{"id":70920,"date":"2018-11-15T09:25:41","date_gmt":"2018-11-15T11:25:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=70920"},"modified":"2018-11-15T09:25:41","modified_gmt":"2018-11-15T11:25:41","slug":"maria-carpi-a-patrona-da-feira-do-livro-lanca-uma-casa-no-pampa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/maria-carpi-a-patrona-da-feira-do-livro-lanca-uma-casa-no-pampa\/","title":{"rendered":"Maria Carpi, a patrona da Feira do Livro, lan\u00e7a &quot;Uma casa no pampa&quot;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Ana Carolina Pinheiro<\/span><br \/>\n&#8220;Eu n\u00e3o quero foto com livro na m\u00e3o. Por que todo mundo acha que escritor<br \/>\ntem que tirar foto com livro na m\u00e3o?\u201d.<br \/>\nFoi assim que Maria Carpi, patrona da 64\u00aa Feira do livro de Porto Alegre, nos recebeu na casa em que mora no bairro Petr\u00f3polis, zona norte da Capital.<br \/>\nApaixonada por plantas, a autora faz quest\u00e3o de fazer fotos em seu recanto<br \/>\ncercado de verde.<br \/>\nAos 79 anos, Maria Carpi relembra a inf\u00e2ncia em Guapor\u00e9, e conta que vem de menina o gosto pela natureza.<br \/>\n\u201cEu tive o privil\u00e9gio de viver no interior. Nasci e vivi no interior. Meu pai veio adulto da It\u00e1lia. Ele e a minha m\u00e3e, Elisa, tinham um hotel em Guapor\u00e9 que estava inserido em um pomar. Eu tive uma inf\u00e2ncia ensolarada\u201d.<br \/>\nSobre o gosto pelos livros, a escritora destaca que foi apenas aos 15 anos,<br \/>\nquando deixou Guapor\u00e9 e veio para a Capital estudar no Bom Conselho, que o<br \/>\nh\u00e1bito da leitura de desenvolveu.<br \/>\n\u201cNa escola de Guapor\u00e9, eu ficava inquieta na biblioteca porque eu queria brincar na natureza. Para mim, a natureza veio antes dos livros. Por isso insisto que crian\u00e7a deve brincar. Primeiro vem o brincar, depois os livros\u201d.<br \/>\nApesar de seu pai ter um grande amor pelos livros, foi o Col\u00e9gio Bom Conselho<br \/>\no grande respons\u00e1vel por desenvolver seu gosto pela leitura. \u201cFoi o Bom<br \/>\nConselho que me deu, principalmente a minha professora Carmen Santos, que<br \/>\nfoi excelente comigo\u201d.<br \/>\nCom orgulho, a autora conta que j\u00e1 foi eleita patrona da<br \/>\nFeira do Livro do Col\u00e9gio que considera t\u00e3o importante na sua forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cJ\u00e1 fui patrona da Feira do Livro do Bom Conselho. Sa\u00ed aluna e voltei escritora,<br \/>\npatrona\u201d.<br \/>\nBacharel em Direito pela UFRGS, Carpi conta que fez do livro uma escolha:<br \/>\n\u201cEu escolhi o livro. Quando alguma coisa me bate eu vou a procura. N\u00e3o leio<br \/>\npor erudi\u00e7\u00e3o. Eu leio por fome\u201d.<br \/>\nDefensora P\u00fablica aposentada, a autora conta que durante muito tempo mal tinha tempo para escrever. M\u00e3e de quatro filhos e av\u00f3 de seis netos, trabalhava no juizado da inf\u00e2ncia e ainda dava aulas de Linguagem Jur\u00eddica na PUCRS.<br \/>\n\u201cO meu filho Fabr\u00edcio sempre dizia: eu nem sei quando a m\u00e3e escreve\u201d.<br \/>\nFoi aos 50 anos, inspirada por amigos, que Maria Carpi lan\u00e7ou seu<br \/>\nprimeiro livro de poemas, \u201cNos gerais da dor\u201d.<br \/>\nHavia outros 15 manuscritos na gaveta. \u201cEscolhi um dos que j\u00e1 tinha. Todos os meus amigos se reuniram para ajudar, principalmente o professor Luiz Antonio de Assis Brasil, que insistiu para que eu publicasse\u201d.<br \/>\nO reconhecimento veio logo. \u201cNos gerais da dor\u201d venceu o Pr\u00eamio da<br \/>\nAssocia\u00e7\u00e3o Paulista dos Cr\u00edticos de Arte (APCA) na categoria Revela\u00e7\u00e3o em<br \/>\nPoesia em 1990 e o Pr\u00eamio Erico Verissimo da C\u00e2mara Municipal de Porto<br \/>\nAlegre em 1991.<br \/>\nDe l\u00e1 para c\u00e1 j\u00e1 s\u00e3o 14 livros publicados, com um in\u00e9dito chegando para a<br \/>\nFeira do Livro. \u201cUma casa no pampa\u201d ser\u00e1 lan\u00e7ado dia 15 de novembro, \u00e0s<br \/>\n18h30min, na pra\u00e7a central de aut\u00f3grafos, pela editora Ardotempo.<br \/>\nPara a autora, o lan\u00e7amento foi um milagre: \u201cquando fui indicada para ser patrona,<br \/>\nfiquei triste por n\u00e3o ter um livro novo. Mas o editor, o meu amigo Alfredo Aquino<br \/>\nquis lan\u00e7ar para a Feira. Assim aconteceu. Milagres ainda acontecem\u201d.<br \/>\n\u201cUma casa no pampa\u201d, para Maria Carpi, \u00e9 um livro que trata sobre a<br \/>\ncordialidade pampeana.<br \/>\n\u201cEu sou sulina, muito latino-americana. Eu amo desde<br \/>\no Mart\u00edn Fierro, Atahualpa Yupanqui, todos poetas latino-americanos. Tenho<br \/>\nempatia muito grande por eles. Dentro do Brasil, me sinto muito ga\u00facha. Nesse<br \/>\nlivro novo procuro refletir o que \u00e9 a imensid\u00e3o do pampa que cabe no<br \/>\ncora\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nSobre a experi\u00eancia do patronato, Maria Carpi conta que a not\u00edcia a deixou<br \/>\nmuito feliz: \u201cFoi uma alegria, me agrada muito. Veio na hora certa, como marco<br \/>\nde uma caminhada bem-sucedida\u201d.<br \/>\nPara aguentar os 18 dias de extensa programa\u00e7\u00e3o, a patrona contar\u00e1 com<br \/>\najuda dos outros escritores que disputaram com ela o patronato &#8211; Caio Riter,<br \/>\nCelso Gutfreind, Claudia Tajes e Leticia Wierzchowski.<br \/>\n\u201cConvidei os quatro escritores jovens que me acompanharam no patronato para que eles me ajudem a caminhar. J\u00e1 tenho 79 anos, vou providenciar uma cadeira amarela<br \/>\npara me sentar. E onde eu n\u00e3o puder chegar, os livros v\u00e3o. Os livros v\u00e3o<br \/>\ncaminhar muito\u201d.<br \/>\nPara os que est\u00e3o come\u00e7ando a carreira das letras, Carpi lembra que a poesia<br \/>\nest\u00e1 em todos os lugares, no gesto e na cordialidade \u2013 \u00e9 s\u00f3 saber ver. \u201cE como<br \/>\nfaz para a gente aprender a ler poesia? Primeiro, se desenvolve a<br \/>\nsensibilidade; depois, pega o livro\u201d, brinca.<br \/>\nNo entanto, lembra que o fazer po\u00e9tico requer trabalho: \u201cEscrever poesia \u00e9<br \/>\numa voca\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma aceita\u00e7\u00e3o que requer disciplina, tenacidade e paci\u00eancia.<br \/>\nEu s\u00f3 fui me disciplinar como escritora j\u00e1 mais madura, com 37 anos. Depois<br \/>\nme preparei para lan\u00e7ar livro com 50, 51 anos. Eu n\u00e3o tenho pressa. N\u00e3o sou<br \/>\npar\u00e2metro para ningu\u00e9m. Cada um tem que encontrar seu pr\u00f3prio ritmo\u201d.<br \/>\nO processo de produ\u00e7\u00e3o de Maria Carpi \u00e9 meticuloso. Por n\u00e3o ter pressa para<br \/>\npublicar, a autora se debru\u00e7a muitas vezes em seus versos, at\u00e9 ter a sensa\u00e7\u00e3o<br \/>\nde que ele j\u00e1 se tornou independente: \u201cEu prefiro esperar, revisar, revisar,<br \/>\nrevisar. Sou assim. Quando releio um livro para publicar, eu percebo que ele<br \/>\nn\u00e3o \u00e9 mais meu. Esse \u00e9 o sinal de valor \u2013 quando o livro escapa da gente\u201d.<br \/>\nA obra de Maria Carpi h\u00e1 muito j\u00e1 escapou de sua autora. Seus dois livros de<br \/>\nprosa po\u00e9tica, \u201cAbra\u00e3o e a encarna\u00e7\u00e3o do verbo\u201d e \u201cO senhor das<br \/>\nmatem\u00e1ticas\u201d, j\u00e1 ganharam tradu\u00e7\u00f5es para outros idiomas. Com orgulho, Carpi<br \/>\ndestaca que vem servindo como instrumento de pesquisa para sua neta<br \/>\nMariana, que cursa Letras na UFRGS. \u201cA minha neta Mariana est\u00e1 traduzindo\u2018O senhor das matem\u00e1ticas\u2019 para o espanhol junto com a professora dela.<br \/>\nEst\u00e3o traduzindo dentro da teoria da enuncia\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Carolina Pinheiro &#8220;Eu n\u00e3o quero foto com livro na m\u00e3o. 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