{"id":71290,"date":"2018-11-26T13:30:10","date_gmt":"2018-11-26T15:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=71290"},"modified":"2018-11-26T13:30:10","modified_gmt":"2018-11-26T15:30:10","slug":"a-arte-tensionada-e-aberta-de-marli-amado-de-araujo-na-exposicao-espaco-sentido-no-mac","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-arte-tensionada-e-aberta-de-marli-amado-de-araujo-na-exposicao-espaco-sentido-no-mac\/","title":{"rendered":"A arte tensionada e aberta de Marli Amado de Ara\u00fajo, na exposi\u00e7\u00e3o &quot;Espa\u00e7o Sentido&quot; no MAC."},"content":{"rendered":"<p>Artista e ex-diretora do MAC, Marli Amado de Ara\u00fajo, criou uma grande instala\u00e7\u00e3o escult\u00f3rica para o espa\u00e7o expositivo, al\u00e9m de uma obra que recepciona os visitantes composta por um mosaico com fotos polaroides em que o p\u00fablico, previamente convidado, registrou o panorama urbano de Porto Alegre e do entorno da Casa de Cultura Mario Quintana. A mostra ser\u00e1 inaugurada nessa ter\u00e7a-feira, dia 27, \u00e0s 19h, na galeria Xico Stockinger (Rua dos Andradas, 736, 6\u00ba andar), com curadoria de Andr\u00e9 Venzon, e apresenta tamb\u00e9m trabalhos da artista em pintura e escultura, bem\u00a0como algumas obras em relevo acess\u00edveis que poder\u00e3o ser percebidas atrav\u00e9s do toque, democratizando a cultura e abra\u00e7ando a inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia visual.<br \/>\nSegundo o curador, \u201cmais que criar disfarces para as paredes brancas, o trabalho de Marli intersecciona conte\u00fado para este lugar, pois sua obra se faz com o espa\u00e7o e as pessoas, com as pr\u00f3prias linhas que saem das superf\u00edcies lisas que at\u00e9 ent\u00e3o delimitavam a sala, deixando de ser mero suporte decorativo ou contemplativo. A artista descobre o ambiente expositivo e convoca tamb\u00e9m a estrutura que o sustenta a participar do seu trabalho\u201d<br \/>\n<figure id=\"attachment_71292\" aria-describedby=\"caption-attachment-71292\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-71292\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/exposi\u00e7\u00e3o-marli-3-450x338.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"338\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71292\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<strong><u>O trabalho, segundo o curador:<\/u><\/strong><br \/>\n&#8220;Expor-se tamb\u00e9m \u00e9 conquistar a liberdade. Elejo esta frase para iniciar o texto curatorial porque estamos todos nos expondo aqui. Diante da perspectiva da galeria Xico Stockinger n\u00e3o hesitamos em entrar para descobrir o que h\u00e1 no interior deste cubo branco que nos convida \u201ca agarrar as paredes com o olhar\u201d. Desse modo a artista Maria Amado de Ara\u00fajo expressa o que sua exposi\u00e7\u00e3o deseja em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o que adentramos agora. Professora do magist\u00e9rio, do Ateli\u00ea Livre da Prefeitura, escultora e ex-diretora do Museu de Arte Contempor\u00e2nea do RS \u2013 MACRS; durante sua gest\u00e3o (2003-2006) heroica \u00e0 frente da dire\u00e7\u00e3o desta institui\u00e7\u00e3o que nos acolhe, conheci todo seu entusiasmo e for\u00e7a, aparentemente inesgot\u00e1veis, per\u00edodo que levou a conquista, mesmo que provis\u00f3ria, da sede do Museu no Cais Mau\u00e1, tanto para arte e os artistas, quanto para o olhar do p\u00fablico. A primeira vez que participei de um edital para expor em um museu foi franqueado naquela administra\u00e7\u00e3o, onde havia espa\u00e7o para todos e cuidava-se de todas as possibilidades para se realizar uma exposi\u00e7\u00e3o em um museu do Estado.<br \/>\nNa obra que nos recepciona j\u00e1 sentimos esta atmosfera democr\u00e1tica de Porto Alegre, cidade que se reconhece compartilhada nas fotos, em que cada um dos convidados acolheu para si uma parte do panorama urbano que constitui o trabalho com as polaroides. O p\u00fablico foi convidado a fotografar as paisagens do interior da Casa de Cultura Mario Quintana e da nova orla do Gua\u00edba \u2500 recentemente inaugurada \u2500 o entorno urbano participa como documento desta aproxima\u00e7\u00e3o com o lugar da exposi\u00e7\u00e3o. Este mosaico prism\u00e1tico de percep\u00e7\u00f5es \u00e9 que recebe os visitantes. Esta pode ser uma bela met\u00e1fora de como fazer algo ao mesmo tempo livre e fecundo; cada foto \u00e9 um favo nesta colmeia humana que representa a aldeia que habitamos. Sem demora somos convidados a visitar a exposi\u00e7\u00e3o que se dissipa como raios vermelhos no horizonte da galeria. A cor abduz, denuncia, avisa, adverte!\u00a0 \u00c9 legado de todas as lutas, cor que circula viva em nosso sangue, que nos enrubesce a face ou at\u00e9 sangra em todos, indiferentemente e encoraja; a cor do cora\u00e7\u00e3o, que nos faz sentir vivos, livres e plenos de direitos.<br \/>\nA instala\u00e7\u00e3o faz o movimento de ir e vir, n\u00e3o conhece o encima ou o embaixo, de uma parede a outra costura o espa\u00e7o com uma corda,\u00a0invento antigo, usado para fabricar armadilhas que prendem, mas tamb\u00e9m as redes que embalam os sonhos. O leve ru\u00eddo da cidade, indistinto e r\u00edtmico, aqui resplandece nas linhas vermelhas que cruzam estridentemente a sala. Eis a galeria onde desejamos estar, da pequena maquete que vislumbramos do alto, a cada uma das cordas que podem narrar a hist\u00f3ria da artista e tamb\u00e9m a nossa. Quando olhamos estas fibras, quando perscrutamos as cavidades destas caixas vermelhas que encarnam a forma abstrata de um cora\u00e7\u00e3o podemos sentir o desejo de um projeto de constru\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio centro pulsante da cidade, e com os sentidos plenos exploramos estes espa\u00e7os. Sentimos nessa exposi\u00e7\u00e3o, como na urbe contempor\u00e2nea, o quanto uma obra de arte grande e voltada para o espa\u00e7o restitu\u00ed e eterniza de poder o p\u00fablico, que dela pode participar com seu corpo, antes de senti-la apenas com os olhos. Tudo se verifica neste encontro, a vis\u00e3o sensorial torna-se reconhecimento do lugar.<br \/>\nDe algum modo estamos conectados, ligados de fato, somos parte desta rede da artista, da teia umbilical de sentidos que compreende o universo art\u00edstico. Encontramo-nos com essas estruturas em expans\u00e3o, linhas vis\u00edveis da perspectiva espacial, em contraste com as cabines que acolhem a escala humana e as caixas para espreitar, respectivamente, com o corpo e o olhar. Esses dois dispositivos visuais refletem sobre as edifica\u00e7\u00f5es, aquela a que estamos presos, e tamb\u00e9m as que nos s\u00e3o exterior. A artista envolve o corpo do observador num jogo visual, como na l\u00fadica brincadeira da \u201ccama de gato\u201d, constr\u00f3i imagens que podem representar situa\u00e7\u00f5es do cotidiano urbano, mas tamb\u00e9m \u00edntimo, colocando-nos em\u00a0contato f\u00edsico e conceitual com uma po\u00e9tica que empreende a constru\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o para a percep\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos e da arte.<br \/>\nUma instala\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um convite a n\u00e3o sentirmos o espa\u00e7o apenas com o olhar, mas com todo o corpo. Esse enfrentamento tem sido uma constante no modo de pensar e fazer da artista. Suas pinturas tamb\u00e9m se organizam numa estrutura\u00e7\u00e3o modular, com signos pr\u00f3prios, remontando um mural tot\u00eamico de culturas que ainda estamos por descobrir. E como poder\u00edamos interpretar estes signos? Por analogia estas composi\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas, formadas por fragmentos de pinturas sobre tacos de madeira, que podem ser tocados, relacionam-se com as fotografias compartilhadas pelo p\u00fablico na entrada da galeria. Este conjunto de imagens constituem um conceito de espa\u00e7o sagrado, do qual a artista e o curador comungam como ex-diretores desta institui\u00e7\u00e3o museol\u00f3gica, e que pode representar aquele sentimento mais contempor\u00e2neo em nossa sociedade, isto significa dizer que um museu de arte contempor\u00e2nea deve ser um espa\u00e7o para todos, diferente das paredes do museu cl\u00e1ssico, mas assim como a rua \u00e9 para todos: popular.<br \/>\nVivemos, h\u00e1 algum tempo, um momento de reten\u00e7\u00e3o e de reflex\u00e3o para a arte. Especialmente para a arte contempor\u00e2nea que se dedica a debater muitas quest\u00f5es: da arte e a pol\u00edtica, a cidade, a mem\u00f3ria, a identidade, entre outros. Sobretudo a arte atual se devota a construir o pr\u00f3prio espa\u00e7o para afirma\u00e7\u00e3o e exist\u00eancia da diversidade contempor\u00e2nea. Temos um compromisso fundador com a conquista de um lugar para arte do presente. N\u00e3o \u00e9 suficiente que a arte reflita suas rela\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas e com a vida em sociedade, sem assegurar o lugar para a preserva\u00e7\u00e3o destes pensamentos onde se conhe\u00e7a, reflita e respeite as diferen\u00e7as de ideias e se perceba o mundo contempor\u00e2neo. Sobre as paredes dessa galeria a artista tenciona e abre o espa\u00e7o para que possamos tamb\u00e9m expor as nossas quest\u00f5es, um lugar que se apresenta diferentemente de uma simples exposi\u00e7\u00e3o de quadros.<br \/>\nAssim, mais que criar disfarces para as paredes brancas, o trabalho de Marli intersecciona conte\u00fado para este lugar, pois sua obra se faz com o espa\u00e7o e as pessoas, com as pr\u00f3prias linhas que saem das superf\u00edcies lisas que at\u00e9 ent\u00e3o delimitavam a sala, deixando de ser mero suporte decorativo ou contemplativo. A artista descobre o ambiente expositivo e convoca tamb\u00e9m a estrutura que o sustenta a participar do seu trabalho. Outros artistas, como BonGiovanni e Tulio Pinto, inclusive nesta galeria, al\u00e9m da carioca Ana Holck, tamb\u00e9m compreenderam esta necessidade permanente de reflex\u00e3o, enfrentando o espa\u00e7o que nos recepciona e desafiando o p\u00fablico a pensar sobre a experi\u00eancia art\u00edstica.<br \/>\nLogo, tamb\u00e9m somos chamados a discutir, mais longe que a obra, o espa\u00e7o que ela ocupa. A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 o pr\u00f3prio espa\u00e7o para arte contempor\u00e2nea, a ocupa\u00e7\u00e3o e o direito a este lugar. Uma reflex\u00e3o entre os limites da obra formada pela trama de fios que pode emaranhar nossos pensamentos ou estabelecer liga\u00e7\u00f5es, expressando conceitos que compartilham a vis\u00e3o de mundo exterior e interior da artista conosco&#8221;<br \/>\nAndr\u00e9 Venzon.<br \/>\nArtista visual, curador e gestor cultural. Mestrando em Po\u00e9ticas Visuais pelo PPGAV\/IA-UFRGS<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-71293\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/exposi\u00e7\u00e3o-marli-4-339x450.jpg\" alt=\"\" width=\"339\" height=\"450\" \/><br \/>\n<strong><u>SERVI\u00c7O:<\/u><\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><strong>Exposi\u00e7\u00e3o \u201cESPA\u00c7O SENTIDO\u201d da artista Marli Amado de Ara\u00fajo<\/strong><br \/>\n<strong>Curadoria de Andr\u00e9 Venzon<\/strong><br \/>\n<strong>Museu de Arte Contempor\u00e2nea do RS<\/strong><br \/>\nRua dos Andradas, 736, 6\u00ba andar \u2013 Galeria Xico Stockinger, Casa de Cultura Mario Quintana<br \/>\n<strong>Abertura dia 27 de novembro de 2018, \u00e0s 19h<\/strong><br \/>\n<strong>Visita\u00e7\u00e3o de 28 de novembro \u00e0 06 de janeiro de 2019<\/strong><br \/>\n<strong>De ter\u00e7a \u00e0 sexta, das 9h \u00e0s 19h, s\u00e1bados, domingos e feriados das 12h \u00e0s 19h<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artista e ex-diretora do MAC, Marli Amado de Ara\u00fajo, criou uma grande instala\u00e7\u00e3o escult\u00f3rica para o espa\u00e7o expositivo, al\u00e9m de uma obra que recepciona os visitantes composta por um mosaico com fotos polaroides em que o p\u00fablico, previamente convidado, registrou o panorama urbano de Porto Alegre e do entorno da Casa de Cultura Mario Quintana. 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