{"id":696,"date":"2005-10-17T12:33:25","date_gmt":"2005-10-17T15:33:25","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=696"},"modified":"2005-10-17T12:33:25","modified_gmt":"2005-10-17T15:33:25","slug":"olivio-rompe-o-silencio-aquela-nossa-previa-foi-um-erro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/olivio-rompe-o-silencio-aquela-nossa-previa-foi-um-erro\/","title":{"rendered":"Ol\u00edvio rompe o sil\u00eancio: \u201cAquela nossa pr\u00e9via foi um erro\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Guilherme Kolling<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/oliviodutra1_med.jpg?0.8807260504071612\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"203\" height=\"300\" align=\"right\" \/>O novo presidente do PT no Rio Grande do Sul, Ol\u00edvio Dutra, afirmou durante entrevista concedida ao Jornal J\u00c1, no dia 6 de outubro, que as pr\u00e9vias \u00e0s elei\u00e7\u00f5es do governo do Estado, em 2002, foram um erro coletivo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cExercemos um governo transformador. Foi um erro do nosso partido ter questionado o pr\u00f3prio governo que tinha\u201d. Outro equ\u00edvoco apontado pelo ex-ministro foi a prefeitura de Porto Alegre, que tamb\u00e9m era administrada pelo PT, ter disputado uma concep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica com o governo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cFomos entregando argumentos para os advers\u00e1rios\u201d, aponta. \u201cNo meu entendimento, eram coisas muito espec\u00edficas e n\u00e3o trabalhadas politicamente por conta de uma disputa que descambou para a quest\u00e3o da afirma\u00e7\u00e3o de uma lideran\u00e7a contra a outra\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ol\u00edvio recebeu a reportagem logo depois de uma audi\u00eancia com o presidente do Sindipolo, Carlos Eitor Rodrigues. Analisou a mudan\u00e7a de controle da Copesul do ponto de vista estrat\u00e9gico para o Estado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m falou dos epis\u00f3dios recentes envolvendo a Brigada Militar e criticou a pol\u00edtica repressora na seguran\u00e7a. E caracterizou como \u201ccompadresco\u201d a rela\u00e7\u00e3o do governo com setores da grande imprensa, que d\u00e1 uma cobertura ao Piratini diferente da de sua \u00e9poca.<\/p>\n<p align=\"justify\">A entrevista foi numa sala ampla da sede estadual do PT, na rua Ramiro Barcelos. Sem assessores \u00e0 volta, o ex-governador manteve uma conversa franca com a reportagem. Com respostas que flu\u00edram at\u00e9 a conclus\u00e3o, sem atropelos, Ol\u00edvio falou por uma hora e meia. Ao final do di\u00e1logo, emendou: \u201cAcho que nos alongamos um pouco\u201d. A seguir, a \u00edntegra da entrevista.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Gostaria de iniciar a conversa falando da seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio Grande do Sul, em fun\u00e7\u00e3o desses dois acontecimentos bem recentes. A morte do sindicalista e o tumulto com a torcida do Internacional. At\u00e9 vi que o senhor estava no Beira-Rio&#8230;<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; \u00c9 eu estava assistindo ao jogo l\u00e1. Apenas empatamos. Foi um bom jogo, mas no final essa coisa desagrad\u00e1vel, pior do que desagrad\u00e1vel. Eu de longe percebia que a pol\u00edcia em vez de ser um fator de solu\u00e7\u00e3o parecia, do ponto que eu estava, um fator complicador. De um pequeno conflito parece que a pol\u00edcia fez aquilo se alastrar para uma enorme abrang\u00eancia, um enorme significado, com pessoas sem nada a ver com a coisa sendo atingidas por uma a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. Eu acho isso s\u00e9rio, porque sei que a institui\u00e7\u00e3o Brigada Militar \u00e9 constitu\u00edda na maioria esmagadora de pessoas s\u00e9rias, honradas, profissionais. Tem que estar preparado, tem que estar atualizado, tem que estar presente para garantir a seguran\u00e7a do cidad\u00e3o e da pessoa humana. Agora eu acho que a pol\u00edcia \u00e9 um instrumento do Estado. N\u00e3o se resolvem problemas pol\u00edticos e sociais com a pol\u00edcia. A pol\u00edcia n\u00e3o pode ser usada como um instrumento de solu\u00e7\u00e3o de problemas sociais ou pol\u00edticos. Ent\u00e3o a pol\u00edcia \u00e9 sempre para ser preventiva. Acho que a pol\u00edcia pode prestar trabalhos sociais como vem prestando, pode ter maior preparo cient\u00edfico, tecnol\u00f3gico para atuar na preven\u00e7\u00e3o, no desmonte das opera\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>\u00c9 um momento delicado o da seguran\u00e7a p\u00fablica, na sua avalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; Chegam para mim informes, aprecia\u00e7\u00f5es, observa\u00e7\u00f5es de que, toda vez que h\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia com repress\u00e3o, morte, maior arbitrariedade, em que a pol\u00edcia mostra mais, digamos, seu lado repressivo, aquele comando naquela unidade recebe a visita de uma autoridade do governo estadual elogiando. Para o interno, ent\u00e3o, h\u00e1 uma orienta\u00e7\u00e3o. Para fora, tem um discurso, \u201cn\u00e3o, vamos fazer com que a pol\u00edcia opere com sensibilidade&#8230;\u201d Mas por baixo, o que chega para mim, \u00e9 que h\u00e1 uma orienta\u00e7\u00e3o elogiando os atos de arbitrariedade, de arrog\u00e2ncia, achando que aquilo \u00e9 sinal de efici\u00eancia da pol\u00edcia ou do policial, daquele agrupamento ou daquele setor. Eu acho que isso \u00e9 um erro ser\u00edssimo. A Brigada Militar \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que tem ser valorizada pela sua hist\u00f3ria, pelo papel que deve desempenhar de contribuir para criar um clima de seguran\u00e7a e n\u00e3o de inseguran\u00e7a, ou de arbitrariedade, de viol\u00eancia, se confundindo as vezes com a viol\u00eancia que ela tem que impedir que ocorra. Eu acho que tem uma pol\u00edtica errada orientando a a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. Das duas institui\u00e7\u00f5es, da Brigada Militar e da Pol\u00edcia Civil. Eu acho que \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica errada, equivocada. Isso \u00e9 uma vis\u00e3o pol\u00edtica que predomina e isso n\u00e3o ganha a auto-estima do policial, isso n\u00e3o ganha de parte da popula\u00e7\u00e3o o respeito sob a institui\u00e7\u00e3o e sob o policial ser humano. E n\u00e3o melhora a seguran\u00e7a. \u00c9 um erro, uma vis\u00e3o pol\u00edtica errada que leva a essas conseq\u00fc\u00eancias.<br \/>\n<strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Houve uma grande revolta da m\u00eddia em fun\u00e7\u00e3o dos fatos no Beira-Rio.\u00a0 Mas h\u00e1 companheiros seus que afirmam que o governo Rigotto tem uma blindagem em v\u00e1rios setores da imprensa. Por exemplo, ele n\u00e3o estava no Estado e ficou a margem de toda essa crise. Um fato desses teria maior repercuss\u00e3o na sua gest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; Acho que h\u00e1 evidentemente no caso desse governo n\u00e3o s\u00f3 uma blindagem, h\u00e1 um compadresco nos setores da chamada grande m\u00eddia e esse governo. H\u00e1 n\u00edtido compadresco. A morte do sindicalista, mas evidente que aquilo \u00e9 uma forma de total despreparo. Eu acho que \u00e9 em decorr\u00eancia de uma orienta\u00e7\u00e3o que leva policiais a agir de forma desrespeitosa, de forma agressiva, quando poderiam ser profissionais operativos, evidentemente capazes de enfrentar\u00a0essas situa\u00e7\u00f5es sem arbitrariedade, viol\u00eancia e arrog\u00e2ncia. N\u00e3o pode a nossa pol\u00edcia ser uma esp\u00e9cie de pit-bull. N\u00e3o \u00e9 esse o papel, nem pode ser essa a vis\u00e3o que a cidadania deve ter das nossas institui\u00e7\u00f5es policias, em especial da Brigada Militar, que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Bueno, acho que h\u00e1 esse compadresco sim de setores da chamada grande m\u00eddia que tinham conosco uma rela\u00e7\u00e3o totalmente diferente. Chegam para mim situa\u00e7\u00f5es de seq\u00fcestro&#8230; Teve um caso em que a grande m\u00eddia n\u00e3o deu a repercuss\u00e3o como a que deu quando n\u00f3s \u00e9ramos governo e houve um seq\u00fcestro de uma kombi lota\u00e7\u00e3o, em que um criminoso seq\u00fcestrou pessoas. E o companheiro Bisol, secret\u00e1rio da Seguran\u00e7a agiu expedidamente, com enorme sensibilidade, e com equipe de dentro da pr\u00f3pria Brigada, treinada para fazer a negocia\u00e7\u00e3o e resolver o problema sem ferimento, sem morte. Foi demorado. E um setor da grande m\u00eddia jogou para o Estado inteiro, para o pa\u00eds inteiro e a n\u00edvel internacional minuto a minuto, segundo a segundo daquela negocia\u00e7\u00e3o, como se fosse um Estado da inseguran\u00e7a total, da incapacidade do Governo de trabalhar, quando estava se fazendo uma opera\u00e7\u00e3o que por sinal teve uma conclus\u00e3o correta. Eu sei que neste governo j\u00e1 houve v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de seq\u00fcestro de pessoas que duraram um dia inteiro ou at\u00e9 mais e que n\u00e3o teve nenhum registro no mesmo setor da imprensa que antes dava maior destaque inclusive ligando qualquer fato da pol\u00edcia com o governo e at\u00e9 com o governador. Agora n\u00e3o, acontece uma coisa que revela a inseguran\u00e7a das pessoas, ou o papel errado, ou a inoper\u00e2ncia, ou a aus\u00eancia da pol\u00edcia nas suas atividades, e isso n\u00e3o \u00e9 relacionado com o governo e nem com o governador. Ent\u00e3o, o que \u00e9 isso? Compadresco. Isso n\u00e3o resolve a quest\u00e3o. N\u00f3s temos que ter uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a em que haja um respeito das institui\u00e7\u00f5es policiais ao ser humano, primeiro, porque \u00e9 um patrim\u00f4nio. E com isso possam tamb\u00e9m ser \u00e1geis, ser ostensivas nisto, e ser ponderativos, principalmente ser um policiamento preventivo, esse deve ser o principal, para que tamb\u00e9m o cidad\u00e3o policial, seja homem ou mulher, seja dignificado, respeitado por isso, pela sua capacidade como ser humano em situa\u00e7\u00f5es muito s\u00e9rias, desafiadoras, e com a tarefa de ser policial que ele possa se desenvolver dignamente e ser respeitado, n\u00e3o como se fosse um pit-bull que uma autoridade qualquer tem na coleira, e segundo a vontade daquela autoridade solta ou n\u00e3o solta a coleira para o pit-bull avan\u00e7ar nas pessoas. N\u00e3o \u00e9 esse o papel da pol\u00edcia. E eu penso que tamb\u00e9m o problema s\u00e9rio da seguran\u00e7a \u00e9 muito em raz\u00e3o de problemas sociais, que n\u00e3o se resolvem com a pol\u00edcia, se resolvem com pol\u00edticas. Eu reconhe\u00e7o que n\u00f3s n\u00e3o conseguimos no nosso governo aqui no Estado, mesmo que avan\u00e7\u00e1ssemos bastante, ter pol\u00edticas que pudessem resolver melhor o problema emprego. Embora no nosso governo, subiu o n\u00edvel do emprego gerado, diminuiu o desemprego, o PIB do Estado cresceu, isso gerou mais oportunidades, mas tem um passivo que vem de muito tempo. E eu penso que os desajustes nas pessoas, na fam\u00edlia, na comunidade, que s\u00e3o um caldo de cultura, as vezes num ato desvairado, as vezes num ato que contraria as normas da boa conduta e da lei, no fundo h\u00e1 problema social. Mas o policial tamb\u00e9m tem que ter uma estrutura, um preparo, uma remunera\u00e7\u00e3o, instru\u00e7\u00e3o, que \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 um adestramento mas tamb\u00e9m a compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es humanas e da import\u00e2ncia da seguran\u00e7a como um direito do cidad\u00e3o e um dever do Estado. Bueno, eu acho que n\u00f3s temos que ir a fundo, a sociedade brasileira. E os tr\u00eas n\u00edveis do governo. N\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o sobre o papel das pol\u00edcias ou o bra\u00e7o armado do Estado na quest\u00e3o da seguran\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 o principal para resolver os problemas. \u00c9 indispens\u00e1vel sem d\u00favida. N\u00e3o tem nenhum Estado no mundo que n\u00e3o tenha a sua pol\u00edcia. Veja, esses dias a famosa Scotland Yard foi assassinar um cidad\u00e3o simplesmente porque tinha atos suspeitos, e assassinou um brasileiro. Quer dizer, \u00e9 uma das pol\u00edcias mais bem preparadas do mundo e tamb\u00e9m comete isso. Mas a sociedade reage, n\u00e3o h\u00e1 complac\u00eancia ou compadresco com atitudes destas e nem com o governo. H\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o que faz mais exig\u00eancias sobre o preparo do policial, o papel das institui\u00e7\u00f5es policiais numa democracia, numa sociedade que tem que lutar pela justi\u00e7a, pela igualdade, pela liberdade.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Outro assunto que teve discri\u00e7\u00e3o da m\u00eddia at\u00e9 se concretizar foi a negocia\u00e7\u00e3o da Petrobras com a Braskem, que est\u00e1 resultando na mudan\u00e7a de controle no p\u00f3lo petroqu\u00edmico. Qual sua avalia\u00e7\u00e3o, do ponto de vista estrat\u00e9gico para o Estado, que um grupo de fora, da Bahia, assuma uma empresa como a Copesul?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211;<em> <\/em>Acho que n\u00e3o tem que ter essa coisa do bairrismo, uma coisa que n\u00e3o veja o todo de um projeto de desenvolvimento integrado e integrador para o pa\u00eds, para as regi\u00f5es, e que leva em conta a rela\u00e7\u00e3o federada e o papel dos entes p\u00fablicos nos marcos regulat\u00f3rios que devem definir a atua\u00e7\u00e3o dos setores privados na quest\u00e3o desse desenvolvimento integrado e integrador. Eu penso que a quest\u00e3o p\u00f3lo petroqu\u00edmico, que \u00e9 um enorme investimento, e inicialmente com recursos substancialmente p\u00fablicos, e depois num processo de privatiza\u00e7\u00e3o e de monopoliza\u00e7\u00e3o. Antes se acusava de um monop\u00f3lio p\u00fablico, tinha que abrir para oportunidades de empresas privadas, para dar dinamismo, gerar mais emprego e avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Bueno, continua sendo um empreendimento com enorme, um substancioso investimento p\u00fablico, federal, via Petrobras e suas subsidi\u00e1rias, e o pr\u00f3prio governo do estado do Rio Grande do Sul tem uma participa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderia ser diferente. Acho que uma discuss\u00e3o dessas ser resultado de negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o-transparentes, em que autoridades do governo estadual se encontram com empres\u00e1rio em outras regi\u00f5es sem muita divulga\u00e7\u00e3o. E os trabalhadores do setor tamb\u00e9m s\u00e3o tratados como um adere\u00e7o. Eu acho que o problema n\u00e3o \u00e9 de solu\u00e7\u00e3o meramente categorial, os trabalhadores do Sindipolo tem essa compreens\u00e3o. E acho que a sociedade ga\u00facha, a cidadania ga\u00facha, n\u00e3o estou dizendo que tem que ter prefer\u00eancia pelos trabalhadores, mas a Fiergs, a Farsul, a Federasul e o governo, v\u00e1rios setores, entidades e institui\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser protagonistas do processo que: primeiro, que mexa no P\u00f3lo. E que tem repercuss\u00f5es enormes na quest\u00e3o ambiental, na quest\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o de emprego e de divisas p\u00fablicas, de remunera\u00e7\u00e3o do capital privado e de futuro, a quest\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de bens de terceira gera\u00e7\u00e3o, que v\u00e3o qualificar a vida das pessoas. Eu acho, ent\u00e3o, que n\u00e3o pode ser uma decis\u00e3o nebulosa, n\u00e3o pode ser decorrente de negocia\u00e7\u00f5es nebulosas. N\u00e3o pode ser tamb\u00e9m uma coisa que o setor p\u00fablico define com um retorno em que n\u00e3o se tem seguran\u00e7a do trabalho e do emprego novo gerado, assegurado \u2013 tudo leva a crer que \u00e9 para reduzir a oportunidade de emprego, reduzir o n\u00famero de trabalhadores. Que o Estado precisa de investimentos \u00e9 ineg\u00e1vel. E o Estado precisa de investimentos que n\u00e3o tenham em troca o desemprego, a agress\u00e3o ao meio ambiente, particularmente nessa regi\u00e3o, e a ren\u00fancia de impostos. O Estado n\u00e3o pode ter um investimento que tem em troca isso: agress\u00e3o ao meio ambiente, redu\u00e7\u00e3o de emprego e ren\u00fancia de impostos. Quer dizer, entra por um lado, sai pelo ralo do outro.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Qual o poder do governo do Estado nessa negocia\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o da Petrobras?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; O Estado tem sim um poder, que n\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mico-financeiro maior porque esse \u00e9 da Petrobras, mas o Estado tem autoridade pol\u00edtica. Se n\u00e3o tem, tem que conquistar autoridade pol\u00edtica para dialogar com o governo federal, com as \u00e1reas que tem a responsabilidade da pol\u00edtica do setor. E a Petrobras \u00e9 uma empresa p\u00fablica federal, evidentemente que ela tem ramifica\u00e7\u00f5es internacionais, o petr\u00f3leo \u00e9 um bem estrat\u00e9gico no mundo inteiro, mas eu acho que essa quest\u00e3o, pelo que eu tenho de informa\u00e7\u00f5es, ela est\u00e1 tendo lances que est\u00e3o longe de ser transparentes. Precisa de transpar\u00eancia. Eu tenho que a Copesul \u00e9 uma empresa que tem um papel estrat\u00e9gico, um desempenho importante, lastreou bem e consolidou o p\u00f3lo, acho que o p\u00f3lo petroqu\u00edmico \u00e9 um dos maiores do pa\u00eds, \u00e9 o segundo, se eu n\u00e3o me engano, o maior est\u00e1 na Bahia. N\u00f3s n\u00e3o podemos trabalhar com uma coisa que \u00e9 uma decis\u00e3o que cabe apenas aos executivos das empresas com negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o transparentes com as autoridades do governo estadual ou com o governo federal. Tem que haver audi\u00eancias p\u00fablicas abertas. Teve uma ontem (5\/10). Soube tamb\u00e9m que teve audi\u00eancias canceladas na v\u00e9spera. A pr\u00f3xima ser\u00e1 dia 19, em Bras\u00edlia. Espero que retome o processo de maior transpar\u00eancia, uma constru\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o seja uma simples privatiza\u00e7\u00e3o com monop\u00f3lio privado de uma \u00fanica empresa de forma disfar\u00e7ada. Isso n\u00e3o serve ao Brasil e muito menos ao Rio Grande.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Al\u00e9m de dar transpar\u00eancia, o que pode ser feito. O Sindipolo veio buscar seu apoio?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; Eu acho que o Sindipolo, dirigentes do Sindipolo tem conversado com autoridades, tanto do governo estadual, Assembl\u00e9ia Legislativa, e proposto audi\u00eancias p\u00fablicas e delas participaram. Por conta disso me inteiraram do que est\u00e1 acontecendo. O pr\u00f3prio Sindipolo tem clareza que n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o meramente categorial, bairrista, ou que n\u00f3s t\u00ednhamos que estar contrapondo uma regi\u00e3o com a outra. N\u00f3s temos \u00e9 que pensar o desenvolvimento integrado dessa regi\u00e3o do Rio Grande do Sul, que \u00e9 o p\u00f3lo petroqu\u00edmico, a tecnologia que tem que ser agregada, a produ\u00e7\u00e3o que deve ser ampliada, a gera\u00e7\u00e3o de empregos, numa gera\u00e7\u00e3o em que o meio ambiente precisa ser recuperado e n\u00e3o mais agredido. A rela\u00e7\u00e3o desse projeto com o desenvolvimento no geral. E a rela\u00e7\u00e3o do setor da petroqu\u00edmica para o pa\u00eds n\u00e3o perder o bonde da hist\u00f3ria. N\u00f3s temos que ter o suprimento de mat\u00e9rias-primas que ele produz, s\u00e3o importantes no encadeamento industrial, que visem principalmente qualificar a vida das pessoas, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 produzir para o mercado. O mercado s\u00f3 tem significado se for bens e produtos que qualifiquem a vida de pessoas e principalmente de milhares de pessoas. E inicialmente aqui onde o p\u00f3lo est\u00e1 instalado. Quer dizer, vai ver Triunfo. Triunfo, por conta do p\u00f3lo, \u00e9 um dos munic\u00edpios com maior renda per capita at\u00e9 no mundo. Mas vai ver a realidade. Problemas ser\u00edssimos em Triunfo, que foram at\u00e9 agravados. Se ali pertinho&#8230; N\u00e3o d\u00e1 para esquecer a quest\u00e3o local evidentemente. N\u00e3o ser prisioneiro dela. At\u00e9 porque se se quer mostrar a import\u00e2ncia de um projeto nas suas inter-rela\u00e7\u00f5es, tem que mostrar o que ele efetivamente produz onde est\u00e1 instalado. Quer dizer, tenho certeza que tem muita gente em Triunfo se perguntando: \u201cOnde est\u00e1 a minha parte?\u201d. No munic\u00edpio que tem a maior renda per capita. \u00c9 aquela coisa, as pessoas s\u00e3o n\u00fameros, divide o n\u00famero de habitantes e a produ\u00e7\u00e3o do p\u00f3lo, e aquele n\u00famero \u00e9 previsto como uma renda tal. Mas aquilo n\u00e3o tem a ver com a realidade vivida. Ent\u00e3o, se n\u00e3o pensar o desenvolvimento na sua dimens\u00e3o humana, em vez de resolver problemas aqui e agora, n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resolvemos os problemas do aqui e agora, n\u00f3s criamos problemas para o amanh\u00e3 e o depois de amanh\u00e3.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Entrando agora na pol\u00edtica, no futuro da esquerda e do PT, em fun\u00e7\u00e3o do baque a partir dessa crise pol\u00edtica. H\u00e1 inclusive algumas declara\u00e7\u00f5es como a do senador Jorge Bornhausen de que \u201cessa ra\u00e7a&#8230;\u201d<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; O senador Jorge Bornhausen n\u00e3o \u00e9 uma pessoa que a gente possa dar cr\u00e9dito para uma avalia\u00e7\u00e3o sobre a esquerda. Ele \u00e9 uma cidad\u00e3o que por condi\u00e7\u00f5es tanto pessoais, quanto econ\u00f4micas, faz parte do 0,00001% da popula\u00e7\u00e3o brasileira que vive no melhor dos mundos, da fortuna, da concentra\u00e7\u00e3o de renda. \u00c9 um cidad\u00e3o que representa a riqueza obtida, bueno, na base das atividades da especula\u00e7\u00e3o financeira, ele \u00e9 banqueiro. Mas eu penso que \u00e9 um bom representante do pensamento conservador, de direita, com tudo o que, digamos, esse pensamento tem de preserva\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios, discriminat\u00f3rio, um pensamento que discrimina, que refor\u00e7a os preconceitos. \u00c9 racista inclusive essa declara\u00e7\u00e3o a respeito do PT, \u201cessa ra\u00e7a n\u00f3s vamos nos desfazer dela por no m\u00ednimo\u00a030 anos\u201d, me parece que essa frase \u00e9 a s\u00edntese do pensamento de um homem de direita, conservador, e racista e passa longe da realidade do PT e da situa\u00e7\u00e3o da esquerda brasileira. Acho que a esquerda, evidentemente, tem um d\u00e9bito para com a sociedade brasileira, e particularmente o PT. O Partido dos Trabalhadores, que eu ajudei a fundar junto com v\u00e1rios outros, inclusive com o presidente da Rep\u00fablica hoje, o companheiro Lula. Acho que n\u00f3s temos que reconhecer que o Partido dos Trabalhadores sendo o maior partido de esquerda do pa\u00eds gerou expectativas muito positivas pelo fato de, em 25 anos, ir conquistando pelo voto, pela forma com que governou espa\u00e7os p\u00fablicos, at\u00e9 ent\u00e3o muito positivas para a popula\u00e7\u00e3o. Gerou expectativas. E agora, nessa fase do Governo Federal, muitas dessas expectativas n\u00e3o est\u00e3o atendidas e algumas est\u00e3o sendo at\u00e9, digamos, agredidas por conduta de alguns, mas destacados dirigentes do nosso partido, cargos da maior import\u00e2ncia dentro da estrutura partid\u00e1ria e no pr\u00f3prio governo. Quer dizer, o nosso partido portanto, tem que ser franco, nunca deveria ter deixado de ser, assumir que esse \u00e9 um desvio de conduta s\u00e9rio de dirigentes, n\u00e3o \u00e9 da natureza do PT essas condutas, mas o partido acabou evidentemente tendo um pre\u00e7o a pagar e assume isso, mas n\u00e3o faz nenhuma concess\u00e3o com essas condutas e os seus respons\u00e1veis. Porque devem ser punidos inclusive com a expuls\u00e3o e o partido deve ser resgatado nos seus princ\u00edpios fundamentais. Porque o PT, primeiro: n\u00e3o subsidia o mandato de senador, de senadora, de prefeito, de vereador, vereadora, governador, presidente ou de qualquer parlamentar. O PT n\u00e3o surgiu da\u00ed, do parlamento para a sociedade, da institucionalidade formal para depois ir se espraiando, se enraizando. N\u00e3o, ele surgiu de baixo para cima. Ele veio de baixo para cima, por dentro das lutas sociais do povo brasileiro, da luta democr\u00e1tica, as demandas dos sem vez e sem voz desse pa\u00eds. Surgiu trazendo oportunidade de protagonismo para milhares de pessoas que passaram a ser sujeitos da pol\u00edtica e n\u00e3o mais objetos dela. Ent\u00e3o um partido com um patrim\u00f4nio enorme, com um valor importante para a conquista da democracia, junto com todas as for\u00e7as que se mobilizaram para isso, e tem ainda e muito a contribuir para a consolida\u00e7\u00e3o da democracia no nosso pa\u00eds, democracia como um valor permanente e a ser aperfei\u00e7oada constantemente. E o PT tamb\u00e9m como um partido que tem muito no seu resgate a contribuir para que o governo Lula, ainda nesse seu primeiro mandato, aperfei\u00e7oe as suas pol\u00edticas, tanto econ\u00f4mica quanto as sociais e outras pol\u00edticas, para que elas sejam mais inclusoras e mais estimuladoras da cidadania ativa, do protagonismo do povo brasileiro. Ent\u00e3o, acho que n\u00f3s temos um papel importante j\u00e1 desempenhado, s\u00e9rio. Temos um papel importante a desempenhar, achamos que todos os partidos, inclusive os do campo ideol\u00f3gico antag\u00f4nico, eles tem que ter contornos ideol\u00f3gicos claros, e tem que ter compromisso e responsabilidade e respeito para com o patrim\u00f4nio p\u00fablico, a coisa p\u00fablica, o dinheiro p\u00fablico e para com o ser humano. Ent\u00e3o, o nosso partido, que foi criado de baixo para cima, entende que a pol\u00edtica \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o do bem comum. E que pol\u00edticos devemos ser todos n\u00f3s, n\u00e3o s\u00f3 os que det\u00e9m cargo, mandato. Porque o ser humano s\u00f3 se realiza na sua plenitude, se se realizar tamb\u00e9m na sua dimens\u00e3o pol\u00edtica, ativa e protagonicamente. Ent\u00e3o o nosso partido \u00e9 um partido da transforma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o faz isso de cima para baixo. Quando acontece isso, esse epis\u00f3dio que n\u00f3s estamos vivendo, sofrendo foi por conta que se instituiu dentro do partido, a revelia e \u00e0 dist\u00e2ncia das bases partid\u00e1rias, das inst\u00e2ncias partid\u00e1rias, uma pol\u00edtica imposta de cima para baixo, que foi criando esquemas, inclusive por fora das institui\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. E de repente o partido passou a ser um partido com caciques, com figuras importantes, passando a ser inst\u00e2ncias partid\u00e1rias. Ent\u00e3o, resgatar o partido para ele valorizar as inst\u00e2ncias de base, valorizar sua rela\u00e7\u00e3o com os movimentos sociais, sem ele ser mero reflexo dos movimentos, para ele ter autoridade para dialogar com seu pr\u00f3prio governo e fazer a cr\u00edtica necess\u00e1ria para o governo aperfei\u00e7oar suas pol\u00edticas \u00e9 resgatar a natureza de um partido que surgiu da sociedade, para a sociedade controlar o Estado, e n\u00e3o o Estado controlar a sociedade. E o Estado de direito democr\u00e1tico sob o controle p\u00fablico, n\u00e3o sob o controle privado, pessoal, de um figur\u00e3o pol\u00edtico ou de um governante.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Parte dos quadros do PT parece n\u00e3o acreditar nessa retomada, tanto que est\u00e1 deixando o partido.<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; O partido jamais poderia ter deixado de ser, como foi, uma escola pol\u00edtica aberta, onde as dire\u00e7\u00f5es do partido em todos os n\u00edveis, junto com os filiados antigos, novos e entrantes fossem ao mesmo tempo educandos e educadores. Quando o partido deixa de ser isso, ele vai por esses descaminhos, ent\u00e3o ele tem que ser retomado no seu caminho que lhe deu raz\u00e3o de exist\u00eancia e que \u00e9 a base do seu estaqueamento b\u00e1sico. O partido evidentemente vai ter perdas de quadros. Agora eu acho que a\u00ed tem aqueles que ingressaram no partido para uma carreira pol\u00edtica.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Mas n\u00e3o tem o caso dos idealistas, que saem temendo que n\u00e3o haja essa retomada?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; Sim, tem isso. Ent\u00e3o, veja. Vamos raciocinando exatamente isso. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que n\u00f3s perdemos quadros. Em alguns casos n\u00f3s mesmo nos desfizemos de quadros, caso da vota\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio eleitoral. Depois em outras circunst\u00e2ncias. E isso n\u00e3o impediu que logo ali adiante novos quadros fossem chegando ou fossem se qualificando dentro do partido. Eu mesmo agora, por ocasi\u00e3o do processo de elei\u00e7\u00e3o direta, quando se fazia o debate sobre essa crise que estamos vivendo, da qual vamos sair com humildade mas com dignidade e respeito pelo espa\u00e7o partid\u00e1rio e \u00e0 cidadania brasileira, eu mesmo tive a oportunidade de assistir filia\u00e7\u00f5es agora, quer dizer, o ingresso de novos filiados no partido nesse momento. Quer dizer, se por um lado vai se perder alguns quadros, se perde porque n\u00e3o entraram no PT para fazer nele carreira pol\u00edtica. Bom, de repente na primeira crise que o partido tem ficam temerosos de que na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o v\u00e3o ser reeleitos.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/oliviodutra2_taniameinerz.jpg?0.7006673951604981\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Fotos T\u00e2nia Meinerz<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Entraram para fazer carreira pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; Tem, tem. N\u00f3s fizemos filia\u00e7\u00f5es indiscriminadas, sem afinidades com o projeto de um partido de esquerda e de um socialismo democr\u00e1tico, que \u00e9 o PT. Claro, tem muitas pessoas tamb\u00e9m que estiveram desde o in\u00edcio da funda\u00e7\u00e3o, mas depois dentro do partido foram assumindo cargos aqui ou ali, por elei\u00e7\u00e3o, e constitu\u00edram-se em inst\u00e2ncias partid\u00e1rias com estruturas as vezes maior do que a pr\u00f3pria estrutura do partido. E nesse momento de crise, em vez de retornar \u00e0quilo que \u00e9 b\u00e1sico do partido, fazem um lance solo. Agora, eu acho que tem muitas pessoas da maior integridade, sonhadoras, nossas filiadas e tamb\u00e9m simpatizantes do partido que evidentemente, como eu, devem estar indignadas com esta situa\u00e7\u00e3o e estas condutas de altos dirigentes que levaram nosso partido. E eu acho que por isso n\u00f3s temos que retomar o nosso partido pela rama, pelos seus fundamentos e fazer ele ser de novo uma escola pol\u00edtica aberta, em que n\u00f3s possamos estar tendo a discuss\u00e3o pol\u00edtica rica, porque \u00e9 um partido de esquerda e do socialismo democr\u00e1tico, e o socialismo democr\u00e1tico n\u00e3o \u00e9 uma carteirinha, um catecismo, um pensamento \u00fanico, \u00e9 uma diversidade generosa, que pensa uma sociedade de justi\u00e7a, de igualdade, superadora da sociedade em que o mercado dita as leis. O lucro, o individualismo, o ego\u00edsmo, o consumismo balizam as coisas e geram tudo o que n\u00f3s vimos a\u00ed de injusti\u00e7a e at\u00e9 de guerras. Ent\u00e3o, o socialismo democr\u00e1tico tem que ser permanentemente debatido num partido como o nosso, com a origem nossa, com os objetivos nossos, de esquerda, desde sua origem definido como um partido de socialismo democr\u00e1tico, tem que ter uma rica discuss\u00e3o interna. Agora, n\u00e3o pode as diferentes correntes e campos que se estabelecem em torno de discuss\u00f5es se tornarem castelos, cidadelas, feudos. Ent\u00e3o essa discuss\u00e3o n\u00f3s temos que retomar, refazer, n\u00f3s temos que fazer uma discuss\u00e3o s\u00e9ria de uma partido que n\u00e3o nasce do Estado com a sociedade, mas da sociedade para a institucionalidade, como \u00e9 que deixa de discutir o reflexo sobre ele da sua chegada em espa\u00e7os de poder, seja numa C\u00e2mara de Vereadores, numa Assembl\u00e9ia Legislativa, num Congresso Nacional, numa prefeitura, num governo estadual e agora num governo federal. Quer dizer, de repente cargos e figuras importantes que acessam esses cargos t\u00eam uma estrutura que a fazem inst\u00e2ncias e agem sobre as inst\u00e2ncias partid\u00e1rias. Isso \u00e9 uma boa discuss\u00e3o. N\u00f3s faz\u00edamos bem no in\u00edcio, depois fomos absorvidos por essa quest\u00e3o da estrutura do Estado, das burocracias&#8230; E ali\u00e1s, o partido tamb\u00e9m tem que ganhar elei\u00e7\u00f5es, evidentemente, mas ele n\u00e3o \u00e9 para ser uma m\u00e1quina de ganhar elei\u00e7\u00f5es a qualquer custo. N\u00e3o, o partido que tem um projeto estrat\u00e9gico para a sociedade \u00e9 uma escola pol\u00edtica aberta e \u00e9 um partido comprometido com a constru\u00e7\u00e3o do bem comum, o respeito da coisa p\u00fablica, do espa\u00e7o p\u00fablico, da coisa p\u00fablica, ao dinheiro p\u00fablico e ao ser humano. Ent\u00e3o \u00e9 um partido que \u00e9 refer\u00eancia internacional porque prop\u00f5e tamb\u00e9m uma globaliza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, da igualdade, da liberdade, da democracia. Ent\u00e3o, esse partido jamais pode deixar de ser o que fundamentou a sua cria\u00e7\u00e3o. Um instrumento pol\u00edtico que possibilita o protagonismo das pessoas, traga mais sujeitos pol\u00edticos, cidad\u00e3s e cidad\u00e3os para o cen\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, da pol\u00edtica e do controle p\u00fablico sobre o Estado em todas as suas dimens\u00f5es. Ent\u00e3o, esse \u00e9 um partido de esquerda, \u00e9 um partido do socialismo democr\u00e1tico, \u00e9 um partido que tem compromisso com a democracia como objetivo permanente e compromisso com seu aperfei\u00e7oamento, tanto que n\u00f3s n\u00e3o queremos nenhum brasileiro ou brasileira sendo um instrumento da pol\u00edtica, objeto da pol\u00edtica. N\u00f3s queremos que o cidad\u00e3o, a cidad\u00e3 seja sujeito da pol\u00edtica. \u00c9 a nossa proposta, \u00e9 a nossa vontade para o pa\u00eds, ent\u00e3o \u00e9 o que n\u00f3s temos que praticar no interior do nosso partido. E os que est\u00e3o comprometidos com essas a\u00e7\u00f5es de agredir o patrim\u00f4nio \u00e9tico-partid\u00e1rio, e por conta delas o partido paga um pre\u00e7o enorme, eles desrespeitaram as inst\u00e2ncias partid\u00e1rias, encaminharam por fora das inst\u00e2ncias partid\u00e1rias para fazer o que fizeram, ent\u00e3o n\u00f3s temos que resgatar o valor das inst\u00e2ncias e o respeito aos filiados, inclusive aos novos que est\u00e3o chegando. Eu acho que \u00e9 bom que se diga com todas as letras as diferen\u00e7as que temos dentro do pensamento de esquerda e do socialismo nos levam a que nenhuma pessoa de boa \u00edndole, de esquerda, que vislumbre uma sociedade superadora da sociedade capitalista deve deixar de vir para essa luta, estando no PT, de resgate do PT. E aquele que tem tamb\u00e9m esse pensamento e essa vis\u00e3o e que ainda n\u00e3o est\u00e1 no PT, \u00e9 bem vindo. Porque est\u00e3o vindo tamb\u00e9m muitos e tem essa expectativa. Mas eu acho que se n\u00f3s tivermos alguns reveses eleitorais n\u00e3o vai ser a primeira vez. N\u00f3s j\u00e1 perdemos elei\u00e7\u00f5es em outros tempos nos nossos 25 anos de exist\u00eancia. N\u00f3s n\u00e3o podemos ser uma m\u00e1quina para ganhar elei\u00e7\u00e3o uma atr\u00e1s da outra. E at\u00e9 porque tamb\u00e9m a cidadania brasileira est\u00e1 querendo dar uma resposta aos pol\u00edticos e vai tamb\u00e9m querer dizer para o PT: \u201cOlha, voc\u00eas erraram, cometeram tais erros!\u201d. N\u00f3s que estamos num processo de renova\u00e7\u00e3o no PT, n\u00e3o s\u00f3 renova\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00f5es, renova\u00e7\u00e3o de pessoas nas dire\u00e7\u00f5es e a substitui\u00e7\u00e3o de um campo por outro, mas renova\u00e7\u00e3o no sentido pol\u00edtico, tamb\u00e9m renova\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos, n\u00f3s queremos dizer que no Governo Lula, a consolida\u00e7\u00e3o da democracia no nosso pa\u00eds precisa de partidos com contornos ideol\u00f3gicos claros. O PT \u00e9 um desses partidos, portanto ele \u00e9 indispens\u00e1vel para a caminhada de milhares de homens e mulheres aqui no nosso pa\u00eds. Querem ser sujeitos e n\u00e3o objetos da pol\u00edtica.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>A renova\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas envolve a pol\u00edtica de alian\u00e7as, mas tamb\u00e9m a quest\u00e3o do financiamento das campanhas. Que lhe parece a proposta do jornalista Elio Gaspari de disponbilizar as doa\u00e7\u00f5es de campanha em tempo real, para o eleitor acompanhar o que est\u00e1 entrando nos cofres da campanha do candidato, como uma maneira de dar trasnpar\u00eancia ao financiamento eleitoral. O PT pode aderir?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; Claro. N\u00f3s temos que ir cada vez mais para processos com maior transpar\u00eancia. Evidente. Assim como a democracia n\u00e3o pode ser um texto formal com discurso, mas tem que ser uma pr\u00e1tica e tem que ser vivida. Por isso a democracia representativa s\u00f3 se renova com uma democracia participativa, ent\u00e3o n\u00f3s como partido temos experi\u00eancias valios\u00edssimas enquanto governo, em prefeituras e n\u00f3s aqui mesmo no governo estadual, com o processo do or\u00e7amento participativo. Que \u00e9 discutir a receita, despesa p\u00fablica, prioridades na obten\u00e7\u00e3o dos recursos, no direcionamento deles, definidas n\u00e3o no espa\u00e7o fechado, n\u00e3o por interesses ocasionais, grupais, enfim, e porque n\u00f3s n\u00e3o fizemos isso com nosso partido, com os recursos do nosso partido serem trabalhados de forma participativa. Do conhecimento aberto da opini\u00e3o p\u00fablica. Acho que o caminho da transpar\u00eancia deve ser cada vez maior. Eu tenho minhas d\u00favidas quanto aos recursos p\u00fablicos. Que n\u00f3s devemos ter recursos, que possam dar id\u00e9ia para o eleitor, para o cidad\u00e3o que est\u00e1 saindo da Sa\u00fade, da Habita\u00e7\u00e3o, do Saneamento recursos para o Estado financiar os partidos pol\u00edticos nas suas campanhas. Tem que ficar muito claro que n\u00e3o podem ser recursos vindos da\u00ed. Tem que ter um fundo espec\u00edfico para isso e tem que efetivamente ter regras que, n\u00e3o s\u00f3 d\u00eaem uma guaribada na quest\u00e3o da inger\u00eancia do poder econ\u00f4mico sobre campanhas, candidaturas, elei\u00e7\u00f5es. Acho que tem que ter clareza, o candidato tem que ser eleito pelas suas propostas, e n\u00e3o \u00e9 a proposta dele pessoal, \u00e9 a proposta do seu partido. Quer dizer, quando se vota numa pessoa, evidentemente tem que ser uma pessoa s\u00e9ria, respons\u00e1vel, mas se vota numa id\u00e9ia que ele representa dentro de um partido, que tem um projeto para a sociedade. Ent\u00e3o, tem que ter a lista partid\u00e1ria, mas que n\u00e3o fa\u00e7a isso por conta do que est\u00e1 acontecendo agora de forma imediatista. Acho que estamos precisando de uma reforma pol\u00edtica, s\u00e9ria, estou achando at\u00e9 que n\u00f3s podemos ter a convoca\u00e7\u00e3o de uma nova constituinte. Tem tantos temas. Eu fui constituinte, de 1986 a 88, e acho que a retomada da democracia do pa\u00eds, aquela constitui\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. Mas no entanto, de 1988 para c\u00e1, o que aquela constitui\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou foi sendo retalhado, reformado e a roda come\u00e7ou a voltar para tr\u00e1s e tem muitas coisas que a Constitui\u00e7\u00e3o de 88 definiu e que at\u00e9 hoje n\u00e3o foram regulamentadas. E tem tantas emendas constitucionais que nos levam a ter que repensar uma lei maior do pa\u00eds e que possa ser mais definidora de coisas e mais duradoura, permanente. Acho at\u00e9 que isso n\u00e3o \u00e9 proibido pensar, mas n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o de oportunismo de ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Como presidente do partido no Estado, n\u00e3o seria um avan\u00e7o recomendar aos candidatos que coloquem em tempo real o que est\u00e1 entrando de contribui\u00e7\u00e3o, at\u00e9 para evitar essas suspeitas de Caixa 2?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; Mas eu acho que isso n\u00e3o tem que ser uma orienta\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m, nem ser uma vontade de algu\u00e9m ser mais transparente que outro. Isso tem que ser da natureza da pol\u00edtica. \u00c9 uma cultura nova que tem que substituir a velha cultura, do carreirismo pol\u00edtico, da mudan\u00e7a de partido por conta de um interesse pessoal do candidato. Eu acho que tem que ter um processo em que n\u00e3o se queira distinguir oportunisticamente do outro, para ser mais transparente que o fulano. Acho que a transpar\u00eancia tem que ser um valor que n\u00e3o \u00e9 apenas da vaidade pessoal de quem quer que seja. H\u00e1 que se garantir isso em toda a legisla\u00e7\u00e3o, seja eleitoral, seja outra, e que a gente possa tamb\u00e9m ter a cidadania brasileira mais participante. O processo de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, por exemplo, n\u00e3o pode ser de cima para baixo. A gente tem que combater a corrup\u00e7\u00e3o dentro das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Ent\u00e3o, a cidadania tem que ser sujeito desse processo. O governo Lula desencadeou um processo de combate ao crime organizado, de desmonte de organiza\u00e7\u00f5es criminosas, que vinham se assenhoreando de dinheiro p\u00fablico daqui e dali, muito significante, muito significativo, poderoso. Mas isso s\u00f3 n\u00e3o basta. N\u00e3o basta aperfei\u00e7oar a Pol\u00edcia Federal, garantir plena liberdade ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, ter l\u00e1 a Controladoria Geral da Uni\u00e3o, ter o respeito \u00e0s inst\u00e2ncias de fiscaliza\u00e7\u00e3o institucionais que s\u00e3o os tribunais de conta. \u00c9 preciso ter a sociedade inteira trabalhando essa quest\u00e3o da \u00e9tica, da moralidade, do respeito \u00e0 coisa p\u00fablica. Quer dizer, se faz um discurso pela \u00e9tica e na hora da elei\u00e7\u00e3o tem gente pagando o transporte para o seu eleitor, tem gente distribuindo, segundo seu poder econ\u00f4mico e sua rela\u00e7\u00e3o com o empresariado, favores, e faz um discurso da moralidade, \u00e9tica e tal. Isso \u00e9 uma cultura e essa cultura n\u00e3o incide de cima para baixo a sua elimina\u00e7\u00e3o, desse processo. Agora tem que ser um processo persistente, cont\u00ednuo, n\u00e3o ocasional ou passageiro.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1 <\/strong>&#8211; <strong>O normal seria o estranhamento a essa cultura. Mas por outro lado, na sua volta a Porto Alegre, houve um destaque ao fato de o senhor ter voltado a morar no mesmo apartamento, ter vindo de lota\u00e7\u00e3o de sua casa at\u00e9 a sede do PT. Como se explica esse estranhamento a um pol\u00edtico que mant\u00e9m h\u00e1bitos comuns a qualquer cidad\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio <\/strong>&#8211; Eu acho que \u00e9 por conta dessa cultura. Eu lembro bem, eu era prefeito de Porto Alegre, e era mais barato para os cofres do poder p\u00fablico que eu sa\u00edsse ali de casa, onde a Portugal se encontra com a Assis Brasil&#8230; E passa tanta condu\u00e7\u00e3o ali que vem direto ao Centro e me deixavam quase na porta da prefeitura. Portanto, vir de \u00f4nibus era mais pr\u00e1tico. Ent\u00e3o, n\u00e3o precisava alterar a minha forma de me locomover para o trabalho, eu vinha de \u00f4nibus. Mas em v\u00e1rias oportunidades, evidentemente n\u00f3s est\u00e1vamos com uma pol\u00edtica com rela\u00e7\u00e3o ao transporte coletivo, a quest\u00e3o das tarifas, a quest\u00e3o toda de qualificar esse servi\u00e7o, claro eu entrava no \u00f4nibus e as pessoas: \u201cP\u00f4, o prefeito aqui e tal\u201d. Eu lembro que muitas vezes eu ouvia de pessoas: \u201cP\u00f4, o prefeito andando de \u00f4nibus. Isso a\u00ed \u00e9 um demagogo. O prefeito na verdade est\u00e1 mostrando que ele n\u00e3o resolve nem o problema de condu\u00e7\u00e3o dele, vai resolver o problema da nossa condu\u00e7\u00e3o\u201d. Mas eu ouvia isso todos os dias. Outros falavam: \u201cN\u00e3o, esse \u00e9 um prefeito p\u00e9-de-chinelo\u201d. Claro que a maioria do povo reconhecia. \u201cP\u00f4, o prefeito com todos esses problemas a\u00ed de transporte, atraso de \u00f4nibus, qualidade do servi\u00e7o, o prefeito anda de \u00f4nibus\u201d. Isso era o povo simples, que reconhecia isso. E a maioria das pessoas reconhecia isso. Mas eu acho que tem sim uma cultura, que inclusive certas \u00e1reas da imprensa estimulam. E todo e qualquer desvio dessa pol\u00edtica tradicional de que o pol\u00edtico tem que, para ser respeitado, ter uma dist\u00e2ncia do povo, mostrar essa autoridade de forma que as pessoas tenham que fazer mais rodeios para ver a autoridade, para conversar com ela. Eu entendo que um cargo p\u00fablico evidentemente n\u00e3o pode ser desprestigiado por quem o ocupa, mas o cargo n\u00e3o pode mudar o comportamento do cidad\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas, o respeito \u00e0s pessoas. Eu acho que a autoridade n\u00e3o se confunde com autoritarismo, com arrog\u00e2ncia, com petul\u00e2ncia, enfim, digamos, essa coisa de assumir um cargo e achar que est\u00e1 com o \u201crei na barriga\u201d. Ent\u00e3o, certos setores de determinada imprensa sempre colocaram que isso era demagogia, populismo barato. Eu nunca me importei com isso. Quando eu precisava me deslocar com mais rapidez, urg\u00eancia, sendo prefeito, sendo governador, usava a condu\u00e7\u00e3o evidentemente oficial. Agora quando isso n\u00e3o era poss\u00edvel, se estava me deslocando para uma atividade que n\u00e3o era de urg\u00eancia e \u00e9 de rela\u00e7\u00f5es que podem ser feitas com a condu\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a condu\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que d\u00e1 carona, que bom. A pol\u00edtica n\u00e3o pode alterar a vida do exercente do cargo de forma que ele se distancie da vida do cidad\u00e3o comum. Agora isso n\u00e3o quer dizer que o cargo deixa de ser prestigiado. A institui\u00e7\u00e3o prefeito, a institui\u00e7\u00e3o governador, a institui\u00e7\u00e3o presidente da rep\u00fablica, institui\u00e7\u00e3o vereador, institui\u00e7\u00e3o deputado, senador s\u00e3o valores importantes a serem preservados no estado de direito democr\u00e1tico, no respeito a isso. Mas tamb\u00e9m quem est\u00e1 nesses cargos tem que respeitar as pessoas e os cidad\u00e3os at\u00e9 porque s\u00e3o eles que garantem que esses poderes e esses cargos sejam preenchidos e devam funcionar bem. Mas eu acho que tem sim uma cultura de que as pessoas&#8230; Quando \u00edamos convidar as pessoas para participar das reuni\u00f5es do or\u00e7amento participativo, tinha pessoas que diziam: \u201cMas Ol\u00edvio, vem c\u00e1 tch\u00ea. N\u00f3s n\u00e3o te elegemos para ser o prefeito, resolver as coisas l\u00e1 por n\u00f3s? Agora a gente chega cansado do trabalho, as vezes at\u00e9 sem ter conseguido trabalho, e o teu pessoal vem aqui convidar a gente para reuni\u00e3o?\u201d. Ent\u00e3o essa \u00e9 uma cultura da n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o que a velha pol\u00edtica tradicional estimulou com aquela coisa: \u201cVotem em mim que eu resolvo as coisas para voc\u00eas e fiquem tranq\u00fcilos em casa\u201d. E n\u00f3s fomos para dizer: \u201cN\u00e3o, a solu\u00e7\u00e3o dos problemas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com a elei\u00e7\u00e3o do representante\u201d. E quando a gente elege um cidad\u00e3o, seja para qualquer cargo eletivo, a gente elege n\u00e3o para ele substituir a gente, mas para ele representar a gente. O ser humano \u00e9 insubstitu\u00edvel. Ent\u00e3o o eleitor n\u00e3o elege algu\u00e9m para ser substitu\u00eddo por aquele algu\u00e9m, ele elege para ser representado. Ent\u00e3o para essa representa\u00e7\u00e3o ser uma representa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, que v\u00e1 se qualificando cada vez mais, o eleitor tem que ser sempre sujeito nesse processo. Ele n\u00e3o s\u00f3 cumprir uma obriga\u00e7\u00e3o, se descartar, e o mandat\u00e1rio vai l\u00e1 fazer o mandato do cargo que bem entender. Ent\u00e3o essa \u00e9 uma cultura que foi sendo estimulada pela pol\u00edtica tradicional. E ela \u00e9 um caldo de cultura para os aproveitadores, at\u00e9 para a corrup\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m que ser esse do instigamento ao protagonismo do povo, a participa\u00e7\u00e3o, o sujeito pol\u00edtico n\u00e3o ser s\u00f3 o postulante de cargo, ou o detentor de cargo. Que cada pessoa, cada cidad\u00e3o possa do seu jeito, da sua maneira ser um pol\u00edtico, onde quer que esteja. E eu repito. A plena realiza\u00e7\u00e3o do ser humano s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se ele se realizar tamb\u00e9m na sua dimens\u00e3o pol\u00edtica. Para ser pol\u00edtico n\u00e3o precisa ter um cargo, ou ser cabo eleitoral do seu fulano, do seu beltrano, enfim, ou estar perto do poderoso. Ser pol\u00edtico \u00e9 estar ativo na sua comunidade, percebendo as coisas, contribuindo para que as pessoas tamb\u00e9m se esclare\u00e7am, possam construir solidariamente alternativas. Tenho certeza que o J\u00c1, que \u00e9 o jornal de uma comunidade, deve ser um estimulador desse processo de participa\u00e7\u00e3o constante, direta, ampliada, serena, s\u00e9ria, consciente das pessoas na vida de sua comunidade e na vida da sua cidade, de seu munic\u00edpio, do Estado e do pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Em meio \u00e0 crise, com todas as den\u00fancias, a sua volta a Porto Alegre foi marcada por uma grande recep\u00e7\u00e3o no aeroporto. Foi ali que decidiu concorrer \u00e0 presid\u00eancia do PT no Estado? Qual foi seu sentimento naquele momento?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; O sentimento, claro, de enorme responsabilidade, mas evidentemente de alegria, porque mesmo com a situa\u00e7\u00e3o pela qual est\u00e1 passando o nosso partido, um n\u00famero significativo de filiados, simpatizantes, de diversas idades, etnias, situa\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas, culturais, ali para dizer que \u00e9 poss\u00edvel resgatar nosso partido, afirmar nosso projeto, n\u00e3o conciliar com condutas que agrediram o patrim\u00f4nio \u00e9tico do nosso partido e agrediram a cidadania brasileira. Quer dizer, claro, foi muito importante, revitalizador, mas a convoca\u00e7\u00e3o para a tarefa de assumir a candidatura ao diret\u00f3rio estadual veio a partir dali a se fortalecer mais, amadurecer, conversei com todos os companheiros que estavam no processo de elei\u00e7\u00e3o direta, disputando, para fazer daquele espa\u00e7o a rela\u00e7\u00e3o mais direta poss\u00edvel, com o maior n\u00famero poss\u00edvel dos nossos filiados, franca, fraterna, que n\u00e3o escamoteasse a crise provocada pelas atitudes de altos dirigentes que envolveram de forma indireta, as vezes, pessoas que nada tinham a ver. Isso atinge a todos n\u00f3s. Ent\u00e3o, essas conversas foram boas e no PED, que \u00e9 o processo de elei\u00e7\u00e3o direta, eu acho que se viu aquilo que eu dizia: \u201cDebaixo dessa cinza toda tem um brasedo e \u00e9 s\u00f3 ati\u00e7ar ali os ti\u00e7\u00f5es que esse brasedo reascende\u201d. Tu assopra ou pega o chap\u00e9u e abana aquela cinza toda e tu reaviva, reanima aquele fogo que acalenta o nosso cora\u00e7\u00e3o e deve iluminar a nossa raz\u00e3o. O Partido dos Trabalhadores n\u00e3o \u00e9 um dirigente ou uma pessoa ou uma biografia. Nem a mais importante delas que \u00e9 a biografia do nosso companheiro Lula, nosso presidente, uma biografia respeit\u00e1vel, da hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds, nem a biografia do presidente Lula \u00e9 superior \u00e0 biografia e \u00e0 hist\u00f3ria coletiva do Partido dos Trabalhadores. Ent\u00e3o o partido n\u00e3o \u00e9 essa ou aquela autoridade, esse ou aquele dirigente, o partido s\u00e3o os mais de 820 mil filiados. Agora eles t\u00eam que ser sujeitos da pol\u00edtica do partido, n\u00e3o objetos dela, que \u00e9 isso que n\u00f3s queremos que cada cidad\u00e3o e cidad\u00e3 brasileiro sejam no pa\u00eds inteiro, independente de que filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria tenham, de que ideologia professem, que credo ele se enquadram. Acho portanto que esse momento deve ser um momento de retirada de enormes li\u00e7\u00f5es, ensinamentos. Nosso partido, penso que est\u00e1 sendo caldeado nesse processo.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1 <\/strong>&#8211; <strong>As biografias n\u00e3o s\u00e3o maiores do que o partido, mas aqui no Estado se destacam duas biografias, que s\u00e3o a sua e a do presidente nacional do PT, Tarso Genro. E que por sua vez s\u00e3o lideran\u00e7as em grupos que t\u00eam vis\u00f5es diferentes. Por exemplo, na elei\u00e7\u00e3o nacional do partido, Tarso deu apoio a Ricardo Berzoini e o senhor para Raul Pont. Como essa divis\u00e3o reflete uma divis\u00e3o no partido e como isso se projeta para as elei\u00e7\u00f5es de 2006?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; Primeiro, eu n\u00e3o tenho um grupo, n\u00e3o sou dirigente de nenhum grupo e n\u00e3o sou l\u00edder de nenhuma corrente ou campo dentro do PT, embora eu seja origin\u00e1rio dos movimentos sociais, do movimento sindical, um ramo importante na funda\u00e7\u00e3o do PT. N\u00e3o estou dizendo que \u00e9 virtude n\u00e3o estar ligado a um campo ou corrente interna, respeito todas elas evidentemente, acho que elas t\u00eam que ter uma forma mais qualificada, inclusive, de contribuir para o pensamento coletivo do nosso partido. Respeito portanto o Tarso, que conheci antes da exist\u00eancia do PT. Ele veio para o PT em 1984, acho que \u00e9 um quadro valoroso, valioso. Conheci-o, inclusive, como poeta. Na primeira vez que nos vimos, inclusive, foi uma ocasi\u00e3o em que ele nem sabia que eu lia suas poesias, seus escritos, e eu sabia algumas poesias dele at\u00e9 de cor. Mas, temos trajet\u00f3rias diferentes. Me lembro quando o Tarso ingressou no PT, em 1984, ele trouxe, junto com ele e outras figuras do pa\u00eds, uma discuss\u00e3o se o PT era um partido t\u00e1tico ou estrat\u00e9gico. Lembro bem que o pessoal tinha certa indefini\u00e7\u00e3o se era um partido de passagem pelo setor de esquerda ou se era um partido estrat\u00e9gico, com proposta para a sociedade, com uma disposi\u00e7\u00e3o de debat\u00ea-la com a sociedade brasileira uma defini\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, partid\u00e1ria. E a maioria do partido, evidentemente j\u00e1 vinha de sua funda\u00e7\u00e3o, garantiu a esses que estavam chegando agora com essa vis\u00e3o que fossem assumindo o partido como um partido estrat\u00e9gico. Acho que n\u00e3o \u00e9 ent\u00e3o uma quest\u00e3o de biografia. Temos biografias muito importantes e enriquecedoras no partido, de milhares de pessoas. Eu sempre preferi errar junto com o partido do que acertar sozinho. Acho que o sujeito coletivo partid\u00e1rio \u00e9 mais importante do que o indiv\u00edduo, embora o partido de esquerda e do socialismo democr\u00e1tico n\u00e3o pode na id\u00e9ia do coletivismo anular a individualidade. Mas tem que ter sempre um combate aberto ao individualismo, ao personalismo, mas um partido de esquerda e do socialismo democr\u00e1tico deve estimular as voca\u00e7\u00f5es novas, enfim, os talentos novos, e propiciar um debate aberto de id\u00e9ias, propostas e de avalia\u00e7\u00f5es, conjecturas, de reflex\u00f5es. Aquilo que eu chamo de um partido como uma escola aberta, permanente, onde dire\u00e7\u00f5es de todos os n\u00edveis e filiados novos e antigos sejam ao mesmo tempo, simultaneamente, educandos e educadores. Ent\u00e3o, eu acho que o partido tem dado uma contribui\u00e7\u00e3o muito s\u00e9ria para o desenvolvimento pol\u00edtico do Rio Grande nas \u00faltimas d\u00e9cadas. O partido tem tamb\u00e9m ra\u00edzes no pensamento ga\u00facho, da rebeldia com causa, do pensamento republicano, libert\u00e1rio, e o Partido dos Trabalhadores tem compromisso com os sem vez, os sem voz, mas ele tem tamb\u00e9m compromisso com o pensamento democr\u00e1tico, que perpassa v\u00e1rios c\u00edrculos sociais, viv\u00eancias. Assim, o governo que exercemos aqui foi um governo transformador, acho que foi um erro aquela nossa pr\u00e9via, um erro coletivo, portanto nosso, do nosso partido, um erro coletivo. Eu em nenhum momento vacilei em me jogar inteiramente na campanha do Tarso, que ganhou aquela pr\u00e9via, porque levo em conta o valor coletivo, do sujeito pol\u00edtico-partid\u00e1rio, mas acho que foi um erro do nosso partido ter questionado o pr\u00f3prio governo que tinha, ter feito um refor\u00e7o ao esquema de cerco numa \u00e1rea de oposi\u00e7\u00e3o raivosa ao PT, que sempre manteve sobre o nosso governo. Foi um erro, por exemplo a prefeitura disputar uma concep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a com a pol\u00edtica de seguran\u00e7a que o governo vinha executando e muito bem atrav\u00e9s de um trabalho s\u00e9rio e desafiador do nosso companheiro secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, Jos\u00e9 Paulo Bisol. Eu acho que n\u00f3s fomos, portanto, entregando aos poucos argumentos para os advers\u00e1rios sentir que o governo do PT era um governo que era questionado pelo pr\u00f3prio PT, quando eram, no meu entendimento, coisas muito espec\u00edficas e n\u00e3o trabalhadas politicamente por conta de uma disputa que, eu acho, n\u00e3o raro, descambou para a quest\u00e3o da afirma\u00e7\u00e3o de uma lideran\u00e7a contra a outra. N\u00e3o foi nunca minha vis\u00e3o e acho que n\u00f3s temos que trabalhar ainda no PT, para que n\u00f3s n\u00e3o pessoalizemos e nem personalizemos as disputas e a constru\u00e7\u00e3o de programa comum para o partido disputar na sociedade. E \u00e9 por isso que eu acho importante afirmar, como tenho afirmado, que n\u00e3o sou candidato ao governo do Estado, nem autorizo ningu\u00e9m a me lan\u00e7ar como pr\u00e9-candidato. Agora, acho que o nosso partido junto com o PSB, o PC do B e o campo de esquerda da sociedade ga\u00facha, esquerda social, esquerda pol\u00edtica, pensamento humanit\u00e1rio, temos condi\u00e7\u00f5es de retomar o governo do Estado. Aproveitando muito daquilo que semeamos no nosso governo de positivo, aperfei\u00e7oando coisas, deixando de errar em outras, como erramos. Mas eu penso que erramos muito pouco, acertamos bastante. A economia do Rio Grande cresceu, o protagonismo pol\u00edtico cresceu, pol\u00edticas sociais foram suplantadas, projetos de desenvolvimento econ\u00f4mico integrado com o Estado foram implementados, tanto que o Governo Lula est\u00e1 implementado em n\u00edvel nacional muitos desses programas. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos sim que recolher daquela experi\u00eancia muito de muito positivo, e aperfei\u00e7oar, atualizar, mas conversando, evidentemente, dentro do partido com outros protagonistas pol\u00edticos e sociais de um campo, que quer o Estado se desenvolvendo e a cidadania ga\u00facha sendo sujeito da pol\u00edtica e n\u00e3o objeto dela. N\u00e3o diminuir a democracia participativa para um mero espa\u00e7o burocr\u00e1tico, institucional, mas ampli\u00e1-la. A quest\u00e3o da pr\u00f3pria universidade p\u00fablica estadual, a quest\u00e3o dos projetos culturais, das quest\u00f5es subjetivas, da pluralidade, da diversidade, da identidade ga\u00facha. As quest\u00f5es das etnias, principalmente o caso das popula\u00e7\u00f5es de remanescentes ind\u00edgenas, os quilombos, a juventude, problemas s\u00e9rios que implicam n\u00e3o s\u00f3 na quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, mas da qualidade do ensino. Enfim, tamb\u00e9m quest\u00f5es da vida, do cotidiano da nossa juventude, a rela\u00e7\u00e3o com o consumismo, as drogas, as op\u00e7\u00f5es sexuais, a rela\u00e7\u00e3o com o trabalho, com a cultura, com o lazer, as rela\u00e7\u00f5es na comunidade. As pessoas portadoras de defici\u00eancia, com uma vis\u00e3o que n\u00f3s temos que ter para ter a cidadania plena para todos. E n\u00f3s somos um Estado que tem o munic\u00edpio com a maior longevidade do pa\u00eds, que \u00e9 Veran\u00f3polis, ent\u00e3o n\u00f3s temos que ter tamb\u00e9m uma pol\u00edtica para a melhor idade, que \u00e9 quando as pessoas na plenitude da sua experi\u00eancia de vida, j\u00e1 com a rela\u00e7\u00e3o com os netos, com a fam\u00edlia, com a comunidade. Tamb\u00e9m o problema da solid\u00e3o, a velhice abandonada, essas coisas todas merecem uma boa discuss\u00e3o que envolva muitos sujeitos pol\u00edticos, organiza\u00e7\u00f5es, entidades, e \u00e9 depois de toda essa boa conversa, de constru\u00e7\u00e3o, de uma vis\u00e3o integrada dos programas do desenvolvimento econ\u00f4mico e humano do nosso Estado, no final desse processo \u00e9 que deve vir a indica\u00e7\u00e3o dos candidatos. Eu penso, n\u00e3o deve ser uma chapa pura, de nenhum partido desse campo. J\u00e1 deve ser uma composi\u00e7\u00e3o com compromisso, para n\u00e3o vir, depois de assumir o governo, fazer alian\u00e7as sem crit\u00e9rios para preencher cargos, essa coisa toda. Tem que fazer uma boa constru\u00e7\u00e3o, tem que ser a pol\u00edtica n\u00e3o pode ser t\u00e3o toma l\u00e1 da c\u00e1, \u00e9 dando que se recebe, um jogo de encena\u00e7\u00e3o, uma figura\u00e7\u00e3o ou promo\u00e7\u00e3o pessoal de algu\u00e9m. A pol\u00edtica tem que ser a constru\u00e7\u00e3o do bem comum com o protagonismo de todos. Ningu\u00e9m \u00e9 profissional da pol\u00edtica. Como dizem, \u201ca classe pol\u00edtica\u201d, a\u00ed j\u00e1 faz parte da velha cultura. Uns t\u00eam profiss\u00e3o de ser pol\u00edtico e outros de ser rebanho dos profissionais da pol\u00edtica. Essa cultura n\u00f3s temos que ir substituindo num processo permanente, constante, mas evidentemente, sem arrog\u00e2ncia, sem petul\u00e2ncia, sem dirigismo. Mas de cima para baixo, construindo uma nova cultura em que se possa fazer de todos e todas sujeitos e n\u00e3o objetos da pol\u00edtica. \u00c9 isso que nos anima, nos incendeia e nos coloca como um dos milhares de filiados do PT e acreditamos num projeto transformador, acreditamos na ferramenta do Partido dos Trabalhadores, e na possibilidade<br \/>\nde resgat\u00e1-lo sim na sua integridade desse momento cr\u00edtico, sem fazer nenhuma concess\u00e3o a a\u00e7\u00f5es ou atitudes que n\u00e3o s\u00f3 agrediram o partido e a cidadania brasileira.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1<\/strong> &#8211; <strong>Para fechar. Esse erro das pr\u00e9vias causou uma ferida. J\u00e1 est\u00e1 cicatrizada?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ol\u00edvio<\/strong> &#8211; Ah, sim, claro! De minha parte eu n\u00e3o fa\u00e7o pol\u00edtica com rancor, com ressentimento, n\u00e3o. Sem rancor, sem ressentimento, mas tamb\u00e9m sem deixar de refletir. A gente nesses processos se conhece melhor e conhece melhor os outros. Eu acho importante esse conhecimento. O partido tamb\u00e9m \u00e9 um sujeito vivo, coletivo, tem tamb\u00e9m que amadurecer esse processo, e vem amadurecendo. O nosso partido est\u00e1 se caldeando bem nesse processo. Nessa fornalha de fogo alto, o a\u00e7o se tempera e o vidro se quebra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme Kolling O novo presidente do PT no Rio Grande do Sul, Ol\u00edvio Dutra, afirmou durante entrevista concedida ao Jornal J\u00c1, no dia 6 de outubro, que as pr\u00e9vias \u00e0s elei\u00e7\u00f5es do governo do Estado, em 2002, foram um erro coletivo. \u201cExercemos um governo transformador. 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