{"id":700,"date":"2005-10-25T12:38:21","date_gmt":"2005-10-25T15:38:21","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=700"},"modified":"2005-10-25T12:38:21","modified_gmt":"2005-10-25T15:38:21","slug":"depois-das-catastrofes-a-possibilidade-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/depois-das-catastrofes-a-possibilidade-da-paz\/","title":{"rendered":"Depois das cat\u00e1strofes, a possibilidade da paz"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/ambienteja\/furacao2.jpg?0.47809049213145865\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"204\" \/><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Ano de 2004 foi o quarto\u00a0mais quente desde 1861, depois de 1998, 2002 e 2003 (Foto: arquivo\/J\u00c1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Roberto Villar Belmonte, da It\u00e1lia, especial para o J\u00c1 <\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os desastres &#8211; como furac\u00f5es, secas e estiagens &#8211; est\u00e3o deixando de ser fen\u00f4menos naturais. Uma combina\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es humanas est\u00e1 intensificando a freq\u00fc\u00eancia destes epis\u00f3dios, antes considerados normais, e gerando conseq\u00fc\u00eancias cada vez mais devastadoras. O equil\u00edbrio ecol\u00f3gico do planeta est\u00e1 sendo significativamente alterado pela destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, crescimento da popula\u00e7\u00e3o e aumento da ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de risco impr\u00f3prias para a presen\u00e7a massiva de habita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO n\u00famero de desastres ambientais tem aumentado nos \u00faltimos 25 anos\u201d, informa Michael Renner, diretor do Projeto de Seguran\u00e7a Global do Worldwatch Institute de Washington. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o cada vez mais influentes. O ano de 2004 foi o quarto ano mais quente desde 1861, depois de 1998, 2002 e 2003. Na \u00faltima d\u00e9cada, est\u00e3o os nove anos mais quentes desde o in\u00edcio dos registros de temperatura que come\u00e7aram a ser feitos na segunda metade do s\u00e9culo 19, em plena revolu\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entre 1980 e 2004, o n\u00famero de pessoas afetadas pelos desastres naturais cresceu a passos largos, revelam as estat\u00edsticas do Banco de Dados Internacional sobre Desastres (<a href=\"http:\/\/www.em-dat.net\/\">www.em-dat.net<\/a>). O aumento foi de 550 milh\u00f5es entre 1980 a 1984 para 1,4 bilh\u00e3o de pessoas sem moradias e que precisaram de algum tipo de assist\u00eancia entre 2000 e 2004. O levantamento, utilizado nas pesquisas do Worldwatch Institute, inclui a ocorr\u00eancia de terremotos, ondas gigantes, enchentes, tempestades e secas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Michael Renner constata que as a\u00e7\u00f5es de ajuda externa e as decis\u00f5es de reconstru\u00e7\u00e3o adotadas ap\u00f3s os desastres naturais t\u00eam uma forte influ\u00eancia, que pode ser positiva ou negativa, na pol\u00edtica dos pa\u00edses afetados. O pesquisador do Worldwatch Institute foi um dos participantes do 3\u00ba F\u00f3rum Internacional de M\u00eddia Meio ambiente, um caminho de paz, promovido pela Sociedade Cultural Greenaccord de 12 a 15 de outubro em Monte Porzio Catone, a 40 quil\u00f4metros de Roma, com a presen\u00e7a de jornalistas de 32 pa\u00edses.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os desastres naturais podem catalisar uma s\u00e9rie de conflitos sociais. No caso das secas, por exemplo, aumenta a disputa por \u00e1gua e comida. \u2014 Mas eles tamb\u00e9m s\u00e3o uma oportunidade de solucionar pacificamente conflitos que j\u00e1 existiam antes do pa\u00eds ser afetado gravemente por algum fen\u00f4meno devastador-, defende Michael Renner. O sofrimento causado pelos desastres gera interesses e necessidades comuns, e a destrui\u00e7\u00e3o pode ser t\u00e3o grande que a reconstru\u00e7\u00e3o somente seja poss\u00edvel depois de um acordo de paz.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/ambienteja\/tsunami.jpg?0.1775131738253649\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"255\" height=\"260\" align=\"left\" \/>Efeito tsunami<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O Worlwatch Institute realizou um estudo sobre o impacto pol\u00edtico da onda gigante tsunami, que em dezembro 2004 destruiu parte da costa do Oceano \u00cdndico, na longa guerra civil em curso tanto em Aceh, na Indon\u00e9sia, quanto no Sri Lanka. Os pesquisadores esperavam que o sofrimento causado pudesse desarmar os esp\u00edritos. Os resultados, no entanto, foram distintos. Em Aceh, um acordo de paz foi recentemente celebrado. No Sri Lanka, logo depois que a euforia inicial passou, recome\u00e7aram as hostilidades.<\/p>\n<p align=\"justify\">A guerra civil entre os separatistas de Aceh e o governo da Indon\u00e9sia durou 30 anos. A \u00faltima tentativa de paz havia fracassado em maio de 2003, quando foi imposta lei marcial. O conflito pode ser atribu\u00eddo, segundo Michael Renner, \u00e0 excessiva centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o injusta dos recursos naturais. A repress\u00e3o pol\u00edtica, a corrup\u00e7\u00e3o e a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos pioraram os \u00e2nimos na regi\u00e3o. Depois da tsunami, um acordo de paz foi assinado no dia 15 de agosto, ap\u00f3s sete meses de negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Aceh tem cerca de 4 milh\u00f5es de habitantes. A guerra civil entre o Movimento Aceh Livre (Gerakan Aceh Merdeka) e o governo de Jacarta matou 15 mil e desalojou mais 1,5 milh\u00e3o de pessoas. J\u00e1 a onda gigante matou 131 mil pessoas, deixou 37 mil desaparecidos, mais de 500 mil pessoas sem casa (at\u00e9 agosto de 2005), 800 mil pessoas dependendo de ajuda para comer e 116.880 moradias destru\u00eddas. A regi\u00e3o tem muitos reservas de petr\u00f3leo e foi a mais afetada pelo maremoto.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Conflitos a resolver<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar do Sri Lanka tamb\u00e9m ter sido muito afetado pela onda gigante, que varreu a regi\u00e3o em dezembro de 2004, os acontecimentos p\u00f3s-desastre foram bem diferentes. A guerra civil teve inicio em 1983 em fun\u00e7\u00e3o do nacionalismo do grupo Sinhala e de pol\u00edticas educacionais impostas pela minoria Tamils. Desde fevereiro de 2002 h\u00e1 um cessar-fogo na regi\u00e3o, mas as negocia\u00e7\u00f5es de paz paralisaram e ainda n\u00e3o avan\u00e7aram mesmo ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o causada pelo desastre ocorrido no final do ano passado.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Sri Lanka tem 19,6 milh\u00f5es de habitantes. A guerra civil j\u00e1 matou 65 mil pessoas e deixou mais um milh\u00e3o de desabrigados. A tsunami levou embora a vida de quase 34 mil v\u00edtimas e deixou mais 5 mil pessoas desaparecidas. As estimativas apontam que mais de 450 mil pessoas permanecem sem casa e 915 mil ainda s\u00e3o dependentes de algum tipo de aux\u00edlio para comer. A onda gigante danificou e destruiu 90 mil moradias no pa\u00eds que segue em conflito, apesar da dor causada pelos danos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se a hip\u00f3tese sobre o potencial pacificador dos desastres ambientais de Michael Renner estiver correta, o Brasil tamb\u00e9m tem uma boa oportunidade para resolver os conflitos causados por produtores e madeireiros inescrupulosos na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Um novo fen\u00f4meno, o aquecimento das \u00e1guas do Oceano Atl\u00e2ntico, foi a causa da recente seca que assola o norte da floresta. Resta saber se a dor causada por mais esta calamidade ser\u00e1 suficiente para uma paz sustent\u00e1vel na regi\u00e3o ou novos desastres ser\u00e3o necess\u00e1rios.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os estudos do Worldwatch Institute mostram que a diferen\u00e7a est\u00e1 no tipo de aux\u00edlio ou ajuda humanit\u00e1ria que \u00e9 dada ap\u00f3s o desastre ambiental. Somente a\u00e7\u00f5es de boa vontade n\u00e3o s\u00e3o suficientes para incentivar a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos hist\u00f3ricos. A ajuda humanit\u00e1ria precisa ser transformada em mudan\u00e7a pol\u00edtica para solucionar as causas dos conflitos. Na Amaz\u00f4nia, o conflito \u00e9 resultado da gan\u00e2ncia e da explora\u00e7\u00e3o sem limites. Precisar\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o da ONU para estancar a destrui\u00e7\u00e3o da floresta?<\/p>\n<p align=\"justify\"><em>* Roberto Villar Belmonte participou do 3\u00ba F\u00f3rum Internacional de M\u00eddia Meio Ambiente, caminho de paz \u00e0 convite da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Greenaccord.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ano de 2004 foi o quarto\u00a0mais quente desde 1861, depois de 1998, 2002 e 2003 (Foto: arquivo\/J\u00c1) Roberto Villar Belmonte, da It\u00e1lia, especial para o J\u00c1 Os desastres &#8211; como furac\u00f5es, secas e estiagens &#8211; est\u00e3o deixando de ser fen\u00f4menos naturais. 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