{"id":66151,"date":"2018-10-08T16:35:42","date_gmt":"2018-10-08T19:35:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=66151"},"modified":"2018-10-08T16:35:42","modified_gmt":"2018-10-08T19:35:42","slug":"as-demandas-das-mulheres-no-estado-mais-conservador-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/as-demandas-das-mulheres-no-estado-mais-conservador-do-pais\/","title":{"rendered":"As demandas das mulheres no estado mais conservador do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Por Jessica Gustafson e Paula Guimar\u00e3es<\/span><br \/>\n<a href=\"http:\/\/catarinas.info\/author\/catarinas\/\">Portal Catarinas<\/a><br \/>\nSanta Catarina ocupa posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a em \u00edndices de viol\u00eancia contra as mulheres. \u00c9 o primeiro em viol\u00eancia dom\u00e9stica com uma taxa de 225 casos para cada 100 mil habitantes, e o segundo em viol\u00eancia dom\u00e9stica quando as v\u00edtimas s\u00e3o somente mulheres, com taxa de 368,1, atr\u00e1s apenas do vizinho Rio Grande do Sul que tem 398 \u2013 enquanto a m\u00e9dia nacional \u00e9 de 183,9.<br \/>\nO \u00fanico estado com nome de mulher do pa\u00eds \u2013 e santa \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m o primeiro em tentativa de estupro com \u00edndice de 10,8, e o segundo em estupro com 57, perdendo apenas para Mato Grosso do Sul que registrou em 2017 o n\u00famero de 66 casos para cada 100 mil habitantes \u2013 duas vezes mais que a m\u00e9dia nacional que \u00e9 de 29,4.<br \/>\nOs\u00a0dados s\u00e3o da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do\u00a0Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, publicada em agosto e retificada em setembro deste ano.<br \/>\n\u201cAs autoridades dizem que somos o segundo em estupro, mas pode ser que passemos a ser o primeiro, porque as mulheres est\u00e3o denunciando mais. Mas a pergunta \u00e9: o que o estado est\u00e1 fazendo para prevenir e erradicar essa viol\u00eancia, o estupro de mulheres e meninas? N\u00e3o podemos esquecer que dentro desses dados est\u00e3o as meninas. Essa viol\u00eancia contra as crian\u00e7as \u00e9 intrafamiliar\u201d, afirma Sheila Sabag, integrante do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres (CNDM) e presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulheres em Santa Catarina (CEDIM).<br \/>\nUma das principais reivindica\u00e7\u00f5es do movimento de mulheres no estado \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma\u00a0secretaria estadual espec\u00edfica\u00a0e do\u00a0plano estadual de pol\u00edticas para as mulheres, pautado desde a \u00faltima Confer\u00eancia Estadual de Pol\u00edticas para Mulheres.<br \/>\n\u201cAs pautas das confer\u00eancias e reivindicat\u00f3rias das mulheres de SC n\u00e3o t\u00eam retorno do Estado. Falta o Estado enxergar as pol\u00edticas sociais como deveria. N\u00e3o governa para as pessoas porque n\u00e3o ouve as pessoas. Um Estado com um \u00f3timo \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) tem \u00edndice alt\u00edssimo de viol\u00eancia contra as mulheres\u201d, coloca a presidenta do CEDIM.<br \/>\nAntes vinculada \u00e0 Casa Civil, recentemente a Coordenadoria Estadual da Mulher passou a integrar a Secretaria de Assist\u00eancia Social que n\u00e3o prev\u00ea recursos espec\u00edficos para a pasta. \u201cEnquanto n\u00e3o houver uma secretaria de estado da mulher n\u00e3o teremos execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica para mulheres em Santa Catarina. Tanto a coordena\u00e7\u00e3o quanto a secretaria de assist\u00eancia social n\u00e3o executam pol\u00edtica para as mulheres, porque n\u00e3o t\u00eam recursos para isso. O conselho n\u00e3o t\u00eam recursos nem mesmo para trazer conselheiras de fora da capital para as reuni\u00f5es e semin\u00e1rios\u201d.<br \/>\nMais de uma d\u00e9cada depois da Lei Maria Penha, Santa Catarina ainda \u00e9 o \u00fanico Estado da regi\u00e3o Sul que n\u00e3o implantou atendimento policial especializado para mulheres por meio das delegacias exclusivas como prev\u00ea a legisla\u00e7\u00e3o.\u00a0O CEDIM demanda esfor\u00e7os para a assinatura pelo governo do Pacto Maria da Penha, que consiste na articula\u00e7\u00e3o da rede estadual de preven\u00e7\u00e3o e enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres.<br \/>\nElaborado a partir de audi\u00eancias p\u00fablicas com a participa\u00e7\u00e3o da bancada feminina da Assembleia Legislativa e conselheiras estaduais, o pacto foi proposto como forma de diminuir os danos resultantes da falta de atualiza\u00e7\u00e3o dos pactos nacionais.<br \/>\n\u201cN\u00e3o podemos ficar a merc\u00ea do governo federal, perdemos absolutamente tudo que t\u00ednhamos adquirido desde a cria\u00e7\u00e3o da secretaria PM, em 2003. O Estado coloca a viol\u00eancia contra a mulher como caso de seguran\u00e7a p\u00fablica. Mas n\u00e3o \u00e9 somente, tem outras a\u00e7\u00f5es e secretarias que precisam atuar em rede para fazer preven\u00e7\u00e3o e enfrentamento\u201d, defende a presidenta do conselho.<br \/>\n<strong>FAM\u00cdLIA PATRIARCAL, A BASE DO CONSERVADORISMO<\/strong><br \/>\nConforme a historiadora e professora da UDESC, Marlene de F\u00e1veri, o estado de Santa Catarina tem uma hist\u00f3ria fundada pela for\u00e7a das oligarquias desde a col\u00f4nia, passando pelo imp\u00e9rio e adentrando na Rep\u00fablica at\u00e9 os dias de hoje.<br \/>\n\u201cOs sulistas de maior refer\u00eancia s\u00e3o de direita ou extrema direita. Temos uma hist\u00f3ria pautada pelo conservadorismo muito forte e que beira o fascismo porque somos um estado com uma imigra\u00e7\u00e3o branca e que por dois s\u00e9culos vem excluindo e tratando com preconceito as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o brancas. Elites pol\u00edticas t\u00eam se revezado no poder, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com as pautas sociais. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a manuten\u00e7\u00e3o de si no poder, fazendo uso privado do bem p\u00fablico\u201d, explica a historiadora.<br \/>\nConsiderado o estado mais conservador do pa\u00eds porque seus cabos eleitorais indicam a maior for\u00e7a do conservadorismo ao longo do tempo, n\u00e3o por acaso \u00e9 o terceiro com maior ades\u00e3o ao candidato Jair Bolsonaro, que tem 40% de inten\u00e7\u00e3o de voto.<br \/>\n\u201cSC tem uma continuidade pol\u00edtica incr\u00edvel, normalmente bipartid\u00e1ria. Dependendo da \u00e9poca esse bipartidarismo costuma carregar 90% dos votos\u201d, analisa Reinaldo Lohn, tamb\u00e9m professor do departamento de hist\u00f3ria da UDESC.<br \/>\n\u201cA mensagem do Bolsonaro est\u00e1 caindo num terreno f\u00e9rtil, que vem sendo preparado h\u00e1 muito tempo, e que beneficia as elites de SC. O Bolsonaro \u00e9 caudat\u00e1rio desses benef\u00edcios todos que essas elites t\u00eam, ele exprime isso. Ele materializa uma s\u00e9rie de trajet\u00f3rias sociais e pol\u00edticas do estado, as mais estruturais porque ele se apresenta como candidato da fam\u00edlia, da honestidade, tem tamb\u00e9m o aspecto religioso que \u00e9 significativo\u201d, explica Lohn.<br \/>\nEm um estado de propriet\u00e1rios \u201cno sentido simb\u00f3lico e n\u00e3o material\u201d, constitu\u00eddo a partir da distribui\u00e7\u00e3o de lotes de terras pelos colonizadores \u00e0s fam\u00edlias no s\u00e9culo 19, \u00a0a popula\u00e7\u00e3o tem como horizonte social a propriedade. Nesse contexto, a fam\u00edlia patriarcal tem um peso social significativo e funciona como mecanismo de controle social e eleitoral \u2013 o que explica os altos \u00edndices de viol\u00eancia contra mulheres e meninas.<br \/>\n\u201cH\u00e1 um predom\u00ednio patriarcal seja do pai ou do marido. Em muitos munic\u00edpios, o poder \u00e9 materializado em tr\u00eas figuras: o padre, pai e patr\u00e3o. A figura do pai que \u00e9 propriet\u00e1rio, gestor, e ao mesmo tempo patr\u00e3o da fam\u00edlia porque acaba gerindo o destino dos filhos e como se d\u00e1 a distribui\u00e7\u00e3o das tarefas e fun\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas. Em v\u00e1rios rinc\u00f5es redes familiares dominam comunidades inteiras e formam verdadeiras linhagens pol\u00edtico-eleitorais. A base social est\u00e1 nas pequenas comunidades do interior, onde se pratica ostensivamente a viol\u00eancia dom\u00e9stica\u201d, esclarece o professor.<br \/>\nAinda que haja pobreza e desigualdade social, a boa coloca\u00e7\u00e3o do IDH do estado acaba por refor\u00e7ar a efici\u00eancia desses mecanismos de controle social e pol\u00edtico. Apesar disso, ao longo dos anos 2000 a direita perdeu for\u00e7a \u00e0 medida que a esquerda passou a se destacar com alguns quadros como\u00a0Lucy Choinacki\u00a0(PT)\u00a0que se elegeu senadora, e\u00a0Jos\u00e9 Fritsch (PT)\u00a0que fez uma campanha competitiva ao governo do estado, assim como foram eleitos prefeitos de centro esquerda e esquerda em Lages, Florian\u00f3polis, Blumenau e Chapec\u00f3.<br \/>\nA possibilidade de uma terceira op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica teve como resposta a uni\u00e3o de todos os espectros da direita em um \u00fanico bloco de poder em torno do ex-governador Luiz Henrique da Silveira do MDB. \u201cO bloco sufocou o crescimento das esquerdas no estado, aliado ao extremo monop\u00f3lio da m\u00eddia e a um processo de desconstru\u00e7\u00e3o do PT que \u00e9 nacional, mas que aqui isso se avoluma. Com o desgaste em torno da alian\u00e7a do bloc\u00e3o, dois nomes voltam a dividir o conservadorismo, relativamente desconhecidos, o que torna a elei\u00e7\u00e3o mais emocionante\u201d, disse Lohn referindo-se \u00e0s elei\u00e7\u00f5es deste ano.<br \/>\nEssa concentra\u00e7\u00e3o de poder encontra no monop\u00f3lio da m\u00eddia seu principal aliado para que os patriarcas se mantenham hegem\u00f4nicos, asfixiando valores democr\u00e1ticos. \u201c\u00c9 ostensivo e vergonhoso o monop\u00f3lio da m\u00eddia no estado. A gente achou que essa concentra\u00e7\u00e3o seria reduzida no s\u00e9culo 21, mas se agravou. Isso faz com que tenhamos uma voz un\u00edssona. Situa\u00e7\u00e3o em que fazer oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 in\u00f3cuo e at\u00e9 arriscado em algumas cidades, onde ocorrem intimida\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas autorit\u00e1rias que acabam predominando sobre rela\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. SC parece ser terreno prop\u00edcio para esse tipo de coisa\u201d.<br \/>\nPara o historiador h\u00e1 uma conviv\u00eancia complementar entre as redes sociais e o monop\u00f3lio da m\u00eddia na produ\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o das chamadas\u00a0fake news\u00a0que contribu\u00edram para a lideran\u00e7a do candidato do PSL.<br \/>\n\u201cVivemos pela primeira vez uma elei\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo 21 com o peso enorme das redes sociais e da domina\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds ainda por um monop\u00f3lio de m\u00eddia. Ent\u00e3o as redes sociais produzem as pequenas fake news e os monop\u00f3lios de m\u00eddia produzem as grandes fake news\u201d.<br \/>\n<strong>AS PERDAS NO P\u00d3S-GOLPE<\/strong><br \/>\nO cen\u00e1rio em que as elei\u00e7\u00f5es de 2018 acontecem s\u00e3o extremamente complexos e ainda refletem os efeitos do golpe de 2016, que retirou a presidenta Dilma Rousseff do poder, primeira mulher a assumir o cargo. Ap\u00f3s o golpe, o Plano Nacional de Pol\u00edticas Para as Mulheres deixou de ter validade por aus\u00eancia de atualiza\u00e7\u00e3o e o or\u00e7amento federal voltado \u00e0 essa agenda foi reduzido em 60%.<br \/>\nConforme Sheila Sabag, integrante do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres (CNDM), o resultado da 4\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Pol\u00edticas para as Mulheres, realizada em maio de 2016, sequer foi publicado pelo governo. No pr\u00f3ximo ano ser\u00e3o realizadas as confer\u00eancias municipais e estaduais de pol\u00edticas para as mulheres as quais ter\u00e3o como desafio reestruturar as pol\u00edticas p\u00fablicas que foram sonegadas nos \u00faltimos anos e garantir os direitos previstos em lei.<br \/>\n\u201cNos \u00faltimos dois anos perdemos mais de doze anos de pol\u00edticas para as mulheres. Essas pol\u00edticas s\u00f3 v\u00e3o voltar com a nossa responsabilidade atrav\u00e9s do voto. Dependendo de quem a gente vote n\u00e3o vamos ter garantia de pol\u00edtica p\u00fablica. Se n\u00e3o tiver a pauta da quest\u00e3o de g\u00eanero bem definida n\u00e3o avan\u00e7aremos. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 atuar para diminuir a viol\u00eancia, \u00e9 preciso tamb\u00e9m propor a\u00e7\u00f5es de autonomia social e econ\u00f4mica dessas mulheres, e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos\u201d,\u00a0afirma Sabag.<br \/>\nExemplo do retrocesso para as mulheres marcado pelo per\u00edodo p\u00f3s-golpe \u00e9 a n\u00e3o continuidade da implanta\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o da Casa da Mulher Brasileira, prevista para ser constru\u00edda em todos os estados da federa\u00e7\u00e3o e Distrito Federal.\u00a0Um dos eixos do programa \u201cMulher, Viver sem Viol\u00eancia\u201d, a casa foi proposta em 2015 como uma inova\u00e7\u00e3o no atendimento humanizado \u00e0s mulheres.\u00a0No espa\u00e7o seriam oferecidos todos os servi\u00e7os especializados para os mais diversos tipos de viol\u00eancia.<br \/>\nA primeira casa inaugurada em Mato Grosso do Sul \u00e9 a \u00fanica em funcionamento atualmente. Em outros estados como Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, e no Distrito Federal, o espa\u00e7o foi constru\u00eddo, mas n\u00e3o oferece atendimento conforme prev\u00ea o programa. Em Santa Catarina, um terreno chegou a ser disponibilizado pelo estado para a constru\u00e7\u00e3o, por\u00e9m o projeto n\u00e3o teve continuidade porque n\u00e3o houve libera\u00e7\u00e3o dos recursos federais, conforme previsto.<br \/>\n<strong>IGUALDADE DE G\u00caNERO NA POL\u00cdTICA<\/strong><br \/>\nNesta conjuntura, a igualdade de g\u00eanero se tornou tema central nas elei\u00e7\u00f5es, express\u00e3o que ficou n\u00edtida no dia 29 de setembro, quando\u00a0cerca de um milh\u00e3o de mulheres tomaram as ruas do Pa\u00eds\u00a0contra o primeiro colocado nas pesquisas para a presid\u00eancia, Jair Bolsonaro (PSL), que utilizou o discurso de \u00f3dio como ativo pol\u00edtico, proferindo in\u00fameros discursos de cunho machista, racista, homof\u00f3bico e xenof\u00f3bico.<br \/>\nAs mulheres s\u00e3o a maioria do eleitorado (52,5%) e foram \u00e0s ruas dizer #EleN\u00e3o, porque o candidato representa o retrocesso frente a conquistas duramente alcan\u00e7adas ao longo de s\u00e9culos e promete barrar os avan\u00e7os futuros. Se por um lado, o fascismo ganha um rosto e muitos adeptos, por outro, as candidaturas femininas nunca foram t\u00e3o expressivas.<br \/>\nA lei de cotas garantiu que os partidos tivessem no m\u00ednimo 30% de mulheres disputando as vagas proporcionais, assim como os recursos dos\u00a0fundos partid\u00e1rios e eleitoral fossem destinados para o mesmo percentual.<br \/>\n\u201cA dificuldade se inicia a partir da educa\u00e7\u00e3o sexista desde a inf\u00e2ncia, que busca restringir as mulheres aos espa\u00e7os dom\u00e9sticos e a trabalhos relacionados ao cuidado da fam\u00edlia, enquanto os homens s\u00e3o incentivados aos espa\u00e7os p\u00fablicos. Essa educa\u00e7\u00e3o sexista faz com que as mulheres tenham mais dificuldade de se posicionarem nos debates ou, quando se posicionam, muitas vezes s\u00e3o silenciadas, ignoradas ou menosprezadas, inclusive nos espa\u00e7os de milit\u00e2ncia de esquerda\u201d, disse\u00a0Caroline\u00a0Bellaguarda, que foi candidata a vice-governadora pelo PCB em coliga\u00e7\u00e3o com o PSOL.<br \/>\nA sociedade, boa parcela dela, tem indicado que a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade de g\u00eanero \u00e9 essencial para a democracia. A exist\u00eancia de um fosso entre o que a popula\u00e7\u00e3o brasileira quer sobre a igualdade de g\u00eanero e a atua\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico para promov\u00ea-la \u00e9 um dos resultados da pesquisa de opini\u00e3o p\u00fablica sobre mulheres na pol\u00edtica, realizado pela\u00a0ONU Mulheres Brasil, em parceria com o Ibope e o Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, e divulgada em setembro.<br \/>\nEntre as pessoas entrevistadas,\u00a070% delas concordam que s\u00f3 existe democracia de fato com a presen\u00e7a de mulheres nos espa\u00e7os de poder e decis\u00e3o.\u00a0\u201cO Brasil est\u00e1 mudando, e as mulheres s\u00e3o decisivas. A pol\u00edtica brasileira precisa acompanhar os anseios da popula\u00e7\u00e3o e eliminar as barreiras entre homens e mulheres nos partidos pol\u00edticos, na decis\u00e3o do voto e na gest\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, diz Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.<br \/>\nA pesquisa, desenvolvida a partir de 2.002 entrevistas em 141 munic\u00edpios do Pa\u00eds, entre 16 e 20 de agosto de 2018, demonstrou que 81% de brasileiros e brasileiras querem pol\u00edticas federais de promo\u00e7\u00e3o \u00e0 igualdade. Como destaca o estudo, oito em cada 10 pessoas entendem que a presen\u00e7a de mulheres na pol\u00edtica e em outros espa\u00e7os de poder e decis\u00e3o aprimora a pol\u00edtica em si e os pr\u00f3prios espa\u00e7os. Os \u00edndices apresentam diferen\u00e7as por regi\u00f5es, sendo o maior na Regi\u00e3o Nordeste, com 84% das respostas em concord\u00e2ncia com a afirma\u00e7\u00e3o. No Sul, foram 81%, no Norte, 80%, e Sudeste, com 79% dos entrevistados.<br \/>\nEm contraponto ao cen\u00e1rio eleitoral de 2018, que apresenta nacionalmente apenas\u00a031,6\u00a0de candidatas mulheres,\u00a077% das pessoas entrevistadas avaliam que deveria ser obrigat\u00f3rio que os parlamentos em todos os n\u00edveis tivessem composi\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria, com a correspond\u00eancia equitativa entre homens e mulheres.<br \/>\nOs altos \u00edndices de engajamento e interesse dos brasileiros e brasileiras sobre a igualdade de g\u00eanero apresentados pelo estudo levam a uma reflex\u00e3o sobre as contradi\u00e7\u00f5es sociais existentes atualmente e, principalmente, sobre o esfor\u00e7o reacion\u00e1rio de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o para tentar barrar exatamente esses avan\u00e7os evidentes sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero.<br \/>\nUm dos resultados mais surpreendentes da pesquisa refere-se \u00e0 promo\u00e7\u00e3o e ao ensino dos direitos humanos e das mulheres, que foi considerada necess\u00e1ria para 76% das pessoas. Entre quem vive na Regi\u00e3o Nordeste, o \u00edndice sobe para 79%. Sobre esta tem\u00e1tica, a pesquisa tamb\u00e9m aplicou o recorte religioso, que apresentou pouca diferen\u00e7a entre os \u00edndices: \u00a0entre as pessoas cat\u00f3licas, 76% entendem que a discuss\u00e3o em sala de aula dos assuntos \u00e9 de extrema import\u00e2ncia, entre os evang\u00e9licos o percentual foi de 77%, e pessoas com outras religi\u00f5es figuraram com 78%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jessica Gustafson e Paula Guimar\u00e3es Portal Catarinas Santa Catarina ocupa posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a em \u00edndices de viol\u00eancia contra as mulheres. \u00c9 o primeiro em viol\u00eancia dom\u00e9stica com uma taxa de 225 casos para cada 100 mil habitantes, e o segundo em viol\u00eancia dom\u00e9stica quando as v\u00edtimas s\u00e3o somente mulheres, com taxa de 368,1, atr\u00e1s [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":33959,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-66151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-hcX","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66151\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}