{"id":7080,"date":"2010-06-23T16:39:03","date_gmt":"2010-06-23T19:39:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=7080"},"modified":"2010-06-23T16:39:03","modified_gmt":"2010-06-23T19:39:03","slug":"morro-santa-teresa-anatomia-de-uma-derrota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/morro-santa-teresa-anatomia-de-uma-derrota\/","title":{"rendered":"Morro Santa Teresa: anatomia de uma derrota"},"content":{"rendered":"<p>A id\u00e9ia de se desfazer do terreno da Fase para financiar a descentraliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de atendimento a menores delinq\u00fcentes no Estado tem pelo menos duas d\u00e9cadas, mas ningu\u00e9m havia tomado provid\u00eancias para concretiz\u00e1-la.<br \/>\nDesde o in\u00edcio do governo Yeda, no entanto, o secret\u00e1rio da Justi\u00e7a e Desenvolvimento Social, Fernando Sch\u00fcller, se empenhou no projeto.<br \/>\nForam quase tr\u00eas anos de trabalho. No in\u00edcio havia imprecis\u00f5es at\u00e9 quanto \u00e0 propriedade do terreno.<br \/>\nMas, em dezembro do ano passado, estava pronto e encaminhado \u00e0 Assembl\u00e9ia Legislativa o projeto de lei 388, que autoriza o Poder Executivo a vender ou permutar a \u00e1rea p\u00fablica de 73,5 hectares, na Zona Sul de Porto Alegre, onde funciona a Funda\u00e7\u00e3o de Atendimento S\u00f3cio Educacional<br \/>\nA autoriza\u00e7\u00e3o para o executivo alienar a \u00e1rea era o que faltava para viabilizar a descentraliza\u00e7\u00e3o. A outra parte, o planejamento das novas unidades descentralizadas j\u00e1 est\u00e1 pronta, com planta, or\u00e7amento e tudo. S\u00e3o nove unidades e v\u00e3o custar em torno de R$ 70 milh\u00f5es.<br \/>\nA aprova\u00e7\u00e3o parecia tranq\u00fcila, no primeiro momento. Apresentado como \u201cestrat\u00e9gico\u201d e apoiado por diversas entidades ligadas aos direitos da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, o projeto encontrou receptividade nas bancadas alinhadas ao governo, cujos votos s\u00e3o mais do que suficientes \u2013 32 num total de 55.<br \/>\nO texto chegou a obter parecer favor\u00e1vel do relator na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e estava a caminho do plen\u00e1rio para vota\u00e7\u00e3o no in\u00edcio de mar\u00e7o. Mas as cr\u00edticas, inicialmente restritas a deputados de oposi\u00e7\u00e3o, se ampliaram em duas frentes.<br \/>\nA informa\u00e7\u00e3o de que o morro seria vendido circulava h\u00e1 tempo entre os moradores das \u00e1reas ditas \u201cinvadidas\u201d. A equipe que tentou fazer um cadastro das vilas j\u00e1 encontrou hostilidade declarada, em alguns lugares.<br \/>\nNo in\u00edcio do ano, as associa\u00e7\u00f5es de moradores come\u00e7aram a mobilizar-se contra o projeto, que n\u00e3o considerava a situa\u00e7\u00e3o deles, alguns vivendo ali h\u00e1 mais de 30 anos. S\u00e3o seis comunidades, que ocupam cerca de 20% do terreno.<br \/>\nO Semapi, sindicato ao qual est\u00e3o filiados os 1540 trabalhadores da Fase, tamb\u00e9m acompanhava a evolu\u00e7\u00e3o do projeto, h\u00e1 mais tempo talvez. Muitos funcion\u00e1rios da Funda\u00e7\u00e3o ganharam terrenos e moram l\u00e1 dentro da \u00e1rea, alguns h\u00e1 50 anos.<br \/>\nQuando viu o projeto avan\u00e7ar na Assembl\u00e9ia, o Semapi entrou em a\u00e7\u00e3o. Foi no sindicato que nasceu a campanha \u201cO Morro Santa Teresa \u00e9 Nosso\u201d, que ampliou a mobiliza\u00e7\u00e3o do moradores.<br \/>\nA ades\u00e3o do Cpers, o sindicato dos professores, em confronto com o governo Yeda, foi natural. Carro de Som, cartazes, faixas e at\u00e9 quentinhas para os piquetes na pra\u00e7a da matriz foram bancadas pelos sindicatos.<br \/>\nAo mesmo tempo come\u00e7ou a circular na internet, e logo atingiu toda a rede de entidades comunit\u00e1rias e ambientalistas da capital, um artigo da jornalista Cris Rodrigues e um relato do m\u00e9dico Guilherme Jaquet.<br \/>\nA jornalista chamava aten\u00e7\u00e3o para o valor paisag\u00edstico e ambiental do terreno. O m\u00e9dico, que se mostra bem informado, afirmava que tudo estava arranjado para repassar a \u00e1rea \u00e0 Maiojama, a empresa imobili\u00e1ria dos controladores da RBS.<br \/>\nNo dia 11 de mar\u00e7o, uma audi\u00eancia p\u00fablica lotou o audit\u00f3rio da Assembl\u00e9ia. Ao mesmo tempo em que, na pra\u00e7a, se estendiam as faixas e cartazes e se ouviam as primeiras palavras de ordem contra o projeto, chegou aos computadores do Piratini o conjunto de e-mails, que circulava nas redes como um \u201cdossi\u00ea\u201d.<br \/>\nNo in\u00edcio de abril, o Executivo retirou o projeto para retificar. Retornou \u00e0 Assembl\u00e9ia no dia 5 de maio, com alguns retoques e um \u201cpedido de urg\u00eancia\u201d, ou seja, com 30 dias para ir \u00e0 vota\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio.<br \/>\n<span class=\"intertit\">&#8220;Projeto inexplic\u00e1vel&#8221;<\/span><br \/>\nNos reparos ao texto original, o governo garantia genericamente o direito dos moradores e o respeito \u00e0s \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, reconhecendo as cr\u00edticas.<br \/>\n\u201cAs mudan\u00e7as foram decididas em reuni\u00f5es com todas as partes interessadas e as d\u00favidas sobre o projeto foram esclarecidas, vamos aprov\u00e1-lo\u201d, dizia o deputado Adilson Troca, l\u00edder do PSDB antes da primeira vota\u00e7\u00e3o, quarta feira, dia 8 de junho.<br \/>\n\u201cAs altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o insuficientes, o projeto continua inexplic\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 como evitar a suspeita de alguma coisa por tr\u00e1s desse neg\u00f3cio\u201d, insistia o vice-l\u00edder petista, Raul Pont.<br \/>\nNem Pont, nem os oposicionistas mais radicais questionaram em qualquer momento a proposta de descentraliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os da Fase, que decorre de uma orienta\u00e7\u00e3o do Sistema Nacional de Atendimento S\u00f3cio-Educativo.<br \/>\nA critica que persistiu foi \u00e0 falta de informa\u00e7\u00f5es, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao terreno a ser alienado. \u201cN\u00e3o h\u00e1 sequer uma avalia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Como \u00e9 que vai se fazer uma licita\u00e7\u00e3o sem ter um pre\u00e7o m\u00ednimo?\u201d, indagava Pont.<br \/>\nA avalia\u00e7\u00e3o existente (que n\u00e3o consta do projeto) foi feita pela Telear, uma empresa privada, que estimou em R$ 76 milh\u00f5es o valor do terreno.<br \/>\nRaul Pont questiona essa avalia\u00e7\u00e3o: \u201cNaquela mesma regi\u00e3o, o antigo est\u00e1dio do Inter, que tem pouco mais de 2 hectares, est\u00e1 avaliado em R$ 23 milh\u00f5es. O terreno da Corlac, uma \u00e1rea p\u00fablica, foi alienado por R$ 13 milh\u00f5es e tem menos de um hectare. Por que o hectare nesse terreno da Fase, numa \u00e1rea mais nobre, vale t\u00e3o menos?\u201d<br \/>\nMesmo considerando metade do terreno comprometida por \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental e moradores irregulares, o deputado petista considera o valor aviltado.<br \/>\nO governo alegava que sua inten\u00e7\u00e3o com o 388 \u00e9 aprovar apenas o princ\u00edpio &#8211; a permiss\u00e3o para que o executivo disponha do terreno para financiar as nove unidades da descentraliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs detalhes da transa\u00e7\u00e3o, diziam os representantes do governo, estar\u00e3o no edital da licita\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 um processo p\u00fablico. Nos acr\u00e9scimos que fez ao texto original, o governo incluiu tamb\u00e9m um \u201ccomit\u00ea externo\u201d para acompanhar toda a licita\u00e7\u00e3o e garantir sua lisura.<br \/>\nOcorre que o debate parlamentar iniciou com o foco na falta de informa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o do terreno e sobre o que se pretende fazer com ele. Mas aos poucos deslocou-se para a pr\u00f3pria quest\u00e3o da real necessidade de se desfazer de um patrim\u00f4nio para financiar a descentraliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa hora da vota\u00e7\u00e3o, o questionamento mais forte era esse: o \u00fanico modo de viabilizar o projeto \u00e9 entregar ao mercado imobili\u00e1rio uma \u00e1rea p\u00fablica valiosa, num ponto privilegiado da cidade?<br \/>\nOs oposicionistas, com base em informa\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio governo, questionaram a alegada falta de dinheiro e apontaram v\u00e1rias alternativas para financiar a descentraliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo final, at\u00e9 o deputado Nelson Marchezan Jr., do partido da governadora, rebateu o argumento da falta de dinheiro para financiar as nove unidades descentralizadas, estimadas em R$ 70 milh\u00f5es. \u201c\u00c9 evidente que n\u00e3o falta dinheiro para uma obra dessas\u201d, disse Marchezan depois de citar in\u00fameras alternativas para obten\u00e7\u00e3o dos recursos.<br \/>\nPara culminar, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, atrav\u00e9s da Promotoria da Habita\u00e7\u00e3o e Defesa da Ordem Urban\u00edstica, recomendou ao governo que retirasse a urg\u00eancia do projeto, uma vez que ele se choca com uma A\u00e7\u00e3o Civil Publica em andamento, exatamente para regularizar a situa\u00e7\u00e3o dos moradores das \u00e1reas invadidas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Invas\u00f5es<\/span><br \/>\nAs invas\u00f5es j\u00e1 ocupam quase 20% do terreno e o n\u00famero de moradores irregulares ningu\u00e9m sabe ao certo. As estimativas v\u00e3o de 1.500 a 5 mil fam\u00edlias.<br \/>\nNo dia da primeira vota\u00e7\u00e3o, cerca de 200 desses moradores postaram-se desde cedo na entrada do Pal\u00e1cio Farroupilha, num protesto organizado por sindicatos e movimentos sociais, com carro de som, bateria improvisada, palavras de ordem e musicas de protesto.<br \/>\nNa hora da vota\u00e7\u00e3o, representantes das seis vilas incrustradas no terreno lotaram as galerias do plen\u00e1rio e sua press\u00e3o certamente teve a ver com o resultado.<br \/>\nMuitos deputados governistas faltaram \u00e0 sess\u00e3o alegando compromissos anteriormente assumidos, j\u00e1 que a vota\u00e7\u00e3o era prevista para o dia anterior. \u00c9 prov\u00e1vel que estivessem tamb\u00e9m fugindo da vaia popular, que certamente receberiam os que votassem a favor do projeto.<br \/>\nOs arranjos pr\u00e9-eleitorais tamb\u00e9m influ\u00edram na debandada. O comportamento da bancada do PP, com nove deputados, foi o maior sinal disso. O partido negociava a indica\u00e7\u00e3o do vice para a chapa de Yeda Crusius. Apenas tr\u00eas de seus representantes ficaram no plen\u00e1rio.<br \/>\nResultado: quando a oposi\u00e7\u00e3o decidiu se retirar, faltaram dois votos para o quorum m\u00ednimo para a vota\u00e7\u00e3o, que \u00e9 de 28 deputados.<br \/>\nO projeto de lei 388 passou para a pauta da sess\u00e3o seguinte, na quarta-feira, 16. mas n\u00e3o chegou a ser votado, por causa da morte do deputado Bernardo de Souza. Na segunda-feira, 21, o governo jogou a toalha e anunciou a retirada do projeto.<br \/>\n<span class=\"intertit\">D\u00favidas quando ao n\u00famero de moradores<\/span><br \/>\nEm 2008, j\u00e1 com o intento de permutar ou vender a \u00e1rea, o governo tentou fazer um recenseamento da popula\u00e7\u00e3o que ocupa as partes invadidas.<br \/>\nQuatro comiss\u00f5es percorreram as vilas para cadastrar os moradores. Enfrentaram a resist\u00eancia das associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, sem falar dos redutos dominados pela criminalidade. \u201cForam recebidas a tiro em alguns lugares\u201d, conta o presidente.<br \/>\nPor essas dificuldades, ele acredita que o levantamento subestimou o n\u00famero de moradores nas tr\u00eas vilas identificadas. Foram contadas 760 fam\u00edlias, mas Souza estima que devem ser mais de 1.500. \u201cMultiplique por cinco\/seis em cada fam\u00edlia, d\u00e1 oito nove mil pessoas\u201d.<br \/>\nAs associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias estimam em 20 mil pessoas o n\u00famero de moradores, n\u00e3o em tr\u00eas mas em seis comunidades. Al\u00e9m das que o governo enumera \u2013 vilas Ga\u00facha, Ecol\u00f3gica e Prisma &#8211; eles contam mais tr\u00eas: Padre Cacique, Figueira e Barrac\u00e3o. No conjunto, elas representam quase 20% da \u00e1rea.<br \/>\nA menor \u00e9 a Vila Padre Cacique que tem 42 resid\u00eancias no entorno dos pr\u00e9dios da Fase, onde vivem 126 funcion\u00e1rios, ex-funcion\u00e1rios e famili\u00e1rias de ex-funcion\u00e1rios j\u00e1 falecidos. Algumas fam\u00edlias est\u00e3o ali h\u00e1 mais de 50 anos. \u201cFomos autorizados a ir para l\u00e1, nossa vida foi constru\u00edda l\u00e1, agora querem nos jogar na rua?\u201d, reage Luiz Carlos Domingues Soares, presidente da associa\u00e7\u00e3o dos moradores.<br \/>\nA maior \u00e9 a vila Ecol\u00f3gica, mas o n\u00famero certo de seus moradores ningu\u00e9m sabe. \u00c9 espalhada, recebeu o nome porque se estende por uma grande \u00e1rea da preserva\u00e7\u00e3o permanente. A mais violenta \u00e9 a Ga\u00facha. Em alguns redutos dela, nem com escolta da BM os pesquisadores conseguiram entrar.<br \/>\n<span class=\"intertit\">D\u00favidas quanto ao tamanho da \u00e1rea<\/span><br \/>\nO presidente da Fase, Irani Bernardes de Souza, diz que a \u00e1rea exata de propriedade da funda\u00e7\u00e3o \u00e9 de 73,5 hectares. O n\u00famero divulgado no in\u00edcio, de 74 hectares, incluia o lote de meio hectares que foi vendido em 1976 para a, ent\u00e3o, TV Gua\u00edba, hoje Record.<br \/>\nAs invas\u00f5es, que tamb\u00e9m se intensificaram a partir dessa \u00e9poca, hoje ocupam 17,9% da \u00e1rea \u2013 s\u00e3o tr\u00eas n\u00facleos principais e uma extens\u00e3o da Vila Cruzeiro que avan\u00e7ou por uma borda do terreno.<br \/>\nAl\u00e9m das invas\u00f5es, tem as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Elas n\u00e3o estavam sequer identificadas at\u00e9 2008, quando a Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica fez o primeiro invent\u00e1rio ambiental do terreno. N\u00e3o foram delimitadas ou medidas as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm todo o caso, foram considerados 35 hectares como sendo \u00e1rea livre e essa foi, segundo o presidente, a dimens\u00e3o considerada no c\u00e1lculo que estimou o valor do terreno em R$ 76 milh\u00f5es.<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u201cBranco, 17 anos, drogado\u201d<\/span><br \/>\nA Fase tem muito pouca visibilidade, embora seja uma \u00e1rea de tens\u00e3o. Fisicamente ela \u00e9 quase invis\u00edvel, por tr\u00e1s das \u00e1rvores que cercam o terreno, diante da orla do Guaiba. V\u00ea-se a parede azul do casar\u00e3o principal entre o verde e v\u00ea-se o teto dos que est\u00e3o mais no alto do morro.<br \/>\nIrani Bernardes de Souza, 50 anos, tenente-coronel aposentado da Brigada Militar, \u00e9 o presidente desta Funda\u00e7\u00e3o Estadual, que cuida de menores fora da lei. Formado em direito e administra\u00e7\u00e3o, com especializa\u00e7\u00e3o na UERJ, tem duas d\u00e9cadas de viv\u00eancia na \u00e1rea. Foi multiplicador do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente e chefe do Servi\u00e7o Social da BM. Desde mar\u00e7o de 2008 est\u00e1 na Fase.<br \/>\nAli est\u00e3o internados jovens infratores com idade entre 12 e 21 anos. S\u00e3o seis unidades na capital, concentradas no terreno da avenida Padre Cacique. Ali est\u00e1 tamb\u00e9m a \u00fanica unidade feminina do Estado, com 36 meninas.<br \/>\nNo in\u00edcio de junho, a fase tinha nas seis unidades da capital 577 internos (152 a mais do que a lota\u00e7\u00e3o prevista). J\u00e1 teve 640.<br \/>\nQuem s\u00e3o? \u201cJovens da periferia\u201d, diz o presidente. Este ano os maiores de 16 anos v\u00e3o votar. Perfil t\u00edpico: \u201cBranco, 17 anos, roubo armado, quinta s\u00e9rie, sem pai ou figura paterna ausente, drogado\u201d. Ainda predominam maconha e coca\u00edna, mas o crack ganha terreno rapidamente.<br \/>\nS\u00e3o v\u00e1rios os n\u00edveis de atendimento aos menores delinquentes, desde a pris\u00e3o\/isolamento para os casos mais graves, at\u00e9 a liberdade assistida, quando o infrator tem o acompanhamento de assistente social junto \u00e0 fam\u00edlia.<br \/>\nSegundo o presidente, o novo modelo de unidade foi elaborado com participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias secretarias, coisa incomum. Aprovadas em Bras\u00edlia, as plantas est\u00e3o de acordo com a pol\u00edtica nacional ditada pelo Sinase \u2013 Sistema Nacional de Atendimento S\u00f3cio Educativo.<br \/>\nO novo modelo prev\u00ea 90 internos por unidade, no m\u00e1ximo. Muros altos, de sete metros, posto da Brigada, guaritas, quadras de esporte, horta. O presidente diz que j\u00e1 est\u00e3o definidos os locais para as novas unidades na capital. Ele n\u00e3o pode divulgar os locais para n\u00e3o gerar protestos das comunidades.<br \/>\nA descentraliza\u00e7\u00e3o vai requerer uma amplia\u00e7\u00e3o no quadro funcional. O plano de cargos da Fase prev\u00ea 1.700 funcion\u00e1rios, mas ela tem no momento 1540. Est\u00e1 previsto um concurso este ano. Com a descentraliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 inevit\u00e1vel.<br \/>\n<strong>Seis casas em Porto Alegre, onze no interior para atendimento de menores infratores<\/strong><br \/>\nCAPITAL<br \/>\nCIP Carlos Santos 108<br \/>\nCase Padre Cacique 51<br \/>\nCSE 108<br \/>\nCASE POA 1 135<br \/>\nCASE POA II 158<br \/>\nCASE Feminino 28<br \/>\n<strong>TOTAL 588<\/strong><br \/>\nINTERIOR<br \/>\nCaxias 67<br \/>\nSanta Maria 44<br \/>\nNovo Hamburgo 79<br \/>\nPasso Fundo 70<br \/>\nPelotas 51<br \/>\nSanto \u00c2ngelo 36<br \/>\nUruguaiana 49<br \/>\nCaxias 12<br \/>\nSanta Maria 14<br \/>\nS\u00e3o Leopoldo 13<br \/>\nSanto \u00c2ngelo 5<br \/>\n<strong>Interior: 440<\/strong><br \/>\n<strong>Total 1028<\/strong><br \/>\nCapital : faltam 183 vagas<br \/>\nInterior : 40 vagas dispon\u00edveis<br \/>\n<em>Fonte: Fase<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A id\u00e9ia de se desfazer do terreno da Fase para financiar a descentraliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de atendimento a menores delinq\u00fcentes no Estado tem pelo menos duas d\u00e9cadas, mas ningu\u00e9m havia tomado provid\u00eancias para concretiz\u00e1-la. 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