{"id":66192,"date":"2018-10-11T13:14:46","date_gmt":"2018-10-11T16:14:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=66192"},"modified":"2018-10-11T13:14:46","modified_gmt":"2018-10-11T16:14:46","slug":"jornal-espanhol-diz-que-discurso-de-bolsonaro-inflama-radicais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/jornal-espanhol-diz-que-discurso-de-bolsonaro-inflama-radicais\/","title":{"rendered":"Jornal espanhol diz que discurso de Bolsonaro &quot;inflama radicais&quot;"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<em>Reportagem do El Pa\u00eds, nesta quinta:<\/em><br \/>\n&#8220;O \u00f3dio que se encrustou na disputa eleitoral fez ao menos uma morte algumas horas depois de que 147 milh\u00f5es de brasileiros se dirigiram \u00e0s urnas.<br \/>\nO mestre de capoeira e ativista cultural Romoaldo Ros\u00e1rio da Costa, mais conhecido como Moa do Katend\u00ea, de 63 anos, foi assassinado com 12 facadas na madrugada da segunda-feira, em um bar de Salvador.<br \/>\nO autor confesso do crime, Paulo S\u00e9rgio Ferreira de Santana, de 36 anos, disse \u00e0 pol\u00edcia que o assassinato teve motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<br \/>\nDe acordo com a declara\u00e7\u00e3o que deu \u00e0s autoridades, Santana, que votou e defendeu o candidato de extrema direita\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jair_messias_bolsonaro\/a\/\">Jair Bolsonaro<\/a>\u00a0(PSL), discutia com o dono do local, que votou em\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/fernando_haddad\">Fernando Haddad<\/a>\u00a0(PT), quando Moa uniu-se \u00e0 conversa para tamb\u00e9m defender o petista.<br \/>\nO assassino, ent\u00e3o, foi \u00e0 casa, pegou uma peixeira e voltou ao bar para atacar o capoeirista. A delegada Milena Calmon, respons\u00e1vel pelo caso, descreveu Santana ao EL PA\u00cdS como um homem \u201cintolerante e agressivo\u201d.<br \/>\nAgress\u00f5es motivadas por um ambiente de \u00f3dio na pol\u00edtica j\u00e1 haviam irrompido na campanha ao longo do primeiro turno.<br \/>\nO pr\u00f3prio Bolsonaro foi v\u00edtima de uma facada no dia 6 de setembro durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG)\u00a0\u2014o agressor, Ad\u00e9lio Bispo de Oliveira, que segundo a Pol\u00edcia Federal agiu sozinho, alegou motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<br \/>\nO candidato passou para o segundo turno com quase 50 milh\u00f5es de votos adotando um discurso de extrema direita que parece influenciar os atos de uma parcela mais radical de seus eleitores.<br \/>\nNa noite desta ter\u00e7a-feira, um estudante rec\u00e9m-formado, cuja identidade foi preservada, foi agredido na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), em Curitiba, por usar um bon\u00e9 do MST.<br \/>\nA v\u00edtima, que estava reunida com amigos em uma pra\u00e7a do campus, foi espancada por membros de uma torcida organizada local sob gritos de \u201cAqui \u00e9 Bolsonaro\u201d, segundo testemunhas.<br \/>\n\u201cEram uns 10 homens. Eles chegaram a quebrar garrafas na cabe\u00e7a do rapaz\u201d, conta M.H.O., presidente do Diret\u00f3rio Central de Estudantes, que presenciou a agress\u00e3o e fez a den\u00fancia.<br \/>\nOs agressores tamb\u00e9m teriam depredado a Casa do Estudante da universidade, cujas janelas foram quebradas. A pol\u00edcia foi acionada, mas os homens fugiram do local.<br \/>\nA v\u00edtima foi atendida por uma ambul\u00e2ncia e passa bem. \u201cSeguiremos acompanhando as investiga\u00e7\u00f5es. Temos que resistir\u201d, diz M.H.O.\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"COeRl77U_t0CFQJTwQod-18Kiw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><span style=\"font-weight: 300\">Ainda n\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas sobre o n\u00famero de ocorr\u00eancias, que j\u00e1 chamam a aten\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es. &#8220;Temos recebido um n\u00famero crescente de den\u00fancias de ataques a pessoas que manifestam sua prefer\u00eancia por um candidato, inclusive o homic\u00eddio de um eleitor de Fernando Haddad na Bahia. <\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-weight: 300\">Os ataques tem que ser investigados e seus autores responsabilizados de forma c\u00e9lere. As institui\u00e7\u00f5es, pol\u00edcias e Minist\u00e9rio P\u00fablico t\u00eam que cumprir sua fun\u00e7\u00e3o&#8221;, explicou Juana Kweitel, diretora executiva da ONG Conectas Direitos Humanos. <\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-weight: 300\">&#8220;O gestual do candidato Bolsonaro imitando o uso de armas vai claramente na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Os dois candidatos no segundo turno devem chamar seus eleitores a agir de modo pac\u00edfico e tolerante e devem se manifestar de forma categ\u00f3rica perante os ataques noticiados&#8221;, completou.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Questionado por jornalistas, Bolsonaro taxou o assassinato do capoeirista e outras agress\u00f5es de &#8220;excessos&#8221; e disse lamentar os epis\u00f3dios de viol\u00eancia. &#8220;Quem levou a facada fui eu, p\u00f4. O cara l\u00e1 que tem uma camisa minha e comete um excesso, o que \u00e9 que eu tenho a ver com isso?&#8221;, indagou.<br \/>\nEle tamb\u00e9m disse que o clima &#8220;n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o b\u00e9lico assim&#8221; e que os casos ocorridos at\u00e9 agora s\u00e3o isolados. Espera que n\u00e3o ocorram mais. &#8220;Eu lamento, pe\u00e7o ao pessoal que n\u00e3o pratique isso, mas n\u00e3o tenho controle sobre milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas que me apoiam. Agora, a viol\u00eancia vem do outro lado, a intoler\u00e2ncia vem do outro lado. Eu sou a prova viva disso da\u00ed&#8221;.<\/p>\n<p class=\"tweettextsize\">Para o doutor em Direito Henrique Abel, a resposta de Bolsonaro \u00e0s agress\u00f5es foi insuficiente e &#8220;mostra um desinteresse da parte dele em orientar seus seguidores&#8221;.<\/p>\n<p class=\"tweettextsize\">Algo que, em sua opini\u00e3o, seria muito f\u00e1cil fazer: bastaria &#8220;estabelecer uma diretriz, que teria um impacto psicol\u00f3gico muito importante&#8221; entre seus eleitores mais radicalizados.<\/p>\n<p class=\"tweettextsize\">&#8220;Ele prefere sair com uma evasiva. Ent\u00e3o, sim, h\u00e1 uma responsabilidade. N\u00e3o diretamente, mas ele \u00e9 considerado um s\u00edmbolo e legitima pr\u00e1ticas e condutas il\u00edcitas ou abertamente criminosas, como dizer que ele iria &#8216;fuzilar a petralhada&#8217; do Acre&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p class=\"tweettextsize\">E acrescenta: &#8220;Mesmo que em um eventual governo ele n\u00e3o chegue a dar uma ordem de matar ou torturar algu\u00e9m, o simples fato de simbolicamente legitimar essas pr\u00e1ticas representa, aos olhos de quem ser\u00e1 governado por ele, uma interpreta\u00e7\u00e3o de que passam a ser permitidas. E de que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado com elas&#8221;.<\/p>\n<h3><span class=\"intertit\">Jornalistas est\u00e3o na mira<\/span><\/h3>\n<p>Jornalistas tamb\u00e9m entraram na mira de agressores. No domingo,\u00a0<a href=\"http:\/\/abraji.org.br\/noticias\/jornalista-e-agredida-e-ameacada-de-estupro-em-recife-pe\">uma jornalista pernambucana, cuja identidade foi preservada, prestou queixa na pol\u00edcia dizendo ter sido atacada<\/a>\u00a0por dois homens ao sair do col\u00e9gio onde votou no Recife.<br \/>\nDepois de terem visto seu crach\u00e1, os indiv\u00edduos \u2014um deles com uma camiseta de Bolsonaro\u2014 chamaram-na de \u201criquinha de esquerda\u201d, agrediram-na e amea\u00e7aram estupr\u00e1-la, conta ela.<br \/>\nQuando um carro passou buzinando, os criminosos fugiram do local e a jornalista foi \u00e0s autoridades.<br \/>\nO caso foi relatado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que registrou 137 epis\u00f3dios de agress\u00e3o de profissionais da comunica\u00e7\u00e3o ao longo de 2018 &#8220;em contexto pol\u00edtico, partid\u00e1rio e eleitoral&#8221;.<br \/>\nA entidade contabiliza &#8220;75 ataques por meios digitais (com 64 profissionais afetados) e outros 62 casos f\u00edsicos (com 60 atingidos)&#8221;. &#8220;A maior parte das ocorr\u00eancias f\u00edsicas&#8221;, diz a Abraji, &#8220;est\u00e1 relacionada \u00e0 cobertura de manifesta\u00e7\u00f5es ou eventos de grande repercuss\u00e3o ligados a elei\u00e7\u00f5es&#8221;.<br \/>\nNos \u00faltimos dias, a jornalista M\u00edriam Leit\u00e3o, que trabalha em\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0e na TV Globo, vem sofrendo uma s\u00e9rie de ataques virtuais ap\u00f3s opinar, no programa Bom Dia Brasil, que o PT e Bolsonaro n\u00e3o s\u00e3o equipar\u00e1veis: enquanto o primeiro sempre jogou de acordo com as regras democr\u00e1ticas, o segundo teve uma vida p\u00fablica marcada pela defesa da tortura e da ditadura.<br \/>\nLogo depois desse coment\u00e1rio, come\u00e7aram a circular mensagens falsas dizendo que Leit\u00e3o foi presa em 1968 ap\u00f3s roubar, armada com um rev\u00f3lver calibre 38, 80.000 cruzeiros de uma ag\u00eancia do banco Banespa.<br \/>\nA imagem que circula com a mensagem \u00e9 do momento em que foi presa e torturada pela ditadura militar em 1972, quando tinha 19 anos, por pertencer ao PCdoB na \u00e9poca.<br \/>\nQuem tamb\u00e9m sofreu agress\u00f5es verbais foi a irm\u00e3 da vereadora\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/caso_marielle_franco\">Marielle Franco<\/a>(PSOL), brutalmente executada no dia 14 de mar\u00e7o \u2014<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/31\/politica\/1535714837_327437.html\">ainda n\u00e3o se sabe por quem<\/a>.<br \/>\nUm dia depois das elei\u00e7\u00f5es, Anielle Franco andava perto de um shopping carioca com sua filha Mariah, de dois anos, no colo. N\u00e3o usava nenhum tipo de broche, camiseta ou bandeira. Uma com a roupa da creche, a outra com a roupa do trabalho.<br \/>\nIsso n\u00e3o impediu, conta Anielle, que fosse reconhecida por homens vestindo a camiseta de Bolsonaro, que se aproximaram e come\u00e7aram a cham\u00e1-la de \u201cpiranha\u201d e a gritar que ela era \u201cda esquerda de merda\u201d ou \u201csai da\u00ed feminista\u201d.<br \/>\n\u201cHoje eu tive medo! Medo mesmo. N\u00e3o deveria, mas tive. Foi assustador. Ainda mais com minha filha no colo\u201d,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=10102096392005908&amp;set=p.10102096392005908&amp;type=3&amp;theater\">relatou Anielle em seu perfil no Facebook<\/a>. \u201cN\u00e3o estou escrevendo para que ningu\u00e9m tenha pena. Mas para que repensem sua maneira de fazer pol\u00edtica.<br \/>\nPor conta de um antipetismo voc\u00eas preferem propagar o \u00f3dio e a viol\u00eancia?! O seu candidato, em suma, defende esse tipo de postura, e outras coisa bem piores!\u201d<br \/>\nO medo tornou-se um sentimento comum entre muitos cidad\u00e3os pertencentes \u00e0 comunidade negra,\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/lgtb\">LGBTQ<\/a>\u00a0e outras minorias atacadas por Bolsonaro em in\u00fameras ocasi\u00f5es \u2014agora, na reta final da campanha, ele negou as ofensas, que est\u00e3o registradas em v\u00eddeos.<br \/>\nO presidenci\u00e1vel \u00e9 r\u00e9u no Supremo Tribunal Federal por incita\u00e7\u00e3o ao estupro por ter dito \u00e0 deputada Maria do Ros\u00e1rio que n\u00e3o a violaria porque \u201cela n\u00e3o merece\u201d. Bolsonaro enaltece a ditadura militar e j\u00e1 defendeu a tortura. Tamb\u00e9m j\u00e1 fez declara\u00e7\u00f5es racistas e mis\u00f3ginas, assim como j\u00e1 disse:\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/06\/politica\/1538859277_033603.html\">\u201cPrefiro que um filho meu morra num acidente do que apare\u00e7a com um bigodudo por a\u00ed\u201d<\/a>.<br \/>\n\u201cUm governo de Bolsonaro d\u00e1 medo porque ele \u00e9 muito extremista, mas \u00e9 ainda mais assustador ver que as pessoas v\u00e3o se sentir legitimadas a praticar esse discurso de \u00f3dio e viol\u00eancia\u201d, resumiu Renata*, de 30 anos, ao chegar acompanhada de sua namorada no Col\u00e9gio eleitoral Sagrado Cora\u00e7\u00e3o na Vila Formosa, zona leste de S\u00e3o Paulo, neste domingo. Esse sentimento \u00e9 compartilhado pela candomblecista Jana\u00ed Martins do Nascimento, paulistana de 35 anos. \u201cO cara \u00e9 totalmente contra o Estado laico e mesmo com o Estado sendo laico, j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil para gente. O que eu posso esperar dele em rela\u00e7\u00e3o a minha religi\u00e3o? Nada. Para mim, ele vai destruir tudo\u201d, disse ela no domingo. \u201cEu s\u00f3 vim votar por medo dele\u201d, acrescentou.<\/p>\n<h3><span class=\"intertit\">Sombra do medo<\/span><\/h3>\n<p>Tr\u00eas dias antes das elei\u00e7\u00f5es, viralizou nas redes sociais um v\u00eddeo em que um grupo de homens (alguns deles torcedores do Palmeiras) entoavam um c\u00e2ntico homof\u00f3bico no metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo: \u201c\u00d4 bicharada, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado\u201d. Para Henrique Barum, homem gay de 23 anos, essas atitudes s\u00e3o um exemplo da banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. \u201c<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/13\/ciencia\/1481623002_624601.html\">Eu cresci sofrendo bullying<\/a>, escutando que era um \u2018veadinho de merda\u2019 e agora escuto que um poss\u00edvel presidente vai matar gente como eu. J\u00e1 estamos vivendo a ditadura do medo\u201d, diz o estudante, que se mudou h\u00e1 oito meses de Pelotas (RS) para Portugal, onde faz mestrado em Estudos Culturais.<br \/>\nBarum conta que, no domingo, quando se confirmou que o candidato do PSL iria para o segundo turno com 46% dos votos, seus pais telefonaram, preocupados. \u201cOlhando para mim, qualquer pessoa sabe que sou gay. Trabalho com maquiagem e saio maquiado nas ruas. Eu sei que, durante esse governo, n\u00e3o me sentiria confort\u00e1vel de me expressar como sou\u201d. O estudante diz estar dividido entre o \u201cal\u00edvio\u201d de estar longe do pa\u00eds e a \u201cang\u00fastia\u201d. \u201cPenso em amigos e familiares que est\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o que eu. Por mais que eu queira lutar ao lado deles, meus pais dizem que minha seguran\u00e7a \u00e9 prioridade. Pedem que fique aqui, que eles vir\u00e3o me visitar\u201d.<br \/>\nGabriela Reis, pernambucana de 25 anos, anda com medo de sair com a namorada em Caruaru, onde vivem. Ela, mulher negra e l\u00e9sbica, diz que j\u00e1 est\u00e1 acostumada aos \u201colhares feios\u201d quando sai de turbante na rua, mas sente que agora a situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 pior. \u201cH\u00e1 muita tens\u00e3o e vejo mais olhares agressivos para n\u00f3s. As pessoas se sentem mais seguras para expor seus preconceitos. O que antes era s\u00f3 olhar, agora pode virar agress\u00e3o, porque o discurso do Bolsonaro naturaliza a viol\u00eancia\u201d, conta.<br \/>\nPara o paulistano Lucas*, de 36 anos, esse receio se concretizou no domingo. Ele e o namorado estavam em um engarrafamento na capital paulista, quando outros motoristas come\u00e7aram a \u201ccortar\u201d seu ve\u00edculo para ocupar o corredor exclusivo de \u00f4nibus. O namorado de Lucas buzinou para reclamar e lhes choveram xingamentos como \u201cveados\u201d e \u201cv\u00e3o dar o cu\u201d. \u201cRespondi a agress\u00e3o jogando beijos para eles, e ent\u00e3o um dos carros, um ve\u00edculo grande, caro, de cor prata, virou \u00e0 direita e passou por n\u00f3s apontando uma arma, tamb\u00e9m prateada. O motorista era um senhor de uns 50 anos\u201d, conta.<br \/>\nDepois que compartilhou o ocorrido com amigos, Lucas escutou mais relatos de\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/homofobia\">agress\u00f5es homof\u00f3bicas<\/a>\u00a0ocorridas durante os \u00faltimos dias. Um de seus colegas, que estava com uma camiseta rosa no metr\u00f4, ouviu de outros passageiros: \u201caproveita agora, porque daqui a pouco veado n\u00e3o vai mais existir\u201d. O maior medo do paulistano \u00e9 a institucionaliza\u00e7\u00e3o desse preconceito, com leis que revoguem o direito ao matrim\u00f4nio igualit\u00e1rio ou que dificultem ainda mais o acesso ao trabalho e servi\u00e7os de sa\u00fade para LGBTs. \u201cTenho medo de que o governo possa nos converter em cidad\u00e3os \u2018ficha-suja\u2019, que nos considere quase criminosos\u201d, confessa.<br \/>\nHigor S., de 22 anos, \u00e9 da pequena Serra Talhada, em Pernambuco \u2014a terra de Lampi\u00e3o, estere\u00f3tipo de \u201ccabra macho\u201d\u2014, mas conta que nunca tinha sofrido homofobia antes das elei\u00e7\u00f5es. \u201cMinha tia me acompanhou para votar, justamente porque tinha medo de que eu sofresse agress\u00f5es, mas voltei para casa sozinho. Passei por uma laje onde um grupo de homens de camiseta verde e amarela fazia um churrasco e escutei risadinhas e gritos de \u2018bichinha\u2019. Percebi que apontavam para mim e um deles gritou: \u2018\u00c9 melhor j\u00e1 ir se acostumando, que isso a\u00ed [referindo-se \u00e0 homossexualidade] vai acabar logo\u2019, relembra o estudante, que correu para casa.<br \/>\nHigor j\u00e1 havia sido agredido dias antes por um eleitor de Bolsonaro na sala de aula. \u201cEle me mandou tomar naquele lugar e seus amigos tiveram que segur\u00e1-lo para ele n\u00e3o me bater\u201d. Ele conta que ele o namorado, que j\u00e1 sa\u00edam pouco juntos, agora acham melhor n\u00e3o se expor mais publicamente. \u201cTodos sabemos que n\u00e3o \u00e9 o Bolsonaro que vai sair matando a gente, mas seus apoiadores v\u00e3o se sentir legitimados para fazer isso\u201d, lamenta e, depois de alguns segundos em sil\u00eancio, acrescenta: \u201cEspero estar errado\u201d.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\">*Nome fict\u00edcio, usado para preservar a identidade das fontes.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reportagem do El Pa\u00eds, nesta quinta: &#8220;O \u00f3dio que se encrustou na disputa eleitoral fez ao menos uma morte algumas horas depois de que 147 milh\u00f5es de brasileiros se dirigiram \u00e0s urnas. O mestre de capoeira e ativista cultural Romoaldo Ros\u00e1rio da Costa, mais conhecido como Moa do Katend\u00ea, de 63 anos, foi assassinado com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":66193,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-66192","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":66192,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-hdC","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66192"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66192\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}