{"id":6709,"date":"2010-03-05T15:42:27","date_gmt":"2010-03-05T18:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=6709"},"modified":"2010-03-05T15:42:27","modified_gmt":"2010-03-05T18:42:27","slug":"usina-ameaca-um-dos-ultimos-tesouros-naturais-do-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/usina-ameaca-um-dos-ultimos-tesouros-naturais-do-rs\/","title":{"rendered":"Usina amea\u00e7a um dos \u00faltimos tesouros naturais do RS"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Carlos Matsubara<\/em><br \/>\nO \u00faltimo recanto de vida silvestre no Rio Grande do Sul est\u00e1 na regi\u00e3o dos Campos de Cima da Serra. \u00c9 um tesouro amea\u00e7ado<br \/>\nQuem desbravou este para\u00edso ecol\u00f3gico foram os tropeiros de gado no in\u00edcio do s\u00e9culo 18. Por l\u00e1 viviam os \u00edndios Coroados, Caigangues e Botocudos \u2013 que resistiram o quanto puderam ao avan\u00e7o dos brancos.<br \/>\nToda beleza natural ainda est\u00e1 na regi\u00e3o: rios de \u00e1guas limpas e cristalinas, dezenas de cachoeiras e canyons formados h\u00e1 milh\u00f5es de anos.<br \/>\nPara chegar a cada cantinho deste tesouro natural, muitas trilhas por extensos campos verdes e montanhas rochosas tomadas por florestas de arauc\u00e1rias, mescladas na vegeta\u00e7\u00e3o exuberante t\u00edpica da Mata Atl\u00e2ntica.<br \/>\nRasgado por mais de trinta canyons que parecem terem sido cortados pela m\u00e3o do homem, os Aparados da Serra s\u00e3o a borda da Serra Geral. Do n\u00edvel do mar at\u00e9 1.400 metros de altitude, um horizonte verde a se perder de vista.<br \/>\nOs seus pontos mais deslumbrantes s\u00e3o os canyons do Itaimbezinhos (Parque Nacional dos Aparados da Serra), Fortaleza (Parque Nacional da Serra Geral), Monte Negro (ponto mais alto do RS), Pedra Furada e o Campo dos Padres, de onde se avista boa parte do litoral catarinense.<br \/>\nA ambientalista K\u00e1thia Vasconcellos Monteiro, da ONG Mira-Serra, de S\u00e3o Francisco de Paula, v\u00ea na regi\u00e3o um grande potencial para o turismo sustent\u00e1vel: \u201cAl\u00e9m da import\u00e2ncia hist\u00f3rica, a regi\u00e3o apresenta rica biodiversidade que deve ser preservada e nesse sentido, o turismo sustent\u00e1vel pode exercer um papel fundamental\u201d.<br \/>\nEla conta que a regi\u00e3o \u00e9 um tradicional reduto ga\u00facho onde se pode aproveitar o conv\u00edvio nos bail\u00f5es nos CTGs, al\u00e9m de rodeios, torneios de la\u00e7o e cavalgadas \u2013 tudo regado a chimarr\u00e3o e churrasco.<br \/>\n<strong>Mais perto do c\u00e9u<\/strong><br \/>\nEm S\u00e3o Jos\u00e9 dos Ausentes fica o Monte Negro, ponto mais alto do Rio Grande do Sul.  Mas apesar dos seus 1.400 metros de altitude, a caminhada \u00e9 relativamente f\u00e1cil. De carro d\u00e1 para chegar a 300 metros do canyon, o resto se faz a p\u00e9 ou a cavalo. Se a neblina permitir, a vista \u00e9 magn\u00edfica.  (foto 4)<br \/>\nJ\u00e1 para subir ao pico do Monte Negro \u00e9 um pouco mais complicado porque n\u00e3o h\u00e1 uma trilha demarcada, sobe-se em meio aos arbustos e pequenas \u00e1rvores, caminhada de 20 minutos.<br \/>\nOutro passeio imperd\u00edvel \u00e9 a Trilha das Cachoeiras, uma atr\u00e1s da outra e que serviram de cen\u00e1rio para a mini-s\u00e9rie da TV Globo &#8220;A Casa das Sete Mulheres&#8221;.<br \/>\nS\u00e3o Jos\u00e9 dos Ausentes t\u00eam pouco mais de tr\u00eas mil moradores. Encanta pela beleza natural e pela simplicidade do povo. Seus habitantes, ali\u00e1s, s\u00e3o um cap\u00edtulo a parte. Se o ga\u00facho \u00e9 conhecido pela hospitalidade, Ausentes tem boa parte de \u201cculpa\u201d nisso.<br \/>\nO pequeno munic\u00edpio est\u00e1 localizado a 250 quil\u00f4metros de Porto Alegre, com acesso um bastante prec\u00e1rio para quem vem por Cambar\u00e1 do Sul. Mas at\u00e9 mesmo essa aventura vale a pena j\u00e1 que o caminho \u00e9 cercado por uma fechada vegeta\u00e7\u00e3o de Mata Atl\u00e2ntica.<br \/>\nPara o empres\u00e1rio Turismo Paulo Hafner, que trabalha com turismo h\u00e1 quase 20 anos na regi\u00e3o, a riqueza hist\u00f3rica, ambiental e cultural dos Campos de Cima da Serra merece uma visita de pelo menos uma semana. \u201cS\u00e3o tantas belezas para contemplar que menos do que isso \u00e9 um pecado\u201d.  (foto Paulo)<br \/>\nNa parte ga\u00facha, Paulo cita como imperd\u00edveis o Monte Negro, o Mirante da Rocinha, o Cachoeir\u00e3o dos Rodrigues, a cachoeira da cabeceira do Rio das Antas e a Cachoeira das Sete Mulheres. Tudo isso apenas em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Ausentes.<br \/>\nEm Cambar\u00e1, recomenda os dois parques (Aparados e Serra Geral), mas n\u00e3o esquecendo de v\u00ea-los tamb\u00e9m por baixo, percorrendo uma trilha no rio Malacara, pelo munic\u00edpio catarinense de Praia Grande. (foto 5)<br \/>\n\u00c9 uma trilha de grau m\u00e9dio de dificuldade, dependendo muito das condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas do visitante em andar sobre as pedras do leito do rio. A trilha mais curta pode ser feita em cinco quil\u00f4metros, com direito a banho nas piscinas naturais.<br \/>\nOutra caminhada das boas pode ser feita pelas bordas do canyon Fortaleza, localizado no Parque da Serra Geral \u2013 ele tem sete quil\u00f4metros de extens\u00e3o e quase mil metros de profundidade.<br \/>\n<strong>Rio Pelotas <\/strong><br \/>\nFalando em belezas naturais. \u00e9 imposs\u00edvel esquecer do Rio Pelotas e de sua import\u00e2ncia biol\u00f3gica, cultural e hist\u00f3rica. Principal afluente do rio Uruguai, ele forma uma das maiores bacias hidrogr\u00e1ficas do Sul do Brasil. Suas \u00e1guas passam ainda pela Argentina e pelo Uruguai e mais tarde se juntam ao rio Paran\u00e1 para formar o grande rio da Prata.<br \/>\nO Pelotas foi tamb\u00e9m lugar de passagem dos antigos tropeiros que atravessavam a mula guia amarrada numa esp\u00e9cie de botezinho, feito com couro de boi, ao qual davam o nome de \u201cpelota\u201d, que acabou dando nome ao rio. Nessa \u201cpelota\u201d iam dois remadores.<br \/>\nO Passo de Santa Vit\u00f3ria, na foz do rio dos Touros era o local de travessia dos tropeiros e foi tamb\u00e9m palco de um evento importante da revolu\u00e7\u00e3o farroupilha, foi l\u00e1 que aconteceu o combate de Santa Vit\u00f3ria, em 1839, com a presen\u00e7a de Anita Garibaldi. \u00c9 tamb\u00e9m um verdadeiro para\u00edso entre montanhas e remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica para ambientalistas e aventureiros.<br \/>\n<strong>Amea\u00e7as reais<br \/>\n<\/strong><br \/>\nE toda esta beleza est\u00e1 seriamente amea\u00e7ada. De um lado, extensos plantios de pinus, esp\u00e9cie ex\u00f3tica que j\u00e1 toma conta de grandes extens\u00f5es dos campos nativos, onde deveriam ressurgir as florestas de arauc\u00e1rias.<br \/>\nMas \u00e9 uma outra amea\u00e7a que perturba o sono dos ambientalistas. Trata-se da usina hidrel\u00e9trica de Pai-Quer\u00ea, a quarta em seq\u00fc\u00eancia no Pelotas (foto). J\u00e1 foram constru\u00eddas: It\u00e1, Machadinho e Barra Grande. Somente esta \u00faltima \u201cafogou\u201d seis mil hectares de florestas de arauc\u00e1rias.<br \/>\n<strong>Pai- Quer\u00ea <\/strong><br \/>\nA hidrel\u00e9trica de Pai Quer\u00ea faz parte do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o de Crescimento (PAC) do governo federal e est\u00e1 planejada entre os munic\u00edpios de Bom Jesus (RS) e Lages (SC), em um desn\u00edvel de aproximadamente 150 metros, num trecho de 80 km de rio.<br \/>\nTer\u00e1 capacidade instalada de 292 MW. Ser\u00e3o alagados cerca de 6.100 hectares da Zona N\u00facleo da Reserva da Biosfera da Mata Atl\u00e2ntica.<br \/>\nEm fase de licenciamento pelo IBAMA, a usina tem investimentos previstos de R$ 968,92 milh\u00f5es e \u00e9 um projeto controlado por um cons\u00f3rcio formado pelo Grupo Votorantim (80,10%), DME Energ\u00e9tica (4,50%) e Alcoa (15,34%).<br \/>\n<strong>A salva\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEstando no PAC, a obra \u00e9 um das prioridades do governo Lula. Recentemente, quando o presidente esteve em Porto Alegre, num evento do F\u00f3rum Social Mundial, os ambientalistas com  cartazes contra a usina de Pai-Quer\u00ea foram barrados na entrada.<br \/>\nA luz no fim do t\u00fanel \u00e9 uma proposta do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente que prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o do corredor ecol\u00f3gico do Rio Pelotas, uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o com quase 300 mil hectares em 17 munic\u00edpios, chamada de Ref\u00fagio da Vida Silvestre &#8211;  menos proibitiva para os propriet\u00e1rios de terra, mas que poderia barrar Pai-Quer\u00ea.<br \/>\nO problema \u00e9 que o projeto do ref\u00fagio \u201crepousa\u201d h\u00e1 meses na mesa do presidente Lula, que bem sabe da queda de bra\u00e7o entre os minist\u00e9rios do Meio Ambiente e das Minas e Energia, que at\u00e9 hoje gravita na \u00f3rbita da ministra Dilma Rousseff, a candidata presidencial.<br \/>\n\u201cA implanta\u00e7\u00e3o do corredor \u00e9 essencial para a preserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e para evitarmos a instala\u00e7\u00e3o de empreendimentos que possam afetar as riquezas naturais&#8221;, argumenta K\u00e1thia.  A ambientalista explica que o ref\u00fagio pode ser constitu\u00eddo por \u00e1reas particulares, de maneira a compatibilizar os recursos naturais com a utiliza\u00e7\u00e3o da terra pelos propriet\u00e1rios, principalmente por meio do turismo sustent\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Matsubara O \u00faltimo recanto de vida silvestre no Rio Grande do Sul est\u00e1 na regi\u00e3o dos Campos de Cima da Serra. \u00c9 um tesouro amea\u00e7ado Quem desbravou este para\u00edso ecol\u00f3gico foram os tropeiros de gado no in\u00edcio do s\u00e9culo 18. 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