{"id":710,"date":"2006-01-09T12:49:45","date_gmt":"2006-01-09T15:49:45","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=710"},"modified":"2006-01-09T12:49:45","modified_gmt":"2006-01-09T15:49:45","slug":"aracruz-tem-dialogo-produtivo-com-ambientalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/aracruz-tem-dialogo-produtivo-com-ambientalistas\/","title":{"rendered":"Aracruz tem di\u00e1logo produtivo com ambientalistas"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/Reflorestamento%20Metade%20Sul\/med_Eucalipto.jpg?0.8339633024499965\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>A Aracruz vai investir em 100 mil hectares de floresta plantada (Foto: Arquivo J\u00c1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Patr\u00edcia Benvenuti<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A reuni\u00e3o entre ambientalistas e a Aracruz Celulose poderia ter se tornado uma guerra, mas foi quase surpreendente o clima de tranq\u00fcilidade e respeito. Na realidade, o encontro serviu para a empresa confirmar a amplia\u00e7\u00e3o de seus neg\u00f3cios as ONGs.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um encontro surpreendentemente tranq\u00fcilo entre representantes da Aracruz Celulose e ambientalistas provocou uma produtiva troca de informa\u00e7\u00f5es. Foram confirmados investimentos pesados que podem representar uma nova f\u00e1brica em outro estado ou uma amplia\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de celulose de Gua\u00edba.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Aracruz n\u00e3o confirmou em que estado se dar\u00e1 a amplia\u00e7\u00e3o,\u00a0 mas seu diretor de opera\u00e7\u00f5es, L\u00eddio Nunes, garantiu que, caso o investimento fique no Rio Grande do Sul, a ind\u00fastria de celulose de Gua\u00edba ser\u00e1 ampliada. \u201cPara n\u00f3s, seria vantagem otimizar o que existe, investindo nas instala\u00e7\u00f5es que est\u00e3o inativas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p align=\"justify\">Explicou que a Aracruz pretende seguir um rumo diferente da Votorantim e da Stora Enso \u2013 o que significa escapar da concorr\u00eancia expandindo sua \u00e1rea, podendo chegar at\u00e9 Camaqu\u00e3, pelo sul, e usando at\u00e9 mesmo a hidrovia do Jacu\u00ed pelo norte. Os investimentos devem ficar na faixa de 1,2 bilh\u00e3o de d\u00f3lares, com 100 mil hectares de floresta plantada e 50 mil de preserva\u00e7\u00e3o \u2013 respeitando a propor\u00e7\u00e3o de dois hectares de plantio para um de nativas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nunes destacou que o an\u00fancio do local est\u00e1 previsto para mar\u00e7o ou abril, quando os estudos forem conclu\u00eddos. A afirma\u00e7\u00e3o foi uma das poucas perguntas que ganhou resposta, j\u00e1 que o resto permanece em sigilo. \u201cTudo que estamos dizendo se baseia nas experi\u00eancias que tivemos at\u00e9 aqui\u201d, esclarece, quando questionado sobre as possibilidades de empregos gerados. \u201cNossas pesquisas utilizam m\u00e9todos do Bndes e da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, e calculamos que 30 ou 40 mil pessoas possam ser beneficiadas\u201d \u2013 segundo alguns n\u00fameros preliminares, quatro mil diretos e at\u00e9 10 mil indiretos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O discurso da Aracruz hoje est\u00e1 baseado no crescimento e em sua consolida\u00e7\u00e3o no mercado competitivo da silvicultura. \u201cO Rio Grande do Sul pode ser uma alternativa para nossos planos, assim como o Esp\u00edrito Santo, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais\u201d, assegura Nunes. E a empresa ambiciona mesmo tornar-se uma multinacional. Embora ainda n\u00e3o tenha neg\u00f3cios fora do Brasil, na vis\u00e3o da diretoria esse \u00e9 um dos caminhos no futuro.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Pol\u00eamicas persistem no debate<br \/>\n<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A reuni\u00e3o ocorrida na sexta-feira (6\/1) no hotel Embaixador, em Porto Alegre, foi de fato tranq\u00fcila, mas n\u00e3o significou que pol\u00eamicas como o branqueamento do papel fossem ignoradas. O gerente de Qualidade e Meio Ambiente, Clovis Zimmer, esclarece que o vil\u00e3o cloro ainda \u00e9 utilizado, mas em processos menos agressivos. \u201cPara n\u00f3s seria at\u00e9 melhor se o papel clorado deixasse de ser usado, pois o branqueamento \u00e9 mais caro. Por\u00e9m atendemos ao pedido do fabricante, que precisa abastecer um mercado que ainda exige o papel branco\u201d, explica.<\/p>\n<p align=\"justify\">A rela\u00e7\u00e3o entre a Aracruz e alguns produtores foi um dos momentos que mais agitou o encontro. Pertence \u00e0 empresa 70% do plantio, enquanto os 30% restantes prov\u00eam de programas de fomento, parcerias e arrendamento. A diretoria afirmou que uma das metas \u00e9 intensificar a distribui\u00e7\u00e3o de sementes nativas, conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental e orienta\u00e7\u00e3o quanto ao melhores lugares para plantio, geralmente \u00e1reas degradadas. Essas medidas, por\u00e9m, s\u00e3o recomenda\u00e7\u00f5es, n\u00e3o exig\u00eancias.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cPor que essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam a ser contratuais, obrigando o produtor a adot\u00e1-las?\u201d, questionaram as ONGs quase em un\u00edssono.\u00a0 Nunes, entretanto, defendeu a id\u00e9ia da educa\u00e7\u00e3o e afirmou que o melhor ainda \u00e9 deixar essas recomenda\u00e7\u00f5es fora do papel. \u201cJ\u00e1 pensamos em fazer algo do tipo, mas n\u00e3o podemos obrigar ningu\u00e9m. N\u00e3o que sejamos contra, mas \u00e9 dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A preocupa\u00e7\u00e3o de que a cidade de Gua\u00edba,\u00a0 fique presa a apenas uma atividade econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 apoiada por Nunes. \u201cDefendemos que o munic\u00edpio espalhe suas atividades e tenha uma multiplicidade de culturas. Sabemos o quanto seria prejudicial para todos se a silvicultura fosse a \u00fanica forma de trabalho\u201d, salienta. O N\u00facleo Amigos da Terra, por meio de K\u00e1thia Vasconcellos, expressou o temor: \u201cA pecu\u00e1ria aqui parou porque todos quiseram ser gigol\u00f4s de vaca. Agora, tem muita gente querendo ser gigol\u00f4 de \u00e1rvore. Isso n\u00e3o pode acontecer\u201d, adverte.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Ambientalistas fazem exig\u00eancias<br \/>\n<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">No final da reuni\u00e3o, as ONGs fizeram uma lista com in\u00fameras cobran\u00e7as para os t\u00e9cnicos da Aracruz. Entre elas est\u00e1 o acesso aos estudos ambientais, inclusive aos que comprovam a inviabilidade de nativas na confec\u00e7\u00e3o de boas fibras de celulose.<br \/>\nOutra cobran\u00e7a foi a continuidade dos debates, focados nos temas que mais rendem discuss\u00f5es, como os processos de branqueamento. O gerente de Rela\u00e7\u00f5es com a Comunidade, Francisco Borges Bueno, ficou encarregado de manter o contato com as entidades e de organizar a pr\u00f3xima etapa, visitas \u00e0 empresa. \u201cPodemos marcar um dia s\u00f3 para que voc\u00eas visitem a Aracruz e possam comprovar tudo o que estamos falando\u201d, garante Nunes. A id\u00e9ia foi bem recebida e h\u00e1 previs\u00e3o de que aconte\u00e7a, no m\u00e1ximo, at\u00e9 mar\u00e7o. O convite ainda estendeu-se \u00e0s unidades do Esp\u00edrito Santo e Bahia.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Um grande passo no debate<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">K\u00e1thia Vasconcellos, organizadora da reuni\u00e3o, considerou importante a troca de informa\u00e7\u00f5es. \u201cTemos, assim, um canal de abertura. Como as ONGs est\u00e3o mais organizadas, os di\u00e1logos se tornam mais enriquecedores\u201d, afirma. Ela acredita que foi um grande passo no debate sobre as monoculturas de \u00e1rvores, e a disposi\u00e7\u00e3o da Aracruz em receb\u00ea-los n\u00e3o \u00e9 uma surpresa. \u201cCom a Riocell, t\u00ednhamos uma rela\u00e7\u00e3o parecida. Eles nunca nos fecharam a porta\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p align=\"justify\">A ambientalista assegura que, se a amplia\u00e7\u00e3o vier realmente para o Rio Grande do Sul, \u00e9 menos prejudicial que aconte\u00e7a em Gua\u00edba do que em outras \u00e1reas do Estado, como o Pampa. Confessa tamb\u00e9m que acredita na palavra da empresa at\u00e9 o momento, o que d\u00e1 certo al\u00edvio. \u201cPelo menos, eles dizem o que est\u00e3o fazendo e temos como trabalhar a partir dessas perspectivas.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">A opini\u00e3o de Lara Lutzenberger, da Funda\u00e7\u00e3o Gaia, \u00e9 semelhante. \u201cO encontro foi excelente, pois conseguimos estabelecer um di\u00e1logo entre as partes. Parece ser o processo ideal de troca de informa\u00e7\u00f5es com a sociedade\u201d, destaca. Sobre as expectativas do lugar onde haver\u00e1 a amplia\u00e7\u00e3o, a filha do pioneiro Lutz prefere tamb\u00e9m crer na palavra da empresa, uma reutiliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o em Gua\u00edba.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao final do debate, Nunes tamb\u00e9m elogiou os resultados alcan\u00e7ados. \u201cA troca foi importante para n\u00f3s em virtude do entendimento que as ONGs tem sobre as quest\u00f5es mais importantes da silvicultura\u201d, ressaltou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Aracruz vai investir em 100 mil hectares de floresta plantada (Foto: Arquivo J\u00c1) Patr\u00edcia Benvenuti A reuni\u00e3o entre ambientalistas e a Aracruz Celulose poderia ter se tornado uma guerra, mas foi quase surpreendente o clima de tranq\u00fcilidade e respeito. 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