{"id":663,"date":"2005-07-14T15:00:28","date_gmt":"2005-07-14T18:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=663"},"modified":"2020-04-09T18:56:54","modified_gmt":"2020-04-09T21:56:54","slug":"um-prefeito-do-alem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/um-prefeito-do-alem\/","title":{"rendered":"O prefeito do al\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p>O guri pobre, franzino e mal alfabetizado se apresentou pro servi\u00e7o obrigat\u00f3rio no quartel do 13\u00ba GAC, o poderoso Grupo de Artilharia de Campanha, em Cachoeira do Sul. Sua ambi\u00e7\u00e3o era grande: manejar os canh\u00f5es de 155 mil\u00edmetros da guarni\u00e7\u00e3o, os maiores da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cMas bah, tch\u00ea, ouvi dizer que tu \u00e9 bruxo&#8230;\u201d, come\u00e7a um oficial, disposto a dispens\u00e1-lo. O recruta Marlon Arator explica que \u00e9 apenas m\u00e9dium, como se diz da pessoa que encarna o esp\u00edrito de gente morta. Garante que isso n\u00e3o prejudicar\u00e1 o Ex\u00e9rcito e implora pra ser alistado.<\/p>\n<p>A cena aconteceu h\u00e1 quase 10 anos. Aquele soldado ambicioso passou dois anos na tropa, l\u00e1 dentro fez o supletivo, chegou a cabo-artilheiro. Sonho realizado, ele trocou a farda pelo uniforme de m\u00e9dico esp\u00edrita, incorporando um certo doutor Suzzenn, espanhol morto em 1814 \u2013 e montou um terreiro medi\u00fanico onde j\u00e1 recebeu 500 mil pessoas.<\/p>\n<p>O Marlon \u201cm\u00e9dico\u201d acabou preso, condenado pela Justi\u00e7a por exerc\u00edcio ilegal da profiss\u00e3o. Para livrar-se da pena buscou a imunidade na pol\u00edtica: foi vereador com 23, deputado estadual com 26, j\u00e1 \u00e9 tolerado pelo sistema. Aos 29, \u00e9 o prefeito de Cachoeira. Prepara-se para ser senador aos 30, nas elei\u00e7\u00f5es do ano que vem.<\/p>\n<p>Ele admite que boa parte de suas conquistas terrenas se deve aos esp\u00edritos. O Marlon m\u00e9dium elegeu-se deputado estadual pelo PFL fazendo votos em 303 dos 496 munic\u00edpios ga\u00fachos \u2013 muito al\u00e9m da cidade onde atuava, coisa que s\u00f3 conseguiu com a for\u00e7a do nome nos centros esp\u00edritas.<\/p>\n<p>Ele fez por onde ajudando a si mesmo. Est\u00e1 rico. \u00c9 um monte de coisas ao mesmo tempo. Ex\u00edmio carateca, apicultor, tesoureiro do PFL regional, presidente nacional da juventude pefelista, criador de ovelhas, acad\u00eamico de Direito, baterista esfor\u00e7ado, compositor de m\u00fasica gauchesca e rom\u00e2ntica, cozinheiro aplicado, pai solteiro e dedicado, Don Juan assumido, escritor, mestre ma\u00e7om, despachante jur\u00eddico e minerador de cromita \u2013 cada atividade dele renderia um op\u00fasculo.<\/p>\n<p>Como pol\u00edtico ele n\u00e3o \u00e9 um sujeito carism\u00e1tico. Seu tra\u00e7o mais marcante \u00e9 a extrema afabilidade. Trata todo mundo com muita cordialidade, d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o ao interlocutor. N\u00e3o tem ataques de f\u00faria no gabinete, como acontece com alguns poderosos, nem quando est\u00e1 no terreiro, onde raramente levanta a voz. \u00c9 um beijoqueiro. Aos pedidos extravagantes ou imposs\u00edveis, responde com \u201cvamos ver\u201d, passando a sensa\u00e7\u00e3o de que pode resolver todos os problemas do mundo.<\/p>\n<p>A \u00faltima dele? Quer dinamizar a Capital Nacional do Arroz criando uma atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica \u00fanica na Terra: o Museu do Al\u00e9m, dedicado aos esp\u00edritos do outro mundo \u2013 e ao de Marlon Arator.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Encarnando o doutor Suzzenn<\/span><br \/>\nO centro esp\u00edrita onde Marlon Arator atende milhares de pessoas n\u00e3o tem nome. Nem placas indicando sua localiza\u00e7\u00e3o \u2013 ele adota o perfil discreto para evitar espalhar ainda mais a imagem popular de curandeirismo. Mas, na cidade onde ele \u00e9 prefeito, todo mundo sabe onde fica o centro.<\/p>\n<p>O terreiro de curas est\u00e1 abrigado num decadente galp\u00e3o industrial de uma f\u00e1brica de pl\u00e1sticos falida, na Volta da Charqueada, bairro na entrada de Cachoeira, cidade a 200 km a oeste de Porto Alegre, com 90 mil habitantes.<\/p>\n<p>A atra\u00e7\u00e3o \u00e9 Marlon, um dos tops do espiritismo nacional, uma celebridade no circuito do al\u00e9m. Amigos e colaboradores gostam de compar\u00e1-lo a Chico Xavier, o maior dos m\u00e9diuns brasileiros, j\u00e1 morto.<\/p>\n<p>Como m\u00e9dium ele encarna os esp\u00edritos do m\u00e9dico espanhol Suzzenn, e, com menos freq\u00fc\u00eancia, do alem\u00e3o Richard, este desencarnado em 1844. Os tr\u00eas atendem cerca de 5 mil pessoas por m\u00eas, de gra\u00e7a e com hora marcada: s\u00e1bado das 8h30 \u00e0s 12h, intervalo para o almo\u00e7o, das 13h at\u00e9 o \u00faltimo paciente com ficha, \u00e0s vezes noite adentro.<\/p>\n<p>Marlon diz que sua capacidade medi\u00fanica de curar pessoas n\u00e3o \u00e9 um dom, mas \u201cuma d\u00edvida\u201d dos esp\u00edritos: \u201cS\u00e3o eles que ligam do al\u00e9m para c\u00e1, eu nunca posso cham\u00e1-los\u201d, explicou o prefeito, durante entrevista de duas horas e meia em seu gabinete, iniciada \u00e0s 17 horas da sexta-feira 24 de junho.<\/p>\n<p>A primeira vez em que os esp\u00edritos o tomaram ele ainda era crian\u00e7a: \u201cEu tinha uns tr\u00eas ou quatro anos\u201d, lembra. \u201cEu avisei que meu tio tinha morrido antes que algu\u00e9m na casa soubesse\u201d.<br \/>\nO que parecia um dom virou tormento. A capacidade medi\u00fanica dele foi sufocada pelos pais: \u201cEles eram muito cat\u00f3licos, n\u00e3o aceitavam aquilo, tinham medo, vergonha, impediram meu desenvolvimento\u201d, diz, com alguma m\u00e1goa.<\/p>\n<p>Aos 16 anos ele deixou a casa dos pais, agregados numa fazenda no distrito de Piquiri. Foi para Cachoeira, pro Ex\u00e9rcito, foi vendedor de vinhos e couros para se sustentar \u2013 bebeu nestas fontes de renda at\u00e9 abrir o terreiro.<\/p>\n<p>Est\u00e1 tratando gente desde 1995, quando ainda estava no Ex\u00e9rcito. Contam que ele come\u00e7ou avisando ao comandante do 13\u00ba GAC \u201cv\u00e1 embora porque sua mulher est\u00e1 passando mal\u201d. O oficial duvidou, mas quando chegou em casa encontrou a esposa enfartada.<\/p>\n<p>Em 1999, quando a fama dele j\u00e1 come\u00e7ava a se espalhar pela campanha e chegava \u00e0 Serra Ga\u00facha, o Conselho Regional de Medicina o processou por pr\u00e1tica ilegal da profiss\u00e3o. Marlon foi condenado \u00e0 cadeia e multa de R$ 18 mil. Preso na delegacia local por alguns dias, n\u00e3o chegou a ir para o pres\u00eddio, salvo \u201cpor uma alma caridosa e agradecida\u201d, por gra\u00e7as alcan\u00e7adas, que pagou a multa por ele. N\u00e3o se sabe o nome do doador.<\/p>\n<p>Na cadeia, nova manifesta\u00e7\u00e3o de seu poder. Um preso passou mal, sangrava muito. Chamaram m\u00e9dico, mas o homem nada conseguiu fazer para estancar o sangramento. A\u00ed os carcereiros apelaram para Marlon, ele deu um stop na sangueira.<\/p>\n<p>Naqueles dias de c\u00e1rcere, cerca de 3 mil pessoas fizeram vig\u00edlia por ele fora da delegacia. Ele saiu dela candidato a vereador pelo PFL: \u201cN\u00e3o sou pol\u00edtico. Tanto que concorri pelo primeiro partido a me convidar. Hoje n\u00e3o preciso da C\u00e2mara de Vereadores (onde n\u00e3o tem bancada), acho que ela s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1ria em cidade se o prefeito rouba\u201d.<\/p>\n<p>Ele afirma que entrou na pol\u00edtica \u201ccomo uma maneira de conseguir imunidade contra as persegui\u00e7\u00f5es\u201d. Vereador eleito, quase n\u00e3o assumiu por causa da condena\u00e7\u00e3o \u2013 mas os desembargadores do TRE acharam l\u00e1 uma brecha na lei, ele manteve o mandato.<\/p>\n<p>Imunidade definitiva ele conseguiu em 2002, quando foi eleito deputado estadual, o \u00fanico do partido naquela elei\u00e7\u00e3o. Virou o interlocutor ga\u00facho de gente como o senador catarinense Jorge Bornhausen, passando a dar pitacos na pol\u00edtica de gente grande e nos males terrenos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-21644\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/prefeito-alem-atende.jpg\" alt=\"prefeito-alem-atende\" width=\"481\" height=\"584\" \/><br \/>\n<span class=\"intertit\">Um museu para os esp\u00edritos<\/span><br \/>\nO projeto de construir um museu para os esp\u00edritos \u00e9 todinho da cabe\u00e7a de Marlon. O prefeito procurou na internet. N\u00e3o achando nada parecido, gostou da originalidade da pr\u00f3pria id\u00e9ia e foi em frente.<\/p>\n<p>Ele deu o primeiro passo em mar\u00e7o, nomeando para a fun\u00e7\u00e3o de muse\u00f3logo municipal um ex-s\u00f3cio, o representante comercial Jo\u00e3o Carlos Schneider Costa \u2013 os dois exploraram o api\u00e1rio Megap\u00f3len, na d\u00e9cada de 90.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Carlos est\u00e1 empolgado com a obra: \u201cO objetivo \u00e9 nobre, vamos dar um novo tipo de consci\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Hoje as pessoas usam s\u00f3 a parte subrepitiliana do pensamento, vamos conseguir que elas usem o neoc\u00f3rtex\u201d, diz.<\/p>\n<p>O rep\u00f3rter n\u00e3o entende nada. A\u00ed o diretor do museu explica com simplicidade que \u201cestamos somatizando o acervo, ele ter\u00e1 coisas fora do f\u00edsico\u201d.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o d\u00e1 para entender. Ele desiste de explicar: \u201cTeremos um setor para UFOs\u201d, exulta.<\/p>\n<p>Costa n\u00e3o tem experi\u00eancia pr\u00e9via no ramo. Sente-se qualificado porque gosta do xamanismo &#8211; coisa de paj\u00e9s guatemaltecos. Diz que \u201ca obra vai ser uma coisa abrangente\u201d. Que buscou viver \u201cv\u00e1rias experi\u00eancias\u201d para se capacitar ao cargo. A \u00faltima delas no m\u00eas passado, quando foi a um encontro meio secreto na Igreja de S\u00e3o Miguel \u201ccom um daimista do Acre, para tomar aquela bebida do Santo Daime\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Carlos acredita nos poderes medi\u00fanicos do prefeito Marlon. Disse que notou isso \u201clogo que o conheci, ainda no primeiro terreiro\u201d. Na \u00e9poca, ele foi um assessor do homem, ajudando a organizar as filas de pacientes.<\/p>\n<p>A iniciativa do prefeito pegou a massa de surpresa. J\u00e1 \u00e9 piada na cidade, mas empres\u00e1rios s\u00e9rios enxergam algo bom na iniciativa. Compar\u00e1vel \u00e0quela da cidade de Roswell, nos Estados Unidos, um lugar perdido no deserto cujo marketing \u00e9 todo baseado na suposta presen\u00e7a de ETs.<\/p>\n<p>A sede do Museu do Al\u00e9m ser\u00e1 no antigo engenho de arroz Roesch. \u00c9 um pr\u00e9dio imponente que ocupa v\u00e1rios quarteir\u00f5es no Centro, dado \u00e0 cidade como pagamento de tributos depois que o neg\u00f3cio quebrou.<\/p>\n<p>A outra iniciativa not\u00e1vel de Marlon j\u00e1 foi abortada: ele ensaiou colocar port\u00f5es na cidade, para impedir a fuga de assaltantes. Desistiu da id\u00e9ia depois que as estat\u00edsticas mostraram apenas dois assaltos a banco em 20 anos.<\/p>\n<p align=\"left\"><span class=\"intertit\">Um dia no pavilh\u00e3o da encarna\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>Marlon sobe num banquinho e fala para 500 pessoas. Veste um palet\u00f3 escuro sobre a roupa branca de m\u00e9dico. M\u00e3os no bolso, nenhum gesto teatral, voz sempre no mesmo tom. N\u00e3o promete curas, nem pede dinheiro.<\/p>\n<p>A plat\u00e9ia \u00e9 de gente s\u00e9ria, atenta \u2013 e encapotada, por causa do frio de junho. Na primeira fila, senhoras do interior, de ros\u00e1rio na m\u00e3o, e gente em cadeira de rodas. Nota-se muitas bengalas, muletas, mulheres com crian\u00e7as de colo. Algumas pessoas choram, revelando dores \u00e0 espera de al\u00edvio.<\/p>\n<p>Aos que est\u00e3o doentes Marlon ensina que \u201ca cura depende de mudan\u00e7a\u201d. A\u00ed o papo engrena: \u201cQuer mudar? Deixe a vida comum!\u201d<\/p>\n<p>Ele diz \u00e0\u00a0 multid\u00e3o que \u201co problema \u00e9 o caminho da futilidade\u201d. Cada um que est\u00e1 l\u00e1 dentro \u00e9 especial porque \u201ctu n\u00e3o nasceste para ser mais um, mas sim para crescer\u201d &#8211; o pov\u00e3o nem pisca.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Maior pecador<\/span><br \/>\nUm grupo de auxiliares se encarrega de manter o lugar silencioso para o papo. Marlon fala sozinho. Bate de leve nos que s\u00e3o \u201ccomuns\u201d: \u201cEstes v\u00e3o seguir na trilha da evolu\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; o que h\u00e1 de errado nisso? A\u00ed ele aconselha o bom conselho: \u201cDeixe a vida comum e chame para ti coisas superiores. Se tu quiseres o sucesso, te associa ao lado de coisas grandes\u201d.<\/p>\n<p>O m\u00e9dium admite que n\u00e3o pode \u201cdar li\u00e7\u00e3o de moral, talvez eu seja o maior pecador\u201d (do galp\u00e3o lotado). Ele sai do campo moral e entra no f\u00edsico: ensina que o organismo \u00e9 uma engrenagem. Recomenda que as pessoas fa\u00e7am \u201cxixi e coc\u00f4 na hora certa\u201d, exaltando a import\u00e2ncia das fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas. O aviso \u00e9 dado v\u00e1rias vezes durante a palestra.<\/p>\n<p>Uma pitada de filosofia pr\u00f3pria: \u201cBem e mal somos n\u00f3s que criamos\u201d. \u00c0s vezes, ele divaga para o terreno das \u201cdicotomias\u201d. Uma delas ? \u201cCompro comida, levo para casa, \u00e9 bom para mim, mas ruim para os outros, isto \u00e9 dicotomia\u201d.<\/p>\n<p>Um resumo do discurso marloniano: \u201cDeus est\u00e1 acima de todos n\u00f3s\u201d, reconhece.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-21646\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/prefeito-alem-atende2.jpg\" alt=\"prefeito-alem-atende2\" width=\"700\" height=\"252\" \/><br \/>\n<span class=\"intertit\">Hora da encarna\u00e7\u00e3o<\/span><br \/>\nNo fim do papo, Marlon se recolhe para uma saleta com aquele time de auxiliares. Tira o palet\u00f3 e exibe o jaleco do doutor Suzzenn. A turma ora por ele. \u00c9 seu momento de maior fragilidade \u2013 a hora da encarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O homem treme, baba um pouco, assume um ar sonado e pronto: em segundos \u00e9 tomado por um esp\u00edrito. Depois, ele explicou como se sente naquelas horas: \u201cMeu metabolismo diminui a freq\u00fc\u00eancia, chego ao estado delta. O esp\u00edrito controla meu corpo pela atividade el\u00e9trica dos \u00e1tomos do monada, somada com a atividade el\u00e9trica da gl\u00e2ndula pineal\u201d.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 \u201cuma pregui\u00e7a tamanha e tanto sono que n\u00e3o vejo mais nada. Meu metabolismo se reduz das 9 \u00e0s 13, porque o esp\u00edrito n\u00e3o desincorpora para que eu v\u00e1 ao banheiro\u201d &#8211; refor\u00e7ando a tese de ir ao banheiro na hora certa.<\/p>\n<p>Os assessores conduzem Marlon-Suzzenn para o consult\u00f3rio no fundo do galp\u00e3o. Ele atende numa mesa simples, com dois retratos de Jesus ao fundo, o da Virgem ao lado. Tem vaso com flores de pl\u00e1stico, uma bonequinha e um calend\u00e1rio da Gatorade compondo o cen\u00e1rio. Uma fila se forma e as pessoas come\u00e7am a lhe pedir socorro.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Sem anestesia<\/span><br \/>\nO m\u00e9dium n\u00e3o faz nada de extraordin\u00e1rio quando est\u00e1 encarnado pelo esp\u00edrito do m\u00e9dico morto. A voz de Marlon continua a mesma, seus gestos s\u00e3o s\u00f3 um pouco mais lentos &#8211; os assessores j\u00e1 conhecem as manhas e interpretam suas falas.<\/p>\n<p>O atendimento \u00e9 de um paciente por minuto. Ele toma o pulso, pergunta qual o mal, anota um hor\u00e1rio e data qualquer num canhoto verde. Isto significa que a pessoa vai ser operada pelo esp\u00edrito de Suzzen no dia e hora marcados.<\/p>\n<p>Muita gente insiste em levar exames m\u00e9dicos, raio-x, coisas pras quais ele n\u00e3o d\u00e1 bola. O paciente n\u00e3o precisa contar todo caso \u2013 supostamente porque Suzzenn j\u00e1 intuiu tudo o que era preciso.<br \/>\nEm alguns casos Marlon-Suzzen operam o paciente ali mesmo, sem anestesia, nem antiss\u00e9pticos. Dia 27, uma senhora gorda tinha um problema qualquer, resolvido com um talho de quatro cent\u00edmetros na m\u00e3o direita.<\/p>\n<p>A operada foi posta numa maca no meio da multid\u00e3o. O sangue ficou pingando no ch\u00e3o. A paciente n\u00e3o deu um pio. Dormiu alguns minutos, foi despertada pelos assistentes, recebeu um curativo e saiu satisfeita.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-21650\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/prefeito-alem-atende4.jpg\" alt=\"prefeito-alem-atende4\" width=\"700\" height=\"450\" \/><br \/>\n<span class=\"intertit\">Gente em transe<\/span><br \/>\nEle j\u00e1 perdeu a conta das opera\u00e7\u00f5es. Parou de faz\u00ea-las por causa das press\u00f5es do Conselho Regional de Medicina. Em momentos como o da senhora gorda o galp\u00e3o assume ares de uma enfermaria improvisada do SUS. As pessoas deitam em camas, macas e at\u00e9 corredores, depois de tocadas por Marlon.<\/p>\n<p>O sal\u00e3o medi\u00fanico tem uma grande urna verde para as pessoas depositarem pedidos de curas. Dona Gemela Jonaelka e seu Alsino Speroto n\u00e3o puderam ir, mandaram bilhetes atrav\u00e9s de amigos &#8211; mas Suzzenn avisa que n\u00e3o gosta de tratar pessoas que n\u00e3o buscam a cura pessoalmente. O rep\u00f3rter entra na fila, entre dona Gemma, com um p\u00e9 quebrado, e Diogo, um garoto aparentando muita sa\u00fade.<\/p>\n<p>O m\u00e9dium toma o pulso do rep\u00f3rter: \u201cFa\u00e7a um check up para problemas reum\u00e1ticos\u201d \u2013 diagn\u00f3stico novo, at\u00e9 ent\u00e3o fora de minha ficha m\u00e9dica. Marca uma cirurgia astral para segunda-feira. Na sa\u00edda, um assessor surge e sussurra: \u201cNada de carne vermelha, nem bebidas. Depois da opera\u00e7\u00e3o, evite sexo por tr\u00eas dias\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">N\u00e3o ao sexo<\/span><br \/>\nO caso mais s\u00e9rio do dia \u00e9 o de Mateus Rosa Barros, 13 anos, adiantado c\u00e2ncer linf\u00e1tico, precisando transplante.<\/p>\n<p>O caso \u00e9 grave. Mas Mateus n\u00e3o parece preocupado, acha que melhorou &#8211; \u00e9 a sua segunda consulta com Marlon. Um assessor lhe d\u00e1 a recomenda\u00e7\u00e3o padr\u00e3o: \u201cNada de carne vermelha, nem vinho, nem sexo\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Na sess\u00e3o da manh\u00e3 do dia 27 estavam tamb\u00e9m a mam\u00e3e Luciana, 29 anos, com o menino Artur, 3 meses. Esperando duas horas na fila. Quem t\u00e1 dod\u00f3i ? \u00c9 o guri. Caso grave? \u201cAlergia ao frio\u201d \u2013 nada que um bom cobertor n\u00e3o resolva.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito desencarna perto do meio-dia, permitindo que Marlon v\u00e1 almo\u00e7ar. Ele reincorpora a uma da tarde. O m\u00e9dium jura que j\u00e1 tentou mudar a rotina, sem sucesso: \u201cN\u00e3o posso contrariar os esp\u00edritos\u201d.<\/p>\n<p align=\"left\"><span class=\"intertit\">Menino pobre, m\u00e9dium rico<\/span><\/p>\n<p>Os cr\u00edticos do prefeito Marlon dizem que o homem enriqueceu com o centro esp\u00edrita, lembrando que ele chegou pobre a Cachoeira, em 1994.<\/p>\n<p>O m\u00e9dium tem uma fazenda de 200 hectares, com 400 ovelhas, avaliada em R$ 1,5 milh\u00e3o. Construiu uma casa confort\u00e1vel na cidade, onde vive com os pais. E circula numa camionete turbinada que vale R$ 90 mil. Sua \u00fanica j\u00f3ia \u00e9 um brinco de brilhante na orelha esquerda.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de pol\u00edticos que dizem ter menos do que t\u00eam, Marlon parece ter menos do que diz. Semanas atr\u00e1s ele anunciou ao local Jornal do Povo que \u00e9 \u201cdono do direito de lavra de uma riqu\u00edssima jazida de cromita\u201d, rec\u00e9m descoberta em suas terras e j\u00e1 \u201cavaliada em 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d.<\/p>\n<p>Ele faz grandes planos: \u201cVou explorar a jazida com uma empresa estrangeira\u201d, deixando escapar que foi \u201cum ge\u00f3logo americano\u201d quem fez a tal avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A jazida dele vale no m\u00e1ximo R$ 20 mil, segundo t\u00e9cnicos do DNPM (Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral), ouvidos em Porto Alegre. O prefeito sequer tem o direto de lavra, s\u00f3 o de pesquisar. E pesquisar calc\u00e1reo.<\/p>\n<p>A descoberta de uma jazida de cromita (para fazer a\u00e7o inox ) por acaso, no meio do calc\u00e1reo, n\u00e3o seria suficiente para saber se ela pode ser explorada. Um estudo geol\u00f3gico levaria tr\u00eas anos. No est\u00e1gio atual, seria como um garimpeiro encontrar um diamante na cal\u00e7ada e come\u00e7ar a esburacar a rua.<\/p>\n<p>O an\u00fancio pode ser entendido como uma tentativa de valorizar as terras e atrair investidores \u2013 antes que acabe em CPI \u00e9 bom avisar que a lei impede a participa\u00e7\u00e3o de uma autoridade em minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Crise faz incorporar pol\u00edtico <\/span><br \/>\nA primeira frase da entrevista do gabinete do prefeito \u00e9 \u201cn\u00e3o sou pol\u00edtico\u201d. Ele resmunga que tem dias em que politicar at\u00e9 lhe \u201cd\u00e1 des\u00e2nimo\u201d.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil acreditar, de tanto que ele gosta do assunto. Parece que \u201cincorpora\u201d nele um dos fundadores do PFL, o ex-vice-presidente Aureliano Chaves: \u201cFoi por causa dele que eu entrei para o liberalismo\u201d.<\/p>\n<p>E olhe as credenciais dele na pol\u00edtica: vereador, deputado estadual, prefeito, vice do diret\u00f3rio ga\u00facho, presidente da juventude, tesoureiro do diret\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Marlon foi o \u00fanico deputado eleito pelo PFL \u00e0 Assembl\u00e9ia ga\u00facha em 2002. Ele se refestela na cadeira e conta com evidente satisfa\u00e7\u00e3o as costuras que fez com o prefeito de Pelotas, Bernardo de Souza, e o de Porto Alegre, Jos\u00e9 Foga\u00e7a, para aumentar a bancada para tr\u00eas, sem votos.<\/p>\n<p>Sem que ningu\u00e9m lhe pergunte, oferece uma an\u00e1lise da crise desatada por Bob Jefferson: \u201cQuer saber um segredinho? Dias atr\u00e1s, no meio da crise, ouvi no r\u00e1dio a leitura da carta de um militar da FAB que faz temer um certo movimento das For\u00e7as Armadas\u201d.<\/p>\n<p>Faz uma advert\u00eancia: \u201cPor muito menos do que est\u00e1 acontecendo agora, o Rio Grande fez a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha. Por muito menos ca\u00edram os presidentes do Equador e da Bol\u00edvia\u201d.<\/p>\n<p>De repente ele tem uma vis\u00e3o: \u201cSe eu fosse o presidente do PFL iria levar uma mensagem a Lula. O presidente n\u00e3o \u00e9 corrupto, mas est\u00e1 cercado por maus assessores. Diria pra ele que \u00e9 hora de humildade\u201d.<\/p>\n<p>Pol\u00edtica e mediunidade? \u201cN\u00e3o misturo as coisas. No meu centro esp\u00edrita n\u00e3o tem propaganda de candidaturas\u201d \u2013 verdade, pelo menos fora do calend\u00e1rio eleitoral.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Dicas de Nolram Rotara para Marlon Arator<\/span><br \/>\nEle escreveu \u201cFlam\u00edgera\u201d, assinando como \u201cNolram Rotara\u201d, seu nome \u00e0s avessas. A obra cont\u00e9m tudo o que diz nas palestras. Na p\u00e1gina 103: \u201cEst\u00e1 errado relacionar a morte com o tombamento definitivo do corpo f\u00edsico\u201d.<\/p>\n<p>Falando, Marlon parece bem concatenado. Eis uma cole\u00e7\u00e3o de frases soltas, tiradas de sua entrevista:<\/p>\n<p><em>No in\u00edcio eu achei que a mediunidade era coisa da minha imagina\u00e7\u00e3o. Mas notei que meu organismo sente e decodifica sinais de voz. A voz do esp\u00edrito \u00e9 diferente da voz da imagina\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>O que me impulsiona \u00e9 crer em Deus, por isso n\u00e3o cobro nada. Se fosse coisa da minha cabe\u00e7a, cobrava 100 de cada um.<\/em><\/p>\n<p><em>Os esp\u00edritos que encarnam em mim n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed se as pessoas n\u00e3o acreditarem neles. Quem quiser pensar que \u00e9 maluquice, pode pensar.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>O trabalho espiritual n\u00e3o sou eu que fa\u00e7o \u2013 ele \u00e9 feito atrav\u00e9s de mim, com delicadeza, transpar\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>A pol\u00edtica n\u00e3o fazia parte dos meus planos. Eu tinha avers\u00e3o. Foi bom ser deputado para pararem de me perseguir, para ser respeitado, agora o m\u00e9dium em mim pode fazer muita coisa boa.<\/em><\/p>\n<p><em>O PIB de Cachoeira? N\u00e3o sei. Nosso or\u00e7amento \u00e9 de R$ 50 milh\u00f5es e est\u00e1 todo comprometido.<\/em><\/p>\n<p><em>Me dou bem com o bispo da cidade. Os religiosos me encaram como um expurgo, como um trator. Se o Brasil n\u00e3o fosse religioso, o presidente Lula j\u00e1 teria ca\u00eddo. <\/em><\/p>\n<p><em>Onde h\u00e1 religiosidade, h\u00e1 toler\u00e2ncia.<\/em><\/p>\n<p><em>O sucesso tem a ver com a evolu\u00e7\u00e3o e com a capacidade das pessoas. Hip\u00f3critas s\u00e3o os que pensam que n\u00e3o podemos usar a espiritualidade para nada, significa fazer um ostracismo da cultura, um assassinato do conhecimento.<\/em><\/p>\n<p><em>O que seria do mundo se Buda fosse um grande investidor?\u00a0 Ele daria certo em qualquer circunst\u00e2ncia.<\/em><\/p>\n<p><em>Tu seguiste o vi\u00e9s normal?<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o vais aproveitar com intensidade o teu conhecimento.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o me acho um homem fiel. N\u00e3o escondo de ningu\u00e9m. A sinceridade precede a fidelidade.<\/em><\/p>\n<p><em>O amor n\u00e3o pode ter a cultura do enclausuramento. Por isso n\u00e3o boto alian\u00e7a no dedo. Tenho namorada, mas desejo outras onde elas estiverem. Uma vez por semana sou o melhor pai do mundo (para seu filho de cinco anos).<\/em><\/p>\n<p><em>Chimarr\u00e3o quente esfola e queima a mucosa do est\u00f4mago.<\/em><\/p>\n<p><em>Sofro de gastrite e me trato tomando Omeprazol.<\/em><\/p>\n<p><em>Quero ser vener\u00e1vel (o \u00faltimo n\u00edvel da ma\u00e7onaria).<\/em><\/p>\n<p><em>Fa\u00e7o frango ao molho de p\u00eassego, costeleta de porco com champagne e espinha\u00e7o de ovelha ao molho de aspargo.<\/em><\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Receita para o sucesso que parece hip\u00f3crita:<\/span><br \/>\n<em>1 \u2013 saber dividir intelig\u00eancia, cultura e sabedoria<br \/>\n2 \u2013 ter conhecimento<br \/>\n3 \u2013 ter coragem de aplicar o conhecimento<\/em><\/p>\n<p><em>A sorte n\u00e3o est\u00e1 num lugar est\u00e1tico.<\/em><\/p>\n<p>ATUALIZA\u00c7\u00c3O EM JANEIRO DE 2009: Marlon Arator perdeu a reelei\u00e7\u00e3o \u00e0 prefeitura e est\u00e1 sem mandato parlamentar. Continua em Cachoeira, atendendo em seu terreiro medi\u00fanico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O guri pobre, franzino e mal alfabetizado se apresentou pro servi\u00e7o obrigat\u00f3rio no quartel do 13\u00ba GAC, o poderoso Grupo de Artilharia de Campanha, em Cachoeira do Sul. Sua ambi\u00e7\u00e3o era grande: manejar os canh\u00f5es de 155 mil\u00edmetros da guarni\u00e7\u00e3o, os maiores da Am\u00e9rica Latina. \u201cMas bah, tch\u00ea, ouvi dizer que tu \u00e9 bruxo&#8230;\u201d, come\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":72054,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[4],"class_list":["post-663","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens","tag-renan-antunes-de-oliveira"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/marlon_santos.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":663,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-aH","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=663"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/663\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72051,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/663\/revisions\/72051"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72054"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}