{"id":71030,"date":"2018-11-15T17:16:52","date_gmt":"2018-11-15T19:16:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=71030"},"modified":"2018-11-15T17:16:52","modified_gmt":"2018-11-15T19:16:52","slug":"como-o-poa-jazz-festival-tornou-a-capital-gaucha-o-centro-musical-mais-sofisticado-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/como-o-poa-jazz-festival-tornou-a-capital-gaucha-o-centro-musical-mais-sofisticado-do-pais\/","title":{"rendered":"Como o Poa Jazz Festival tornou a capital ga\u00facha o centro musical mais sofisticado do Pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><strong>Higino Barros<\/strong><br \/>\nO m\u00fasico entra no palco, liga seu lap top (marca Apple), p\u00f5e para soar uma base de bateria eletr\u00f4nica, pega seu instrumento e manda ver. A grosso modo assim pode ser descrita a apresenta\u00e7\u00e3o do saxofonista Rudresh Mahanthappa, na primeira noite do Poa Jazz Festival, evento realizado no Barra Shopping. Mahanthappa foi a cereja do bolo, de um evento que durante tr\u00eas dias, de 9 a 11 de novembro, tornou a capital ga\u00facha o centro sonoro mais sofisticado do Pa\u00eds, j\u00e1 que o festival \u00e9 considerado o melhor do Brasil na atualidade, segundo o homenageado dessa edi\u00e7\u00e3o, o jornalista Zuza Homem de Mello. Zuza sabe do que fala. \u00c9 um dos jornalistas culturais mais ativo e respeitado do Brasil. Todas as atra\u00e7\u00f5es e performances do festival, a cada noite, refor\u00e7aram suas palavras.<br \/>\nO jazz \u00e9 um g\u00eanero musical que faz uma ponte entre o popular e o erudito, desde que foi criado, tornou-se uma marca registrada da m\u00fasica norte-americana, conquistou p\u00fablico diversos e faz parte hoje da ind\u00fastria cultural em todo o planeta. No Rio Grande do Sul sua consolida\u00e7\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel, tanto pelo n\u00famero de m\u00fasicos que o praticam, como por casas noturnas que se caracterizam como ambientes jazz\u00edsticos, al\u00e9m de um p\u00fablico cada vez mais mais numeroso. Marco nessa hist\u00f3ria \u00e9 o programa di\u00e1rio que o jornalista Paulo Moreira manteve durante 19 anos, na r\u00e1dio FM Cultura, e que acabou h\u00e1 poucos meses, no processo de extin\u00e7\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es do governo estadual.<br \/>\nOutro marco significativo nesse processo \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do Poa Jazz Festival, em sua quarta edi\u00e7\u00e3o esse ano. \u00c9 ele que tem trazido para a cidade nesse per\u00edodo, o que h\u00e1 de mais representativo na \u00e1rea em n\u00edvel internacional, mesclando-os com talentos locais e do Brasil. Essa quarta edi\u00e7\u00e3o, talvez tenha sido, segundo os respons\u00e1veis pelo evento, o de maior equil\u00edbrio nessa busca de mostrar o tradicional e o contempor\u00e2neo no cen\u00e1rio do jazz.<br \/>\n<figure id=\"attachment_71033\" aria-describedby=\"caption-attachment-71033\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-71033\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/festival-primeira-noite-1-450x299.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"299\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71033\" class=\"wp-caption-text\">Bourbon Sweethearts. Foto: Ricardo Stricher\/J\u00e1 Porto Alegre<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<strong>Sotaque indiano<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m do jazz free com sotaque indiano de Mahanthapa, acompanhado pelo guitarrista Rezz Abbasi e Dan Weis, na tabla, a primeira noite do festival, teve como destaque as \u201cchicas portenhas\u201d, do Bourbon Sweethearts, um trio de \u00f3timas instrumentistas e cantoras, que emula o estilo das Andrews Sisters, explorando o g\u00eanero Dixieland, em can\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, desconhecidas, mas de imediato agrado do p\u00fablico. Tanto que foi um dos tr\u00eas grupos mais aplaudidos das tr\u00eas noites de apresenta\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, os argentinos ca\u00edram no agrado dos ga\u00fachos, j\u00e1 que na segunda noite, o Mariano Loi\u00e1cono Quinteto tamb\u00e9m foi muito aplaudido. \u00a0O jornalista Paulo Moreira gostou mais do segundo, classificando o trio feminino de \u201cexagerado\u201d. Moreira, ao ser indagado porque n\u00e3o gostou das Sweetheartes, brincou: \u201craz\u00e3o pessoal e intransfer\u00edvel\u201d.<br \/>\nMas no quesito popularidade talvez quem mais tenha agradado foi o veterano gaitista brasileiro, Maur\u00edcio Heinhorn, um dos destaques da \u00faltima noite do festival. Do alto dos seus 86 anos, o m\u00fasico carioca ao lado de guitarrista Nelson faria e do baixista ga\u00facho Guto Wirti, desfilou cl\u00e1ssicos da Bossa Nova, do qual \u00e9 um dos protagonistas e contou \u201ccausos\u201d e piadas de sua extensa carreira. Dizendo que em Portugal chamam o \u201csamba de uma nota s\u00f3\u201d, de \u201cSamba de uma porrada de notas\u201d; que a \u201cMulher de 30\u201d, can\u00e7\u00e3o de sucesso do cantor Miltinho, na d\u00e9cada de 1950, e do qual participou, \u201cdeve estar com uns 92 anos\u201d e na hora de executar, um dos seus principais sucessos, a m\u00fasica \u201cPra dizer adeus\u201d, arrematou: \u201cvou tocar ela agora, mas voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o embora\u201d, arrancando gargalhadas do p\u00fablico. A tal ponto que seu colega de palco, Nelson Faria, brincou tamb\u00e9m: \u201c O Maur\u00edcio vai estrear na carreira de \u201cstand up\u201d.\u00a0 A apresenta\u00e7\u00e3o de Heinhorn foi seguida do Gilson Peanzzetta Trio, outro nome emblem\u00e1tico da m\u00fasica instrumental brasileira dos \u00faltimos 40 anos e que fez c dupla com o gaitista tamb\u00e9m, em trabalhos memor\u00e1veis.<br \/>\n<figure id=\"attachment_71034\" aria-describedby=\"caption-attachment-71034\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-71034\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/festival-primeira-noite-3-450x299.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"299\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71034\" class=\"wp-caption-text\">Marmota Jazz. Foto; Ricardo Stricher\/ J\u00c1 Porto Alegre<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<strong>Representa\u00e7\u00e3o ga\u00facha<\/strong><br \/>\nDa representa\u00e7\u00e3o do novo jazz brasileiro, os grupos Vitor Arantes Quarteto e o Edu Ribeiro Quinteto, trouxeram ao palco seus trabalhos autorais, numa demonstra\u00e7\u00e3o que o g\u00eanero vai bem, obrigado, tanto na composi\u00e7\u00e3o como na execu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os grupos \u00a0Marmota Jazz, tendo como convidado o cantor Pedro Ver\u00edssimo, e o Instrumental Picum\u00e3 defenderam com brilho e galhardia o jazz que se faz no Rio Grande do Sul.<br \/>\nNo balan\u00e7o final, a quarta edi\u00e7\u00e3o do Poa Jazz festival, foi mais uma vez a oportunidade de Porto Alegre exercer sua condi\u00e7\u00e3o de esquina do mundo, ao abrigar um evento cosmopolita e sofisticado dessa natureza. O local, Barra Shopping, \u00e9 de f\u00e1cil acesso, a produ\u00e7\u00e3o das apresenta\u00e7\u00f5es \u00e9 impec\u00e1vel, o astral do p\u00fablico \u00e9 \u00f3timo e numa \u00e9poca de crise, o evento ser bem sucedido s\u00f3 pode ser saudado e celebrado.<br \/>\nOs m\u00e9ritos, na sua maior parte, s\u00e3o de Carlos Badia, Rafael Rhoden e Carlos Branco, respons\u00e1veis pela empreitada. Assim s\u00f3 resta registrar: vida longa ao Poa Jazz Festival !<br \/>\n<strong>Atra\u00e7\u00f5es da segunda noite (fotos Ricardo Stricher\/J\u00c1 Porto Alegre)<\/strong><br \/>\n<figure id=\"attachment_71039\" aria-describedby=\"caption-attachment-71039\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-71039 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/festival-segunda-noite-3-450x299.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"299\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71039\" class=\"wp-caption-text\">Edu Ribeiro Quinteto<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_71035\" aria-describedby=\"caption-attachment-71035\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-71035 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/festival-segunda-noite-2-450x299.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"299\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71035\" class=\"wp-caption-text\">Vitor Arantes Quarteto<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_71036\" aria-describedby=\"caption-attachment-71036\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-71036 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/festival-segunda-noite-2-1-450x299.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"299\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71036\" class=\"wp-caption-text\">Mariano Loi\u00e1cono Quinteto<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<strong>Atra\u00e7\u00f5es da terceira noite (fotos Ricardo Stricher\/J\u00c1 Porto Alegre)\u00a0<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<figure id=\"attachment_71043\" aria-describedby=\"caption-attachment-71043\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-71043\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/festival-terceira-noite-3-450x299.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"299\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71043\" class=\"wp-caption-text\">Instrumental Picum\u00e3<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_71044\" aria-describedby=\"caption-attachment-71044\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-71044\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/festival-terceira-noite-1-450x299.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"299\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71044\" class=\"wp-caption-text\">Mauricio Heinhorn Trio<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_71045\" aria-describedby=\"caption-attachment-71045\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-71045\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/festival-terceira-noite2-1-450x299.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"299\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71045\" class=\"wp-caption-text\">Gilson Peranzzetta<\/figcaption><\/figure><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Higino Barros O m\u00fasico entra no palco, liga seu lap top (marca Apple), p\u00f5e para soar uma base de bateria eletr\u00f4nica, pega seu instrumento e manda ver. 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