{"id":6625,"date":"2010-01-29T14:46:39","date_gmt":"2010-01-29T17:46:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=6625"},"modified":"2010-01-29T14:46:39","modified_gmt":"2010-01-29T17:46:39","slug":"debate-sobre-drogas-e-marcha-da-maconha-destaques-no-acampamento-da-juventude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/debate-sobre-drogas-e-marcha-da-maconha-destaques-no-acampamento-da-juventude\/","title":{"rendered":"FSM: Debate sobre drogas e \u201cMarcha da Maconha\u201d, destaques  no Acampamento da Juventude"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Bruna Cardoso<\/span><br \/>\nCom um mega-fone, um integrante do coletivo \u201cMarcha da Maconha\u201d\u00a0 percorreu nas ruas Acampamento da Juventude, em Novo Hamburgo, convocando: \u201cSe voc\u00ea assiste televis\u00e3o, fuma unzinho ou toma coca-cola, venha debater sobre drogas\u201d. Cerca de 200 jovens participaram da discuss\u00e3o, que terminou com uma marcha pela libera\u00e7\u00e3o da maconha.<br \/>\n&#8220;Se voc\u00ea assiste televis\u00e3o, fuma unzinho ou toma coca-cola, venha debater sobre drogas\u201d convidava um integrante do coletivo \u201cMarcha da Maconha\u201d nas ruas do Acampamento da Juventude, em Novo Hamburgo.<br \/>\nO debate j\u00e1 tivera uma preliminar no dia anterior, quando o Ministro da Justi\u00e7a, Tarso Genro, em uma visita ao acampamento, se declarou favor\u00e1vel a mudan\u00e7as na atual legisla\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cAcho que nossa pol\u00edtica de drogas \u00e9 atrasada, em rela\u00e7\u00e3o, inclusive, ao pr\u00f3prio usu\u00e1rio. Mas tem que ocorrer uma discuss\u00e3o muito s\u00e9ria para modificar as leis relacionadas ao uso de drogas leves\u201d, disse o ministro.<br \/>\nNo dia seguinte, o debate reuniu cerca de 200 pessoas a favor da legaliza\u00e7\u00e3o e descriminaliza\u00e7\u00e3o da maconha.<br \/>\nEm forma de roda, sentaram-se os participantes no Espa\u00e7o Mundo B do acampamento. E o debate informal come\u00e7ou.<br \/>\nO militante do Rio de Janeiro, Renato Cinco, iniciou falando sobre o fato hist\u00f3rico que gerou o preconceito que at\u00e9 hoje persegue os usu\u00e1rios da droga.<br \/>\n-\u201cA primeira delegacia a reprimir o uso da maconha no Brasil se chamava Inspetoria de entorpecentes e miscigena\u00e7\u00e3o. Essa mesma delegacia era respons\u00e1vel por perseguir a cultura negra e suas manifesta\u00e7\u00f5es, como o candombl\u00e9, o samba e a capoeira\u201d.<br \/>\nCinco conta que num primeiro momento a proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o vingou por aqui e s\u00f3 foi levada a s\u00e9rio quando o ent\u00e3o presidente dos EUA, Richard Nixon, em 1969, declarou guerra aos comunistas e as drogas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Criminalizar a pobreza<\/span><br \/>\nAos poucos o assunto fugiu da hist\u00f3ria e chegou aos dias de hoje e aos problemas que a proibi\u00e7\u00e3o gera a sociedade.<br \/>\nPara o historiador Laurence Gon\u00e7alves, independente dos danos que as drogas possam causar \u00e0 sa\u00fade, a criminaliza\u00e7\u00e3o gera muito mais.<br \/>\n-\u201cA maconha ainda \u00e9 a principal forma de criminalizar a pobreza. Drogas e armas n\u00e3o s\u00e3o fabricadas nas periferias, mas ela \u00e9 criminalizada para enriquecer traficantes internacionais e colarinhos brancos, sustentando o capitalismo\u201d.<br \/>\nGon\u00e7alves diz ainda que quebrando pelo menos com o tr\u00e1fico de drogas, outro tipo perigoso de tr\u00e1fico acaba falindo no Brasil.<br \/>\n-\u201cSe quebrarmos o tr\u00e1fico da maconha e da coca\u00edna, provavelmente os traficantes n\u00e3o ter\u00e3o dinheiro para pagar propina ou comprar fuzis\u201d.<br \/>\nOutro quest\u00e3o levantada no debate foi: como seria o cultivo, se fosse legalizada a maconha?<br \/>\nDe acordo com a grande maioria dos presentes, o ideal seria o auto-cultivo ou, ent\u00e3o, a agricultura familiar.<br \/>\nUm dos participantes do debate argumentou que a planta da maconha gera menor impacto ambiental que o eucalipto e serve para diversas fun\u00e7\u00f5es como produzir tecidos, rem\u00e9dios e comida.<br \/>\nPor fim, Renato Cinco alertou sobre a proposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que sugere a descriminaliza\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio e o aumento da repress\u00e3o ao tr\u00e1fico de drogas.<br \/>\n-\u201cO projeto de FHC \u00e9 uma armadilha, \u00e9 um jeito de condenar ainda mais os pobres e pequenos traficantes sem envolver os usu\u00e1rios da classe m\u00e9dia\u201d.<br \/>\nLogo ap\u00f3s o debate, o grupo deu in\u00edcio a marcha.<br \/>\nFora do acampamento os militantes, sempre enfrentam dificuldades com o Minist\u00e9rio P\u00fablico e Pol\u00edcia Militar para conseguir realizar a marcha no m\u00eas de maio em diversas capitais do Brasil e no mundo.<br \/>\nNo F\u00f3rum o esp\u00edrito foi completamente diferente.<br \/>\nAo som de batucadas e samba, a marcha percorreu as ruas do AIJ, despertando no m\u00e1ximo a curiosidade dos outros participantes.<br \/>\nSem a presen\u00e7a da PM no acampamento, a planta foi usada livremente sem nenhuma repress\u00e3o e a marcha \u2013 considerada a maior do acampamento &#8211; aconteceu livre de incidentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruna Cardoso Com um mega-fone, um integrante do coletivo \u201cMarcha da Maconha\u201d\u00a0 percorreu nas ruas Acampamento da Juventude, em Novo Hamburgo, convocando: \u201cSe voc\u00ea assiste televis\u00e3o, fuma unzinho ou toma coca-cola, venha debater sobre drogas\u201d. 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