{"id":71761,"date":"2018-12-18T18:23:57","date_gmt":"2018-12-18T20:23:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=71761"},"modified":"2018-12-18T18:23:57","modified_gmt":"2018-12-18T20:23:57","slug":"governo-desiste-de-acao-e-aldeia-mbya-guarani-fica-em-maquine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/governo-desiste-de-acao-e-aldeia-mbya-guarani-fica-em-maquine\/","title":{"rendered":"Governo desiste de a\u00e7\u00e3o e aldeia Mbya Guarani fica em Maquin\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">ANA MARIA BARROS PINTO<\/span><br \/>\nQuase dois anos ap\u00f3s a retomada Mbya Guarani da \u00e1rea da extinta Fepagro Litoral<br \/>\nNorte, em Maquin\u00e9, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) pediu ao juiz o fim da a\u00e7\u00e3o<br \/>\nde reintegra\u00e7\u00e3o de posse ajuizada em fevereiro de 2017, garantindo, assim, a<br \/>\nperman\u00eancia dos ind\u00edgenas no local.<br \/>\nNo pedido, aceito pelo juiz de Cap\u00e3o da Canoa, fica definido que haver\u00e1 a destina\u00e7\u00e3o de parte da \u00e1rea para fins de assentamento da aldeia Mbya Guarani (208 dos 367 hectares).<br \/>\nO restante da \u00e1rea fica com pesquisa que vinha sendo desenvolvida pela ent\u00e3o Fepagro, agora um departamento da Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR),<br \/>\nA decis\u00e3o da PGE \u00e9 resultado de uma ampla mobiliza\u00e7\u00e3o, especialmente dos ind\u00edgenas,\u00b4para\u00a0reaver terras ancestrais do Litoral Norte e assim poder<br \/>\nretomar sua cultura, avalia o procurador do Estado, Silvio Jardim, representante da PGE no CEPI (Conselho Estadual de Povos Ind\u00edgenas).<br \/>\nO movimento envolveu tamb\u00e9m dezenas de pessoas e de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, que se deslocavam a Maquin\u00e9 para reuni\u00f5es com os Mbya Guarani, sempre recepcionados com cantos tradicionais do coral de crian\u00e7as e jovens da aldeia batizada de Ka\u2019aguy Por\u00e3 (bela terra que tem vida).<br \/>\nA mobiliza\u00e7\u00e3o teve tamb\u00e9m audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o de Cidadania e Direitos<br \/>\nHumanos da ALRS e reuni\u00f5es com os secret\u00e1rios da Agricultura, primeiro Ernani Polo e depois Odacir Klein, entre muitas atividades de apoio ao povo Mbya Guarani na sua<br \/>\nreivindica\u00e7\u00e3o pela terra ancestral.<br \/>\nPor conta desse processo e da busca de uma negocia\u00e7\u00e3o, os prazos da reintegra\u00e7\u00e3o de posse foram suspensos v\u00e1rias vezes.<br \/>\nJardim salienta que a retomada Mbya Guarani envolveu muitas institui\u00e7\u00f5es na busca de uma solu\u00e7\u00e3o: as Secretarias Estaduais da Agricultura, Pesca e Irriga\u00e7\u00e3o (SEAPI), que det\u00e9m a \u00e1rea desde a extin\u00e7\u00e3o da Fepagro), Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) e Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Sema); a Comiss\u00e3o de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS, Associa\u00e7\u00e3o dois Ju\u00edzes para a Democracia (AJD), Associa\u00e7\u00e3o dos Servidores da Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Assep), Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal , Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da PGE\/RS e Conselho Estadual dos Povos Ind\u00edgenas (CEPI).<br \/>\n\u201c\u00c9 um passo significativo, mostra um caminho quando h\u00e1 uma determina\u00e7\u00e3o,<br \/>\nengajamento da sociedade e das institui\u00e7\u00f5es para resolver um problema\u201d, diz Jardim.<br \/>\nChama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de os Mbya compreenderem que era importante<br \/>\nrespeitar a \u00e1rea de pesquisa, sendo poss\u00edvel chegar a um acordo na utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-71767\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Mbya-Guarani-colheita-450x450.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" \/>A primeira retomada<br \/>\nFoi no dia 27 de janeiro de 2017 que 27 fam\u00edlias Mbya Guarani retomaram uma \u00e1rea<br \/>\nem Maquin\u00e9, a 155 km de Porto Alegre, onde funcionou por muitos anos a Funda\u00e7\u00e3o<br \/>\nde Pesquisa Agropecu\u00e1ria do Rio Grande do Sul (Fepagro), extinta pelo atual governo.<br \/>\nEles entraram pacificamente na \u00e1rea de mata nativa, por baixo das cercas, guiados por seu Deus maior Nhanderu, como sempre contam.<br \/>\nFoi a primeira retomada no RS, onde o povo Mbya Guarani \u00e9 conhecido por viver em<br \/>\nacampamentos prec\u00e1rios por d\u00e9cadas, nas beiras de estradas, com sinaliza\u00e7\u00e3o de<br \/>\ntr\u00e2nsito de \u201c\u00e1rea ind\u00edgena\u201d.<br \/>\nFicam por ali aguardando que o governo lhes destine uma terra para que possam viver com dignidade.<br \/>\nMas na maioria das vezes, quando a \u00e1rea prometida vem, \u00e9 terra deteriorada, quase sem vida e que n\u00e3o serve mais para o plantio dos principais alimentos tradicionais, como o milho, mandioca e batata doce.<br \/>\nDesde o in\u00edcio, as lideran\u00e7as Mby\u00e1 Guarani repetiam que o movimento n\u00e3o era<br \/>\nocupa\u00e7\u00e3o nem invas\u00e3o. \u00c9 uma retomada\u00a0da sua dignidade enquanto povo, o que s\u00f3 \u00e9<br \/>\nposs\u00edvel com a\u00a0vida no seu territ\u00f3rio ancestral.<br \/>\nPor viverem naquela regi\u00e3o, eles circulavam por aquelas terras coletando plantas medicinais, frutas e mat\u00e9ria prima para o artesanato.<br \/>\nEnquanto aguardavam a decis\u00e3o da Justi\u00e7a, os Mbya foram organizando a Ka\u2019aguy<br \/>\nPor\u00e3, retomando a cultura num lugar que possibilita o nhanderek\u00f3, o jeito de ser<br \/>\nGuarani.<br \/>\nAs crian\u00e7as ali crescem saud\u00e1veis e felizes em intera\u00e7\u00e3o com a mata sagrada<br \/>\nMby\u00e1 Guarani. Recebem visitantes de v\u00e1rias cidades e regi\u00f5es e ampliam os apoios<br \/>\nem Maquin\u00e9 e arredores. E j\u00e1 tem at\u00e9 uma escola, a Tek\u00f3 Jeap\u00f3 (cultura em a\u00e7\u00e3o, em<br \/>\ntradu\u00e7\u00e3o livre), totalmente idealizada por eles.<br \/>\nPovo de resist\u00eancia<br \/>\nExistem cerca de duas mil pessoas Mby\u00e1 Guarani vivendo em aldeias ou acampamentos no Rio Grande do Sul. No sul e sudeste do Brasil chegam a sete mil, e est\u00e3o ainda na Argentina e Paraguai.<br \/>\nFazem parte dos povos origin\u00e1rios das Am\u00e9ricas que perderam seus lugares (e suas pr\u00f3prias vidas) de modo extremamente violento para os colonizadores europeus, os quais, em grande medida, aqui no Rio Grande do Sul, com pouco mais de um s\u00e9culo de chegada do al\u00e9m-mar.<br \/>\nO territ\u00f3rio dos Guarani \u2013 Guarani Ret\u00e3- \u00e9 anterior \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos estados<br \/>\nnacionais atuais. S\u00e3o caracterizados por ecossistemas de not\u00e1vel equil\u00edbrio, com terras saud\u00e1veis para o cultivo dos seus alimentos b\u00e1sico.<br \/>\n\u00c9 a \u201cterra sem mal\u201d que o povo guarani tanto busca: os \u201cmales\u201d para o povo guarani s\u00e3o uma terra esgotada para o plantio, uma paisagem des\u00e9rtica, um campo sem \u00e1rvores e p\u00e1ssaros ou, como atualmente, a produ\u00e7\u00e3o de soja, cana de a\u00e7\u00facar ou pinus e a cria\u00e7\u00e3o de gado.<br \/>\nTamb\u00e9m, e em consequ\u00eancia, doen\u00e7as e mortes por fome e epidemias, desentendimentos, desordem e conflitos entre os membros e fam\u00edlias das<br \/>\ncomunidades.<br \/>\nUm dos maiores \u201cmales\u201d que esse povo tem enfrentado \u00e9 a invas\u00e3o e<br \/>\ndestrui\u00e7\u00e3o das suas terras, e com isso a amea\u00e7a contra o seu modo de ser, sua cultura, somada \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e desprezo que os \u201cbrancos\u201d invasores lhes imp\u00f5em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANA MARIA BARROS PINTO Quase dois anos ap\u00f3s a retomada Mbya Guarani da \u00e1rea da extinta Fepagro Litoral Norte, em Maquin\u00e9, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) pediu ao juiz o fim da a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse ajuizada em fevereiro de 2017, garantindo, assim, a perman\u00eancia dos ind\u00edgenas no local. 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