{"id":691,"date":"2008-07-01T12:27:43","date_gmt":"2008-07-01T15:27:43","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=691"},"modified":"2008-07-01T12:27:43","modified_gmt":"2008-07-01T15:27:43","slug":"cpi-dos-insumos-vai-convocar-representantes-das-industrias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cpi-dos-insumos-vai-convocar-representantes-das-industrias\/","title":{"rendered":"CPI dos Insumos vai convocar representantes das ind\u00fastrias"},"content":{"rendered":"<p>Na sexta reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) dos Insumos Agr\u00edcolas, da Assembl\u00e9ia Legislativa, realizada ontem, o presidente do Sindicato da Ind\u00fastria de Adubos do Rio Grande do Sul (Siargs), Torvaldo Antonio Marzolla Filho, declarou que os elementos utilizados na produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes como a am\u00f4nia, o \u00e1cido sulf\u00farico, o \u00e1cido fosf\u00f3rico, o enxofre e o fosfato natural tiveram aumentos significativos neste ano no mercado mundial.<br \/>\n&#8220;Ao compararmos 2007 com 2008, em d\u00f3lares, foram verificados aumentos entre 72,5% e 1040%&#8221;, afirmou. Da mesma forma, teriam subido os pre\u00e7os dos fertilizantes no mercado internacional e nos fretes mar\u00edtimos. &#8220;Os pre\u00e7os dos fertilizantes no Brasil s\u00e3o determinados pelo mercado internacional. N\u00e3o \u00e9 o Rio Grande do Sul que determina os pre\u00e7os&#8221;, salientou. Segundo ele, o Rio Grande do Sul seria o quinto estado consumidor de adubos no pa\u00eds.<br \/>\nMarzolla relatou que, al\u00e9m das mat\u00e9rias-primas, influenciam nos pre\u00e7os dos fertilizantes os custos dos transportes mar\u00edtimos e os custos portu\u00e1rios, entre outros. &#8220;Tamb\u00e9m influenciou o crescimento da renda mundial e da demanda por alimentos&#8221;, acrescentou. &#8220;Houve uma acelera\u00e7\u00e3o forte na utiliza\u00e7\u00e3o de insumos. \u00c9 uma cadeia de aumentos que ningu\u00e9m segura&#8221;. Ele tamb\u00e9m destacou a falta de equil\u00edbrio entre demanda e oferta de fertilizantes. &#8220;A demanda est\u00e1 sendo muito maior do que a oferta&#8221;.<br \/>\nE ressaltou que \u201csempre foi mais barato importar fertilizantes do que investir na produ\u00e7\u00e3o, por isso n\u00e3o houve investimento&#8221;. Marzolla disse que a compra da mat\u00e9ria-prima para produ\u00e7\u00e3o de adubos \u00e9 feita, em boa parte das vezes, em conjunto pelas ind\u00fastrias, devido ao fato de que a venda n\u00e3o pode ser feita em pequenas quantidades. &#8220;A acusa\u00e7\u00e3o de cartel \u00e9 uma inverdade. N\u00e3o existe cartel, monop\u00f3lio ou oligop\u00f3lio em nosso setor&#8221;, defendeu. &#8220;Tudo que foi importado foi demandado. N\u00e3o \u00e9 verdade que as empresas tenham comprado no ano passado para vender bem neste ano&#8221;.<br \/>\nAo ser questionado sobre a lucratividade das empresas, Marzolla disse n\u00e3o saber responder se houve aumento ou redu\u00e7\u00e3o nos resultados das ind\u00fastrias. Ele acrescentou que o sindicato n\u00e3o tem as planilhas de custo de cada empresa e apenas as representa institucionalmente.<br \/>\n&#8220;Existe confus\u00e3o entre fertilizantes e agrot\u00f3xicos. Acredito que para os agrot\u00f3xicos haja, sim, pre\u00e7os melhores na Argentina e no Uruguai, mas n\u00e3o para os fertilizantes&#8221;, ponderou o depoente. Marzolla acredita que os pre\u00e7os dos fertilizantes praticados hoje n\u00e3o estejam no topo: &#8220;O petr\u00f3leo continua subindo e isso influencia tudo&#8221;.<br \/>\nPara o presidente da CPI, Marzolla foi evasivo em seu depoimento: &#8220;A testemunha n\u00e3o apresentou as planilhas de custos das ind\u00fastrias e fugiu do assunto&#8221;. Por sugest\u00e3o do vice-presidente da CPI, deputado Heitor Schuch (PSB),  ser\u00e1 proposta a convoca\u00e7\u00e3o de representantes de tr\u00eas das mais importantes empresas do setor no pa\u00eds &#8211; Yara Alimentos, Bunge e Mosaic &#8211; para que possam ser comparadas as planilhas de custos de 2007 com as de 2008. \u201cQuest\u00f5es fundamentais como os custos das empresas ficaram em branco. Sem abrir essas planilhas, n\u00e3o temos como saber se os pre\u00e7os dos fertilizantes praticados hoje no mercado nacional s\u00e3o justos ou fruto de mera especula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Schuch. \u201cFaltaram argumentos para justificar a alta absurda dos adubos no \u00faltimo ano. \u00c9 muito f\u00e1cil simplesmente atribuir o aumento ao cen\u00e1rio mundial. Na nossa avalia\u00e7\u00e3o, as empresas est\u00e3o lucrando muito com a falta de concorr\u00eancia. Os produtores s\u00e3o v\u00edtimas deste monop\u00f3lio\u201d.<br \/>\nProva do bom desempenho financeiro, segundo Schuch, \u00e9 o ranking divulgado neste m\u00eas pela Revista Exame. Das 50 maiores empresas do agroneg\u00f3cio brasileiro, nada menos que nove s\u00e3o do ramo de adubos e defensivos. \u201cA alegada alta da mat\u00e9ria-prima importada para a produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes n\u00e3o convence. Antes, a culpa era a constante alta do d\u00f3lar.\u201d<br \/>\nO relator da Comiss\u00e3o, deputado Rossano Gon\u00e7alves (PDT), destacou que a defesa do aumento n\u00e3o se sustenta. &#8220;Ouvimos aqui, em outras oportunidades, que o aumento estava relacionado \u00e0s taxas portu\u00e1rias e o depoente revelou que elas representam apenas 5% dos custos&#8221;, alertou. &#8220;80% do custo \u00e9 determinado pela mat\u00e9ria-prima, que \u00e9 importada. O que sabemos \u00e9 que quem est\u00e1 pagando esta conta \u00e9 o consumidor e o produtor rural&#8221;.<br \/>\n<strong>Nas m\u00e3os das multinacionais <\/strong><br \/>\nEm sess\u00e3o anterior, representantes da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja (Aprosoja), Pedro Nardes, presidente, e Ireneu Orth expressaram suas preocupa\u00e7\u00f5es e as conseq\u00fc\u00eancias do aumento dos pre\u00e7os dos adubos e dos insumos. &#8220;Nossa entidade est\u00e1 sentindo o aumento dos pre\u00e7os dos insumos, como uma extors\u00e3o. Estamos nas m\u00e3os de algumas multinacionais que aumentam os pre\u00e7os sem justificativa alguma, sem pensar na sociedade como um todo. N\u00f3s, produtores rurais, estamos pagando por isso&#8221;, alertou Nardes.<br \/>\nOrth relatou as raz\u00f5es internacionais alegadas pelas multinacionais para o aumento destes pre\u00e7os. O motivo estaria relacionado aos transportes mar\u00edtimos, \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e ao crescimento da \u00cdndia e da China. &#8220;A estimativa \u00e9 de que o consumo em 2008 atinja 160 milh\u00f5es de toneladas ao ano. O principal crescimento vir\u00e1 do Brasil, M\u00e9xico, Europa e Argentina&#8221;. Ele esclareceu que a eleva\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os nos \u00faltimos meses teria ocorrido em fun\u00e7\u00e3o da volatilidade dos cr\u00e9ditos mar\u00edtimos e da China, pa\u00eds que passou a utilizar fertilizantes.<br \/>\n&#8220;A nossa dificuldade dever\u00e1 permanecer, pois consumimos muito mais do que produzimos, apesar do investimento anunciado pela multinacional Bunge para Santa Catarina e Minas Gerais para os pr\u00f3ximos anos&#8221;, revelou Orth, que participou de uma confer\u00eancia organizada pela empresa. &#8220;O governo pode fazer pouco, diante da dificuldade expressiva que temos: o Brasil depende 70% do adubo fornecido por multinacionais internacionais&#8221;.<br \/>\n<strong>Pre\u00e7os defasados<\/strong><br \/>\nEm sess\u00e3o anterior, o representante da Federa\u00e7\u00e3o das Cooperativas Agropecu\u00e1rias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), Rui Polidoro Pinto apresentou dados sobre o crescimento do custo de produ\u00e7\u00e3o e pre\u00e7os dos insumos agr\u00edcolas. Ele mostrou que os principais produtos agropecu\u00e1rios produzidos no estado &#8211; arroz, soja, milho, bovinos, feij\u00e3o, su\u00ednos, aves e leite &#8211; est\u00e3o com os pre\u00e7os defasados na an\u00e1lise de 1994 a 2008. Neste per\u00edodo, segundo seus dados, o adubo teve aumento de 659%. Somente no \u00faltimo ano, quando houve uma disparada no pre\u00e7o dos insumos, o pre\u00e7o do adubo aumentou 78,54%, incluindo aumento de 78,54% nos fertilizantes. Com isto, dobrou o n\u00famero de sacas de soja necess\u00e1rias para cobrir a compra de uma tonelada de adubo. O Rio Grande do Sul consome, anualmente, 1,608 milh\u00e3o de toneladas de adubo. &#8220;Nenhum produto teve aumento nestas propor\u00e7\u00f5es&#8221;, destacou.<br \/>\nPara melhorar a situa\u00e7\u00e3o para os agricultores e criadores, o dirigente sugeriu acabar com o adicional de frete da marinha, isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria na importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria prima e fertilizantes, aumento da produ\u00e7\u00e3o e pesquisa em mat\u00e9ria-prima, a melhoria da log\u00edstica de transporte e redu\u00e7\u00e3o do tempo gasto nos portos para exporta\u00e7\u00e3o e taxa\u00e7\u00e3o dos produtos importados. Rui Pinto destacou que a disparada no aumento dos insumos, principalmente nos \u00faltimos dois anos, deve-se, em parte, ao fato de produtos prim\u00e1rios estarem se tornando moedas de troca, substituindo o d\u00f3lar &#8211; em queda no mundo inteiro.<br \/>\n&#8220;O Brasil n\u00e3o produz mat\u00e9ria-prima suficiente, ent\u00e3o os valores dos insumos s\u00e3o determinados por alguns poucos exportadores que dominam o setor&#8221;. Segundo ele, apesar da situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma tend\u00eancia de aumento de \u00e1rea de plantio em todo o Pa\u00eds, por\u00e9m, com menos tecnologia, menos insumos e, conseq\u00fcentemente, menos produtividade. O dirigente tamb\u00e9m considera dif\u00edcil a substitui\u00e7\u00e3o de produtos utilizados como insumos e defensivos agr\u00edcolas, existindo uma clara depend\u00eancia dos fornecedores.<br \/>\n<strong>Os objetivos da CPI<\/strong><br \/>\nA Comiss\u00e3o foi instalada para investigar o aumento abusivo nos pre\u00e7os dos fertilizantes e insumos agr\u00edcolas acima da infla\u00e7\u00e3o, principalmente nos \u00faltimos 12 meses; a falta de rela\u00e7\u00e3o com a varia\u00e7\u00e3o cambial e os pre\u00e7os recebidos pelos agricultores na venda de seus produtos. Com base nas investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal, atrav\u00e9s das Opera\u00e7\u00f5es Ca\u00e1-ete e Ceres, sobre falsifica\u00e7\u00e3o, contrabando, pirataria e com\u00e9rcio irregular de agrot\u00f3xicos que apontou o envolvimento de empres\u00e1rios, produtores rurais e de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, os deputados tamb\u00e9m pretendem esclarecer as recentes aquisi\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es entre empresas do setor de insumos agr\u00edcolas, bem como a venda de boa parte das empresas estatais atuantes no setor para empresas estrangeiras, ficando a participa\u00e7\u00e3o estatal remanescente reduzida apenas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas e de produtos intermedi\u00e1rios.<br \/>\nSegundo o presidente da CPI, deputado Edson Brum (PMDB), a inten\u00e7\u00e3o \u00e9  tamb\u00e9m tocar em temas como a quest\u00e3o tribut\u00e1ria, o frete, a cabotagem, a diferencia\u00e7\u00e3o na tributa\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul e de outros estados e a falta de insumos importados. O parlamentar comunicou ainda que a CPI dever\u00e1 realizar reuni\u00f5es no interior do Estado.<br \/>\nO relator da Comiss\u00e3o, deputado Rossano Gon\u00e7alves (PDT), assegurou que, al\u00e9m de buscar esclarecimentos e subs\u00eddios, um dos principais objetivos da comiss\u00e3o \u00e9 cobrar a\u00e7\u00f5es dos governos federal e estadual para inibir e coibir o aumento exagerado dos adubos e insumos. \u201cN\u00e3o queremos fazer um trabalho de cunho pol\u00edtico. Queremos que o pre\u00e7o dos produtos seja justo para o agricultor e para o consumidor\u201d, frisou Rossano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sexta reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) dos Insumos Agr\u00edcolas, da Assembl\u00e9ia Legislativa, realizada ontem, o presidente do Sindicato da Ind\u00fastria de Adubos do Rio Grande do Sul (Siargs), Torvaldo Antonio Marzolla Filho, declarou que os elementos utilizados na produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes como a am\u00f4nia, o \u00e1cido sulf\u00farico, o \u00e1cido fosf\u00f3rico, o enxofre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[116,117],"class_list":["post-691","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas","tag-insumos-agricolas","tag-marzolla"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-b9","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=691"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/691\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}