{"id":66179,"date":"2018-10-10T14:01:03","date_gmt":"2018-10-10T17:01:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=66179"},"modified":"2018-10-10T14:01:03","modified_gmt":"2018-10-10T17:01:03","slug":"bahia-com-80-de-afrodescendentes-elege-a-primeira-deputada-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/bahia-com-80-de-afrodescendentes-elege-a-primeira-deputada-negra\/","title":{"rendered":"Com 80% de afrodescendentes, Bahia elege a primeira deputada negra"},"content":{"rendered":"<div>\nQuando Ol\u00edvia Santana (PCdoB), de 51 anos, tomar posse, em 2019, ser\u00e1 a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira a Assembleia Legislativa da Bahia, o Estado mais negro do Pa\u00eds, com 81,4% da popula\u00e7\u00e3o autodeclarada descendente de africanos (60% pardos e 21,4% pretos).<br \/>\nQuando questionada sobre a import\u00e2ncia de sua elei\u00e7\u00e3o, riu da forma &#8220;como as pessoas se chocaram&#8221;, mas disse esperar o dia em que isso mude. &#8220;Queremos ser o comum, n\u00e3o o inusitado&#8221;, afirmou.<br \/>\n&#8220;Espero que essa pol\u00eamica toda sacuda a sociedade baiana. O racismo est\u00e1 no Brasil todo, mas na Bahia deveria ser comum que mulheres negras ocupem espa\u00e7os de poder na pol\u00edtica. Mas o que vemos \u00e9 que isso \u00e9 incomum&#8221;.<br \/>\nGastando R$ 150 mil na campanha, sendo R$ 80 mil do fundo partid\u00e1rio, R$ 35 mil do fundo eleitoral e o restante de doa\u00e7\u00f5es, a ativista obteve 57.775 votos no domingo, dia 7, e ficou em 31\u00ba na lista dos 63 eleitos para a pr\u00f3xima legislatura baiana.<br \/>\nAt\u00e9 ent\u00e3o, sua \u00fanica experi\u00eancia no Legislativo foi como vereadora de Salvador. Ficou 10 anos na C\u00e2mara Municipal, por dois mandatos e meio, e criou o Dia Municipal de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa, homenagem a uma ialorix\u00e1 morta ap\u00f3s ataques de evang\u00e9licos.<br \/>\nCome\u00e7ou a carreira pol\u00edtica no movimento estudantil, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde cursou pedagogia e fundou a Uni\u00e3o de Negros pela Igualdade (Unegro) &#8211; entidade que tomou corpo e virou bra\u00e7o antirracista do PCdoB, \u00fanico partido no qual Ol\u00edvia militou.<br \/>\nEm 2001, em nome da entidade, discursou no F\u00f3rum das No\u00e7\u00f5es Unidas, em Durban, e foi tamb\u00e9m a Nova York defender a pauta racial. Em outras oportunidades, visitou a China e a Alemanha representando o PCdoB.<br \/>\nFoi secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura de Salvador em 2005, onde implantou o estudo da cultura afro-brasileira nas escolas.<br \/>\nNo primeiro mandato do governador Rui Costa, reeleito no domingo, esteve \u00e0 frente de duas pastas: Pol\u00edtica para Mulheres e Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). Chegou a ser cotada para concorrer \u00e0 prefeitura de Salvador em 2016.<br \/>\n&#8220;A educa\u00e7\u00e3o para mim \u00e9 a porta. Todo negro e toda negra precisa ter oportunidades educacionais&#8221;, diz.<br \/>\nNascida em uma fam\u00edlia pobre que morava em favela de palafitas em Ondina, Ol\u00edvia come\u00e7ou a trabalhar aos 14 anos &#8211; sua m\u00e3e, aos 9 anos, e nunca foi \u00e0 escola. Ela, por\u00e9m, queria outro rumo. &#8220;Decidi que n\u00e3o ia repetir a hist\u00f3ria.&#8221;<br \/>\nA reportagem da Tribuna da Bahia entrevistou Ol\u00edvia Santana. Veja abaixo os principais trechos:<br \/>\n<b>O que precisa mudar para as mulheres negras terem mais espa\u00e7o na pol\u00edtica?<br \/>\n<\/b><br \/>\nS\u00f3 se consegue fazer isso reduzindo o poder econ\u00f4mico para garantir equil\u00edbrio. Voc\u00ea n\u00e3o consegue se fazer vis\u00edvel sem dinheiro. Quem tem chega.<br \/>\n<b>A reserva de 30% dos recursos para as mulheres n\u00e3o resolveu?<br \/>\n<\/b><br \/>\nFoi importante, mas ainda \u00e9 pouco. A mesma lei beneficiou o candidato rico, porque pode usar recursos pr\u00f3prios na campanha.<br \/>\n<b>Os negros deviam ter mecanismo parecido?<br \/>\n<\/b><br \/>\nTem que ter mecanismos \u00e9tnico-raciais de divis\u00e3o do bolo. A negrada n\u00e3o tem network, rede de relacionamento rica. Voc\u00ea vai pedir dinheiro para o vizinho que tem menos que voc\u00ea?\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Ol\u00edvia Santana (PCdoB), de 51 anos, tomar posse, em 2019, ser\u00e1 a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira a Assembleia Legislativa da Bahia, o Estado mais negro do Pa\u00eds, com 81,4% da popula\u00e7\u00e3o autodeclarada descendente de africanos (60% pardos e 21,4% pretos). 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