{"id":7287,"date":"2010-08-31T17:50:05","date_gmt":"2010-08-31T20:50:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=7287"},"modified":"2010-08-31T17:50:05","modified_gmt":"2010-08-31T20:50:05","slug":"7287","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/7287\/","title":{"rendered":"Como calar e intimidar a imprensa"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"olho\">Reproduzimos o artigo do jornalista Luiz Cl\u00e1udio Cunha, publicado hoje no Observat\u00f3rio da Imprensa, sobre o processo que condena o jornal J\u00c1 a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o de quase 100 mil reais \u00e0 familia Rigotto. <\/span><br \/>\n<span class=\"olho\">O artigo foi distribuido pelo Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos para todas as entidades jornal\u00edsticas internacionais. <\/span><br \/>\n[quote style=&#8221;4&#8243; author=&#8221;Pierre Chesnelong, 1820-1894, pol\u00edtico franc\u00eas&#8221;]Quando o mal \u00e9 mais audacioso, o bem precisa ser mais corajoso[\/quote]<br \/>\n<span class=\"assina\">Luiz Cl\u00e1udio Cunha *<\/span><br \/>\nAgosto, m\u00eas de cachorro louco, marcou o d\u00e9cimo ano da mais longa e infame a\u00e7\u00e3o na<br \/>\nJusti\u00e7a brasileira contra a liberdade de express\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 movida pela fam\u00edlia do ex-governador Germano Rigotto, 60 anos, agora candidato<br \/>\nao Senado pelo PMDB do Rio Grande do Sul e supostamente alheio ao processo aberto em 2001 por sua m\u00e3e, dona Julieta, hoje com 89 anos.<br \/>\nA fam\u00edlia atacou em duas frentes, indignada com uma reportagem de quatro p\u00e1ginas, publicada em maio daquele ano num pequeno mens\u00e1rio (tiragem de 5 mil exemplares) de Porto Alegre, o J\u00c1, que jogava luzes sobre a maior fraude da hist\u00f3ria ga\u00facha e repercutia o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irm\u00e3o de Germano.<br \/>\nUma a\u00e7\u00e3o, c\u00edvel, cobrava indeniza\u00e7\u00e3o da editora por dano moral. A outra, por inj\u00faria,<br \/>\ncal\u00fania e difama\u00e7\u00e3o, punia o editor do J\u00c1 e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa, hoje com 66 anos.<br \/>\nO jornalista foi absolvido em todas as inst\u00e2ncias, apesar dos recursos da fam\u00edlia Rigotto,<br \/>\ne o processo pelo C\u00f3digo Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Bones acabou sendo condenado na \u00e1rea c\u00edvel ao pagamento de uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 17 mil.<br \/>\nEm agosto de 2005 a Justi\u00e7a determinou a penhora dos bens da empresa. O J\u00c1 ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz n\u00e3o aceitou. Em agosto de 2009, sempre agosto, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justi\u00e7a nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunit\u00e1rio quase moribundo, sem an\u00fancios e reduzido a uma reda\u00e7\u00e3o virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois \u2013 Bones e Patr\u00edcia Marini, sua companheira.<br \/>\nCinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos vazios, penalizado diante da flagrante indig\u00eancia financeira da editora.<br \/>\nAt\u00e9 que, na semana passada, no maldito agosto de 2010, a fam\u00edlia de Germano Rigotto<br \/>\nsaboreou mais um giro no inacredit\u00e1vel garrote judicial que asfixia o jornal e seu editor desde o in\u00edcio do S\u00e9culo 21: o juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15\u00aa Vara C\u00edvel de Porto Alegre, autorizou o bloqueio on-line das contas banc\u00e1rias pessoais de Elmar Bones e seu s\u00f3cio minorit\u00e1rio, o tamb\u00e9m jornalista Kenny Braga.<br \/>\nAssim, depois do cerco judicial que est\u00e1 matando a editora, a fam\u00edlia Rigotto assume o risco deliberado de submeter dois dos jornalistas mais conhecidos do Rio Grande ao<br \/>\nvexame da inani\u00e7\u00e3o, privados dos recursos essenciais \u00e0 subsist\u00eancia de qualquer ser humano.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O personagem de Scorsese<\/span><br \/>\nAfinal, qual o odioso crime praticado pelo J\u00c1 e por Elmar Bones que possa justificar<br \/>\ntanta ira, tanta vindita, ao longo de tanto tempo, pelo bilioso cl\u00e3 Rigotto? O pecado do jornal e seu editor s\u00f3 pode ter sido o jornalismo de primeira qualidade, ousado e corajoso, que lhe conferiu em 2001 os pr\u00eamios Esso Regional e ARI (Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Imprensa), os principais da categoria no sul do pa\u00eds, pela reportagem \u201cCaso Rigotto \u2013 Um golpe de US$ 65 milh\u00f5es e duas mortes n\u00e3o esclarecidas\u201d.<br \/>\nA primeira morte era a de uma garota de programa, Andr\u00e9a Viviane Catarina, 24 anos,<br \/>\nque despencou nua do 14\u00b0 andar de um pr\u00e9dio na rua Duque de Caxias, no centro da capital ga\u00facha, no fim da tarde de 29 de setembro de 1998. O dono do apartamento, Lindomar Rigotto, estava l\u00e1 na hora da queda.<br \/>\nEle contou \u00e0 policia que a garota tinha bebido u\u00edsque e ingerido coca\u00edna. Nenhum<br \/>\nvest\u00edgio de \u00e1lcool ou droga foi confirmado nos exames de sangue coletados pela criminal\u00edstica. O laudo da necropsia diz que a v\u00edtima mostrava tr\u00eas les\u00f5es \u2014 duas nas costas, uma no rosto \u2014 que n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o com a queda. Ela estava ferida antes de cair, o que indicava que houve luta no apartamento.<br \/>\nUm teste do Instituto de Criminal\u00edstica indicou que o corpo de Andr\u00e9a recebeu um<br \/>\nimpulso no in\u00edcio da queda.<br \/>\nNo relat\u00f3rio que fez ap\u00f3s ouvir Rigotto, o delegado Cl\u00e1udio Barbedo, um dos mais<br \/>\nexperientes da pol\u00edcia ga\u00facha, achou relevante anotar: \u201c[Lindomar] dep\u00f4s sorrindo, senhor de si, falando como se estivesse proferindo uma confer\u00eancia\u201d.<br \/>\nOs rep\u00f3rteres que o viram chegar para depor, no dia 12 de novembro, disseram que ele parecia \u201cum personagem de Martin Scorsese\u201d, famoso pelos filmes sobre a M\u00e1fia: Lindomar usava \u00f3culos escuros, terno azul marinho, cal\u00e7a com bainha italiana, camisa azul, gravata colorida e gel nos cabelos compridos.<br \/>\nO figurino n\u00e3o impressionou o delegado, que incluiu na den\u00fancia o depoimento de uma testemunha informando que Lindomar era conhecido como \u201cusu\u00e1rio e traficante de coca\u00edna\u201d na noite que ele freq\u00fcentava \u2014 por prazer e of\u00edcio \u2014 como dono do Ibiza Club, uma rede de quatro casas noturnas que agitavam as madrugadas no litoral do Rio Grande e Santa Catarina.<br \/>\nEm dezembro, o delegado Cl\u00e1udio Barbedo concluiu o inqu\u00e9rito, denunciando Lindomar Rigotto por homic\u00eddio culposo e omiss\u00e3o de socorro.<br \/>\nLindomar s\u00f3 n\u00e3o sentou no banco dos r\u00e9us porque teve tamb\u00e9m uma morte violenta,<br \/>\n142 dias ap\u00f3s a de Andr\u00e9a. Na manh\u00e3 de 17 de fevereiro, ele fechava o balan\u00e7o da \u00faltima noite do Carnaval de 1999, que levou sete mil foli\u00f5es ao sal\u00e3o do Ibiza da praia de Atl\u00e2ntida, a casa mais badalada do litoral ga\u00facho.<br \/>\nCinco homens armados irromperam no local e roubaram a f\u00e9ria da<br \/>\nnoitada. Lindomar saiu em persegui\u00e7\u00e3o ao carro dos assaltantes. Emparelhou com eles na praia vizinha, Xangril\u00e1, a tr\u00eas quil\u00f4metros do Ibiza. Um assaltante botou a arma para fora e disparou uma \u00fanica vez. Lindomar morreu a caminho do hospital, com um tiro acima do olho direito. Tinha 47 anos.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O choque de Dilma<\/span><br \/>\nA trepidante carreira de Lindomar Rigotto sofrera um forte solavanco dez anos<br \/>\nantes, com seu envolvimento na maior fraude da hist\u00f3ria ga\u00facha: a licita\u00e7\u00e3o manipulada de 11 subesta\u00e7\u00f5es da Companhia Estadual de Energia El\u00e9trica (CEEE), uma tungada em valores corrigidos de aproximadamente R$ 840 milh\u00f5es \u2014 21 vezes maiores do que o esc\u00e2ndalo do DETRAN que submeteu a governador Yeda Crusius a um pedido de impeachment, quase tr\u00eas vezes mais do que os desvios atribu\u00eddos ao cl\u00e3 Maluf em S\u00e3o Paulo, quinze vezes maior do que o total contabilizado pelo Supremo Tribunal Federal para denunciar a quadrilha dos 40 do Mensal\u00e3o do Governo Lula.<br \/>\nAfundada em d\u00edvidas, a estatal ga\u00facha de energia tinha dificuldades para captar os US$<br \/>\n141 milh\u00f5es necess\u00e1rios para as subesta\u00e7\u00f5es que gerariam 500 mil quilowatts para 51 pequenas e m\u00e9dias cidades do Rio Grande.<br \/>\nPreocupado com a situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-falimentar da empresa, o ent\u00e3o governador Pedro Simon (PMDB) tinha exigido austeridade total.<br \/>\nAt\u00e9 que, em mar\u00e7o de 1987, inventou-se o cargo de \u201cassistente da diretoria financeira\u201d<br \/>\npara acomodar Lindomar, irm\u00e3o do l\u00edder do Governo Simon na Assembl\u00e9ia, o deputado caxiense Germano Rigotto. \u201cEra um pleito pol\u00edtico da base do PMDB em Caxias do Sul\u201d, confessaria depois o secret\u00e1rio de Minas e Energia, Alcides Saldanha.<br \/>\nMais expl\u00edcito, um assessor de Saldanha refor\u00e7ou a paternidade ao J\u00c1: \u201cHouve resist\u00eancia ao seu nome [Lindomar], mas o irm\u00e3o [Germano] exigiu\u201d.<br \/>\nCom a chegada de Lindomar, as negocia\u00e7\u00f5es com os dois cons\u00f3rcios das obras, que se<br \/>\narrastavam h\u00e1 meses, foram agilizadas em apenas oito dias. Logo ap\u00f3s a assinatura dos contratos, 0os pagamentos foram antecipados, contrariando as normas estritas baixadas por Simon para evitar curtos-circuitos cont\u00e1beis na CEEE.<br \/>\nTr\u00eas meses depois, a empresa foi obrigada a um empr\u00e9stimo de US$ 50 milh\u00f5es do Banco do Brasil, captado pela ag\u00eancia de Nassau, no para\u00edso fiscal das Bahamas.<br \/>\nUma apura\u00e7\u00e3o da \u00e1rea t\u00e9cnica da CEEE detectou graves problemas: documentos adulterados, folhas numeradas a l\u00e1pis, licita\u00e7\u00e3o sem laudo comprovando a necessidade da obra.<br \/>\nA sindic\u00e2ncia da estatal prop\u00f4s a revis\u00e3o dos contratos, mas nada foi feito. A recomenda\u00e7\u00e3o chegou ao governo seguinte, o de Alceu Collares (PDT), e \u00e0 sucessora de Saldanha na pasta das Minas e Energia, uma economista chamada Dilma Rousseff. \u201cEu nunca tinha visto nada igual\u201d, diria ela, chocada com o que leu.<br \/>\nDilma s\u00f3 n\u00e3o botou o dedo na tomada porque o PDT de Collares precisava dos votos do PMDB de Rigotto para ter maioria na Assembl\u00e9ia.<br \/>\nPara evitar o risco de queimaduras, Dilma, \u00e0s v\u00e9speras de deixar a secretaria, em dezembro de 1994, teve o cuidado de mandar aquela papelada de alta voltagem para<br \/>\na Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE), que come\u00e7ou a rastrear a CEEE com auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<br \/>\nDependendo do c\u00e2mbio, o tamanho da fraude constatada era sempre eletrizante: US$ 65 milh\u00f5es, segundo o CAGE, ou R$ 78,9 milh\u00f5es, de acordo com o Minist\u00e9rio P\u00fablico.<br \/>\nA den\u00fancia energizou a cria\u00e7\u00e3o de uma CPI na Assembl\u00e9ia, proposta pelo deputado<br \/>\nVieira da Cunha, l\u00edder da bancada do PDT em 2008 na C\u00e2mara Federal. Vinte e cinco auditores quebraram sigilos banc\u00e1rios e fiscais.<br \/>\nLindomar Rigotto foi apontado em 13 depoimentos como figura central do esquema, acusa\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada pelo chefe dele na CEEE, o diretor-financeiro Silvino Marcon.<br \/>\nA CPI constatou que os vencedores da licita\u00e7\u00e3o, gerenciados por Rigotto, apresentavam<br \/>\npropostas \u201cem combina\u00e7\u00e3o e, talvez, at\u00e9 ao mesmo tempo e pelas mesmas pessoas\u201d. O relat\u00f3rio final lembrava: \u201c\u00c9 for\u00e7oso concluir pela exist\u00eancia de conluio entre as empresas interessadas que, se organizando atrav\u00e9s de cons\u00f3rcios, acertaram a divis\u00e3o das obras entre si, fraudando dessa forma a licita\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nO J\u00c1 foi mais did\u00e1tico: \u201cApurados os vencedores, constatou-se que o cons\u00f3rcio Sulino<br \/>\nvenceu todas as subesta\u00e7\u00f5es do grupo B2 e nenhuma do B1. Em compensa\u00e7\u00e3o, o Conesul venceu todas as obras do B1 e nenhuma do B1. A diferen\u00e7a entre as propostas dos dois cons\u00f3rcios \u00e9 de apenas 1,4%\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O aval de Dulce<\/span><br \/>\nA quebra do sigilo banc\u00e1rio de Lindomar revelou um cr\u00e9dito em sua conta de R$ 1,17 milh\u00e3o, de fonte n\u00e3o esclarecida. O relat\u00f3rio final da CPI caiu na m\u00e3o de um parlamentar do PT, o tamb\u00e9m caxiense Pepe Vargas, primo de Lindomar e Germano Vargas Rigotto.<br \/>\nApesar do parentesco, o primo Pepe, hoje deputado federal, foi inclemente na sua acusa\u00e7\u00e3o final: \u201cDe tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a pr\u00e1tica de corrup\u00e7\u00e3o passiva e enriquecimento il\u00edcito de Lindomar Vargas Rigotto\u201d.<br \/>\nAl\u00e9m dele, a CPI indiciou outras 12 pessoas e 11 empresas, botando no mesmo balaio nomes vistosos como Camargo Corr\u00eaa, Alstom, Brown Boveri, Coemsa, Sultepa e<br \/>\nLorenzetti.<br \/>\nNo final de 1996, a Assembl\u00e9ia remeteu as 260 caixas de papel\u00e3o da CPI ao Minist\u00e9rio<br \/>\nP\u00fablico, de onde nasceu o processo n\u00b0 011960058232 da 2\u00aa Vara C\u00edvel da Fazenda P\u00fablica em Porto Alegre. Os autos somam 30 volumes e 80 anexos e mofam ainda na primeira inst\u00e2ncia do Judici\u00e1rio, protegidos por um inacredit\u00e1vel \u201csegredo de justi\u00e7a\u201d.<br \/>\nEm fevereiro pr\u00f3ximo, o Rio Grande do Sul poder\u00e1 comemorar os 15 anos de completo sigilo sobre a maior fraude de sua hist\u00f3ria.<br \/>\nEsta incr\u00edvel saga de resist\u00eancia e agonia do J\u00c1 e de Bones provocada pela fam\u00edlia<br \/>\nRigotto foi contada, em primeira m\u00e3o, neste OBSERVAT\u00d3RIO, em 24 de novembro passado (\u201cO jornal que ousou contar a verdade\u201d).<br \/>\nNo dia seguinte, uma quarta-feira, Rigotto telefonou de Porto Alegre para reclamar ao autor que assina aquele e este texto. Eis o di\u00e1logo:<br \/>\n\u2014 Isso ficou muito ruim pra mim, Luiz Cl\u00e1udio, pois o OBSERVAT\u00d3RIO \u00e9 um formador de opini\u00e3o, muito lido e respeitado. Ficou parecendo que eu estou querendo fechar um jornal. Eu n\u00e3o tenho nada a ver com isso. O processo \u00e9 coisa da minha m\u00e3e. Foi a minha irm\u00e3, Dulce, que me disse que a reportagem era muito pesada, irrespons\u00e1vel. Eu nem conhe\u00e7o este jornal, este jornalista&#8230;<br \/>\n\u2014 Rigotto, a dona Julieta n\u00e3o \u00e9 candidata a nada. O candidato \u00e9s tu. A reportagem do<br \/>\nJ\u00c1 tem implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que batem em ti, n\u00e3o na tua m\u00e3e. E acho muito estranho que, passados oito anos, tu ainda n\u00e3o tiveste a curiosidade de ler a reportagem que tanta afli\u00e7\u00e3o provoca na dona Julieta. Se tu est\u00e1s te baseando na avalia\u00e7\u00e3o da Dulce, devo te alertar que ela n\u00e3o entende xongas de jornalismo, Rigotto!&#8230;Esta mat\u00e9ria do Bones \u00e9 precisa, calcada em fatos, relat\u00f3rios, documentos e conclus\u00f5es da CPI e do Minist\u00e9rio P\u00fablico que incriminam o teu irm\u00e3o. N\u00e3o tem opini\u00e3o, s\u00f3 informa\u00e7\u00e3o. O teu processo&#8230;<br \/>\n\u2014 N\u00e3o \u00e9 meu, n\u00e3o \u00e9 meu&#8230; \u00c9 da minha m\u00e3e&#8230;<br \/>\n\u2014 Isso \u00e9 o que diz tamb\u00e9m o Sarney, Rigotto, quando perguntam a ele sobre a censura<br \/>\nque cala o Estado de S.Paulo. \u2018Isso \u00e9 coisa do meu filho, o Fernando\u2019&#8230;<br \/>\n\u2014 Eu fico muito ofendido com esta compara\u00e7\u00e3o! Eu n\u00e3o sou o Sarney, n\u00e3o sou!&#8230;<br \/>\n\u2014 Lamento, mas est\u00e1s usando a mesma desculpa do Sarney, Rigotto.<br \/>\n\u2014 Luiz Cl\u00e1udio, como resolver isso tudo com o Bones? A gente pode parcelar a d\u00edvida e<br \/>\na\u00ed&#8230;<br \/>\n\u2014 Rigotto, tu n\u00e3o est\u00e1s entendendo nada. O Bones n\u00e3o quer parcelar, n\u00e3o quer pagar<br \/>\num \u00fanico centavo. Isso seria uma confiss\u00e3o de culpa, e ele n\u00e3o fez nada errado. Pelo contr\u00e1rio. Produziu uma reportagem impec\u00e1vel, que ganhou os maiores pr\u00eamios. Eu assinaria esta mat\u00e9ria, com o maior orgulho. Sai dessa, Rigotto!&#8230;<br \/>\nCoincid\u00eancia ou n\u00e3o, um dia depois do telefonema, na quinta-feira, 26, Rigotto<br \/>\nconvocou uma inesperada coletiva de imprensa em Porto Alegre para anunciar sua retirada como poss\u00edvel candidato ao Pal\u00e1cio Piratini, deixando o espa\u00e7o livre para o prefeito Jos\u00e9 Foga\u00e7a.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O modelo de Roosevelt<\/span><br \/>\nNaquela mesma quarta-feira, 25 de novembro, a emenda ficou pior que o soneto. O<br \/>\nadvogado dos Rigotto, El\u00f3i Jos\u00e9 Thomas Filho, botou no papel aquela mesma proposta indecente que ouvi do pr\u00f3prio Germano Rigotto, confirmando por escrito ao editor a id\u00e9ia de parcelar a indeniza\u00e7\u00e3o devida de R$ 55 mil em 100 (cem) m\u00f3dicas presta\u00e7\u00f5es.<br \/>\nDiante da altiva recusa de Bones, o advogado pareceu incorporar a doutrina do big stick de Theodore Ted Roosevelt (1901-1909), popularmente conhecida como \u2018lei do tacape\u2019 e inspirada pela frase favorita do belicoso presidente estadunidense: \u201cFale com suavidade e tenha na m\u00e3o um grande porrete\u201d.<br \/>\nO suave advogado Thomas Filho escreveu ent\u00e3o para Bones: \u201c&#8230; em nova demonstra\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9, formalizamos nossa inten\u00e7\u00e3o em compor amigavelmente o lit\u00edgio acima, bem como a possibilidade [sic] de nos abstermos de ajuizar novas demandas judiciais&#8230;\u201d.<br \/>\nCertamente para tranquilizar o filho candidato, o advogado reafirmava na<br \/>\ncarta a Bones que a a\u00e7\u00e3o contra o jornal era movida \u201cunicamente\u201d por dona Julieta, que<br \/>\nbuscava na justi\u00e7a o ressarcimento pelo \u201cabalo moral\u201d provocado pela reportagem do J\u00c1, que misturava \u201cirresponsavelmente tr\u00eas fatos diversos que envolveram a figura do falecido\u201d.<br \/>\nOu seja, dona Julieta Rigotto, que entende de jornalismo tanto quanto os filhos Dulce e Germano, n\u00e3o consegue perceber a obviedade linear de uma pauta irresist\u00edvel para qualquer rep\u00f3rter inteligente: o objetivo relato jornal\u00edstico sobre um homem p\u00fablico \u2014 Lindomar \u2014 morto num assalto pouco antes de ser julgado pelo homic\u00eddio culposo de uma prostituta e pouco depois de ser denunciado no relat\u00f3rio de uma CPI, pela pr\u00e1tica comprovada de \u201ccorrup\u00e7\u00e3o passiva e enriquecimento il\u00edcito\u201d na maior fraude j\u00e1 cometida contra os cofres p\u00fablicos do Rio Grande do Sul. Mas, na l\u00f3gica simpl\u00f3ria da m\u00e3e dos Rigottos, uma coisa n\u00e3o tem nada a ver com a outra&#8230;<br \/>\nPara garantir o tom \u201camig\u00e1vel\u201d entre as partes, o advogado de dona Julieta prop\u00f4s a<br \/>\nBones os termos de uma retrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica, suave como um porrete, enfatizando tr\u00eas pontos:<br \/>\n1)\u201d dona Julieta nunca teve a inten\u00e7\u00e3o de fechar o jornal\u201d;<br \/>\n2) \u201ca a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 promovida pela fam\u00edlia Rigotto, mas apenas por dona Julieta\u201d;<br \/>\n3) \u201cretirar o jornal de circula\u00e7\u00e3o, para estancar a propaga\u00e7\u00e3o do dano\u201d.<br \/>\nTudo isso, incluindo o ameno confisco de um jornal das bancas em pleno regime<br \/>\ndemocr\u00e1tico, segundo o tortuoso racioc\u00ednio do advogado, serviria para \u201ctutelar a honra e a imagem de seu falecido filho\u201d.<br \/>\nNeste longo, pat\u00e9tico epis\u00f3dio, que intercala demonstra\u00e7\u00f5es de coragem e altivez com cenas de pura viol\u00eancia, fina hipocrisia ou corrup\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, ficou pelo caminho o<br \/>\ncontraste de atitudes que elevam ou rebaixam.<br \/>\nDiante da primeira a\u00e7\u00e3o criminal de dona Julieta na Justi\u00e7a, o promotor Ubaldo Alexandre Licks Flores ensinou, em novembro de 2002:<br \/>\n\u201c[n\u00e3o houve] qualquer inten\u00e7\u00e3o de ofensa \u00e0 honra do falecido Lindomar Rigotto. Por<br \/>\noutro lado, \u00e9 indiscut\u00edvel que os tr\u00eas temas [a CEEE e as duas mortes] estavam e ainda<br \/>\nest\u00e3o impregnados de interesse p\u00fablico\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O orgulho de Enedina<\/span><br \/>\nApesar da lucidez do promotor, o caso tonitruante da CEEE n\u00e3o ecoa nos ouvidos<br \/>\nsurdos da imprensa ga\u00facha, conhecida no pa\u00eds pela acuidade de profissionais talentosos, criativos, corajosos.<br \/>\nNenhum grande jornal do sul \u2013 Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Com\u00e9rcio, O Sul \u2014, nenhum colunista de peso, nenhum editorialista, nenhum blog de prest\u00edgio perdeu tempo ou tinta com esse tema, que nem de longe parece um assunto velho, batido ou nost\u00e1lgico.<br \/>\nO que lhe d\u00e1 not\u00f3ria atualidade n\u00e3o \u00e9 o ancestral confronto entre a liberdade de express\u00e3o e a prepot\u00eancia envergonhada dos eventuais poderosos de plant\u00e3o, mas a reapari\u00e7\u00e3o de seus principais personagens no turbilh\u00e3o da corrida eleitoral de 2010.<br \/>\nGermano Rigotto, o l\u00edder governista que emplacou o filho de dona Julieta na m\u00e1quina estatal, \u00e9 hoje o candidato do maior partido ga\u00facho ao Senado Federal.<br \/>\nA ex-secret\u00e1ria Dilma Rousseff, que ficou estarrecida com o que leu sobre as fraudes de<br \/>\nLindomar Rigotto na CEEE, \u00e9 apontada pelas pesquisas como a futura presidente do Brasil, numa vit\u00f3ria classificada pelo renomado jornal ingl\u00eas Financial Times como \u201cretumbante\u201d.<br \/>\nTarso Genro, o ex-comandante supremo da Pol\u00edcia Federal, que executou as maiores opera\u00e7\u00f5es contra corruptos da m\u00e1quina p\u00fablica, lidera a corrida ao governo ga\u00facho e, certamente, tem os instrumentos para saber hoje o que Dilma sabe desde 1990.<br \/>\nO primo Pepe Vargas, que mostrou isen\u00e7\u00e3o e coragem no relat\u00f3rio da CPI sobre a maior fraude da hist\u00f3ria do Rio Grande, \u00e9 candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, assim como o deputado federal que inventou a CPI, Vieira da Cunha.<br \/>\n\u00c9 a l\u00f3gica perversa do interesse eleitoral que explica o desinteresse at\u00e9 dos principais<br \/>\nadvers\u00e1rios de Rigotto na disputa pelo Senado. O candidato do PMDB est\u00e1 emparedado entre a l\u00edder na pesquisa da Datafolha, a jornalista Ana Am\u00e9lia Lemos (PP) \u2014 que subiu de 33% em julho para 44% na semana passada \u2014 e o candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o pelo PT, senador Paulo Paim \u2014 que cresceu de 35% no in\u00edcio do m\u00eas para 38% agora.<br \/>\nRigotto caiu de 43% para 42% no espa\u00e7o de tr\u00eas semanas.<br \/>\nNa Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre, Ana Am\u00e9lia bate Rigotto por 47% a 39%. Seus oponentes desprezam o potencial explosivo do \u2018Caso CEEE\u2019 porque todos sonham em ganhar o segundo voto dos outros candidatos, o que justifica a calculada miseric\u00f3rdia e o piedoso sil\u00eancio que modera a estrat\u00e9gia de advers\u00e1rios historicamente t\u00e3o diferentes e hostis como s\u00e3o, no Rio Grande do Sul, o PT, o PMDB e o PP.<br \/>\nO que \u00e9 recato na pol\u00edtica se transforma em omiss\u00e3o nas entidades que, ao longo do<br \/>\ntempo, marcaram suas vidas na luta pela democracia e pela liberdade de express\u00e3o e no rep\u00fadio veemente \u00e0 ditadura e \u00e0 censura. Siglas not\u00e1veis como OAB, ABI, SIP, FENAJ, ABRAJI brilham pelo sil\u00eancio, pela omiss\u00e3o, pelo desinteresse ou pelo trato burocr\u00e1tico do caso J\u00c1 X Rigotto, que resume uma quest\u00e3o crucial na vida de todas elas e de todos n\u00f3s: a livre opini\u00e3o e o combate \u00e0 prepot\u00eancia dos grandes sobre os pequenos, apan\u00e1gio de toda democracia que se respeita.<br \/>\nA OAB e seus advogados, no Rio Grande ou no Brasil, que impulsionaram a queda de um presidente envolvido em den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se sensibilizam pela sorte de um pequeno jornal e seu bravo editor, punidos por seu desassombrado jornalismo e mortalmente asfixiados pelo cerco econ\u00f4mico surpreendentemente avalizado pela Justi\u00e7a, que deveria proteger os fracos contra os fortes \u2014 e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<br \/>\nA inerte Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa jamais se pronunciou sobre as agruras de<br \/>\nBones e seu jornal. S\u00f3 em setembro de 2009, um m\u00eas ap\u00f3s a den\u00fancia sobre o bloqueio judicial das receitas do J\u00c1, \u00e9 que a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas do RS trataram de fazer alguma coisa: uma nota gelada, descart\u00e1vel, manifestando solidariedade \u00e0 v\u00edtima e lamentando a decis\u00e3o \u201cequivocada\u201d da Justi\u00e7a.<br \/>\nA Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Imprensa, que em 2001 conferiu \u00e0 reportagem contestada<br \/>\ndo J\u00c1 o seu maior pr\u00eamio jornal\u00edstico, s\u00f3 quebrou o seu constrangedor sil\u00eancio ao ser cobrada publicamente por este OBSERVAT\u00d3RIO, em novembro passado. Todos os membros da brava Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de conhecer a biografia de Elmar Bones, que nos anos de chumbo pilotou o CooJornal, um mens\u00e1rio da extinta Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (1976-1983) que virou refer\u00eancia da imprensa nanica que resistia \u00e0 ditadura.<br \/>\nBones chegou a ser preso, em 1980, pela publica\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio secreto em que o<br \/>\nEx\u00e9rcito fazia uma autocr\u00edtica sobre as bobagens cometidas na repress\u00e3o \u00e0 guerrilha do Araguaia.<br \/>\nAlgo mais perigoso, na \u00e9poca, do que falar na roubalheira operada pelo filho de dona Julieta na CEEE&#8230; No site da ABRAJI, a entidade emite sua opini\u00e3o em quatro notas, nos \u00faltimos dois anos.<br \/>\nCritica o sigilo eterno de documentos p\u00fablicos, defende o seguro de vida para rep\u00f3rteres em zona de risco, repudia um tapa na cara que uma rep\u00f3rter de TV do Centro-Oeste levou de um vereador e, enfim, faz uma vigorosa, firme, veemente manifesta\u00e7\u00e3o a favor da liberdade de express\u00e3o&#8230; no M\u00e9xico.<br \/>\nAo pobre J\u00c1 e seu editor, l\u00e1 no sul do Brasil, nenhuma linha, nada.<br \/>\nA poderosa Sociedade Interamericana de Imprensa, que re\u00fane os maiores ve\u00edculos<br \/>\ndas tr\u00eas Am\u00e9ricas, patrocina uma influente Comiss\u00e3o de Liberdade de Imprensa e Informa\u00e7\u00e3o, hoje sob a presid\u00eancia de um jornal do Texas, o San Antonio Express News. Entre os 26 vice-presidentes regionais, existem dois brasileiros: Sidnei Basile, do Grupo Abril, e Maria Judith de Brito, da Folha de S.Paulo.<br \/>\nEnvolvidos com os graves problemas da paulic\u00e9ia, eles provavelmente n\u00e3o<br \/>\npodem atentar para o drama vivido por um pequeno jornal de Porto Alegre. Mas, existem outros 17 membros na Comiss\u00e3o de Liberdade da SIP, e dois deles bem pr\u00f3ximos do drama de Bones: os ga\u00fachos M\u00e1rio Gusm\u00e3o e Gustavo Ick, do jornal NH, de Novo Hamburgo, cidade a 40 km da capital ga\u00facha. Nem essa proximidade livra as afli\u00e7\u00f5es do J\u00c1 e seu editor do completo desd\u00e9m da SIP.<br \/>\nEste monumental cone de sil\u00eancio e omiss\u00e3o, que atravessa fronteiras e biografias,<br \/>\ncontinua desafiando a sensibilidade e a compet\u00eancia de jornais e jornalistas, que deveriam se perguntar o que existe por tr\u00e1s do amaldi\u00e7oado caso da CEEE, que afugenta em vez de atrair a imprensa.<br \/>\nA maior fraude da hist\u00f3ria do Rio Grande, mais do que uma bomba, \u00e9 uma pauta em aberto, origem talvez da irrita\u00e7\u00e3o dos Rigotto contra o editor e o jornal que ousaram jogar luz nessa hist\u00f3ria mal contada. Os volumes empoeirados deste mega esc\u00e2ndalo continuam intocados nas estantes da Justi\u00e7a em Porto Alegre, protegido por um sigilo inexplic\u00e1vel que s\u00f3 pode ser \u00fatil a quem mente e a quem rouba, n\u00e3o a quem luta pela verdade e a quem \u00e9 \u00e9tico na pol\u00edtica, como fazem os bons rep\u00f3rteres e como devem ser os bons pol\u00edticos.<br \/>\nO bom jornalismo n\u00e3o \u00e9 aquele que produz boas respostas, mas aquele que<br \/>\nfaz as boas perguntas \u2014 e as perguntas s\u00e3o ainda melhores quando incomodam, quando<br \/>\nimportunam, quando constrangem, quando afligem os consolados e quando consolam os aflitos.<br \/>\nA emo\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00faltima fronteira de quem perde os limites da raz\u00e3o. Elmar Bones tinha<br \/>\nganho todas as inst\u00e2ncias do processo criminal, quando um juiz do Tribunal de Justi\u00e7a, na falta de melhores argumentos, preferiu se assentar nos autos impalp\u00e1veis do sentimento para decidir em favor da m\u00e3e de Germano Rigotto:<br \/>\n\u201cN\u00e3o h\u00e1 como afastar a responsabilidade da r\u00e9 pelas mat\u00e9rias veiculadas,<br \/>\nque atingiram negativamente a mem\u00f3ria do falecido, o que certamente<br \/>\ncausou tristeza, ang\u00fastia e sofrimento \u00e0 m\u00e3e do mesmo (&#8230;)\u201d.<br \/>\nDona Julieta Rigotto, viva e forte aos 89 anos, ainda sofre com a honra e a imagem<br \/>\nmaculadas de seu falecido filho, Lindomar. Dona Enedina Bones da Costa tinha 79 anos quando morreu, em 2001, poupada assim da tristeza, ang\u00fastia e sofrimento que sentiria ao ver o drama vivido agora por seu filho, Elmar. Mas ela teria, com certeza, um enorme, um insuper\u00e1vel orgulho pelo filho honrado e corajoso que trouxe ao mundo e ao jornalismo.<br \/>\n<em>*Luiz Cl\u00e1udio Cunha \u00e9 jornalista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reproduzimos o artigo do jornalista Luiz Cl\u00e1udio Cunha, publicado hoje no Observat\u00f3rio da Imprensa, sobre o processo que condena o jornal J\u00c1 a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o de quase 100 mil reais \u00e0 familia Rigotto. O artigo foi distribuido pelo Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos para todas as entidades jornal\u00edsticas internacionais. 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