele foi patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. Foi o primeiro de uma s\u00e9rie que n\u00e3o se completou. *** ELMAR BONES [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":64570,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-64855","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":64855,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-gS3","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64855"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64855\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}