{"id":715,"date":"2006-01-20T12:53:52","date_gmt":"2006-01-20T15:53:52","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=715"},"modified":"2006-01-20T12:53:52","modified_gmt":"2006-01-20T15:53:52","slug":"fazendeiros-vao-ganhar-com-os-cata-ventos-de-osorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/fazendeiros-vao-ganhar-com-os-cata-ventos-de-osorio\/","title":{"rendered":"Fazendeiros v\u00e3o ganhar com os cata-ventos de Os\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/osorio.jpg?0.6016451498340227\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"206\" \/><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Nas terras onde antes havia gado, agora apenas os ventos soprar\u00e3o (Foto: Geraldo Hasse)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Geraldo Hasse<\/strong>, de Os\u00f3rio<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando ficou sabendo que os espanh\u00f3is queriam falar com ela sobre a industrializa\u00e7\u00e3o do vento que passa em sua fazenda no Cap\u00e3o da Areia, no interior de Os\u00f3rio, Dona Iracema Dariva ficou insegura e pediu ajuda ao seu advogado, Francisco Moro, um dos mais conceituados do munic\u00edpio. Afinal, pensou ela, \u201cem neg\u00f3cio novo e com gente desconhecida, \u00e9 preciso se precaver\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dr. Moro conversou com os forasteiros e tranq\u00fcilizou-a. Al\u00e9m de assessor\u00e1-la na elabora\u00e7\u00e3o do contrato, ele se tornou uma esp\u00e9cie de fio-terra das negocia\u00e7\u00f5es entre os empreiteiros do vento e diversos propriet\u00e1rios das terras onde est\u00e3o sendo constru\u00eddos os cata-ventos gigantes da Elecnor, a empresa l\u00edder do empreendimento, pela qual acabou sendo tamb\u00e9m contratado.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cDepois da D. Iracema, eu fui o primeiro a tratar com os espanh\u00f3is\u201d, diz o Dr. Moro, consciente do seu papel de conciliador dos interesses das partes do maior empreendimento jamais realizado em Os\u00f3rio. Como outros protagonistas secund\u00e1rios do neg\u00f3cio, ele acha que conseguiu um lugar na hist\u00f3ria do munic\u00edpio, onde todo mundo parece acreditar que a usina e\u00f3lica ser\u00e1 um divisor de \u00e1guas. \u201cOs\u00f3rio nunca mais ser\u00e1 a mesma depois dessa usina\u201d, afirma D. Iracema, convencida de que, apesar de ter ficado inicialmente meio cabreira com a proposta espanhola, \u201cn\u00e3o podia trancar o progresso de Os\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dona da mais antiga loja de tecidos e decora\u00e7\u00e3o da cidade, D. Iracema admite que at\u00e9 agora n\u00e3o tem queixas. Est\u00e1 confiante: os espanh\u00f3is parecem gente s\u00e9ria. \u00c9 verdade que no meio do caminho a Elecnor apareceu com uma segunda identidade (Enerfin) e no frigir dos ovos a usina est\u00e1 sendo tocada por uma nova firma, Ventos do Sul, mas as pessoas foram sempre as mesmas, desde o in\u00edcio. A primeira conversa foi com o brasileiro Telmo Magadan, que logo depois trouxe Guillermo Planas Roca, o chef\u00e3o espanhol, diretor geral da Enerfin.<\/p>\n<p align=\"justify\">O entendimento foi t\u00e3o perfeito que a fazenda se tornou o centro das atividades da Elecnor\/Enerfin\/Ventos do Sul e diversas empreiteiras da obra iniciada em meados de 2005. Cinco anos antes, os espanh\u00f3is haviam mandado instalar ali uns aparelhos de medi\u00e7\u00e3o da velocidade dos ventos, mas para todos os efeitos quem fez a pesquisa foi a Interc\u00e2mbio Eletro Mec\u00e2nico, empresa de consultoria de Hans Dieter Rahn, que desde 1942 trabalha com energia alternativas em Porto Alegre. Rahn \u00e9 de uma seriedade a toda prova, mas na \u00e9poca ningu\u00e9m acreditava nesse lero de captar a energia dos ventos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Hoje est\u00e3o ocupadas pelo projeto e\u00f3lico cerca de 40 dos 270 hectares da fazenda, comprada h\u00e1 mais de 30 anos como reserva de valor em momento de infla\u00e7\u00e3o alta. Dentro dela existe uma casa constru\u00edda em 1881, \u00e9poca em que o munic\u00edpio era conhecido por seu primeiro nome, Concei\u00e7\u00e3o do Arroio. Para explorar a propriedade com agricultura e pecu\u00e1ria, Iracema e seu primeiro marido Crineu Dariva (j\u00e1 falecido) convidaram a amiga Nadir Brum da Costa, que at\u00e9 hoje permanece como s\u00f3cia do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ainda bem que surgiu a novidade do vento, pois a explora\u00e7\u00e3o tradicional da propriedade n\u00e3o vinha dando grandes resultados, ainda que as terras sejam consideradas excelentes para engorda bovina. No segundo semestre de 2005, com a instala\u00e7\u00e3o das empreiteiras na fazenda, n\u00e3o deu nem para plantar os talh\u00f5es de arroz necess\u00e1rios para a pesquisa da Embrapa Terras Baixas, de Pelotas, sobre a integra\u00e7\u00e3o orizicultura-pecu\u00e1ria. A pesquisa foi iniciada h\u00e1 tr\u00eas anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Naturalmente, \u00e9 grande a esperan\u00e7a na virada. A expectativa \u00e9 que a partir de 2007 o vento d\u00ea muito mais dinheiro do que o plantio de cereal e a cria\u00e7\u00e3o de gado. A agricultura, diz D. Iracema, \u00e9 um risco duplo: primeiro \u00e9 preciso contar com a Natureza; segundo, torcer para que o governo n\u00e3o resolva fazer pol\u00edtica em cima do trabalho do agricultor. Em Os\u00f3rio, como em outras regi\u00f5es agr\u00edcolas do Brasil, os arrozeiros se queixam da libera\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de arroz do Mercosul e das imposi\u00e7\u00f5es dos fabricantes de insumos e equipamentos. J\u00e1 os pecuaristas operam com margens cada vez mais estreitas, pois a oferta cresce mais do que a capacidade de compra da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 o vento sopra a maior parte do ano a custo zero. O contrato com a Elecnor \u00e9 por 35 anos. D. Iracema vai ter uma participa\u00e7\u00e3o na venda da energia produzida pelos 12 cata-ventos instalados em suas terras. Ela n\u00e3o diz o percentual, mas na cidade se comenta que equivale a R$ 1 mil mensais limpos por gerador. Sem d\u00favida, \u00e9 uma boa renda numa regi\u00e3o sem ind\u00fastrias e sujeita aos altos e baixos da agricultura, da constru\u00e7\u00e3o civil e do turismo de ver\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas terras onde antes havia gado, agora apenas os ventos soprar\u00e3o (Foto: Geraldo Hasse) Geraldo Hasse, de Os\u00f3rio Quando ficou sabendo que os espanh\u00f3is queriam falar com ela sobre a industrializa\u00e7\u00e3o do vento que passa em sua fazenda no Cap\u00e3o da Areia, no interior de Os\u00f3rio, Dona Iracema Dariva ficou insegura e pediu ajuda ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-715","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-bx","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/715\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}