{"id":71945,"date":"2018-12-27T15:54:24","date_gmt":"2018-12-27T17:54:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=71945"},"modified":"2018-12-27T15:54:24","modified_gmt":"2018-12-27T17:54:24","slug":"relatorio-registra-retrocesso-do-brasil-nos-direitos-humanos-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/relatorio-registra-retrocesso-do-brasil-nos-direitos-humanos-em-2018\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio registra retrocesso do Brasil nos direitos humanos em 2018"},"content":{"rendered":"<p>O relat\u00f3rio da Anistia Internacional &#8220;O Estado dos Direitos Humanos no Mundo&#8221;, divulgado nos \u00faltimos dias de 2018, dedica um cap\u00edtulo ao Brasil do governo Michel Temer (MDB).<br \/>\nO documento avalia as pol\u00edticas relacionadas ao tema em diferentes pa\u00edses e seus resultados.<br \/>\nNo caso brasileiro, o per\u00edodo analisado compreende o \u00faltimo ano, j\u00e1 sob governo de Temer.<br \/>\nJ\u00e1 em novembro, em inspe\u00e7\u00e3o por oito Estados brasileiros, um outro org\u00e3o internacional, a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, havia constatado em relat\u00f3rio preliminar que o Brasil vivia &#8220;um retrocesso nesse campo&#8221;<br \/>\nA Anistia dividiu o relat\u00f3rio onze temas temas: mudan\u00e7as legais, constitucionais e institucionais; monitoramento internacional; for\u00e7as policiais e de seguran\u00e7a; condi\u00e7\u00f5es prisionais; liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o; defensores dos direitos humanos; conflitos por terra; direitos dos povos ind\u00edgenas; direitos LGBT; liberdade de religi\u00e3o e cren\u00e7a; e direito das crian\u00e7as.<\/p>\n<h3><strong>Mudan\u00e7as institucionais<\/strong><\/h3>\n<p>Quase 200 altera\u00e7\u00f5es que amea\u00e7am os direitos das pessoas s\u00e3o descritas no documento \u2013 entre as mudan\u00e7as em lei propostas ou concretizadas<br \/>\nA proposta de redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal &#8220;em que crian\u00e7as podem ser julgadas como adultos&#8221; est\u00e1 entre elas.<br \/>\nAssim como tentativas de flexibilizar o acesso \u00e0s armas de fogo, a criminaliza\u00e7\u00e3o dos protestos, a proibi\u00e7\u00e3o absoluta do aborto at\u00e9 em casos de estupro.<br \/>\nUm ponto positivo citado pelo documento foi a aprova\u00e7\u00e3o da nova lei de imigra\u00e7\u00e3o (Lei 13.455\/2017), que traz mais garantias para imigrantes.<br \/>\nEntretanto, a lista de preju\u00edzos \u00e9 grande.<br \/>\nMudan\u00e7as nos processos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, retrocessos na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, tentativas do governo federal em dificultar o acesso dos cidad\u00e3os \u00e0 aposentadoria, com a reforma da Previd\u00eancia, s\u00e3o elencados.<br \/>\n\u00c9 citada tamb\u00e9m a a Lei 13.491\/2017, que prev\u00ea que crimes cometidos por militares devem ser julgados em tribunais militares. &#8220;Essa lei viola o direito a um julgamento justo&#8221;, afirma o relat\u00f3rio.<br \/>\nO documento lembra que a ONU fez 246 recomenda\u00e7\u00f5es ao Brasil relacionadas a temas como direitos de povos ind\u00edgenas, averigua\u00e7\u00e3o de crimes policiais, torturas em pris\u00f5es e prote\u00e7\u00e3o a defensores dos direitos humanos.<br \/>\nO pa\u00eds aceitou as recomenda\u00e7\u00f5es, entretanto, &#8220;com a ado\u00e7\u00e3o de leis e pol\u00edticas retr\u00f3gradas durante o ano, a aplica\u00e7\u00e3o dessas recomenda\u00e7\u00f5es causava preocupa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h3><strong>Militarismo e c\u00e1rcere<\/strong><\/h3>\n<p>O cap\u00edtulo mais extenso do documento trata de quest\u00f5es relacionadas \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a.<br \/>\n&#8220;As pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica continuaram a se basear em interven\u00e7\u00f5es policiais altamente militarizadas, motivadas principalmente pela chamada pol\u00edtica de \u2018guerra \u00e0s drogas\u2019&#8221;, afirma o documento.<br \/>\nEntretanto, os resultados foram ineficazes. Aumentou o n\u00famero de homic\u00eddios, especialmente no Nordeste, e, sobretudo, entre a popula\u00e7\u00e3o jovem e negra.<br \/>\nAs investidas militares em favelas foram destaque negativo do relat\u00f3rio.<br \/>\n&#8220;As opera\u00e7\u00f5es policiais em \u00e1reas marginalizadas geralmente resultaram em tiroteios intensos e mortes&#8221;, afirma.<br \/>\nA Anistia ressalta que os dados sobre a viol\u00eancia policial no Brasil s\u00e3o imprecisos, mas que em S\u00e3o Paulo, foram 494 mortes at\u00e9 setembro e, no Rio de Janeiro, 1.035.<br \/>\nSobre a situa\u00e7\u00e3o das cadeias, a organiza\u00e7\u00e3o v\u00ea a continuidade de um sistema falido.<br \/>\n&#8220;Continuou superlotado e os presos eram mantidos em situa\u00e7\u00f5es degradantes e desumanas. A popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria era de 727 mil pessoas, das quais 55% tinham entre 18 e 29 anos e 64% eram afrodescendentes&#8221;, afirma.<br \/>\nA propor\u00e7\u00e3o de presos em situa\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, sem o devido julgamento, \u00e9 superior: 40%.<br \/>\nA ocorr\u00eancia de mortes decorrentes de rebeli\u00f5es foi alarmante, &#8220;64 no Amazonas, 31 em Roraima, 26 no Rio Grande do Norte e duas na Para\u00edba&#8221;.<br \/>\nE o 25\u00ba anivers\u00e1rio do massacre do Carandiru tamb\u00e9m foi lembrado, quando a Anistia lamentou que os respons\u00e1veis ainda n\u00e3o foram responsabilizados.<\/p>\n<h3><strong>Direito \u00e0 terra<\/strong><\/h3>\n<p>Os seguidos ataques de pistoleiros contratados por propriet\u00e1rios de latif\u00fandios foram lembrados com detalhes, inclusive quando esses homic\u00eddios afetam defensores de direitos humanos.<br \/>\n&#8220;O Par\u00e1 e o Maranh\u00e3o estavam entre os estados nos quais os defensores corriam maior perigo&#8221;, cita o relat\u00f3rio, a partir de dados do Comit\u00ea Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, que registram 62 mortes entre janeiro e setembro de 2017.<br \/>\nA viol\u00eancia em conflitos por terras afetou comunidades ind\u00edgenas.<br \/>\n&#8220;Estruturas institucionais e pol\u00edticas nacionais foram minadas pelo governo e pelos tribunais, o que atrasaram ainda mais o j\u00e1 demorado processo de demarca\u00e7\u00e3o de terras, agravando conflitos fundi\u00e1rios. Dados divulgados pelo Conselho Indigenista Mission\u00e1rio durante o ano revelaram que pelo menos 118 ind\u00edgenas foram mortos em 2016&#8221;, afirma, tamb\u00e9m lembrando cortes em \u00f3rg\u00e3os como a Funda\u00e7\u00e3o nacional do \u00cdndio (Funai). Foi em 12 de maio daquele ano que Temer assumiu a presid\u00eancia.<\/p>\n<h3><strong>Liberdades individuais<\/strong><\/h3>\n<p>A escalada da viol\u00eancia dos ultraconservadores tamb\u00e9m mereceu destaque no relat\u00f3rio. &#8220;Segundo o Grupo Gay da Bahia, 277 pessoas LGBTI foram assassinadas no Brasil entra 1\u00ba de janeiro e 20 de setembro, o maior n\u00famero registrado desde que o grupo come\u00e7ou a compilar esses dados em 1980.&#8221;<br \/>\nOs seguidos atentados contra locais de culto de religi\u00f5es de matrizes africanas por integrantes de outras religi\u00f5es tamb\u00e9m foram citados, com destaque para o Rio de Janeiro, onde ao menos oito ataques do tipo foram registrados.<br \/>\n(Com informa\u00e7\u00f5es da RBA)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O relat\u00f3rio da Anistia Internacional &#8220;O Estado dos Direitos Humanos no Mundo&#8221;, divulgado nos \u00faltimos dias de 2018, dedica um cap\u00edtulo ao Brasil do governo Michel Temer (MDB). O documento avalia as pol\u00edticas relacionadas ao tema em diferentes pa\u00edses e seus resultados. No caso brasileiro, o per\u00edodo analisado compreende o \u00faltimo ano, j\u00e1 sob governo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":71947,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-71945","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-iIp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71945","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71945"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71945\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}