{"id":695,"date":"2005-10-07T12:32:28","date_gmt":"2005-10-07T15:32:28","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=695"},"modified":"2005-10-07T12:32:28","modified_gmt":"2005-10-07T15:32:28","slug":"mais-perguntas-que-respostas-no-caso-braskem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/mais-perguntas-que-respostas-no-caso-braskem\/","title":{"rendered":"Mais perguntas que respostas no caso Braskem"},"content":{"rendered":"<p><strong>Elmar Bones<\/strong><br \/>\nPor que a Petrobras n\u00e3o est\u00e1 aqui? Por que fomos surpreendidos por uma negocia\u00e7\u00e3o feita por cima e j\u00e1 em fase final? Que garantias t\u00eam os trabalhadores? Qual o efeito nas ind\u00fastrias do pl\u00e1stico? Estas foram algumas das muitas perguntas que ficaram no ar na audi\u00eancia p\u00fablica que debateu as negocia\u00e7\u00f5es entre Petrobras e Braskem, na Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio Grande do Sul.<br \/>\nAlexandrino de Alencar falou em nome da Braskem (Foto: Luiz Avila\/AL\/J\u00c1)<br \/>\nNa sala Alberto Pasqualini, 4\u00ba.andar da Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio Grande do Sul, no dia 5 de outubro de 2005, 56 pessoas esperavam h\u00e1 45 minutos a audi\u00eancia p\u00fablica convocada para discutir um dos maiores neg\u00f3cios em andamento no Pa\u00eds.<br \/>\nNa mesa estavam: Alexandrino de Alencar, representante da Braskem, a maior ind\u00fastria petroqu\u00edmica do Pa\u00eds; Carlos Eitor Rodrigues, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do P\u00f3lo Petroqu\u00edmico de Triunfo; Dari Beck Filho, do Sindicato dos Qu\u00edmicos; engenheiro Luiz Gonzaga Fagundes, da Secretaria de Minas e Energia, representando o governo do Estado; Elizabeth Almeida, representente do Sindiplast de Novo Hamburgo e os deputados: Edson Portilho, do PT, proponente da audi\u00eancia, Leila Fetter (PP), Manoel Maria (PTB), Jo\u00e3o Fischer (PP) e Elmar Schneider (PMDB).<br \/>\nNa plat\u00e9ia, sindicalistas, assessores, jornalistas e funcion\u00e1rios que se movimentavam carregando pap\u00e9is. Dois gar\u00e7ons serviam cafezinho e \u00e1gua aos integrantes da mesa.Um envelope, colorido, revestido de pl\u00e1stico, contendo um relat\u00f3rio e um livro da Braskem era distribu\u00eddo a cada um.<br \/>\nO deputado Adroaldo Loureiro, que preside os trabalhos faz um breve pre\u00e2mbulo e passa a palavra ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Polo Petroqu\u00edmico de Triunfo, Eitor Rodrigues, que se op\u00f5e ao projeto da Braskem. Ele faz um resumo dos fatos. Explica que a Odebrecht, a maior empreiteira do Brasil, \u00e9 a controladora da Braskem, a maior companhia petroqu\u00edmica do pa\u00eds. Que est\u00e1 negociando bilh\u00f5es com a Petrobras. Petrobr\u00e1s, empresa p\u00fablica, interesse p\u00fablico&#8230;<br \/>\n\u201cEsse processo se intensificou a partir de abril deste ano. A Petrobras tinha 10% da Braskem e eles decidiram elevar essa participa\u00e7\u00e3o para 30%. Revisaram o acordo de acionistas.  N\u00f3s temos feito algumas mobiliza\u00e7\u00f5es e den\u00fancias. O Sindipolo est\u00e1 puxando essa discuss\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 a problematiza\u00e7\u00e3o do fato, que se consuma sem o conhecimento da sociedade\u201d.<br \/>\nLembra  que o \u201csegundo passo\u201d foi dado no dia 29 de setembro quando a Petrobras apontou os \u201cativos\u201d que vai transferir a Braskem, em troca dos 20% a mais a holding. \u201c\u00c9 um caminho sem volta\u201d, disse o representante da Braskem no dia seguinte \u00e0 decis\u00e3o.<br \/>\nEitor Rodrigues procura argumentos para provar que o fato ainda n\u00e3o est\u00e1 consumado. \u201cN\u00e3o ter inclu\u00eddo a Innova entre os ativos apresentados pela Petrobr\u00e1s, indica que nem tudo saiu como a Braskem queria. Ela tem a PPH, a Poliolefinas e 30% da Copesul. Queria a Petroqu\u00edmica Triunfo e a Innova. Com ela o p\u00f3lo ficaria na m\u00e3o da Odebrecht.\u201d<br \/>\nOutro indicio, segundo ele, \u00e9 o adiamento do prazo para fechar o neg\u00f3cio, de 31 de dezembro de 2005, para 31 de mar\u00e7o de 2006. \u201c\u00c9 sinal de que esta decis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 madura na Petrobras\u201d.<br \/>\nEitor Rodrigues sustenta que a decis\u00e3o da Petrobras no dia 29 foi for\u00e7ada por uma ordem de cima, que atropelou os escal\u00f5es t\u00e9cnicos da estatal. \u201cTodos os indicativos eram de que a Petrobras n\u00e3o apontaria os ativos para permutar. O fato de n\u00e3o ter sido indicada a Innova e ter sido levado para 31 de mar\u00e7o de 2006 o prazo final para a decis\u00e3o significa que nem tudo est\u00e1 saindo como a Braskem quer.\u201d<br \/>\nEle diz que o Sindipolo reage, em primeiro lugar, \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de poder na m\u00e3o de um \u00fanico grupo. \u201cFicaria quase um monop\u00f3lio, concentrando toda a petroqu\u00edmica nas m\u00e3os de um grupo conhecido por sua voracidade, que auto-proclama sua agressividade nos neg\u00f3cios. J\u00e1 tem quase o controle da Bahia e ficar\u00e1 a um passo de consolidar o controle da Copesul, ficaria ent\u00e3o com 80% dos petroqu\u00edmicos b\u00e1sicos para todos os tipos de pl\u00e1sticos. Controle das resinas pl\u00e1sticas e de 80% da nafta. Seria a principal fornecedora das industrias de terceira gera\u00e7\u00e3o e a principal compradora da Petrobras. A Petrobras ficaria ref\u00e9m e o consumidor dependente.\u201d<br \/>\nEm seguida a quest\u00e3o do emprego. Em 2002, relata, na cria\u00e7\u00e3o da Braskem para assumir a Copene foram cortados 100 empregos no p\u00f3lo do Rio Grande do Sul e 1.500  na Bahia. \u201cReceio que isso ocorra aqui\u201d. Diz que as empresas envolvidas na negocia\u00e7\u00e3o representam cerca de dois ter\u00e7o dos 2.400 trabalhadores diretos da petroqu\u00edmica e dos  3.600 dos terceirizados. Lembra que os programas visando ganho de escala, geralmente,  significam desemprego. \u201cA sociedade tem que se posicionar. O Rio Grande do Sul s\u00f3 tem a perder. Para a Petrobras n\u00e3o h\u00e1 nenhum indicativo de vantagem. S\u00f3 vantagem para a Braskem. Por que, ent\u00e3o?\u201d<br \/>\nEle diz que a Braskem \u00e9 arrogante: \u201cO neg\u00f3cio n\u00e3o est\u00e1 consolidado e eles j\u00e1 anunciam demiss\u00f5es na Petroqu\u00edmica Triunfo. De onde a Braskem tira a garantia de que a Petrobras vai fazer a op\u00e7\u00e3o? De antem\u00e3o a Braskem j\u00e1 se coloca como gestora da Petroqu\u00edmica Triunfo, o que demonstra sua agressividade\u201d.<br \/>\nDiz que n\u00e3o quer ofender, mas precisa usar a palavra certa: \u201cA Braskem \u00e9 mais do que agressiva, \u00e9 perversa no diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Agora, por exemplo, ela diz que \u00e9 um caminho sem volta, mas n\u00e3o \u00e9 isso. O caso n\u00e3o est\u00e1 resolvido\u201d.<br \/>\n\u201c\u00c9 uma decis\u00e3o de governo\u201d<br \/>\nEm nome da Braskem falou Alexandrino de Alencar, vice-presidente encarregado de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais. Disse que \u00e9 importante o debate, porque ele d\u00e1 a visibilidade que a petroqu\u00edmica n\u00e3o tem e que merece ter. Explicou que o mercado de produtos  petroqu\u00edmicos vive  em ciclos que duram de sete a nove anos. \u201cA petroqu\u00edmica \u00e9 recente no Brasil. At\u00e9 1990,  a Petroquisa comandava tudo. Com a privatiza\u00e7ao, veio uma nova fase. Em 1995, foi duplicada a Copesul, um investimento de U$ 2 bilh\u00f5es, maior do que as montadoras da autom\u00f3veis. N\u00e3o houve reconhecimento. Gra\u00e7as \u00e0 pujan\u00e7a do p\u00f3lo \u00e9 que vieram as montadoras para c\u00e1. Desde ent\u00e3o o p\u00f3lo pouco investiu.\u201d<br \/>\nDiz que foi \u201cdecis\u00e3o de governo\u201d  a Petrobras tornar-se \u201cminorit\u00e1rio relevante\u201d, na Braskem, como em outros grupos privados. Faz uma hist\u00f3rico: em 2001 houve o leil\u00e3o da Copene, a central do p\u00f3lo da Bahia. A Odebrecht era vendedora, a Copesul ia comprar, mas os acionistas n\u00e3o se acertaram.<br \/>\nSurgiu ent\u00e3o a  Braskem que desenvolve desde 2002 um novo modelo de neg\u00f3cios na petroqu\u00edmica, capaz de competir com os maiores do mundo.<br \/>\nSegundo Alencar, pelo acordo de acionista na privatiza\u00e7\u00e3o, a Petrobras poderia subscrever at\u00e9 50% das a\u00e7\u00f5es da Braskem. Mas teria que sair de todas as outras empresas no setor. Em abril deste ano, a Petrobras anunciou sua inten\u00e7\u00e3o de ficar minorit\u00e1ria, com 30% da Braskem.<br \/>\nAgora, no dia 29 de setembro, a Petrobras apontou os bens que vai dar em troca.<br \/>\n\u201cO prazo final para a decis\u00e3o foi transferido para mar\u00e7o do ano que vem porque n\u00e3o haveria tempo para os bancos fazerem a avalia\u00e7\u00e3o dos ativos\u201d, disse.<br \/>\nEle afirma que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com a Braskem. A Petrobras est\u00e1 se associando de forma minorit\u00e1ria, mas estrategicamente, com outras empresas,  na Rio Pol\u00edmeros, na Petroqu\u00edmica Uni\u00e3o, num novo projeto no Rio, que vai utilizar \u00f3leo pesado.<br \/>\nEle toca na quest\u00e3o do emprego. As demiss\u00f5es em 2002 n\u00e3o foram al\u00e9m de 380 pessoas e os cortes se limitaram \u00e0 alta e m\u00e9dia ger\u00eancia, nas fun\u00e7\u00f5es de operadores n\u00e3o foram atingidos. Os n\u00edveis administrativos foram comprimidos, tinha seis n\u00edveis de gerencia, foram reduzidos a tr\u00eas. Dos que foram demitidos, 70% foram recolocados no mercado com ajuda da empresa.<br \/>\nHoje a Braskem j\u00e1 tem 3.180 funcion\u00e1rios. No Rio Grande do Sul, desde 2002, mant\u00e9m mais empregos do que a m\u00e9dia da ind\u00fastria ga\u00facha. Trata-se de uma elite: 70% dos funcion\u00e1rios da Braskem tem o curso secund\u00e1rio completo, 20% tem curso superior e 10% tem algum tipo de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. No ano passado, tiveram aumento de 24% acima do INPC, sem contar com a participa\u00e7\u00e3o nos lucros. O sal\u00e1rio m\u00e9dio \u00e9 de R$ 5.000,00 por m\u00eas. Este ano foi considerada pela Exame uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil.<br \/>\n\u201cQuando se fala em controle n\u00e3o se leva em conta as caracter\u00edsticas da petroqu\u00edmica . N\u00e3o h\u00e1 como controlar, \u00e9 um mercado globalizado. Prova disso: o pre\u00e7o das resinas caiu 20% e a nafta subiu 20% este ano. Dizer que 80% do eteno est\u00e1 sob controle n\u00e3o explica nada. O que mede na petroqu\u00edmica n\u00e3o \u00e9 o eteno, mas as resinas. Se esse mercado n\u00e3o estiver bem, o eteno tamb\u00e9m n\u00e3o estar\u00e1\u201d.<br \/>\nDesfia uma s\u00e9rie de n\u00fameros. Em tr\u00eas anos a Braskem investiu mais de R$ 1 bilh\u00e3o de reais para aumentar a produ\u00e7\u00e3o. E segue investindo pesado, principalmente em tecnologia. Tem tecnologia e patente de processo desenvolvida no Rio Grande do Sul h\u00e1 20 dias, micro part\u00edculas que tornam mais resistente o polipropileno que permitir\u00e1 fazer gabinetes de computador com essa resina.<br \/>\nHoje a Braskem \u00e9 a 17a. do mundo, quer estar entre as 10 maiores nos pr\u00f3ximos cinco anos. Seu valor de mercado chega aos US$ 4,5 bilh\u00f5es, quer chegar a US$ 12 bilh\u00f5es. \u00c9 a nona no Pa\u00eds em arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, com um total de R$ 1,2 bilh\u00e3o em 2004. Fala dos cr\u00e9ditos de ICMs retidos, que j\u00e1 chegam a R$128 milh\u00f5es,  R$ 80 milh\u00f5es s\u00f3 este ano.<br \/>\nPor conta disso, sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 gravada em US$ 30,00 por tonelada atualmente. Mesmo assim, a empresa mostra-se compreensiva ante as dificuldades do Tesouro estadual.<br \/>\nFala das iniciativas para estimular investimentos e aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos. \u201cEstamos propondo a redu\u00e7\u00e3o do ICMs de 17% para 12%. Trabalhando junto \u00e0 Petrobras para usufruir mais da nafta produzida no Estado, para aumentar ganhos tribut\u00e1rios\u201d.<br \/>\n\u201cQuem vai ganhar com essa concentra\u00e7\u00e3o?\u201d<br \/>\nO terceiro a falar \u00e9 Dari Beck Filho, do Sindicato dos Qu\u00edmicos. Ele come\u00e7a perguntando: \u201cQual  \u00e9 o ganho para a sociedade com esse neg\u00f3cio entre a Petrobras e a Braskem? Empresa que j\u00e1 controla o p\u00f3lo da Bahia, vai controlar a nova central de Paul\u00ednea e amea\u00e7a controlar o p\u00f3lo do Rio Grande do Sul. Se \u00e9 uma ind\u00fastria de capital intensivo, com ciclos de nove anos isso significa que a Braskem vai ter o controle do mercado por 10 anos. Isso vai afetar o mercado de pl\u00e1sticos\u201d.<br \/>\nDiz que o sindicato, filiado \u00e0 CUT tem sim preocupa\u00e7\u00e3o com \u201cesse controle que pode resultar no aumento de pre\u00e7o das resinas, com impacto nas pequenas e m\u00e9dias empresas e impacto no mercado do trabalho. Quem vai ganhar com essa concentra\u00e7\u00e3o?\u201d<br \/>\nQuestiona o valor do sal\u00e1rio m\u00e9dio apresentado pelo representante da Braskem. \u201cMe assustei com esse n\u00famero de R$ 5.000 de sal\u00e1rio m\u00e9dio. Os companheiros que est\u00e3o aqui e trabalham na Braskem querem saber quem est\u00e1 ganhando esse sal\u00e1rio, deve ser os altos sal\u00e1rios da diretoria que est\u00e3o puxando essa m\u00e9dia para cima.\u201d<br \/>\nRelata uma recente queda de bra\u00e7o entre a empresa e o sindicato, para demonstrar como a  Braskem age nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho. \u201cEm pleno s\u00e9culo 21 acabaram com a quinta turma que existia desde 1988. Passaram a trabalhar com quatro turmas, com jornadas de 12 horas, e s\u00f3 desistiram em face das faltas, dos acidentes, das doen\u00e7as e dos preju\u00edzos que isso acabou acarretando. O sindicato ficou contra, eles n\u00e3o tiveram vergonha de constituir uma comiss\u00e3o para impor essa medida. Se n\u00e3o cumprissem, iam todos para a rua, \u00e9 assim que funciona.\u201d<br \/>\nMenciona o \u201cefeito cascata\u201d que tem o emprego no setor petroqu\u00edmico. \u201cH\u00e1 estudos que indicam que cada emprego na petroqu\u00edmica gera ocupa\u00e7\u00e3o para outras seis pessoas. Ent\u00e3o quando se diz que foram cortados 100 empregos, isso atinge outras 600 pessoas.\u201d<br \/>\nVolta a perguntar: \u201cE a Petrobras qual \u00e9 o ganho que vai ter? Vai ter praticamente um s\u00f3 comprador para sua nafta, que vai impor as regras do jogo. \u00c9 incompreens\u00edvel que a Petrobras opte por criar um \u00fanico comprador para seu produto\u201d.<br \/>\n\u201cQuem cria empregos \u00e9 a empresa\u201d<br \/>\nLuiz Gonzaga Fagundes, engenheiro da Secretaria de Minas e Energia, representa o governo do Estado. Ele mede as palavras. Diz que o governo observa \u00e0 dist\u00e2ncia, pois s\u00e3o movimentos que envolvem neg\u00f3cios de grande porte, que sempre geram diverg\u00eancias. \u201cN\u00e3o adianta, vamos ter que discutir\u201d. Ressalva, por\u00e9m, que o emprego s\u00f3 existe a partir das empresas: \u201cQuem cria empregos \u00e9 a empresa, seja p\u00fablica ou privada\u201d. Lembra que participou como engenheiro da Corsan das discuss\u00f5es sobre o tratamento dos efluentes do polo, uma pol\u00eamica que \u201cquase inviabilizou o empreendimento\u201d.  \u201cSe existem ajustes a serem feitos, \u00e9 preciso discutir. Com radicaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se vai conseguir nada\u201d. Diz que o papel do governo do Estado \u00e9 \u201cajudar para que o entendimento se fa\u00e7a\u201d. A Braskem \u00e9 agressiva? \u201cUma pol\u00edtica agressiva \u00e9 certa no mundo dos neg\u00f3cios\u201d. Conclui dizendo que \u201cessa \u00e9 mais ou menos a posi\u00e7\u00e3o do governo do Estado\u201d.<br \/>\n\u201cPor que a Petrobras n\u00e3o est\u00e1 aqui?\u201d<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 mais debatedores inscritos. A palavra fica a disposi\u00e7\u00e3o. O deputado Edson Portilho, toma a iniciativa. Ressalta a import\u00e2ncia da audi\u00eancia p\u00fablica, porque a \u201cAssembl\u00e9ia Legislativa tem que tomar uma posi\u00e7\u00e3o sobre o assunto\u201d.<br \/>\n\u201cO que me causa surpresa, o que lamento profundamente, \u00e9 a aus\u00eancia da Petrobras neste debate. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel isso, o debate fica incompleto, prejudicado\u201d. Lembra que tem participado das manifesta\u00e7\u00f5es do Sindipolo e que o p\u00f3lo petroqu\u00edmico \u00e9 um orgulho dos ga\u00fachos. \u201cDesde o in\u00edcio a popula\u00e7\u00e3o aceitou e abra\u00e7ou o p\u00f3lo, superando inclusive os problemas ambientais. Agora, se o objetivo da Braskem \u00e9 valorizar o p\u00f3lo, por que n\u00e3o o di\u00e1logo, por que n\u00e3o construir uma parceria com o sindicato?\u201d<br \/>\nEm seguida indaga: \u201cPor que fomos pegos de surpresa por uma negocia\u00e7\u00e3o feita por cima, j\u00e1 adiantada, praticamente definida. Quando se tentou uma audi\u00eancia p\u00fablica em Bras\u00edlia na C\u00e2mara dos Deputados, a Odebrecht e a Braskem se recusaram a comparecer. Agora aqui, a Petrobras n\u00e3o vem. Est\u00e1 muito dif\u00edcil de entender.\u201d<br \/>\nO discurso anima a plat\u00e9ia, j\u00e1 cansada. \u201cSe o objetivo \u00e9 melhorar, se as inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o boas, vamos abrir, vamos ouvir as opini\u00f5es. Essa quest\u00e3o do emprego, por exemplo: n\u00e3o importa se s\u00e3o 100 ou se s\u00e3o tr\u00eas mil que perder\u00e3o o emprego. O governo tem um compromisso: de manter o emprego. O governador tem dito isso, todos temos que nos engajar na luta pela manuten\u00e7\u00e3o dos empregos. Por que se negocia a portas fechadas? Qual o ganho da Petrobras? Ainda n\u00e3o entendi\u201d, refor\u00e7a Portilho.<br \/>\nLembrou que o governador Germano Rigotto freq\u00fcentemente cita o setor de pl\u00e1sticos como importante fonte de emprego no Estado. \u201cTemos que marcar uma audi\u00eancia com o governador para levar esse problema a ele. Sabemos o que significa o monop\u00f3lio, \u00e9 sempre nocivo. Temos um mandato e o compromisso de defender os interesses da popula\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d. No final exagerou: \u201cFoi a duras penas que ajudamos a construir esse p\u00f3lo, com o sangue e o suor da nossa popula\u00e7\u00e3o\u201d<br \/>\n\u201cVamos pressionar a Petrobras!\u201d<br \/>\nA deputada Leila Fetter, do PP, ocupa o microfone e critica a Petrobras, pela aus\u00eancia. \u201cA Petrobras n\u00e3o podia se furtar de participar desta audi\u00eancia. H\u00e1 muitas indaga\u00e7\u00f5es que gostaria de fazer \u00e0 Petrobras. N\u00f3s temos orgulho do p\u00f3lo. Ele trouxe muito desenvolvimento para o nosso Estado&#8230;Fa\u00e7o um apelo aos deputados que requeiram a presen\u00e7a de um representante da Petrobras, ele ter\u00e1 que responder. Esta casa n\u00e3o poder\u00e1 ouvir apenas um dos lados e se furtar de ouvir um dos maiores envolvidos. Vamos pressionar a Petrobras, uma vez que ela \u00e9 do governo federal e o governo \u00e9 do PT\u201d.<br \/>\nElmar Schneider, do PMDB, retomou a quest\u00e3o do emprego: \u201cDuvido que algu\u00e9m seja contra o emprego ou contra o p\u00f3lo. O p\u00f3lo representa avan\u00e7o, tecnologia. Mas eu gostaria que n\u00e3o transfer\u00edssemos responsabilidades. Vamos pedir audi\u00eancia ao Ministro das Minas e Energia, ao ministro do Desenvolvimento, ao presidente da Petrobras. N\u00e3o vamos dar nenhum outro passo antes de ouvir a Petrobras (algu\u00e9m comenta na plat\u00e9ia: \u201cEle quer livrar o Rigotto\u201d).<br \/>\n\u201cQuais as garantias para a terceira gera\u00e7\u00e3o?\u201d<br \/>\nFalou a seguir Elizabeth Almeida, representante do Sindicato dos Trabalhadores nas Ind\u00fastrias de Pl\u00e1stico de Novo Hamburgo. Come\u00e7ou explicando que s\u00e3o 187 ind\u00fastrias, a maioria delas fornecendo componentes para as f\u00e1bricas de cal\u00e7ados do Vale do Sinos. A crise na ind\u00fastria de cal\u00e7ados, este ano fez cair de 4.500 para 2.800 o n\u00famero de empregados nas empresas do setor pl\u00e1stico. Posiciona-se contra o monop\u00f3lio: \u201cO monop\u00f3lio \u00e9 sempre mal\u00e9fico. Os efeitos afetam toda a cadeia, o impacto pode ser muito forte na ponta da terceira gera\u00e7\u00e3o. A Petrobras se vangloria das suas a\u00e7\u00f5es sociais, mas nada faz em rela\u00e7\u00e3o ao setor de pl\u00e1stico, que \u00e9 poluente e mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es de trabalho ruins, com muitas doen\u00e7as, acidentes. \u201cDiariamente tem trabalhador ficando aleijado nessas ind\u00fastrias&#8230;A Petrobras nunca se importou com o que acontece depois que a produ\u00e7\u00e3o sai do p\u00f3lo&#8230;Qual a garantia que a terceira gera\u00e7\u00e3o tem em rela\u00e7\u00e3o ao emprego? O piso salarial \u00e9 de R$ 1,92 por hora, o que d\u00e1 um sal\u00e1rio m\u00e9dio de pouco mais de 400 reais. Somos os primos pobres do p\u00f3lo&#8230; Por que a Petrobras foge do debate? Enquanto isso n\u00e3o for respondido somos contr\u00e1rios a esse neg\u00f3cio.\u201d<br \/>\nElmar Schneider interv\u00e9m, diz que \u00e9 preciso mostrar o que est\u00e1 acontecendo no mundo, que no Rio Grande do Sul h\u00e1 duas termel\u00e9tricas paralisadas e conclui com uma pergunta ao representante da Braskem sobre a possibilidade de trazer petroqu\u00edmicos da China, se for mais barato  (o deputado e o representante da Braskem estiveram na China, na delega\u00e7\u00e3o do governador Germano Rigotto, no ano passado). Mas quem retoma o assunto \u00e9 o presidente do Sindipolo, Eitor Rodrigues, para rebater alguns dados apresentados por Alexandrino de Alencar no in\u00edcio. \u201cQuero dizer que o n\u00famero de demiss\u00f5es na Braskem que mencionei aqui s\u00e3o comprovados pelas rescis\u00f5es feitas no sindicato, aqui e na Bahia. O sindicato dos qu\u00edmicos de l\u00e1 nos mandou esse n\u00famero. Foram 100 aqui e 1.500 l\u00e1\u201d.<br \/>\nRebate tamb\u00e9m o argumento de que a Petrobras est\u00e1 fazendo parcerias tamb\u00e9m com outros grupos petroqu\u00edmicos. \u201cNenhuma dessas parcerias tem o porte e a propor\u00e7\u00e3o desta. Na Rio Pol\u00edmeros a Petrobr\u00e1s vai ter 17%, na Braskem ela vai ter 30%, vai entregar a Copesul, a Triunfo e Paul\u00ednia\u201d. Quanto aos sal\u00e1rios, disse que a Braskem tem sido a mais complicadora na hora de negociar os reajustas. \u201cPara obter os 24% acima do INPC foi uma dura luta, inclusive com paralisa\u00e7\u00e3o aqui no p\u00f3lo. Foi uma conquista nossa, n\u00e3o uma benevol\u00eancia da empresa\u201d. Finalizou dizendo que \u201ca l\u00f3gica da Braskem \u00e9 compreens\u00edvel, mas inaceit\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que o governo, atrav\u00e9s da Petrobras, se alie a essa l\u00f3gica. A Petrobras hoje n\u00e3o est\u00e1 aqui de constrangimento. N\u00f3s defendemos a volta da Petrobras ao setor petroqu\u00edmico, mas n\u00e3o assim, numa posi\u00e7\u00e3o submissa\u201d.<br \/>\nCumprimentou Alexandrino de Alencar pela atitude respeitosa e pela aten\u00e7\u00e3o, \u201cindependente das posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas\u201d. Voltou a dizer que a Petrobras estava ausente provavelmente por constrangimento pela maneira como foi tomada a decis\u00e3o. \u201cTivemos uma semana inteira com indicativos de que o neg\u00f3cio n\u00e3o sairia. No dia, at\u00e9 as oito horas da noite n\u00e3o havia posi\u00e7\u00e3o. No entanto, a Odebrecht tinha certeza: uma semana antes havia marcado um caf\u00e9 da manh\u00e3 com a imprensa para o dia seguinte a decis\u00e3o. Certamente n\u00e3o era para anunciar uma derrota. Que garantias havia?\u201d Anunciou que o Sindipolo vai intensificar suas manifesta\u00e7\u00f5es e pressionar o governo do Estado a tomar uma posi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cO p\u00f3lo petroqu\u00edmico est\u00e1 hibernado\u201d<br \/>\nAlexandrino de Alencar retomou a palavra para lembrar que al\u00e9m do cr\u00e9dito de  R$ 128 milh\u00f5es relativos ao ICMs, pelas exporta\u00e7\u00f5es,  a Braskem tem cr\u00e9ditos de R$ 380 milh\u00f5es no Fundopem, que n\u00e3o usou. Disse que a Braskem est\u00e1 empenhada em discutir caminhos para se ter a terceira gera\u00e7\u00e3o forte no Estado, para atrair novas empresas. Lembrou que o p\u00f3lo ga\u00facho est\u00e1 hibernado, precisa urgente de novos investimentos. E que com esse acordo em andamento \u201ca  Petrobras vai se juntar \u00e0 empresa mais competitiva do setor petroqu\u00edmico no pa\u00eds. \u00c9 um neg\u00f3cio de ganha-ganha\u201d.<br \/>\nEm resposta ao sindicalista que duvidou do sal\u00e1rio m\u00e9dio de cinco mil reais que havia mencionado, afirmou: \u201cRecebi aqui o n\u00famero exato: o sal\u00e1rio m\u00e9dio na Braskem \u00e9 R$ 4.650,00, sem falar na participa\u00e7\u00e3o nos lucros. Ent\u00e3o estamos falando de uma elite de trabalhadores\u201d. Disse que os planos da empresa s\u00e3o de crescimento, de est\u00edmulo aos empregados para criar um ambiente de melhoria constante. \u201cNossa postura n\u00e3o \u00e9 de penaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 de incentivo\u201d. Repetiu que \u201c\u00e9 imposs\u00edvel monopolizar o mercado, que \u00e9 globalizado. Quarenta por cento do com\u00e9rcio de resinas est\u00e1 nas m\u00e3os da China. Nem a Dow Qu\u00edmica, que \u00e9 a maior do mundo, consegue\u201d.<br \/>\nReferindo-se \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 transpar\u00eancia das negocia\u00e7\u00f5es, disse que a Petrobras atua no mercado de capitais, n\u00e3o tem nada escondido. Que a Braskem quer crescer inclusive fora do Brasil. J\u00e1 tem projetos na Bol\u00edvia, na Venezuela e vai partir para outros continentes. \u201cTemos orgulho em querer um dia estar entre os dez maiores do mundo e queremos investir no Rio Grande do Sul.\u201d <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elmar Bones Por que a Petrobras n\u00e3o est\u00e1 aqui? Por que fomos surpreendidos por uma negocia\u00e7\u00e3o feita por cima e j\u00e1 em fase final? Que garantias t\u00eam os trabalhadores? Qual o efeito nas ind\u00fastrias do pl\u00e1stico? 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