{"id":70457,"date":"2018-10-22T18:12:35","date_gmt":"2018-10-22T21:12:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=70457"},"modified":"2018-10-22T18:12:35","modified_gmt":"2018-10-22T21:12:35","slug":"senador-morto-a-facada-e-tema-do-novo-livro-de-pinheiro-machado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/senador-morto-a-facada-e-tema-do-novo-livro-de-pinheiro-machado\/","title":{"rendered":"Senador morto a facada \u00e9 tema do novo livro de Pinheiro Machado"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">FRANCISCO RIBEIRO<\/span><br \/>\nMuita tinta j\u00e1 correu sobre a vida e a morte do senador ga\u00facho Jos\u00e9 Gomes Pinheiro Machado (1851-1915), um dos maiores chefes pol\u00edticos da Rep\u00fablica Velha.<br \/>\nEntrevistas, reportagens, biografias, fic\u00e7\u00e3o, pouco importa o g\u00eanero. O fato \u00e9 que a principal pergunta continua sem resposta, cento e tr\u00eas anos ap\u00f3s o assassinato do senador: quem foi o mandante do crime que chocou o Brasil e o Rio Grande?<br \/>\nO jornalista Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Pinheiro Machado tem muitas semelhan\u00e7as com o ilustre tio-bisav\u00f4, que \u00e9 o personagem de seu novo livro.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-70466\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/pinheiro-na-escada-322x450.jpg\" alt=\"\" width=\"322\" height=\"450\" \/><br \/>\nTamb\u00e9m \u00e9 advogado, elegante no vestir, apreciador da boa literatura como atestam os onze mil volumes de sua biblioteca particular. E, principalmente, amante da boa comida e do bom vinho, prazer que o levou a trocar a reda\u00e7\u00e3o de jornal\u00a0 pelo est\u00fadio de televis\u00e3o, onde, como Anonymus Gourmet, executa receitas que j\u00e1 renderam v\u00e1rios livros de gastronomia .<br \/>\nMas nem s\u00f3 de boa mesa vive o Anonymus Gourmet. De sua \u00e9poca de rep\u00f3rter, com passagem por grandes reda\u00e7\u00f5es, manteve o faro e a curiosidade pelos grandes temas.<br \/>\nE foi na Hist\u00f3ria do Brasil e do Rio Grande do Sul, mais particularmente na sua pr\u00f3pria fam\u00edlia, que Machado reencontrou o outro, o tio bisav\u00f4, uma lenda familiar, espelho de gera\u00e7\u00f5es nos quesitos de honra, valentia, senso de economia, valores em falta nestes dias em que o banditismo se confunde com a pol\u00edtica.<br \/>\nMas que, de certa forma, n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes daqueles da \u00a0Rep\u00fablica Velha, tamb\u00e9m conhecida como a do Caf\u00e9 (S\u00e3o Paulo) com leite (Minas Gerais) tempos igualmente ferozes e que levaram o senador \u00a0a prever a pr\u00f3pria morte: \u201cMatam-me pelas costas&#8230; Pena que n\u00e3o seja no senado, como J\u00falio C\u00e9sar\u201d, declarou, dois meses antes, ao jornalista Jo\u00e3o do Rio.<br \/>\nPinheiro Machado foi esfaqueado pelas costas \u00a0no Hotel dos Estrangeiros, no Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital federal.<br \/>\n\u201cAh, canalha. Fui apunhalado pelas costas\u201d, foram as palavras do senador. Ele morreu no dia 8 de setembro de 1915.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-70467\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/pinheiro-recepcao-no-Morro-da-Graca-450x314.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"314\" \/><br \/>\nSeu assassino, Francisco Manso de Paiva Coimbra, ga\u00facho \u2013 desertor do ex\u00e9rcito, ex-cabo de pol\u00edcia, e, na \u00e9poca, padeiro desempregado, disse que agiu por vontade pr\u00f3pria.<br \/>\nNingu\u00e9m acreditou nisso e o principal suspeito foi o ex-presidente Nilo Pe\u00e7anha, advers\u00e1rio pol\u00edtico do senador, em cuja casa o assassino pernoitou na v\u00e9spera do crime..<br \/>\nMas nunca houve provas conclusivas. Manso Paiva cumpriu 20 dos trinta anos de pris\u00e3o a que foi condenado. Solto, tentou vender sua hist\u00f3ria a diversas publica\u00e7\u00f5es, mas ningu\u00e9m se interessou.<br \/>\nJos\u00e9 Ant\u00f4nio Pinheiro Machado, o Anonymus, come\u00e7ou a prestar mais aten\u00e7\u00e3o no velho antepassado quando, em 1968, jovem militante estudantil, foi preso em S\u00e3o Paulo por participar do Congresso da UNE, em Ibi\u00fana.<br \/>\nAo declarar-se bisneto do senador, teve sua sa\u00edda da pris\u00e3o facilitada por uma casualidade que geralmente s\u00f3 encontramos em mitos.<br \/>\nCome\u00e7ou ali a id\u00e9ia de uma biografia que s\u00f3 viria a concretizar-se meio s\u00e9culo depois com o livro <em>O senador acaba de morrer<\/em>: <em>a vida e o assassinato de um dos pol\u00edticos mais importantes do Brasil<\/em> (L&amp;PM: 2018), que ser\u00e1 lan\u00e7ado na pr\u00f3xima Feira do Livro de Porto Alegre.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-70458\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Livro-capa-O-Senador-acaba-de-morrer-301x450.jpg\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"450\" \/><br \/>\nUma hist\u00f3ria shakespereana com uma tragicidade grega. Contudo, sendo o autor tamb\u00e9m o Anpnymus Gourmet, n\u00e3o faltam aspectos saborosos de um Rio de Janeiro Belle \u00c9poque. Assim, n\u00e3o faltam palacetes, como o do Morro da Gra\u00e7a, do senador, e comensais ass\u00edduos, como Ruy Barbosa, \u00a0vinhos franceses e charutos cubanos. A imagem de um senador que, apesar de\u00a0 ga\u00facho, fazendeiro e tropeiro, vestia-se como um d\u00e2ndi, rigoroso em suas vestimentas mais \u00edntimas, camiseta e cuecas de seda pura, pois, como antevia: \u201c se eu for assassinado tenho que estar dignamente vestido na hora da aut\u00f3psia\u201d. Uma hist\u00f3ria que Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Pinheiro Machado partilha com os leitores nesta entrevista exclusiva para o J\u00c1.<br \/>\n<strong>J\u00c1: O senador Pinheiro Machado \u00e9 antes de tudo um \u00eddolo familiar, um espelho?<\/strong><br \/>\nJAPM: \u00a0Me criei ouvindo hist\u00f3rias contadas pelo meu pai que tamb\u00e9m foi pol\u00edtico, chegando a eleger-se deputado pelo Partido Comunista em 1946. Tamb\u00e9m o meu av\u00f4, que foi criado pelo senador quase como um filho, tendo o mandado inclusive para os Estados Unidos estudar Zootecnia. Meu av\u00f4, bancado por ele, ficou dois anos por la. Imagina fazer isso naquela \u00e9poca, come\u00e7o do s\u00e9culo XX. Era quase como ir a lua.\u00a0 \u00a0Ele era um cara muito r\u00edgido em mat\u00e9ria de dinheiro. Era fazendeiro e filho de um cara que tamb\u00e9m era um grande fazendeiro, muito rico. Era muito empreendedor.<br \/>\n<strong>J\u00c1: O sr come\u00e7ou a trabalhar no livro \u00a0em 2010?<\/strong><br \/>\nJAPM: Sim, queria lan\u00e7\u00e1-lo, a princ\u00edpio, em 2015, ano do centen\u00e1rio de morte do senador. Deu muito trabalho. Pensei, no in\u00edcio em fazer de uma forma romanceada. Mas, como jornalista, profiss\u00e3o que exerci a partir dos 18 anos, percebi que a hist\u00f3ria real era muito rica, e resolvi simplificar, relatando os fatos. A primeira vers\u00e3o tinha cerca 700 p\u00e1ginas. A\u00ed o Ivan, meu irm\u00e3o e editor, disse que o primeiro obst\u00e1culo seria o tamanho, melhor seria fazer em dois volumes, e que sairia muito caro. A\u00ed fiz esta segunda vers\u00e3o, quase 300 p\u00e1ginas. Acho que ficou no tamanho ideal.<br \/>\n<strong>J\u00c1: Mas a g\u00eanese do livro come\u00e7a l\u00e1 em 1968?<\/strong><br \/>\nJAPM: Isso, imagina o per\u00edodo aqui no Brasil, uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil, ditadura, e ainda ser preso naquele encontro de estudantes. \u00a0Durante o interrogat\u00f3rio, o cara respons\u00e1vel, l\u00e1 pelas tantas, come\u00e7ou a olhar a minha ficha e a ficar estranho &#8230;.. Gelei, pensei, nossa, \u00a0o cara descobriu\u00a0 alguma coisa contra mim&#8230;. A\u00ed,\u00a0 disse: \u201c O que voc\u00ea \u00e9 do falecido senador Pinheiro Machado?\u201d Pensei e, menti, bisneto. Ai o cara me contou que o av\u00f4 dele tinha sido motorista do senador, que, inclusive, tinha ajudado sua av\u00f3 quando ela esteve doente. Enfim, percebi que havia um sentimento de gratid\u00e3o. O fato \u00e9 que acabei sendo liberado e voltei imediatamente para Porto Alegre. Ainda me arrepio quando vejo a emo\u00e7\u00e3o do meu pai quando cheguei em casa, maltrapilho.<br \/>\n<strong>J\u00c1<\/strong>: <strong>H\u00e1 outras biografias do senador, o que acha delas?<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong>JAPM: Usei algumas delas como refer\u00eancia, roteiro. Gosto do livro do Sinval Medina, o romance <em>A faca e o mandarim<\/em>, no qual ele exp\u00f5e semelhan\u00e7as motivacionais entre o suic\u00eddio de Get\u00falio Vargas e o assassinato do senador. Tamb\u00e9m gosto da maneira que o Erico Verissimo trata dele em <em>O tempo e o vento<\/em>, no tomo <em>O retrato<\/em> Mas, na verdade, me impressionavam \u00a0mais as hist\u00f3rias, informa\u00e7\u00f5es que ouvia em casa obtidas atrav\u00e9s do conv\u00edvio intenso que tive com o meu pai e o meu av\u00f4. Sempre me chamou aten\u00e7\u00e3o o fato de que o senador, apesar de pertencer ao Partido Republicano Rio-Grandense, pra l\u00e1 de conservador, era um homem muito avan\u00e7ado para a sua \u00e9poca. Ele apoiava, por exemplo, manifesta\u00e7\u00f5es culturais populares, como o samba, algo que era muito malvisto pela elite da \u00e9poca. Enfim, quis retratar, em termos pol\u00edticos, a grande figura que foi o senador.<br \/>\n<strong>J\u00c1: Advogado, pol\u00edtico, fazendeiro, tropeiro, soldado na Guerra do Paraguai, comandante e general honor\u00e1rio na Revolu\u00e7\u00e3o Federalista. Em quase 300 p\u00e1ginas o sr n\u00e3o cita nenhum defeito. Trata-se de uma ode ao senador?<\/strong><br \/>\nJAPM: N\u00e3o. Quem faz uma ode \u00e9 o jornalista Gilberto Amado (primo do Jorge Amado), que era seu inimigo e depois passa a admir\u00e1-lo. O fato \u00e9 que o senador pautou sua vida pela honra, pela retid\u00e3o. Era um tempo de homens muito duros, mand\u00f5es. Ele, por exemplo, sempre foi contra a pr\u00e1tica da degola, efetuada por chimangos e maragatos contra os prisioneiros. Foi um grande defensor da Rep\u00fablica, do federalismo, dos interesses ga\u00fachos, j\u00e1 que o estado, e a sua economia pastoril, era fr\u00e1gil diante do poder que tinham S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, por exemplo, aquela pol\u00edtica do caf\u00e9 com leite que os velhos bar\u00f5es achavam que duraria para sempre. Quis \u00a0revelar estes lados desconhecidos.<br \/>\n<strong>J\u00c1: O senador tamb\u00e9m era um <em>bon vivant<\/em><\/strong>, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\nJAPM: Sem d\u00favida. Era rico e gostava das coisas boas da vida. Vestia-se muito bem, apreciava bons vinhos, como o Chateau d\u2019Yquem, destinado s\u00f3 aos <em>connoisseurs<\/em>, aqueles sabiam apreciar a boa bebida. Aos outros, que bebiam vinho como se fosse \u00e1gua, destinava aquilo que chamava de zurrapa. Tamb\u00e9m gostava de charutos cubanos da marca Partag\u00e1s. O palacete do Morro das Gra\u00e7as, onde morava, reunia muitos comensais, entre eles Ruy Barbosa, fiel apreciador do doce batatas feito pela esposa, Benedita Brasilina, a Dona Nhan\u00e3, como era mais conhecida.<br \/>\n<strong>J\u00c1: E como um aristocrata do s\u00e9culo XIX, n\u00e3o se negava a um duelo.<\/strong><br \/>\nJAPM: Foi apenas um. Com o propriet\u00e1rio do <em>Correio da Manh\u00e3<\/em>, o jornalista Edmundo Bittencourt, tamb\u00e9m ga\u00facho. Bastou um tiro na n\u00e1dega &#8230;. do jornalista, para que tudo se resolvesse.<br \/>\n<strong>J\u00c1: Mesmo sendo um grande chefe pol\u00edtico na Rep\u00fablica Velha, por que ele nunca postulou sua candidatura a presid\u00eancia da Rep\u00fablica?<\/strong><br \/>\nJAPM: Era o sonho da vida dele, embora eu n\u00e3o tenha encontrado alguma prova, declara\u00e7\u00e3o oficial sobre isso. O que sei sobre isso \u00e9 das conversas que tive com o meu av\u00f4, que era de 1892\u00a0 e, que, portanto, conviveu com o senador at\u00e9 os 23 anos de idade. Ele contava que no final do governo Hermes da Fonseca, que ele ajudara a eleger, seria o candidato a sucessor. N\u00e3o foi e a elei\u00e7\u00e3o de 1914 foi vencida por Wenceslau Br\u00e1s, de Minas Gerais.<br \/>\n<strong>J\u00c1: E \u00e9 a partir da\u00ed que come\u00e7a a ca\u00e7ada ao senador?<\/strong><br \/>\nJAPM: Exato. Os jornais, como o <em>Correio da Manh\u00e3<\/em>, come\u00e7am a bater muito nele. Atribu\u00edam-lhe declara\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fizera e inten\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tinha. Panfletos incendi\u00e1rios travestidos como mat\u00e9rias. \u00c9 coisa antiga as <em>fake news<\/em>. Um deputado, diante da quantidade de press\u00f5es que o senador sofria, chegou a brincar sobre um futuro projeto de lei: \u201cArt. 1\u00ba: Fica extinto o senador Pinheiro Machado; Art. 2\u00ba: revogam-se as disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio\u201d. E o Wenceslau Br\u00e1s era muito criticado quando, apesar de tudo, fazia acordos com ele. Acusavam-no de repetir atos do governo Hermes da Fonseca.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><strong>J\u00c1: E\u00a0 principal causa deste acirramento era o fato dele ser contr\u00e1rio a pol\u00edtica &#8220;caf\u00e9 com leite&#8221; da Rep\u00fablica Velha?<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong>JAPM: Exatamente. \u00c9 o momento que esta pol\u00edtica se consolida e era muito prejudicial aos interesses do Rio Grande do Sul e outros estados. Havia muita corrup\u00e7\u00e3o, gente que por propina se posicionava ou se omitia contra os interesses de seus pr\u00f3prios conterr\u00e2neos. E ele, como era um homem rico, n\u00e3o se corrompia.<br \/>\n<strong>J\u00c1: A carta-testamento do senador destinada a sua esposa, Dona Nhanh\u00e3, \u00e9 uma verdadeira cr\u00f4nica de uma morte anunciada?<\/strong><br \/>\nJAPM: Sim. Eu transcrevo a carta no livro. Est\u00e1 tudo ali. Uma fatalidade que talvez fosse evitada se ele voltasse ao Rio Grande do Sul. Mas ele n\u00e3o era de fugir da raia. Como ele dizia ao seu motorista, quando andava, de carro aberto, por aglomera\u00e7\u00f5es n\u00e3o muito amistosas: \u201cnem t\u00e3o devagar que pare\u00e7a provoca\u00e7\u00e3o e nem t\u00e3o depressa que pare\u00e7a medo\u201d. Era um homem valente.<br \/>\n<strong>J\u00c1: Ao que parece, nunca uma morte, um assassinato, foi t\u00e3o previsto, principalmente por ele, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong>JAPM: \u00c9 verdade. Fora algumas pessoas, e a brincadeira que ele fazia em rela\u00e7\u00e3o as pe\u00e7as \u00edntimas, a de estar bem vestido no caso de uma\u00a0 aut\u00f3psia, teve aquela mais shakespereana, que ele disse: \u201dMorro na luta. Matam-me pelas costas. S\u00e3o uns \u2018pernas finas\u2019. Pena que n\u00e3o seja no Senado, como C\u00e9sar\u201d.<br \/>\n<strong>J\u00c1: Manso de Paiva sempre disse que agiu sozinho,\u00a0 mas foram fortes as suspeitas sobre Nilo Pe\u00e7anha, ex-presidente da Rep\u00fablica que era governador do Rio de Janeiro na \u00e9poca&#8230;<\/strong><br \/>\nJAPM: \u00a0H\u00e1 fatos veementes. Francisco Manso, inclusive, dormiu na v\u00e9spera do crime no Palacete do Ing\u00e1, sede do governo estadual do Rio na \u00e9poca, onde residia Nilo Pe\u00e7anha. Ao que tudo indica, toda a animosidade \u2013 publicada, e n\u00e3o p\u00fablica, cabe ressaltar \u2013 , de que a morte do senador, como diziam alguns, resolveria todos os problemas do pa\u00eds, acabou por construir a vontade homicida do criminoso. E coube a Francisco Manso o papel de sic\u00e1rio.<br \/>\n<strong>J\u00c1: E pelo crime, Francisco manso foi condenado a 30 anos de pris\u00e3o.<\/strong><br \/>\nJAPM: Mas cumpriu s\u00f3 vinte. Tentei, mas n\u00e3o consegui, encontrar o documento de libera\u00e7\u00e3o, saber o motivo da diminui\u00e7\u00e3o da pena.<br \/>\n<strong>J\u00c1: Solto, ele tentou vender a hist\u00f3ria para jornais e revistas. Como foi isso?<\/strong><br \/>\nJAPM: Ningu\u00e9m deu bola pra ele. Al\u00e9m do mais, se houvesse algum novo culpado, o crime j\u00e1 tinha prescrito. O Millor Fernandes, que a esta altura j\u00e1 trabalhava, conheceu ele. Mais tarde, algumas d\u00e9cadas depois, contou esta hist\u00f3ria para o meu irm\u00e3o, Ivan.<br \/>\n<strong>J\u00c1<\/strong>:<strong> E teve aquela hist\u00f3ria de trocar o nome do munic\u00edpio de Cacimbinha para Pinheiro Machado. A sua fam\u00edlia sempre se posicionou contra. Como \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nJAPM: Nada a ver. Tudo isso s\u00f3 porque o Francisco Manso nasceu l\u00e1. Como se o resto da popula\u00e7\u00e3o tivesse culpa. O Nik\u00e3o Duarte escreveu um trabalho sobre isso. Espero que o munic\u00edpio volte a se chamar Cacimbinhas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-70472\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/pinheiro-a-cavalo-288x450.jpg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"450\" \/><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FRANCISCO RIBEIRO Muita tinta j\u00e1 correu sobre a vida e a morte do senador ga\u00facho Jos\u00e9 Gomes Pinheiro Machado (1851-1915), um dos maiores chefes pol\u00edticos da Rep\u00fablica Velha. Entrevistas, reportagens, biografias, fic\u00e7\u00e3o, pouco importa o g\u00eanero. 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