{"id":71057,"date":"2018-11-16T20:00:09","date_gmt":"2018-11-16T22:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=71057"},"modified":"2018-11-16T20:00:09","modified_gmt":"2018-11-16T22:00:09","slug":"rafael-guimaraens-na-linha-do-bonde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/rafael-guimaraens-na-linha-do-bonde\/","title":{"rendered":"Rafael Guimaraens na linha do bonde"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">GERALDO HASSE<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Operando na fronteira entre o jornalismo e a literatura, Rafael Guimaraens descolou no passado de Porto Alegre mais um crime que lhe permitiu sobrevoar a linha (in)divis\u00f3ria entre a realidade e a fic\u00e7\u00e3o. Desde A Enchente de 1941, a recupera\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tem sido uma alternativa \u00e0 falta de espa\u00e7o para o jornalismo na\u00a0\u00a0imprensa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Com exce\u00e7\u00e3o de um ou outro trecho, o ex-rep\u00f3rter do Coojornal (editora alternativa que sobreviveu em Porto Alegre de 1974 a 1982) recupera com habilidade o caso do assassinato de uma mulher por seu pr\u00f3prio marido enciumado, crime praticado no fim da linha de um bonde na capital ga\u00facha.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O crime foi not\u00edcia de jornal em 1926. Bem explorado, n\u00e3o renderia mais do que um conto, hoje em dia. Esticado, daria uma novela. Nas m\u00e3os do Guimaraens filho de escritor e neto de poeta, virou um romance com potencial para se tornar roteiro de cinema ou TV.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Por conta de uma pesquisa que nenhum jornalista teria tempo de fazer nas atuais condi\u00e7\u00f5es do exerc\u00edcio da segunda profiss\u00e3o mais antiga do mundo, o autor carrega a hist\u00f3ria de Eduardo-Dallila-Carlos para fora de Porto Alegre em busca das origens da v\u00edtima do homic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Trata-se de um estudante de direito em S\u00e3o Paulo que participa da campanha civilista de Rui Barbosa em 1909 e se torna assessor do senador Pinheiro Machado (morto por uma facada em 1915 no Rio), ap\u00f3s o que, j\u00e1 entrado na vida madura, \u00e9 nomeado promotor de justi\u00e7a em Passo Fundo, casa-se em Carazinho e acaba em Porto Alegre onde se d\u00e1 o gosto de assediar mulheres casadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Verdade ou invencionice de escritor? Em nenhum lugar do livro est\u00e1 escrito que se trata de romance, dentro do qual h\u00e1 espa\u00e7o para licen\u00e7as er\u00f3ticas como numa sequ\u00eancia das p\u00e1ginas 128\/129, mas a trama faz lembrar narradores c\u00e9lebres como Truman Capote, o rep\u00f3rter norte-americano que gostava de contar hist\u00f3rias como o consagrador A Sangue Frio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Para chegar ao &#8220;FIM DA LINHA &#8211; O Crime do Bonde&#8221;, o leitor precisa percorrer 266 p\u00e1ginas at\u00e9 o desfecho sangrento anunciado na capa, obra da designer Cl\u00f4 Barcellos, que imp\u00f5e ao livro uma extraordin\u00e1ria qualidade gr\u00e1fica. Companheira de Rafael e s\u00f3cia-fundadora da Libretos, a missioneira usa a segunda orelha do livro (R$ 32 na Feira do Livro) para um libelo contra a opress\u00e3o machista.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Curto e grosso, \u00e9 um baita pux\u00e3o de orelha, ind\u00edcio talvez de que a Libretos, ou Cl\u00f4, ou ambas, podem estar engatilhando alguma coisa no \u00e2mbito da milit\u00e2ncia feminista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE Operando na fronteira entre o jornalismo e a literatura, Rafael Guimaraens descolou no passado de Porto Alegre mais um crime que lhe permitiu sobrevoar a linha (in)divis\u00f3ria entre a realidade e a fic\u00e7\u00e3o. Desde A Enchente de 1941, a recupera\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tem sido uma alternativa \u00e0 falta de espa\u00e7o para o jornalismo na\u00a0\u00a0imprensa. 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