{"id":677,"date":"2005-08-26T15:17:54","date_gmt":"2005-08-26T18:17:54","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=677"},"modified":"2020-04-19T21:34:49","modified_gmt":"2020-04-20T00:34:49","slug":"vitima-inocenta-skinheads-presos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/vitima-inocenta-skinheads-presos\/","title":{"rendered":"V\u00edtima inocenta skinheads presos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Renan Antunes de Oliveira<\/span><\/p>\n<p>Uma das v\u00edtimas (cujo nome \u00e9 mantido em sigilo a pedido da fam\u00edlia) do ataque de skinheads a judeus na noite de 8 de maio num bar da Cidade Baixa, n\u00e3o reconheceu os quatro homens presos pela agress\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais: ele disse que a pol\u00edcia e algumas testemunhas preparadas por ela fabricaram depoimentos para incriminar os acusados apenas para \u201csatisfazer as exig\u00eancias de seguran\u00e7a da comunidade judaica\u201d.<\/p>\n<p>No incidente, um grupo de 11 skinheads atacou tr\u00eas jovens, E.N.S., R.F.M. e A.F.G., aparentemente escolhidos para a viol\u00eancia entre os fregueses do bar Ping\u00fcim porque usavam \u201ckip\u00e1\u201d, um chap\u00e9u de cerim\u00f4nias religiosas judaicas.<\/p>\n<p>Uma das v\u00edtimas recebeu quatro facadas, no ba\u00e7o, f\u00edgado e pulm\u00f5es. Passou 30 dias internada no HPS e ainda se recupera de cirurgias reparat\u00f3rias. As outras sofreram apenas ferimentos leves.<br \/>\nDias depois do incidente, que teve repercuss\u00e3o nacional (ocorreu no dia em que se comemora a derrota do nazismo com o fim da Segunda Guerra Mundial), o Departamento de Pol\u00edcia Metropolitana localizou, prendeu e indiciou quatro dos 11 skinheads por tentativa de homic\u00eddio qualificado, forma\u00e7\u00e3o de quadrilha e crime racial \u2013 todos foram para o Pres\u00eddio Central aguardar julgamento porque o crime \u00e9 inafian\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os acusados s\u00e3o Israel da Silva, 24 anos, Laureano Vieira Toscani, 20, Valmir Machado Jr, 26, e Leandro Braun, 26, apontado no inqu\u00e9rito como o mais violento do grupo \u2013 o sobrenome dele \u00e9, por coincid\u00eancia, o mesmo da mulher de Hitler, Eva.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Puni\u00e7\u00e3o por tabela<\/span><br \/>\nNa quarta-feira (3\/8), \u00e0s 17 horas, na sede do J\u00c1, um dos jovens atacados examinou fotos dos acusados, as mesmas usadas no inqu\u00e9rito policial para identific\u00e1-los. Ele disse que \u201cnunca\u201d viu tr\u00eas deles, Leandro, Laureano e Valmir. Do quarto, acha que pode ser um dos atacantes \u201cporque tinha os olhos puxadinhos, parecidos com os deste cara\u201d. Mas ressalvou: \u201cN\u00e3o tenho certeza se \u00e9 o mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Ele falou que n\u00e3o disse \u00e0 pol\u00edcia que aqueles eram os agressores. Como ent\u00e3o ela chegou \u00e0quela conclus\u00e3o? \u201cN\u00e3o chegou. Pegou os quatro porque j\u00e1 eram fichados\u201d, disse a testemunha.<br \/>\nO delegado Paulo C\u00e9sar Jardim, chefe das investiga\u00e7\u00f5es, disse que \u201cv\u00e1rias testemunhas identificaram os agressores\u201d. Mas, outras testemunhas tamb\u00e9m garantem que nenhum dos quatro estava no local na hora da agress\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais do informante do J\u00c1: \u201cConversei com um dos meus amigos (dos outros dois atacados) dias depois do ataque, e ele me confessou que \u201cfez uma coisa errada\u201d, mas que \u201cdesta vez ir\u00edamos pegar eles\u201d, referindo-se aos skinheads. Eu entendi que era uma den\u00fancia falsa, mas que atingira os prop\u00f3sitos\u201d (de prender skinheads).<\/p>\n<p>Tr\u00eas dos acusados apresentaram testemunhas de que estariam em outro lugar na hora dos fatos. Leandro estaria em Caxias, Valmir dando expediente numa danceteria. Laureano num churrasco com amigos. O Jornal J\u00c1 verificou os testemunhos independentes e confirmou as vers\u00f5es.<\/p>\n<p>Tanto a acusa\u00e7\u00e3o como a defesa dos skinheads se d\u00e1 exclusivamente atrav\u00e9s de testemunhas oculares. Sobre a confiabilidade delas \u00e9 bom notar esta estat\u00edstica do judici\u00e1rio americano: de 160 condena\u00e7\u00f5es equivocadas, 75% foram obtidas com base em testemunhas visuais.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">No mundo skinhead<\/span><br \/>\nComo a pol\u00edcia concluiu que os quatro estavam no mesmo bando? Porque nos arquivos eles aparecem como acusados num mesmo inqu\u00e9rito de 2003. Mas em 2005 Israel, Leandro, Valmir e Laureano n\u00e3o poderiam estar juntos simplesmente porque eram rivais.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, para safar-se de acusa\u00e7\u00f5es, Israel denunciou outros skinheads, ficando marcado pelo grupo. Tanto que no pres\u00eddio, Israel est\u00e1 em ala separada, para evitar contato com os supostos amigos \u2013 eles s\u00f3 estiveram juntos em julho, quando foram apresentados \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Um investigador que trabalha no caso afirma que n\u00e3o importa se os quatro acusados foram ou ainda s\u00e3o neonazistas: \u201cO que queremos \u00e9 intimid\u00e1-los e dar uma li\u00e7\u00e3o nestes quadros. Todos j\u00e1 estiveram envolvidos em ataques anteriores e escaparam da Justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Leia \u00edntegra da reportagem na edi\u00e7\u00e3o de agosto do Jornal J\u00c1 Porto Alegre, que est\u00e1 nas bancas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renan Antunes de Oliveira Uma das v\u00edtimas (cujo nome \u00e9 mantido em sigilo a pedido da fam\u00edlia) do ataque de skinheads a judeus na noite de 8 de maio num bar da Cidade Baixa, n\u00e3o reconheceu os quatro homens presos pela agress\u00e3o. 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