{"id":69585,"date":"2018-10-13T11:51:47","date_gmt":"2018-10-13T14:51:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=69585"},"modified":"2018-10-13T11:51:47","modified_gmt":"2018-10-13T14:51:47","slug":"donaldo-schuler-e-a-literatura-que-moldou-o-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/donaldo-schuler-e-a-literatura-que-moldou-o-ocidente\/","title":{"rendered":"Donaldo Sch\u00fcler e a literatura que moldou o Ocidente"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Francisco Ribeiro<\/span><br \/>\nAos 86 anos o professor, escritor e tradutor, Donaldo Sch\u00fcler, lan\u00e7a o seu mais novo trabalho, <em>Literatura grega: irradia\u00e7\u00f5es<\/em> (Ateli\u00ea Editorial). Trata-se de um ensaio de quase 300 p\u00e1ginas sobre a literatura oral e escrita da civiliza\u00e7\u00e3o fundadora daquilo que entendemos por Ocidente. Tradutor de James Joyce, Sch\u00fcler sintetiza, sem perder profundidade, a influ\u00eancia de uma literatura que se espraiou pelo mundo, e cujos tra\u00e7os s\u00e3o encontrados na poesia, no romance, no teatro, e at\u00e9 em prosaicas cantigas folcl\u00f3ricas ga\u00fachas como o tatu e a chimarrita. Ou na prosa de escritores brasileiros como Erico Verissimo e Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa, autores que assim como Homero tamb\u00e9m s\u00e3o grandes contadores de hist\u00f3rias.<br \/>\n<figure id=\"attachment_69587\" aria-describedby=\"caption-attachment-69587\" style=\"width: 401px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-69587 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/D.-Schuler3-401x450.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"450\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69587\" class=\"wp-caption-text\">Donaldo Sch\u00fcler<\/figcaption><\/figure><br \/>\nSch\u00fcler, um excelente <em>scholar<\/em>, sabe que mexer na mitologia e na literatura grega pode transformar-se num intermin\u00e1vel entreabrir de gavetas de narrativas que se interligam umas as outras. A come\u00e7ar pela <em>Teogonia<\/em>, de Hes\u00edodo, e suas hist\u00f3rias de deuses, semideuses e suas rela\u00e7\u00f5es com os mortais, como os personagens de Homero, reais ou fict\u00edcios, meros joguetes dos caprichos dos filhos de Zeus. Na l\u00f3gica da \u00e9poca de Homero o homem, por mais que tente, n\u00e3o foge ao seu destino, j\u00e1 previamente tra\u00e7ado, tr\u00e1gico na maioria das vezes. Cobi\u00e7a e vingan\u00e7a s\u00e3o os grandes motores.<br \/>\nO que n\u00e3o impediu o surgimento de hist\u00f3rias e aventuras incr\u00edveis, como aquelas descritas na <em>I\u00ediada<\/em> e na Odisseia. Da primeira, as inesquec\u00edveis proezas de Aquiles, algoz de Heitor, o n\u00e3o menos nobre e valente pr\u00edncipe troiano, irm\u00e3o de Paris, o raptor da bela Helena. Tr\u00f3ia, reino de Pr\u00edamo, e das mulheres H\u00e9cuba, Andr\u00f4maca, Cassandra, personagens que ganharam protagonismo e vida complexa na dramaturgia. Tamb\u00e9m extraordin\u00e1rias s\u00e3o as hist\u00f3rias contidas na Odiss\u00e9ia, vividas por outro her\u00f3i da guerra de Tr\u00f3ia, o ardiloso Ulisses, na sua longa volta pra casa. Narrativas seminais, fontes de inspira\u00e7\u00e3o para o teatro grego cl\u00e1ssico de autores como Eur\u00edpides e S\u00f3focles. Uma dramaturgia poderosa cujo legado far\u00e1 sentir-se nas l\u00ednguas e nas penas de William Shakespeare e Jean Racine, e do nosso N\u00e9lson Rodrigues. S\u00e3o irradia\u00e7\u00f5es da cultura e da l\u00edngua de um povo que h\u00e1 tr\u00eas mil anos chama o sol de h\u00e9lios.<br \/>\n\u00cdtaca, a ilha, reino de Ulisses. Lugar m\u00e1gico, a refer\u00eancia que n\u00e3o o faz perder o sentido de sua vida, voltar ao lar onde est\u00e1 sua mulher, Pen\u00e9lope, e o filho, Tel\u00eamaco. Perspectiva que lhe que faz recusar a generosa oferta de imortalidade e juventude eterna prometida por Calipso. Ulisses, mesmo no para\u00edso, chora no rochedo, diante do mar, de saudade de casa. Se o lamento, falsamente impotente, \u00e9 uma esp\u00e9cie de resist\u00eancia, naquela recusa estaria, segundo o fil\u00f3sofo franc\u00eas Luc Ferry, a origem da filosofia, a procura de uma sabedoria laica.<br \/>\nE filosofia \u00e9 o que n\u00e3o falta no ensaio de Schuler. Dos pr\u00e9-socr\u00e1ticos a Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles, at\u00e9 os modernos Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre. Deste \u00faltimo, prot\u00f3tipo do intelectual engajado, as perguntas: por que escrevemos? E para quem escrevemos? Quest\u00f5es que est\u00e3o na g\u00eanese de <em>Literatura grega: irradia\u00e7\u00f5e<\/em>s, e que Donaldo Sch\u00fcler partilha com os leitores nesta exclusiva entrevista ao J\u00c1.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>J\u00c1 &#8211; Quando surgiu a id\u00e9ia de escrever este livro?<\/strong><br \/>\n<strong>DS &#8211;<\/strong> Trata-se de uma reflex\u00e3o antiga. Eu comecei a lecionar em 1964. Foi um per\u00edodo, at\u00e9 1968, mais ou menos livre, de muita agita\u00e7\u00e3o no teatro e na universidade. Mas, com o Ato Institucional N\u00famero 5 (AI-5) as coisas come\u00e7aram a mudar. Dava-se \u00eanfase na \u00e9poca \u00e0 fun\u00e7\u00e3o social dos cidad\u00e3os. Ent\u00e3o, indaguei-me qual seria a minha fun\u00e7\u00e3o social como professor de literatura grega. Na verdade a Gr\u00e9cia funda o Ocidente. De certa forma somos todos helenizados por causa desta heran\u00e7a grega, forma de pensar e de refletir. E com a globaliza\u00e7\u00e3o, na medida em que os povos forem se ocidentalizando, entra em vigor tamb\u00e9m este modo de pensar grego.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 um livro para iniciados?<\/strong><br \/>\nCabe a pergunta de Sartre: para quem voc\u00ea escreve? \u00c9 um livro para todos. N\u00e3o se trata de um trabalho dirigido a especialistas com um vocabul\u00e1rio, jarg\u00e3o, que s\u00f3 eles entendem. Procurei escrever de uma forma bem acess\u00edvel. Mas isto n\u00e3o deve prejudicar os problemas que s\u00e3o colocados em discuss\u00e3o. Quero me comunicar com pessoas que t\u00eam a mesma preocupa\u00e7\u00e3o, refletir sobre a narrativa. \u00c9 um convite para aqueles que querem conversar, debater.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Como a literatura grega se reflete no Brasil?<\/strong><br \/>\nNa grande literatura, Machado de Assis, por exemplo. Mas tamb\u00e9m percebi o reflexo dela em alguns dos meus trabalhos, examinando a poesia feita no Rio Grande do Sul, nas cantigas do nosso folclore como as do tatu e da chimarrita, cujos modelos vieram da Europa, mas se desenvolveram autonomamente aqui. Letras do tatu falam de um sujeito marginalizado que luta para sobreviv\u00eancia e que conta as suas dificuldades aos que passam. \u00c9 um her\u00f3i popular. A Il\u00edada e a Odiss\u00e9ia t\u00eam uma mesma origem. Uma literatura oral que depois vai se tornando escrita. Tamb\u00e9m tem muita semelhan\u00e7a com o sistema m\u00e9trico que se encontra no cordel nordestino. Algumas das narrativas t\u00eam caracter\u00edsticas \u00e9picas. A gente percebe esta poeticidade \u00e9pica que nasce do pr\u00f3prio povo. S\u00e3o esses os fen\u00f4menos que, uma vez refletidos, permite o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es, semelhan\u00e7as.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong><em>O tempo e o vento<\/em>, romance do Erico Ver\u00edssimo, caberia em algum canto de Homero?<\/strong><br \/>\nClaro. Em 1948 estava em discuss\u00e3o temas que envolviam, por exemplo, o contador de hist\u00f3rias e o sujeito que trabalha com a palavra. Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa versus Clarice Lispector, ela com o novo romance franc\u00eas \u2013 gente como Alain Robbe Grillet \u2013 que n\u00e3o contava mais hist\u00f3ria. Muitos passaram a desprezar o contador de hist\u00f3rias. \u00c9rico Ver\u00edssimo dizia que era um contador de hist\u00f3rias. Era aut\u00eantico. Cheguei a falar com o Erico sobre isso. E ele ficou do lado de Ulisses, como um contador de hist\u00f3rias. O m\u00e9rito dele \u00e9 esse, escreveu uma hist\u00f3ria da qual n\u00e3o existe documentos. O in\u00edcio de <em>O tempo e o vento<\/em> \u00e9 puramente ficcional, m\u00edtico, \u00e9 Homero. N\u00f3s nos reconhecemos naquelas origens que s\u00e3o puramente ficcionais. Um passado puramente inventado.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>O mesmo ocorre com a <em>Il\u00edada<\/em> e a <em>Odiss\u00e9ia<\/em>, muitos lendo como se fossem fatos hist\u00f3ricos. <\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 um problema milenar. Eu poderia dizer que toda a Hist\u00f3ria \u00e9 fic\u00e7\u00e3o. Essa coisa, a partir do s\u00e9culo XIX, quando nasce a historiografia, de narrar \u00e0s coisas como elas efetivamente o s\u00e3o, isso n\u00e3o acontece. Trata-se de uma quest\u00e3o de perspectiva, tese, de escrever algo diferente. N\u00e3o se deve fazer diferen\u00e7a entre o mito e uma sociedade cient\u00edfica como a nossa. O Claude Levi \u2013 Strauss, antrop\u00f3logo, j\u00e1 escreveu sobre isso. Ele disse que os homens s\u00e3o racionais desde o momento em que apareceram. Esta \u00e9 a caracter\u00edstica principal do Homo sapiens. Pode-se voltar para as cavernas, 40 mil, 50 mil anos atr\u00e1s e verificar que h\u00e1 representa\u00e7\u00f5es de gente que pensava.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>E que ficcionava?<\/strong><br \/>\nExato. Historiografia? Ora, fora Homero, naquela \u00e9poca, n\u00e3o existe nada. O que se tem de importante, enquanto narrativa? A luta do homem contra as suas dificuldades. Nisto eu me encontro. Agora os fatos, ele pega banalidades e as transforma.<br \/>\nHer\u00f3doto, o pai da Hist\u00f3ria, faz a mesma coisa. D\u00e1 pra dizer que ele, sobre a guerra do Peloponeso, escreve um romance hist\u00f3rico para os padr\u00f5es de hoje que, tecnicamente, aproxima-se de <em>Guerra e Paz<\/em>, do Tolstoi, que tamb\u00e9m pega fatos hist\u00f3ricos e ficcionaliza. Hoje valorizamos muito a verifica\u00e7\u00e3o. Deixamos de nos exprimir e isso p\u00f5e em risco a nossa humanidade. Espero que um astr\u00f4nomo, por exemplo, diante de um universo, talvez, de bilh\u00f5es de gal\u00e1xias, narre-o de um jeito que eu possa participar. E n\u00e3o com c\u00e1lculos matem\u00e1ticos que jamais possa decifrar.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>O sr \u00e9 muito familiarizado com a obra de James Joyce, tendo, inclusive, traduzido <em>Finnegans Wake<\/em>. Neste seu ensaio h\u00e1 refer\u00eancias a Guimar\u00e3es Rosa. Ele seria uma esp\u00e9cie de fus\u00e3o entre Homero e Joyce?<\/strong><br \/>\nRosa numa entrevista disse que n\u00e3o conhecia James Joyce na \u00e9poca em que escreveu o <em>Grande sert\u00e3o: veredas<\/em>. Mas t\u00eam aproxima\u00e7\u00f5es flagrantes. Tem a quest\u00e3o da \u00e9poca, das vanguardas, do contato, atrav\u00e9s do modernismo brasileiro, com autores como Joyce, Ezra Pound. Quer dizer, mesmo que n\u00e3o tenha havido contato direto, lido, vivia-se na \u00e9poca, sentia-se as coisas de uma determinada maneira. E ele, certamente, n\u00e3o ficou imune.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Uma das indaga\u00e7\u00f5es, hoje, \u00e9 sobre o desaparecimento da narrativa.<\/strong><br \/>\nEm seu lugar entrou os dados e, com a internet, milh\u00f5es deles. Muita gente, principalmente os jovens, anda na rua com um aparelho na m\u00e3o, e o que recebem? Dados. As pessoas n\u00e3o conversam mais, recebem informa\u00e7\u00f5es pelas redes sociais, e que acabam se atrapalhando pela abund\u00e2ncia. Se n\u00e3o tomar cuidado, elas apenas passam de imagens a discursos soltos que n\u00e3o se conectam uns com os outros. A narrativa serve justamente para ligar uma coisa \u00e0 outra. Quem fez isso pela primeira vez no ocidente foi Homero. Arte de narrar \u00e9 o que estamos fazendo agora, conversando. A narrativa popular come\u00e7a a\u00ed, quando um grupo de pessoas se re\u00fane em torno da fogueira e come\u00e7a a contar coisas que s\u00e3o reelaboradas, que s\u00e3o \u00fanicas. Enfim, n\u00f3s n\u00e3o somos unidos pelos dados, que atrapalham, mas pelo discurso, pela palavra. Nosso problema \u00e9 o excesso de informa\u00e7\u00e3o. Os te\u00f3ricos tamb\u00e9m est\u00e3o refletindo sobre a sociedade do cansa\u00e7o.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Como assim?<\/strong><br \/>\nPense no homem em geral. Somos uma sociedade do cansa\u00e7o. Por qu\u00ea? A sociedade atual, de mercado, \u00e9 de competi\u00e7\u00e3o e estabelece metas cada vez mais elevadas, sempre superiores ao que o indiv\u00edduo pode realizar. E a robotiza\u00e7\u00e3o pode chegar a um ponto tal em que o homem seja eliminado. Estamos todos nivelados nesta situa\u00e7\u00e3o. Chego em casa, cansado, e sento na frente do televisor e fico recebendo imagens at\u00e9 dormir. Seria melhor sentar, tomar um chimarr\u00e3o e conversar. Esse foi o ponto de partida desta literatura grega que atingiu tal requinte.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>O chimarr\u00e3o?<\/strong><br \/>\n(risos) N\u00e3o, a conversa.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Mas tinha o vinho, o fogo, p\u00e3o e azeitonas. Muito bom, assim, poder sentar e deitar conversa fora, filosofar e depois escrever, construir narrativas \u2013 misturando deuses, mitos e homens \u2013 que ser\u00e3o lembradas atrav\u00e9s dos tempos, como os feitos de Aquiles e, principalmente, da viagem de Ulisses.. <\/strong><br \/>\nIsso, encontrar a nossa \u00cdtaca. O \u00f3cio contra o neg\u00f3cio. N\u00e3o podemos deixar que o neg\u00f3cio nos destrua. Qual o sentido da vida de um indiv\u00edduo que luta para sobreviver? Fazer algo para o qual uma m\u00e1quina ainda n\u00e3o foi inventada? Como me humanizo? Diante da minha mulher, dos meus filhos, netos, amigos, etc. Mas, note-se bem, n\u00e3o sou um saudosista. Meu melhor momento \u00e9 este. Se exige de mim que eu reflita o momento que estou vivendo. N\u00e3o posso negar as vantagens da Internet. Mas devo saber o que fazer com isso. Tempos atr\u00e1s eu precisaria ir para Londres consultar livros que s\u00f3 existiam l\u00e1. Hoje com o computador tenho acesso a tudo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Exceto a imortalidade, a sociedade de consumo tenta nos oferecer o mesmo que Calipso a Ulisses.<\/strong><br \/>\nFazemos isso via academia de gin\u00e1stica, rem\u00e9dios, cosm\u00e9ticos, cirurgias. Uma luta pelo rejuvenescimento. Ulysses, mesmo no para\u00edso, escolhe a dor, a morte. Isso \u00e9 uma advert\u00eancia para quem busca o para\u00edso: por quanto tempo ag\u00fcentar\u00edamos viver nele? A morte nos estabelece o limite dentro do qual n\u00f3s vivemos. N\u00f3s somos a \u00fanica esp\u00e9cie animal que conhece a morte, \u00c9 um conhecimento, vou desprezar isso? Chegamos a Heidegger que no <em>Ser e tempo<\/em> fala que vivemos para a morte. Escrevi um livro de quase 300 p\u00e1ginas, este, e que poderia ser de tr\u00eas mil se vivesse mais 50 anos. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso aceitar a idade que se tem. Nasce-se todos os dias. E a cada dia se \u00e9 outro. Enfim, tenho 86 anos pela primeira vez na vida. \u00c9 uma descoberta. N\u00e3o d\u00e1 pra ficar pensando no que seria se tivesse 40. Ou querer procurar profissionais que reduzam at\u00e9 60. Repito, n\u00e3o tenho nenhuma saudade. Meu momento \u00e9 este, agora, com todas estas confus\u00f5es.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>E tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 preciso levar os gregos t\u00e3o a s\u00e9rio, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Fazem piadas sobre eles pr\u00f3prios, cr\u00edticas a sua pr\u00f3pria cultura. Numa viagem a Gr\u00e9cia, o nosso guia, cuja m\u00e3e era espanhola, contava o seguinte causo, umas das diferen\u00e7as entre a igreja ortodoxa grega e a cat\u00f3lica romana. Na ortodoxa as noivas t\u00eam que casarem virgens. Se aparecer uma noiva que n\u00e3o \u00e9 virgem ela tem que dar uma volta em torno da igreja para cada homem que transou. Tem noiva que fica correndo em torno da igreja. A\u00ed os convidados ficam com pena dela e emprestam uma bicicleta. Isto \u00e9 fant\u00e1stico, Homero puro, e nos conduz a Zorba, o grego que, apesar de toda aquela desgra\u00e7a, consegue dan\u00e7ar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Ribeiro Aos 86 anos o professor, escritor e tradutor, Donaldo Sch\u00fcler, lan\u00e7a o seu mais novo trabalho, Literatura grega: irradia\u00e7\u00f5es (Ateli\u00ea Editorial). Trata-se de um ensaio de quase 300 p\u00e1ginas sobre a literatura oral e escrita da civiliza\u00e7\u00e3o fundadora daquilo que entendemos por Ocidente. Tradutor de James Joyce, Sch\u00fcler sintetiza, sem perder profundidade, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":69586,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-69585","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-materiasecundaria"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-i6l","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69585"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69585\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}