{"id":65763,"date":"2018-09-25T11:09:52","date_gmt":"2018-09-25T14:09:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=65763"},"modified":"2018-09-25T11:09:52","modified_gmt":"2018-09-25T14:09:52","slug":"produtores-de-mel-estao-isolados-na-luta-por-normas-para-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/produtores-de-mel-estao-isolados-na-luta-por-normas-para-agrotoxicos\/","title":{"rendered":"Produtores de mel est\u00e3o isolados na luta por normas para agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">GERALDO HASSE<\/span><br \/>\nOs criadores de abelhas mel\u00edferas est\u00e3o tentando criar normas para a conviv\u00eancia pac\u00edfica com os agricultores usu\u00e1rios de agrot\u00f3xicos, mas t\u00eam sido praticamente ignorados pelos empres\u00e1rios agr\u00edcolas e pelas autoridades, tanto que a C\u00e2mara Setorial de Abelhas, Produtos e Servi\u00e7os da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul n\u00e3o encaminhou ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) uma sugest\u00e3o de regulamento discutida internamente em janeiro de 2018. A n\u00e3o normatiza\u00e7\u00e3o atende aos interesses da ind\u00fastria qu\u00edmica e seus parceiros &#8212; o com\u00e9rcio de m\u00e1quinas e insumos rurais e a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, al\u00e9m dos pr\u00f3prios agricultores, que aceitam passivamente o receitu\u00e1rio venenoso sem questionar os impactos negativos no meio ambiente.<br \/>\nAparentemente indiferentes, os ambientalistas n\u00e3o demonstram a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o revelada em 2005, quando fizeram uma campanha contra a implanta\u00e7\u00e3o de eucaliptais para abastecer tr\u00eas grandes projetos de fabrica\u00e7\u00e3o de celulose. Em vez de 1 milh\u00e3o de hectares, como se imaginou, a eucaliptocultura ocupa hoje 500 mil hectares no Rio Grande do Sul, e nem a metade disso serve como mat\u00e9ria-prima para fabricar celulose no \u00fanico projeto que vingou em Gua\u00edba. Com o barulho que fizeram, os ambientalistas contribu\u00edram para o estabelecimento de limites colocados no Zoneamento Ecol\u00f3gico Econ\u00f4mico do Estado, plataforma que somente agora est\u00e1 sendo colocada em funcionamento. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 qualquer mobiliza\u00e7\u00e3o contra os agroqu\u00edmicos, que constituem uma amea\u00e7a real \u00e0 biodiversidade, j\u00e1 que matam os insetos polinizadores.<br \/>\n\u00c9 consenso entre os apicultores que no contato com agrot\u00f3xicos, especialmente os modernos neonicotin\u00f3ides, proibidos em outros pa\u00edses, as abelhas campeiras, que abastecem as colm\u00e9ias com n\u00e9ctar e p\u00f3len, perdem o senso de orienta\u00e7\u00e3o. Como se estivessem drogadas, morrem no campo sem voltar a seus ninhos. Das que retornam, algumas contaminam as companheiras, contribuindo para liquidar suas fam\u00edlias.<br \/>\n<figure id=\"attachment_65765\" aria-describedby=\"caption-attachment-65765\" style=\"width: 422px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-65765\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Primeira-coluna-publicada_TRATADA.jpg\" alt=\"\" width=\"422\" height=\"890\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-65765\" class=\"wp-caption-text\">Coluna publicada em dezembro de 1980 pelo professor de apicultura Hugo Muxfeldt, primeiro presidente da CBA, fundada em 1968 em Porto Alegre<\/figcaption><\/figure><br \/>\nDetectado em 2007 nos Estados Unidos e na Europa, esse problema foi denominado \u2018s\u00edndrome do colapso das colm\u00e9ias\u2019 porque o desaparecimento de grande n\u00famero de abelhas chega a paralisar a produ\u00e7\u00e3o nos api\u00e1rios. De in\u00edcio, a mortandade das abelhas foi atribu\u00edda aos pesticidas usados nas lavouras, mas algum tempo depois alguns pesquisadores passaram a admitir que poderia haver outras causas associadas ao problema, como um recrudescimento de pragas e doen\u00e7as que tradicionalmente atacam as abelhas. Entre os mais graves, \u00e9 citada a varroa, um ectoparasita que mina a sa\u00fade das abelhas.<br \/>\nDe qualquer forma, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que as abelhas n\u00e3o t\u00eam defesa sen\u00e3o afastar-se dos locais onde s\u00e3o aplicados agrot\u00f3xicos, como j\u00e1 recomendava o artigo publicado em dezembro de 1980 no Correio do Povo Rural pelo veterin\u00e1rio Jo\u00e3o Feeburg, dirigente da Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Apicultores.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">NOTAS DA AGA<\/span><br \/>\n<strong>Controle no uso de pesticidas evita o sacrif\u00edcio das abelhas<\/strong><br \/>\n\u201cEstamos em uma nova safra de ver\u00e3o na agricultura ga\u00facha. Procurando evitar muitos acidentes e perdas de abelhas, apresentamos alguns itens que devem ser levados em conta por agricultores e apicultores.<br \/>\n<strong>FATORES QUE INFLUENCIAM NA MORTALIDADE DAS ABELHAS<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Aplica\u00e7\u00f5es na flora\u00e7\u00e3o. Praticamente a \u00fanica parte da planta visitada pelas abelhas \u00e9 a flor. Evitando-se a aplica\u00e7\u00e3o de inseticidas nesse momento, estaremos beneficiando o apicultor, pois evitamos a morte das abelhas, e ao agricultor, pela preserva\u00e7\u00e3o dos insetos polinizadores.<\/li>\n<li>Evitar a deriva dos produtos. O fato de um produto usado em uma lavoura que n\u00e3o esteja em flora\u00e7\u00e3o atingir \u00e1reas vizinhas com outras plantas em flora\u00e7\u00e3o pode causar muitas perdas de abelhas. A deriva tamb\u00e9m pode atingir diretamente o colmeal, com o que os danos podem ser maiores. Existem v\u00e1rias maneiras de evitar o problema. O agricultor deve solicitar a orienta\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico para evitar a deriva.<\/li>\n<li>Hora de aplica\u00e7\u00e3o.\u00a0O melhor momento para aplicar o inseticida \u00e9 quando h\u00e1 pouco ou nenhum vento e as abelhas est\u00e3o fora do local de aplica\u00e7\u00e3o. Os melhores momentos s\u00e3o \u00e0 tardinha ou \u00e0 noite. Infelizmente essa recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de ser seguida.<\/li>\n<li>Toxicidade do pesticida.\u00a0Os inseticidas n\u00e3o apresentam todos os mesmos riscos para as abelhas. Alguns s\u00e3o muito t\u00f3xicos e matam as abelhas no momento do contato. Outros, de efeito lento, s\u00e3o levados para a colm\u00e9ia, matando as abelhas horas depois. Normalmente os herbicidas e os fungicidas s\u00e3o pouco t\u00f3xicos para as abelhas.<\/li>\n<li>Formula\u00e7\u00e3o do pesticida. Os pesticidas aplicados na forma l\u00edquida (pulveriza\u00e7\u00e3o) s\u00e3o menos perigosos que na forma de p\u00f3 (polvilhamento). Algumas formula\u00e7\u00f5es de UBV (Ultra-Baixo Volume) s\u00e3o muito perigosas. Os inseticidas microencapsulados utilizados sem o cuidado de verificar a presen\u00e7a de colm\u00e9ias num radio de 3-5 km s\u00e3o extremamente perigosos.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0SUGEST\u00d5ES PARA DIMINUIR OS RISCOS DOS PESTICIDAS<\/strong><br \/>\nA \u00fanica forma de diminuir sensivelmente os problemas causados\u00a0\u00a0pela utiliza\u00e7\u00e3o de defensivos \u00e9 atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o e da coopera\u00e7\u00e3o entre agricultores e apicultores. Deste ponto de partida comum os danos podem ser considerados m\u00ednimos, o que beneficiar\u00e1 a todos.<br \/>\n<strong>O AGRICULTOR DEVE:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Realizar o tratamento no momento adequado, optando de prefer\u00eancia por um produto de baixa toxicidade para a abelhas e pela dose correta.<\/li>\n<li>Seguir a bula dos produtos, tanto para a aplica\u00e7\u00e3o como para as precau\u00e7\u00f5es escritas. Consultar um t\u00e9cnico sempre que houver d\u00favidas.<\/li>\n<li>Ter cuidados na aplica\u00e7\u00e3o, de maneira a diminuir a deriva.<\/li>\n<li>Evitar a aplica\u00e7\u00e3o na flora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Avisar com um m\u00ednimo de 48 horas ao apicultor vizinho, para que este tome as medidas adequadas.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O APICULTOR DEVE:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Conhecer os cultivos na \u00e1rea de influ\u00eancia de suas abelhas, quais os produtos empregados e qual o momento do seu emprego.<\/li>\n<li>Avisar aos agricultores vizinhos da exist\u00eancia de colm\u00e9ias solicitando o aviso com 48 de anteced\u00eancia de toda aplica\u00e7\u00e3o, para serem tomadas as medidas cab\u00edveis.<\/li>\n<li>Proteger as colm\u00e9ias dos danos das pulveriza\u00e7\u00f5es. De acordo com o produto, o apicultor optar\u00e1 por encerrar as abelhas por um dia dia ou dois, com ventila\u00e7\u00e3o, alimento e \u00e1gua suficientes.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Para evitar a deriva, as colm\u00e9ias podem ser cobertas com um material como lona, que impe\u00e7a que o produto entre em contato com as abelhas e com a colm\u00e9ia. Deve haver o cuidado de molhar os materiais, mais ou menos de duas em duas horas.<br \/>\nPara produtos de baixo poder residual, o confinamento das abelhas \u00e9 efetivo; para outros produtos, de alto poder residual, o ideal \u00e9 transportar as colm\u00e9ias para locais distantes do local de aplica\u00e7\u00e3o, durante o tempo necess\u00e1rio para a perda do poder do inseticida.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE Os criadores de abelhas mel\u00edferas est\u00e3o tentando criar normas para a conviv\u00eancia pac\u00edfica com os agricultores usu\u00e1rios de agrot\u00f3xicos, mas t\u00eam sido praticamente ignorados pelos empres\u00e1rios agr\u00edcolas e pelas autoridades, tanto que a C\u00e2mara Setorial de Abelhas, Produtos e Servi\u00e7os da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul n\u00e3o encaminhou ao Conselho [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":65769,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-65763","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-h6H","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65763\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}