{"id":65709,"date":"2018-09-23T13:16:06","date_gmt":"2018-09-23T16:16:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=65709"},"modified":"2018-09-23T13:16:06","modified_gmt":"2018-09-23T16:16:06","slug":"ricardo-giuliani-fala-da-exposicao-um-gaucho-em-conversa-com-o-artista-no-margs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/ricardo-giuliani-fala-da-exposicao-um-gaucho-em-conversa-com-o-artista-no-margs\/","title":{"rendered":"Ricardo Giuliani fala da exposi\u00e7\u00e3o &quot;Um ga\u00facho&quot;, em Conversa com o Artista, no Margs"},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_65710\" aria-describedby=\"caption-attachment-65710\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-65710\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/20180711_Um-Gaucho_Ricardo-Giuliani-foto-Nilton-Santolin_IMG_0955_01-450x113.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"113\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-65710\" class=\"wp-caption-text\">Obra de Ricardo Giuliani. Foto: Nilton Santolin\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO artista visual e escritor Ricardo Giuliani \u00e9 o pr\u00f3ximo participante\u00a0 do projeto &#8220;Conversas com o Artista&#8221; sobre o tema da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;<em>Um Ga\u00facho&#8221;,<\/em> com curadoria de Jos\u00e9 Francisco Alves, na quinta-feira,\u00a0dia 27, a partir das 16h, no audit\u00f3rio do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS). A exposi\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser visitada at\u00e9 14 de outubro, com entrada gratuita. O evento ter\u00e1 tamb\u00e9m a presen\u00e7a\u00a0do curador da exposi\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Francisco Alves.<br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o <em>Um Ga\u00facho<\/em> re\u00fane 67 obras, entre pinturas, desenhos, aquarelas e instala\u00e7\u00e3o, que surgiram a partir da pesquisa do artista na literatura sobre \u201cel ga\u00facho\u201d, o ga\u00facho hist\u00f3rico n\u00e3o folclorizado, dentre os quais Alcides Maya, Sarmiento, Augusto Meyer, Jose Hernandez e Barbosa Lessa e que pode ser sintetizada em \u201c<em>O Ga\u00facho a P\u00e9\u201d, <\/em>da trilogia de Cyro Martins. Tanto a exposi\u00e7\u00e3o como o livro s\u00e3o, portanto, o resultado de uma reflex\u00e3o sobre o paradoxo que convive no imagin\u00e1rio sul-rio-grandense. E, por isso, o artista visual e escritor o retrata como Um Ga\u00facho, que a um s\u00f3 tempo \u00e9 hist\u00f3ria, folclore e o pr\u00f3prio artista.<br \/>\n<em>&#8220;Em Um Ga\u00facho, a cr\u00edtica social de Ricardo Giuliani aborda o nosso personagem m\u00e1ximo, tem\u00e1tica t\u00e3o cara \u00e0 nossa arte, de Weing\u00e4rtner aos Clubes de Gravura, o ga\u00facho. Este que \u00e9, ao mesmo tempo, um produto hist\u00f3rico, social e cultural, que o artista busca enfocar como um brasileiro do Sul em suas trag\u00e9dias sociais, o trabalhador rural, produto do latif\u00fandio. Sua abordagem buscou tamb\u00e9m os aportes de Cyro Martins, em sua Trilogia do Ga\u00facho a P\u00e9, quando o prestigiado m\u00e9dico e escritor deparou-se com o ga\u00facho real, n\u00e3o m\u00edtico e empobrecido, nos cintur\u00f5es de mis\u00e9ria das cidades. Esta transi\u00e7\u00e3o do ga\u00facho idealizado para o marginalizado \u00e9 a realidade que Ricardo Giuliani interpreta, nos ilustra com obras atuais, em especial pinturas enormes, na linguagem muralista&#8221;.<\/em><br \/>\n<em>\u00a0<\/em>Jos\u00e9 Francisco Alves \u2013 curador.<br \/>\n<figure id=\"attachment_65711\" aria-describedby=\"caption-attachment-65711\" style=\"width: 329px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-65711\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Ricardo-Giuliani-06-Um-Ga\u00facho-S\u00e9rie-Um-Gaucho-2018-L\u00e1pis-Aquarelavel-sobre-papel-de-aquarela-285x21cm-329x450.jpg\" alt=\"\" width=\"329\" height=\"450\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-65711\" class=\"wp-caption-text\">Um Ga\u00facho-S\u00e9rie-Um. 2018. L\u00e1pis Aquarelavel sobre papel de aquarela. Foto: Nilton Santolin\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\nT\u00edtulo: Conversa no museu &#8211; <em>Um Ga\u00facho<\/em><br \/>\nArtista: Ricardo Giuliani<br \/>\nCurador: Jos\u00e9 Francisco Alves<br \/>\nParticipa\u00e7\u00f5es: Dilan Camargo.<br \/>\nQuando:\u00a0 27 de setembro de 2018, \u00e0s 16h<br \/>\nOnde: Audit\u00f3rio do MARGS (Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, s\/n &#8211; Centro Hist\u00f3rico)<br \/>\nEntrada Franca.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>TEXTO DO CURADOR<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Um Ga\u00facho <\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<em>Um Ga\u00facho<\/em> \u00e9 o paradoxo que convive no imagin\u00e1rio e no cotidiano sul-rio-grandense. O indefinido, como desejado, a um s\u00f3 tempo \u2013 \u00e9 hist\u00f3ria, folclore e arte. \u00c9 o artista vagando pelas lonjuras da pampa e expressando nossas quest\u00f5es e complexidades, sempre perseguindo uma raz\u00e3o para a caminhada.<br \/>\nAs particularidades que marcam os \u201cnossos\u201d modos de constru\u00e7\u00e3o civilizacional derivam de processos culturais \u2013 hist\u00f3ricos, folcl\u00f3ricos e antropol\u00f3gicos \u2013 com a pretens\u00e3o de distinguir o torr\u00e3o mais meridional do Brasil das demais plagas onde vivem os nossos iguais. O Ga\u00facho \u00e9, a um s\u00f3 tempo, personagem m\u00edtico e ser social concreto. Montado a partir de uma necessidade pol\u00edtica e cultural e, abastecido, por uma literatura de primeir\u00edssima linha. Assim, cria-se a saga de uma na\u00e7\u00e3o que organiza e condiciona os modos de relacionamento e de constru\u00e7\u00e3o social existentes no Rio Grande do Sul. O \u201cCentauro dos Pampas\u201d n\u00e3o anda a p\u00e9! O \u201cCentauro\u201d cavalga, (sobre)vive da constru\u00e7\u00e3o sociocultural, enquanto o homem hist\u00f3rico-social vagueia nas periferias das \u201cBoa Venturas\u201d, cidades nem t\u00e3o imagin\u00e1rias, perdidas numa pampa prenha de ga\u00fachos-a-p\u00e9, agora expressas nos pain\u00e9is e nas provoca\u00e7\u00f5es ao pensamento, lan\u00e7adas pela obra de Ricardo Giuliani.<br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o de Giuliani \u2013 predominantemente a pintura e o desenho \u2013 parte das quest\u00f5es sociais e pol\u00edticas para o seu posicionamento no mundo. Temos aqui um artista como uma esp\u00e9cie de cronista, um observador inquieto da vida vivida, que v\u00ea claramente nas artes visuais uma linguagem privilegiada na possibilidade de resposta cr\u00edtica imediata, em especial, \u00e0s mazelas brasileiras e de como tentamos contornar os absurdos do dia-a-dia da vida p\u00fablica, cultural, social e institucional. O suporte \u00e9 para o artista todo um universo dispon\u00edvel para comunicar os seus posicionamentos, e o faz a partir da experimenta\u00e7\u00e3o, sem medo da imensa gama de potencialidades que os materiais art\u00edsticos oferecem. Mesmo consciente dos limites do mercado de arte, Giuliani v\u00ea suas possibilidades em grau maior pelos grandes pain\u00e9is, o desafio do espa\u00e7o, em refer\u00eancias aos muralistas no enfrentamento das quest\u00f5es sociais, que a grande tela possibilita em ampla narrativa, com linguagem expressiva, os absurdos da realidade vistos pelas m\u00e3os deste artista que, sem qualquer constrangimento, afirma-se como mais \u201cum ga\u00facho\u201d do Brasil.<br \/>\nEm <strong><em>Um Ga\u00facho<\/em><\/strong>, a cr\u00edtica social de Ricardo Giuliani versa sobre o nosso personagem m\u00e1ximo, tem\u00e1tica t\u00e3o cara \u00e0 nossa arte, de Weing\u00e4rtner aos Clubes de Gravura. O ga\u00facho, este que \u00e9 ao mesmo tempo um produto hist\u00f3rico, social e cultural, mas cuja constitui\u00e7\u00e3o flui ao bel prazer dos contextos pol\u00edticos. A partir do Centauro dos Pampas \u2013 o ga\u00facho mitificado pela vers\u00e3o oficial \u2013 o artista busca enfocar \u201cO Ga\u00facho\u201d como um brasileiro do Sul em suas trag\u00e9dias sociais, o trabalhador rural, produto do latif\u00fandio e das suas complexidades, que no s\u00e9culo XX, pressionado a migrar para a periferia das cidades, das \u201cBoa Venturas\u201d, abandona sua autenticidade, desconstr\u00f3i suas fam\u00edlias e ra\u00edzes e \u00e9 condenado a pertencer \u00e0 estat\u00edstica da pobreza, transformando-se em refer\u00eancia est\u00e9tica de um imagin\u00e1rio at\u00e1vico apartado do homem hist\u00f3rico-social que realmente \u00e9.<br \/>\nNesse sentido, Giuliani busca no aporte de Cyro Martins, em sua <em>Trilogia do Ga\u00facho a P\u00e9<\/em>, iniciada h\u00e1 81 anos com a publica\u00e7\u00e3o de <em>Sem Rumo<\/em> (escrito em Quara\u00ed, em 1935, no centen\u00e1rio farroupilha), na contram\u00e3o de um momento euf\u00f3rico que mitificava de vez a \u201cestirpe do ga\u00facho\u201d, refer\u00eancias liter\u00e1rias que recuperam a mulher e o homem concretos que se espalharam nos cintur\u00f5es de mis\u00e9ria. Uma vez que j\u00e1 n\u00e3o mais vivemos um per\u00edodo de devaneios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa epopeica regionalidade, Giuliani apresenta no MARGS, entre outras obras, dois imensos murais, <em>Boa Ventura <\/em>I e II, a nos chamar a aten\u00e7\u00e3o a nossos paradoxos\u00a0 \u2013 que\u00a0 ga\u00fachos somos ou queremos ser, e aonde chegamos com tudo isso.<br \/>\n<em>Um Ga\u00facho<\/em>, ent\u00e3o pode ser percebida com um \u201cjogo\u201d indefinido, ou por outra, com o indefin\u00edvel que n\u00e3o encontra limites diante da qualidade do humano e que nasce de uma vida que, em certa medida, tamb\u00e9m \u00e9 a vida e o caminho do ga\u00facho a p\u00e9, pois,\u00a0 passou a beber arte e a consumir exist\u00eancia quando, obrigado a sair de Quara\u00ed \u2013 a \u201cBoa Ventura\u201d de Cyro Martins\u2013 perde-se \u2013 ou encontra-se \u2013 nos arrabaldes da Capital e na totalidade de suas andan\u00e7as. <em>Um Ga\u00facho<\/em> \u00e9 movimento, e Ricardo Giuliani \u00e9, a um s\u00f3 tempo, hist\u00f3rico, folcl\u00f3rico e existencial, como queiram, o pr\u00f3prio artista, obrigado pelas circunst\u00e2ncias do viver, produzindo e entregando-se \u00e0 sua pr\u00f3pria narrativa frente aos paradoxos, nem t\u00e3o aparentes, da sua constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-social.<br \/>\nRicardo Giuliani tem-se dedicado \u00e0s artes visuais desde 2012, quando descobriu a linguagem pict\u00f3rica e come\u00e7ou a produzir intensamente, apaixonado por esta nova possibilidade est\u00e9tica. A arte, para Giuliani, \u00e9 definidora das possibilidades de estar no mundo para dividi-lo com o Outro. Como m\u00fasico, participou de festivais nativistas na d\u00e9cada de 1980, sem nunca abandonar a MPB e o Rock; como escritor, publicou cinco livros, sendo finalista do Pr\u00eamio A\u00e7orianos de Literatura, na categoria Cr\u00f4nica, em 2012.<br \/>\nJos\u00e9 Francisco Alves<br \/>\nCurador<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artista visual e escritor Ricardo Giuliani \u00e9 o pr\u00f3ximo participante\u00a0 do projeto &#8220;Conversas com o Artista&#8221; sobre o tema da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Um Ga\u00facho&#8221;, com curadoria de Jos\u00e9 Francisco Alves, na quinta-feira,\u00a0dia 27, a partir das 16h, no audit\u00f3rio do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS). 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