{"id":703,"date":"2005-11-14T12:41:13","date_gmt":"2005-11-14T15:41:13","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=703"},"modified":"2005-11-14T12:41:13","modified_gmt":"2005-11-14T15:41:13","slug":"sinduscon-paz-e-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/sinduscon-paz-e-amor\/","title":{"rendered":"Sinduscon \u201cPaz e Amor\u201d"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/reportagem\/boneco_sinduscon.jpg?0.05241696031177079\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Ant\u00f4nio Zago, diretor do Sinduscon, quer di\u00e1logo para que haja avan\u00e7os na discuss\u00e3o do Plano Diretor (Foto: T\u00e2nia Meinerz\/J\u00c1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: bold\">Guilherme Kolling<\/p>\n<p align=\"justify\">O Sindicato da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Civil (Sinduscon) manifestou \u00e0 imprensa, em mais de uma oportunidade nos \u00faltimos meses, o desejo de aprofundar o di\u00e1logo com os movimentos de bairro para avan\u00e7ar no debate do Plano Diretor. O arquiteto Ant\u00f4nio Carlos Zago, 49, que representa a entidade para falar do assunto, acredita que a discuss\u00e3o com as associa\u00e7\u00f5es de moradores est\u00e1 amadurecendo. \u201cAt\u00e9 pelo conv\u00edvio entre as partes, que est\u00e3o vendo os pontos em que convergem\u201d, explica. E tamb\u00e9m pela postura do Sinduscon que, mesmo mantendo suas posi\u00e7\u00f5es, d\u00e1 mostras de que est\u00e1 numa linha mais \u201cpaz e amor&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao mesmo tempo em que busca o di\u00e1logo com representantes da comunidade, o Sindicato revela cr\u00edticas ao poder p\u00fablico, sobretudo \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do PT, que n\u00e3o se posicionou durante a avalia\u00e7\u00e3o da lei, deixando o Siduscon como alvo da insatisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Finalmente, Zago explica porque o mercado imobili\u00e1rio se concentra em poucos bairros, sugerindo que este quadro pode ser mudado atrav\u00e9s de uma decis\u00e3o pol\u00edtica, de dar infra-estrutura a outros locais da cidade. O que depende, na avalia\u00e7\u00e3o dele, tamb\u00e9m da aplica\u00e7\u00e3o das sete estrat\u00e9gias do Plano Diretor, ainda n\u00e3o implementadas.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Como avan\u00e7ar no Plano Diretor?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Ant\u00f4nio Zago<\/span> &#8211; O Sinduscon sempre se prop\u00f4s ao di\u00e1logo. Participamos de todas as reuni\u00f5es, desde o primeiro PDDU (Plano Diretor de 1979), e antes disso tamb\u00e9m. E num debate se vai para expor id\u00e9ias, ouvir os outros, concordar ou discordar. Acredito que j\u00e1 faz muito tempo que n\u00f3s estamos nesta linha. Outros movimentos surgiram ao longo do tempo, ent\u00e3o quest\u00f5es novas est\u00e3o surgindo.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; A discuss\u00e3o com os movimentos de bairro esteve muito acirrada, a ponto de ter vaias e bate-boca num debate.<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago <\/span>&#8211; A lei municipal se antecipou a uma tend\u00eancia. Estavam surgindo alguns formadores de opini\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o a essa discuss\u00e3o. E o PDDUA, aprovado em 1999, contempla essa participa\u00e7\u00e3o. Passou quatro anos sendo discutido. E depois regrou a participa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das regi\u00f5es de planejamento. Foi formando, legitimando essa participa\u00e7\u00e3o dos bairros. O fato novo ocorreu nesse \u00faltimo Plano Diretor em fun\u00e7\u00e3o de um incentivo que a lei trouxe de participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Por que houve um conflito mais forte?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Quando houve essa oportunidade da manifesta\u00e7\u00e3o organizada da popula\u00e7\u00e3o, as suas reivindica\u00e7\u00f5es encontraram eco. Pessoas formadoras de opini\u00e3o discordam de algumas quest\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o. E encontraram o f\u00f3rum apropriado para suas discord\u00e2ncias. Por que em determinado momento houve um certo conflito?<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Por qu\u00ea?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Tem dois momentos na nossa defesa do Sinduscon. O primeiro \u00e9 que essa \u00e9 a lei vigente e n\u00e3o podemos dizer que vamos atuar a margem dela, nem defender nenhuma id\u00e9ia que queira virar a mesa. Lutamos pelo que est\u00e1 normatizado atrav\u00e9s da lei. A\u00ed somos intransigentes. O segundo momento \u00e9 o conte\u00fado da lei. Existem pessoas que querem rasg\u00e1-la e estabelecer tudo o que elas pensam. Acho leg\u00edtimo pensar em contr\u00e1rio ao que est\u00e1 na lei, mas n\u00e3o agir em contrariedade a ela. A pr\u00f3pria lei prev\u00ea que no terceiro ano de cada mandato seja feita uma avalia\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ou uma pol\u00eamica porque grupos defendiam modifica\u00e7\u00f5es no Plano sem cumprir essa etapa da avalia\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 estar agindo contra o que est\u00e1 na norma, ent\u00e3o somos contra. Como entidade, nunca defendemos que o Plano Diretor \u00e9 perfeito, imut\u00e1vel, porque compreendemos que \u00e9 algo din\u00e2mico, que cresce ou fica estagnado conforme a cidade.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; H\u00e1 dois anos o Sinduscon dizia que era cedo para avaliar o Plano. Qual a avalia\u00e7\u00e3o hoje, ap\u00f3s cinco anos?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; O Plano Diretor foi lastreado em sete estrat\u00e9gias. Se formos analisar, n\u00e3o foram aplicadas as sete. Ent\u00e3o, se foi aplicada s\u00f3 parte do Plano, ele ainda n\u00e3o est\u00e1 aplicado, pode haver problemas. Por exemplo, o que tem a ver a estrat\u00e9gia de implementa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com o pr\u00e9dio que est\u00e1 l\u00e1 na Bela Vista? Aparentemente nada, mas tem e muito. O investidor escolhe um bairro onde a infra-estrutura est\u00e1 dispon\u00edvel, n\u00e3o um local que n\u00e3o tem infra-estrutura. Quando se v\u00ea uma acentuada tend\u00eancia de determinados bairros em Porto Alegre serem mais densificados do que outros, \u00e9 porque alguma coisa est\u00e1 motivando isso.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; \u00c9 a tese da infra-estrutura ociosa, de que uma \u00e1rea da cidade pode receber mais gente para aproveit\u00e1-la.<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Se o poder p\u00fablico investisse em outros bairros, seria poss\u00edvel fazer uma sele\u00e7\u00e3o melhor do produto que \u00e9 lan\u00e7ado na cidade. Mas como n\u00e3o tem esse investimento \u2013 n\u00e3o precisa nem ser o poder p\u00fablico, pode incentivar a iniciativa privada a investir&#8230; \u00c9 poss\u00edvel levar a cidade para outros lugares e desfazer essa press\u00e3o de densifica\u00e7\u00e3o em determinados locais. Tem que ser a partir de uma decis\u00e3o pol\u00edtica, de promover equipamentos urbanos, infra-estrutura em outros locais. Se isso for feito, tira essa concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Um estudo da Secretaria do Planejamento aponta que a densidade em alguns bairros j\u00e1 \u00e9 superior a desejada para aproveitar a infra-estrutura.<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Tamb\u00e9m acho que tem. Mas o Plano Diretor tamb\u00e9m prev\u00ea uma capacidade de suplementa\u00e7\u00e3o de infra-estrutura. Um exemplo grosseiro. \u201cNo bairro tal, para aumentar a capacidade de infra-estrutura eu gasto x. Para colocar uma nova, gasto x + y, que \u00e9 mais caro\u201d. As vezes \u00e9 mais f\u00e1cil investir onde j\u00e1 tem infra-estrutura, s\u00e3o apenas alguns itens para colocar. Por exemplo, se comparar o Moinhos de Vento com o Partenon. No Moinhos tem que implementar escoamento de \u00e1gua, drenagem. Mas n\u00e3o precisa colocar outro parque, nem uma s\u00e9rie de outros equipamentos urbanos. Fica mais econ\u00f4mico investir ali, \u00e9 s\u00f3 suplementar. No Partenon, tem que fazer um parque, criar atrativos para ter um supermercado, com\u00e9rcio local. Ent\u00e3o como o poder p\u00fablico vai funcionar: \u201conde vai ser mais eficaz a verba que eu tenho? Onde tem que investir menos\u201d. \u00c9 um racioc\u00ednio simplista, imediatista, de quem n\u00e3o planeja, de quem tapa furo.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 Pode sair mais caro a longo prazo.<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; \u00c9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica, tem que ser vista n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista de investimento, mas de proposta de implementa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da cidade como um todo. Se for colocada mais infra-estrutura em alguns bairros, a tend\u00eancia \u00e9 o mercado ir se acomodando, os picos de pre\u00e7os baixarem, existir mais oferta, mais emprego. \u00c9 uma maneira de estimular, mas tem que ter a vis\u00e3o de que vai lan\u00e7ar primeiro e depois colher.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Tem como quebrar esse ciclo?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Tem, n\u00e3o estamos lutando s\u00f3 por uma utopia. Todos n\u00f3s, associa\u00e7\u00f5es de bairro e entidades organizadas, temos convic\u00e7\u00e3o de que alguma coisa pode ser feita. As entidades t\u00eam at\u00e9 feito contrapontos, discuss\u00f5es mais aquecidas, mas n\u00f3s estamos participando. Tenho a convic\u00e7\u00e3o de que o poder p\u00fablico tem que participar com mais responsabilidade nessas discuss\u00f5es. O governo atual est\u00e1 come\u00e7ando a promover algumas coisas, n\u00e3o se pode dizer ainda do que se trata. O governo anterior viu que seria atacado e buscou uma estrat\u00e9gia de se manter afastado da discuss\u00e3o, que se deu em torno das entidades.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; N\u00e3o mediou o debate da avalia\u00e7\u00e3o do Plano Diretor?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago <\/span>&#8211; At\u00e9 mediou, mas ele n\u00e3o \u00e9 o mediador, \u00e9 uma das partes interessadas. Tem que participar, se posicionar. S\u00e3o consensos que n\u00f3s temos que tirar. As pessoas colocam: \u201cNo bairro x est\u00e3o construindo al\u00e9m do que suporta. N\u00e3o est\u00e1 mais vendendo, est\u00e3o \u2018micando\u2019 os im\u00f3veis\u201d. Em determinados locais tem raz\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; N\u00e3o tem demanda&#8230;<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Neste momento naquele local. Mas por que acontece isso, o empreendedor \u00e9 burro? N\u00e3o, \u00e9 porque n\u00e3o tem op\u00e7\u00e3o. O terreno est\u00e1 dispon\u00edvel, ali tem infra-estrutura,\u00a0 equipamento urbano, mobili\u00e1rio urbano. N\u00e3o vou tirar meu pr\u00e9dio, por exemplo, aqui do Petr\u00f3polis, e atravessar a avenida Ipiranga.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #cc3300\"><strong>J\u00c1 &#8211;\u00a0\u00c9 um investimento a longo prazo?<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; O incorporador n\u00e3o faz esse racioc\u00ednio, trabalha com custo financeiro, taxa de retorno. O incorporador n\u00e3o teve op\u00e7\u00e3o. Alguns im\u00f3veis acabam ficando desocupados, n\u00e3o por op\u00e7\u00e3o. A velocidade de venda \u00e9 menor do que a planejada, mas vai ser vendido com certeza.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Em resumo, a \u00fanica op\u00e7\u00e3o \u00e9 investir onde tem infra-estrutura. Como mudar isso?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Temos cobrado do governo atual, cobr\u00e1vamos do governo anterior. Est\u00e1 sendo feito um investimento enorme na Terceira Perimetral. Onde essa via passa, gera transforma\u00e7\u00e3o, podemos aproveit\u00e1-la. O mais caro, que \u00e9 ter acesso r\u00e1pido nesses bairros, est\u00e1 sendo implementado. Agora tem que colocar algum tipo de atrativo para as pessoas irem para l\u00e1, para que se implante um pequeno com\u00e9rcio, algumas ramifica\u00e7\u00f5es, que saiam desse eixo Terceira Perimetral para dentro dos bairros. Pode ser sem desembolsar grandes valores, fazer com que esses investimentos privados se desloquem para esses lugares, via lei ou via incentivos: menos restri\u00e7\u00f5es em determinados terrrenos \u2013 que n\u00e3o causem problemas de sombra, enfim, glebas maiores -, obras diferenciadas. Em troca, implementa-se ou se d\u00e1 manuten\u00e7\u00e3o em uma pra\u00e7a ou parque.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/reportagem\/media_sinduscon.jpg?0.03366709976705862\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"199\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Para o sinduscon, Terceira Perimetral \u00e9 alternativa para desenvolver outros bairros da cidade<br \/>\n<\/strong><\/span><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>(Foto: Ricardo Giusti\/PMPA\/J\u00c1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; O Plano Diretor foi deturpado porque s\u00f3 ficaram definidas as regras para construir, outros complementos n\u00e3o sa\u00edram do papel. Qual sua avalia\u00e7\u00e3o sobre essa an\u00e1lise?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Isso a\u00ed (regras para construir) est\u00e1 totalmente implementado. Agora os demais itens que fazem com que a cidade se torne um organismo mais homog\u00eaneo, n\u00e3o foram implementados. Concordo. Se f\u00f4ssemos criar um Plano Diretor s\u00f3 sob o ponto de vista de edifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tiv\u00e9ssemos o regramento para outras coisas \u2013 mobilidade urbana, etc., seria um Plano Diretor com uma concep\u00e7\u00e3o errada, n\u00e3o estar\u00edamos falando da cidade como um todo. Ent\u00e3o, se o Plano Diretor est\u00e1 tendo s\u00f3 parte de suas estrat\u00e9gias aplicadas, s\u00f3 uma ou duas, tamb\u00e9m est\u00e1 errado.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; N\u00e3o est\u00e1 faltando a press\u00e3o do Sinduscon para implementar? Ou \u00e9 bom como est\u00e1?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago <\/span>&#8211; \u00c9 muito ruim. At\u00e9 sob o ponto de vista de mercado, concentrar os produtos em seis bairros \u00e9 um p\u00e9ssimo neg\u00f3cio, porque estamos com o custo do terreno aumentando, tendo que diminuir ou estagnar valor dos im\u00f3veis prontos. A falta de normatiza\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 proposto no Plano Diretor tamb\u00e9m leva a interpreta\u00e7\u00f5es, atos administrativos que tem ferido a lei.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Mas n\u00e3o falta uma press\u00e3o maior na Prefeitura e na C\u00e2mara?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Na Confer\u00eancia do Plano Diretor (em 2003), come\u00e7amos por essa quest\u00e3o, listamos as sete estrat\u00e9gias e reclamamos aquelas que n\u00e3o estavam implementadas. Pressionamos o poder p\u00fablico, o Executivo e o Legislativo nesse sentido. Que a cidade n\u00e3o pode ser vista s\u00f3 sob o ponto de vista do regramento para edificar. Est\u00e1 errado, queremos que sejam implementadas todas estrat\u00e9gias, para que o Plano possa ser visto como um todo.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; O regime urban\u00edstico, as alturas est\u00e3o bem postas?<br \/>\n<\/span><\/strong><span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Em muitos lugares est\u00e1 bem posto, atendendo as expectativas. Em alguns lugares tem que avaliar, merecem um estudo para ver se essa tend\u00eancia n\u00e3o pode causar algum problema. Em alguns lugares urge que se fa\u00e7a uma modifica\u00e7\u00e3o. Na maioria, o que se v\u00ea \u00e9 que o Plano Diretor n\u00e3o gerou e n\u00e3o vai gerar problemas.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Para ver isso precisa de monitoramento. A Secretaria do Planejamento diz que falta gente&#8230;<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; A Secretaria do Planejamento tem falta de t\u00e9cnicos, verbas e por isso falta o servi\u00e7o. Eles t\u00eam t\u00e9cnicos de boa qualidade, mas que n\u00e3o estavam sendo utilizados para planejar o munic\u00edpio. Estavam sendo utilizados para aprovar ou n\u00e3o aprovar o que est\u00e1 escrito na lei. Para que a Secretaria volte a cumprir seu papel, precisa de investimento.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Qual sua avalia\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o Foga\u00e7a nesse setor?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; N\u00e3o d\u00e1 para dizer a que veio o atual governo. Ainda n\u00e3o tem nada implementado. No primeiro momento, ele retirou todos os projetos de lei que o governo anterior enviou para a C\u00e2mara no apagar das luzes. Acho leg\u00edtimo. Mas tem que ter um pouco mais de pressa em tornar p\u00fablico qual \u00e9 o pensamento com rela\u00e7\u00e3o aos projetos. Eu n\u00e3o tenho conhecimento \u2013 e olha que eu sou membro do Conselho do Plano Diretor! \u2013 de nenhuma grande altera\u00e7\u00e3o dos projetos que foram recolhidos da C\u00e2mara. Est\u00e1 um pouco devagar a volta desses projetos. Tem que trazer a discuss\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; E a agiliza\u00e7\u00e3o prometida nos licenciamentos, est\u00e1 acontecendo?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago <\/span>&#8211; N\u00e3o, diria at\u00e9 que agravou um pouco a situa\u00e7\u00e3o, porque sempre que muda a administra\u00e7\u00e3o fica mais lento num primeiro momento. N\u00e3o quer dizer que esteja parado. Ouve-se falar de uma inten\u00e7\u00e3o de implementar agilidades em tramita\u00e7\u00e3o de processos, cortar alguns caminhos que se revelaram s\u00f3 burocr\u00e1ticos, sem efici\u00eancia. Para se ter uma id\u00e9ia, um escrit\u00f3rio de arquitetura entra com um projeto e demora um ano para aprov\u00e1-lo. Mas o projeto sai l\u00e1 na outra ponta com uma mudan\u00e7a de 1%. N\u00e3o se justifica todo esse tempo.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Dez meses sem enviar um projeto de lei do Plano Diretor \u00e0 C\u00e2mara, chega a ser uma decep\u00e7\u00e3o?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Antes de colocar uma decep\u00e7\u00e3o, reivindicamos que esses projetos sejam conhecidos. N\u00e3o s\u00f3 do Sinduscon, da cidade, das entidades interessadas em participar. Estamos com \u00e1reas praticamente congeladas, a espera de que seja regrada a quest\u00e3o das \u00e1reas de interesse cultural. O famigerado decreto ainda est\u00e1 em vigor.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Especialistas do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico dizem que essas \u00e1reas ter\u00e3o regras especiais para que sejam preservadas. Por que o Sinduscon fala em \u201ccongelamento\u201d?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Quando se tem um regime institu\u00eddo por lei, ele pode provocar maior ou menor adensamento, mas est\u00e1 regrado. Agora quando n\u00e3o est\u00e1 definido em lei, est\u00e1 congelado. N\u00e3o se tem seguran\u00e7a legal para investir, est\u00e1 congelado. Quem vai investir em um neg\u00f3cio que n\u00e3o tem seguran\u00e7a? Aprova-se um projeto e a\u00ed se diz: \u201cN\u00e3o, aqui tem um estudo que determina que n\u00e3o pode densificar tanto\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Se esse estudo for aprovado e virar lei. Deixa de estar congelado?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Deixa de estar congelado. Havendo o regramento claro, o investidor vai dizer se quer ou n\u00e3o quer. Ent\u00e3o, come\u00e7a a restringir o potencial construtivo nessa zona. Teoricamente o terreno passa a ter um valor menor, pelo menos num primeiro momento. E no momento seguinte o valor do terreno vai aumentar, inverte a situa\u00e7\u00e3o. Vai ter menos obra, menos gente. Ent\u00e3o, se tem menos gente, vou cobrar por essa privacidade. Vai se tornar mais caro. Vai elitizar esse bairro.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; O que falta para o projeto ir para a C\u00e2mara e resolver essa situa\u00e7\u00e3o?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; N\u00e3o sei se ir para a C\u00e2mara \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 ter um projeto, discutir, ver se \u00e9 bom, consistente. Alguns movimentos acham que foi suficiente o que foi debatido. Acho que n\u00e3o, tem que ter alguns crit\u00e9rios. Vamos imaginar: \u201cPretendo que Porto Alegre n\u00e3o se modifique mais. Ela est\u00e1 contando uma hist\u00f3ria\u201d. Vamos considerar isso leg\u00edtimo. A primeira coisa a fazer \u00e9 capacitar a cidade a preservar tudo isso. \u201cEu, poder p\u00fablico, com o que arrecado aqui, consigo repor a infra-estrutura. Ent\u00e3o, consigo preservar a hist\u00f3ria cultural contada atrav\u00e9s dos s\u00edtios, da paisagem urbana\u201d. Pronto, institui a lei, promulga e cumpre. Agora, se n\u00e3o tenho capacidade de absorver a cidade inteira, come\u00e7o a diminuir para o que eu posso de fato preservar. Essas \u00e1reas v\u00e3o contar a hist\u00f3ria da cidade. Tem que ser no tamanho vi\u00e1vel e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; S\u00e3o grandes demais as \u00e1reas propostas pelo estudo e no decreto vigente?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Eu acho que s\u00e3o grandes demais. Em fun\u00e7\u00e3o de uma casa listada para ser tombada, diminuem a densifica\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea enorme, quarteir\u00f5es inteiros, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o entorno. Isso vai afetar a capacidade de manter esse bairro, o que \u00e9 feito atrav\u00e9s do pagamento do pessoal que mora nele. Vai elitizar esse bairro. \u00c9 s\u00f3 ver na lei, cada unidade deve ter no m\u00ednimo 300 metros quadrados. N\u00e3o vai ter renda suficiente para se auto-sustentar, e outro bairro vai sustentar essa aglomerado urbano elitizado. \u00c9 injusto, distorcido. Os instrumentos de preserva\u00e7\u00e3o t\u00eam que ser mais eficazes.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; \u201cElitizado\u201d aqui se refere ao resto da cidade bancar uma \u00e1rea?<br \/>\n<\/span><\/strong><span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; O conceito de elitizado tem a ver com o tamanho do im\u00f3vel, que determina o pre\u00e7o. Hoje, o tamanho do terreno \u00e9 75m2 por economia (resid\u00eancia ou escrit\u00f3rio) vai passar para 300m2. Onde teria quatro apartamentos vai ter um. Menos fam\u00edlias v\u00e3o morar ali, v\u00e3o pagar o pre\u00e7o por um im\u00f3vel maior, mais caro, mas a contribui\u00e7\u00e3o, em vez de ser de quatro fam\u00edlias, vai ser de uma. Menos gente vai usufruir do mesmo equipamento que, para ser mantido, vai precisar de recursos de fora, l\u00e1 onde a popula\u00e7\u00e3o tem um n\u00edvel social mais baixo. Vai elitizar. Vamos atr\u00e1s do que \u00e9 poss\u00edvel, antes que o ideal fa\u00e7a tudo ir por terra. N\u00e3o pela a\u00e7\u00e3o do homem, mas pela falta de a\u00e7\u00e3o. Passa no Petr\u00f3polis depois dessa corrida para sair do bairro. O que tem de casas, jardins abandonados. Daqui a pouco entra um mendigo, tocam fogo&#8230;<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; O que significa \u201cessa corrida para sair do bairro\u201d?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Zago<\/span> &#8211; Muitas pessoas vendo que seu im\u00f3vel poderia perder valor diante de uma iminente diminui\u00e7\u00e3o do potencial construtivo, quiseram se desfazer do terreno, da casinha, antes que baixe mais o valor. Mas ningu\u00e9m vai querer comprar. Eu me nego a fazer estudo de \u00e1rea em Petr\u00f3polis, n\u00e3o tem mercado, n\u00e3o tem quem queira investir.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Zago, diretor do Sinduscon, quer di\u00e1logo para que haja avan\u00e7os na discuss\u00e3o do Plano Diretor (Foto: T\u00e2nia Meinerz\/J\u00c1) Guilherme Kolling O Sindicato da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Civil (Sinduscon) manifestou \u00e0 imprensa, em mais de uma oportunidade nos \u00faltimos meses, o desejo de aprofundar o di\u00e1logo com os movimentos de bairro para avan\u00e7ar no debate [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-703","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-bl","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/703","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=703"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/703\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}