{"id":65183,"date":"2018-09-03T10:19:20","date_gmt":"2018-09-03T13:19:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=65183"},"modified":"2018-09-03T10:19:20","modified_gmt":"2018-09-03T13:19:20","slug":"museu-nacional-em-chamas-e-o-retrato-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/museu-nacional-em-chamas-e-o-retrato-do-brasil\/","title":{"rendered":"Museu Nacional em chamas \u00e9 o retrato do Brasil de 2018"},"content":{"rendered":"<p>O inc\u00eandio que destruiu quase todo o acervo do Museu Nacional na noite deste domingo, no Rio, \u00e9 o &#8220;retrato&#8221; do Brasil de 2018, submetido a uma pol\u00edtica de desmonte dos servi\u00e7os p\u00fablicos em todos os n\u00edveis.<br \/>\nO Museu n\u00e3o tinha preven\u00e7\u00e3o e os bombeiros, quando o inc\u00eandio se alastrou, n\u00e3o tinham \u00e1gua para conter o fogo.<br \/>\n&#8220;Todas as unidades (da universidade) est\u00e3o afetadas por esse pol\u00edtica&#8221;, segundo o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, \u00e0 qual o Museu \u00e9 vinculado.<br \/>\n&#8220;Este inc\u00eandio sangra o cora\u00e7\u00e3o do pa\u00eds,&#8221; disse o reitor.<br \/>\nLeher reconheceu a falta de condi\u00e7\u00f5es para enfrentar uma emerg\u00eancia desse porte. &#8220;Reconhecemos o trabalho valoroso do Corpo de Bombeiros, mas percebemos claramente que faltou uma log\u00edstica e uma capacidade de infraestrutura.&#8221;<br \/>\nSem \u00e1gua nos hidrantes, o inc\u00eandio avan\u00e7ava enquanto os bombeiros aguardavam a chegada de carros-pipa enviados pela\u00a0Companhia de \u00c1guas e Esgotos do Rio (Cedae).<br \/>\nBombeiros, professores e t\u00e9cnicos do museu dizem que ainda conseguiram salvar algumas pe\u00e7as do acervo, composto por milh\u00f5es de obras e documentos.<br \/>\nMas, segundo o\u00a0diretor de Preserva\u00e7\u00e3o do Museu Nacional, no Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT1457_com_zimbra_date\">\u00a0de Janeiro, Jo\u00e3o Carlos Nara, &#8220;o dano \u00e9 irrepar\u00e1vel&#8221;.\u00a0<\/span><br \/>\n\u201cInfelizmente a reserva t\u00e9cnica, que esper\u00e1vamos que seria preservada, tamb\u00e9m foi atingida. Teremos de esperar o fim do trabalho dos bombeiros para verificar realmente a dimens\u00e3o de tudo.<br \/>\n\u201c\u00c9 uma edifica\u00e7\u00e3o muito antiga que foi concebida em um contexto em que n\u00e3o existia o uso de energia, muito menos o uso intensivo de energia como s\u00e3o as edifica\u00e7\u00e3o acad\u00eamicas, que t\u00eam laborat\u00f3rios, \u00e1rea administrativa, inform\u00e1tica&#8221;, afirmou Nara.<br \/>\nEle tamb\u00e9m afirmou que as instala\u00e7\u00f5es do museu contavam com uma brigada de inc\u00eandio que realizava &#8220;trabalho sistem\u00e1tico&#8221; junto ao\u00a0Corpo de Bombeiros e \u00e0 Defesa Civil, e que os extintores estavam &#8220;em ordem&#8221;.<br \/>\nPara a ex-secret\u00e1ria de Cidadania e Diversidade Cultural do Minist\u00e9rio da Cultura\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/midianinja.org\/ivanabentes\/museu-nacional-nao-e-acidente-e-barbarie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ivana Bentes<\/a>, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel atribuir \u00e0 trag\u00e9dia a um suposto &#8220;descaso&#8221; da UFRJ. &#8220;N\u00e3o existe pol\u00edtica p\u00fablica para manter e conservar nosso patrim\u00f4nio. \u00c9 o mesmo descaso com o patrim\u00f4nio, a pesquisa, a ci\u00eancia e tudo que \u00e9 p\u00fablico. O Museu sobrevive com o m\u00ednimo de recursos do Estado.&#8221;<br \/>\nEla lembra que at\u00e9 mesmo o p\u00fablico chegou a contribuir com &#8220;vaquinha&#8221; para ajudar na manuten\u00e7\u00e3o do museu, e disse que trag\u00e9dias dessa dimens\u00e3o podem ocorrer em outras institui\u00e7\u00f5es que vivem na mesma situa\u00e7\u00e3o. &#8220;S\u00e3o inc\u00eandios e trag\u00e9dias que n\u00e3o s\u00e3o ainda mais frequentes nem sabemos porqu\u00ea. Na adversidade vivemos e as universidades fazem muito e muit\u00edssimo com muito pouco.&#8221;<br \/>\nSegundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC-RJ), desde 2014,\u00a0o &#8220;Governo Federal n\u00e3o faz os repasses apropriados para a manuten\u00e7\u00e3o do Museu&#8221;. O \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m declarou que o inc\u00eandio &#8220;\u00e9 um s\u00edmbolo do descaso do governo atual com a nossa cultura, ci\u00eancia e patrim\u00f4nio.&#8221;<br \/>\n<strong>Perdas<\/strong><br \/>\nCom 20 milh\u00f5es de pe\u00e7as e documentos, tratava-se do quinto maior museu do mundo em acervo. Suas obras contavam uma parte importante da hist\u00f3ria antropol\u00f3gica e cient\u00edfica da humanidade. Talvez\u00a0o exemplo mais emblem\u00e1tico seja o f\u00f3ssil com mais de 11 mil anos de Luzia, a mulher mais antiga das Am\u00e9ricas, cuja descoberta nos anos 1970 reorientou todas as pesquisas sobre a ocupa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o.<br \/>\nAli tamb\u00e9m estava a reconstru\u00e7\u00e3o do esqueleto do Angaturama Limai, o maior dinossauro carn\u00edvoro brasileiro, com quase todas as pe\u00e7as originais, algumas com 110 milh\u00f5es de anos. O sarc\u00f3fago da sacerdotisa Sha-amun-em-su, mumificada h\u00e1 2.700 anos e presenteada a Dom Pedro 2\u00ba em 1876, nunca tinha sido aberto. A cole\u00e7\u00e3o de m\u00famias eg\u00edpcias e a de vasos gregos e etruscos evidenciam o perfil transfronteiri\u00e7o do acervo, que tamb\u00e9m abrigava o maior conjunto de meteoritos da Am\u00e9rica Latina.<br \/>\nMenos de 1% dessas obras estava exposta ao p\u00fablico. Centro de pesquisa e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Museu Nacional \u00e9 uma refer\u00eancia para pesquisadores das mais diversas \u00e1reas, como etnobiologia, paleontologia, mineralogia, antropologia, entre outras.<br \/>\n&#8220;Todos que por aqui passem, protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma gera\u00e7\u00e3o e um marco na hist\u00f3ria de um povo que soube construir seu pr\u00f3prio futuro.&#8221;\u00a0Ap\u00f3s o inc\u00eandio que destruiu o Museu Nacional neste domingo, a frase inscrita em l\u00e1pide na entrada do local soa como um grito de socorro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O inc\u00eandio que destruiu quase todo o acervo do Museu Nacional na noite deste domingo, no Rio, \u00e9 o &#8220;retrato&#8221; do Brasil de 2018, submetido a uma pol\u00edtica de desmonte dos servi\u00e7os p\u00fablicos em todos os n\u00edveis. O Museu n\u00e3o tinha preven\u00e7\u00e3o e os bombeiros, quando o inc\u00eandio se alastrou, n\u00e3o tinham \u00e1gua para conter [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":65184,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-65183","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":65183,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-gXl","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65183"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65183\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}