{"id":7349,"date":"2010-09-25T18:05:09","date_gmt":"2010-09-25T21:05:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=7349"},"modified":"2010-09-25T18:05:09","modified_gmt":"2010-09-25T21:05:09","slug":"clube-de-opiniao-nao-opina-sobre-caso-rigotto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/clube-de-opiniao-nao-opina-sobre-caso-rigotto\/","title":{"rendered":"Clube de opini\u00e3o n\u00e3o opina sobre caso Rigotto"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Por Luiz Cl\u00e1udio Cunha<\/span><br \/>\nO respeitado Clube de Editores e Jornalistas de Opini\u00e3o do Rio Grande do Sul, que re\u00fane duas dezenas dos mais importantes colunistas e blogueiros do Estado, tomou uma grave decis\u00e3o na semana passada. Por escassa maioria, numa reuni\u00e3o virtual feita pela internet, o Clube de Opini\u00e3o decidiu \u201cn\u00e3o opinar\u201d sobre o inclemente processo que a fam\u00edlia do ex-governador ga\u00facho Germano Rigotto move contra um pequeno jornal de Porto Alegre, o J\u00c1.<br \/>\nO respeitado Clube de Editores e Jornalistas de Opini\u00e3o do Rio Grande do Sul, que re\u00fane duas dezenas dos mais importantes colunistas e blogueiros do Estado, tomou uma grave decis\u00e3o na semana passada. Por escassa maioria, numa reuni\u00e3o virtual feita pela internet, o Clube de Opini\u00e3o decidiu \u201cn\u00e3o opinar\u201d sobre o inclemente processo que a fam\u00edlia do ex-governador ga\u00facho Germano Rigotto move contra um pequeno jornal de Porto Alegre, o J\u00c1.<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o judicial, que completa dez anos, est\u00e1 matando financeiramente o jornal de cinco mil exemplares editado h\u00e1 25 anos pelo jornalista Elmar Bones, que em agosto passado teve suas contas pessoais bloqueadas pelos advogados dos Rigotto.<br \/>\nA valente op\u00e7\u00e3o n\u00e3o opinativa do Clube de Opini\u00e3o teve uma bela desculpa: \u201cevitar qualquer conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica-eleitoral\u201d antes do pleito de 3 de outubro, j\u00e1 que Germano Rigotto \u00e9 candidato ao Senado pelo PMDB ga\u00facho. Num sereno, mas contundente editorial publicado no domingo (19) no site do jornal e reproduzido neste OI, Elmar Bones respondeu, batendo no osso da quest\u00e3o:<br \/>\n\u201cPode ser uma maneira c\u00f4moda de contornar uma situa\u00e7\u00e3o espinhosa, mas essa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontra base nos fatos e contraria a l\u00f3gica da democracia. O processo eleitoral, que exige verdade e cobra opini\u00e3o do eleitor, n\u00e3o pode ser usado como pretexto para a omiss\u00e3o, o sil\u00eancio e a desinforma\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nBones, que como Groucho n\u00e3o \u00e9 s\u00f3cio do clube, poderia usar o racioc\u00ednio que o comediante Marx usava para definir \u201cintelig\u00eancia militar\u201d: \u201cClube de Opini\u00e3o sem opini\u00e3o \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o em termos\u201d. A infeliz decis\u00e3o da entidade ga\u00facha carteliza e uniformiza, por baixo, o que deveria ser livre e m\u00faltiplo: o pensamento.<br \/>\n\u00c9 o fundo do po\u00e7o de uma inc\u00f4moda quest\u00e3o que constrange, envergonha e deprime a imprensa do Rio Grande do Sul, um celeiro de bravos profissionais que iluminaram o jornalismo brasileiro nos momentos mais duros de sua hist\u00f3ria, quando era necess\u00e1ria muita opini\u00e3o, muita coragem, muita resist\u00eancia. Elmar Bones \u00e9 um sobrevivente daqueles tempos, quando ent\u00e3o comandava o CooJornal, uma das legendas da valente imprensa nanica que afrontava os generais da ditadura de 1964.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A omiss\u00e3o<\/span><br \/>\nA candente quest\u00e3o que o clube ga\u00facho tangencia \u00e9 que o J\u00c1 n\u00e3o est\u00e1 sendo punido por sua opini\u00e3o, mas pela embara\u00e7osa informa\u00e7\u00e3o que publicou em 2001: o envolvimento de Lindomar Rigotto numa licita\u00e7\u00e3o fraudulenta na CEEE, a estatal de energia el\u00e9trica. Enxertado na diretoria financeira pelo irm\u00e3o Germano, ent\u00e3o o poderoso l\u00edder do governo do PMDB na Assembl\u00e9ia Legislativa, o mano Lindomar fez uma mistureba financeira t\u00e3o grande que acabou sendo o personagem central de um CPI que indiciou ele, outras onze pessoas e onze empresas.<br \/>\nO cabe\u00e7a da quadrilha, que montou a opera\u00e7\u00e3o na CEEE, era o irm\u00e3o menos famoso de Rigotto, segundo o relat\u00f3rio final da CPI: \u201cDe tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a pr\u00e1tica de corrup\u00e7\u00e3o passiva e enriquecimento il\u00edcito de Lindomar Vargas Rigotto\u201d, escreveu corajosamente o relator e deputado Pepe Vargas (PT), apesar de ser primo de Lindomar e Germano.<br \/>\nEssa era a reportagem de capa que o J\u00c1 publicou h\u00e1 dez anos, sob o t\u00edtulo \u201cCaso Rigotto \u2013 um golpe de US$ 65 milh\u00f5es e duas mortes n\u00e3o esclarecidas\u201d. N\u00e3o tinha nada de opini\u00e3o. Era pura informa\u00e7\u00e3o, mat\u00e9ria prima do bom jornalismo, baseado em pe\u00e7as do Minist\u00e9rio P\u00fablico e nos autos da CPI, agregando detalhes sobre a vida turbulenta de Lindomar, que acabou assassinado por assaltantes de sua casa noturna, no litoral ga\u00facho, em 1999.<br \/>\nA mat\u00e9ria do jornal arrebatou em 2001 os principais trof\u00e9us de jornalismo do sul do pa\u00eds \u2013 o Esso Regional e o ARI, da Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Imprensa. E acabou premiada, tamb\u00e9m, com o processo da fam\u00edlia Rigotto.<br \/>\nO Clube de Opini\u00e3o achou por bem n\u00e3o opinar nada sobre este vergonhoso, continuado ataque ao primado da liberdade de express\u00e3o no pa\u00eds. Se levassem a s\u00e9rio seu pretexto para este mutismo \u2013 \u201cevitar qualquer conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-eleitoral\u201d \u2013, os bravos formadores de opini\u00e3o do Rio Grande do Sul deveriam se esquivar de gastar tinta e tempo com assuntos constrangedores como a bolsa-fam\u00edlia da ex-ministra Erenice Guerra, que empregou a parentada em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e tinha no cora\u00e7\u00e3o do governo Lula um filho t\u00e3o empreendedor quanto o irm\u00e3o de Germano Rigotto.<br \/>\nA intermedia\u00e7\u00e3o de Israel Guerra, conforme a capa da revista Veja da semana passada, arrumou para um empres\u00e1rio aflito um contrato camarada de R$ 84 milh\u00f5es nas entranhas dos Correios. A lamban\u00e7a de Lindomar Rigotto, segundo a manchete do J\u00c1, lesou os cofres p\u00fablicos ga\u00fachos, em valores corrigidos, numa soma dez vezes maior: R$ 840 milh\u00f5es, a maior fraude da hist\u00f3ria do Rio Grande.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A contradi\u00e7\u00e3o<\/span><br \/>\nSe tivesse o mesmo comportamento caridoso que hoje oferta ao candidato Germano Rigotto, que imagina preservar, o Clube de Opini\u00e3o deveria se esquivar tamb\u00e9m de falar sobre os fatos constrangedores que j\u00e1 demitiram quatro funcion\u00e1rios da Casa Civil de Lula e provocam evidentes embara\u00e7os na candidata Dilma Rousseff. \u00c9 um esc\u00e2ndalo de forte conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e supostamente eleitoral, tanto quanto a a\u00e7\u00e3o que garroteia o jornal de Elmar Bones.<br \/>\nApesar dessa contradi\u00e7\u00e3o, nenhum dos bravos s\u00f3cios do clube deixa de bater na Erenice, criatura criada por Dilma, que agora diz n\u00e3o ter nada a ver com isso: \u201cEu n\u00e3o posso responder por ela\u201d, esquiva-se a petista. Ali\u00e1s, a mesma desculpa de Rigotto, que alega n\u00e3o ter nada a ver com a persegui\u00e7\u00e3o ao J\u00c1: \u201cEu desconhe\u00e7o o processo contra o J\u00c1. Isso \u00e9 coisa da minha m\u00e3e\u201d, fantasia Germano.<br \/>\nDona Julieta Rigotto tem 89 anos.<br \/>\nUm dos mais ferozes membros do Clube de Opini\u00e3o ga\u00facho \u00e9 Pol\u00edbio Braga, dono do blog mais influente e acessado do sul do pa\u00eds, com quase 100 mil assinantes. Militante estudantil de esquerda no in\u00edcio dos anos 1960 em Santa Catarina, foi diretor da Folha Catarinense, do Partido Comunista, onde era apenas simpatizante, n\u00e3o filiado. Chegou a ser presidente da Uni\u00e3o Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), na \u00e9poca em que Jos\u00e9 Serra presidia a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE). Depois do golpe de 1964 foi preso pela ditadura uma d\u00fazia de vezes e, na mais longa delas, cumpriu seis meses de pena no antigo pres\u00eddio do Ah\u00fa, um bairro de Curitiba.<br \/>\nNo comando de seu blog, hoje, Pol\u00edbio \u00e9 contundente, bem informado e impiedoso, principalmente com tudo que acontece no turbulento entorno da Casa Civil e da candidata petista \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Quando Veja explodiu nas bancas no s\u00e1bado (11\/9), Pol\u00edbio festejou: \u201cEstoura esc\u00e2ndalo maior do que o Mensal\u00e3o no Governo Lula\u201d, era a manchete do blog.<br \/>\nSobre o esc\u00e2ndalo do irm\u00e3o de Rigotto, matematicamente dez vezes maior do que o do filho de Erenice, quinze vezes mais estrondoso que a quadrilha dos 40 do mensal\u00e3o chefiada por Jos\u00e9 Dirceu, Pol\u00edbio n\u00e3o ousou escrever uma \u00fanica linha, muito menos dar sua retumbante opini\u00e3o. No fim de agosto, o Observat\u00f3rio da Imprensa abordou, pela segunda vez, a saga do J\u00c1 e de Elmar Bones, num texto (\u201cComo calar e intimidar a imprensa\u201c) que teve larga repercuss\u00e3o na internet \u2013 e nenhuma no \u00e1gil e abrangente blog de Pol\u00edbio Braga.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O rabo<\/span><br \/>\nAutor desse texto, liguei v\u00e1rias vezes pedindo que Pol\u00edbio abrisse espa\u00e7o para o tema Rigotto vs. J\u00c1, confiando no belo lema que seu blog desfralda: \u201cDe rabo preso com a not\u00edcia\u201d. Cansado de minha cobran\u00e7a, Pol\u00edbio acabou admitindo:<br \/>\n\u201cSobre este caso, devo te dizer que adotei uma linha de \u2018rabo preso\u2019 com meus amigos, que n\u00e3o s\u00e3o muitos, mas que prezo demais. Um deles \u00e9 o Rigotto. Ao longo dos \u00faltimos 10 anos, tenho conversado com ele a toda hora, temos almo\u00e7ado juntos, ele \u00e9 fonte que consulto a todo momento, vou votar nele e tamb\u00e9m toda a minha fam\u00edlia e os amigos que t\u00eam raz\u00f5es para fazer isto\u201d.<br \/>\nAssim, descobri consternado que o Pol\u00edbio eleitor prevaleceu sobre o Pol\u00edbio jornalista e o seu festejado blog, al\u00e9m da not\u00edcia, tinha o rabo irremediavelmente preso a Germano Rigotto.<br \/>\n\u00c9 justo esclarecer que Pol\u00edbio Braga e seus colegas de clube n\u00e3o est\u00e3o sozinhos neste vasto e silencioso constrangimento. Nenhum grande \u00f3rg\u00e3o da imprensa ga\u00facha se atreveu a mencionar o caso do J\u00c1 e seus escandalosos antecedentes, de forte \u201cconota\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-eleitoral\u201d e um evidente poder letal sobre a boa imagem de Rigotto, que tem um chamativo cora\u00e7\u00e3o vermelho como s\u00edmbolo de sua campanha ao Senado.<br \/>\nNa RBS, a maior rede regional de comunica\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina (Zero Hora, o maior do estado, e mais sete jornais, 21 emissoras de TV, 24 de r\u00e1dio e sete portais de internet), o assunto passa batido pela pauta di\u00e1ria do conglomerado de m\u00eddia. Rigotto, sempre que pode, lembra aos amigos que tem uma rela\u00e7\u00e3o especial de amizade com Nelson Sirotski, o diretor-presidente do grupo. O mesmo acontece no segundo maior grupo do estado, a Record, onde se destacam o Correio do Povo e a r\u00e1dio Gua\u00edba, hoje sob controle da Igreja Universal.<br \/>\nNa sexta-feira (10\/9), aconteceu algo inesperado: o colunista do jornal e \u00e2ncora da r\u00e1dio Juremir Machado da Silva abriu corajosamente espa\u00e7o no seu programa de uma hora, a partir das 13h, para ouvir Elmar Bones ao vivo no est\u00fadio da r\u00e1dio Gua\u00edba. Juremir foi o primeiro nome importante do jornalismo sulista e a Gua\u00edba o primeiro grande ve\u00edculo da imprensa ga\u00facha que conseguiu quebrar o bloqueio de sil\u00eancio e abrir espa\u00e7o para a saga do J\u00c1.<br \/>\nQuando veio o primeiro intervalo do programa, um esbaforido executivo da \u00e1rea comercial irrompeu no est\u00fadio para implorar ao entrevistador e a seu convidado: \u201cPelo amor de Deus, n\u00e3o misturem esta entrevista com a campanha eleitoral do Rigotto! O homem \u2018\u00e9 assim\u2019 com o nosso presidente!\u201d.<br \/>\nO pastor Natal Furucho, o presidente da Record no sul do pa\u00eds, seria mais um chef\u00e3o da m\u00eddia que \u201c\u00e9 assim\u201d com Germano Rigotto, o que explicaria o estrondoso sil\u00eancio midi\u00e1tico que envolve suas desditas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O sumi\u00e7o<\/span><br \/>\nNa quinta-feira (9\/9), um dia antes da in\u00e9dita entrevista na Gua\u00edba, a hist\u00f3ria do J\u00c1 ressuscitou no jornal O Sul, de Porto Alegre. N\u00e3o era nenhuma ousadia da casa, mas a nota de abertura da coluna de Cl\u00e1udio Humberto, um profissional que Pol\u00edbio Braga inveja como um \u201crespeitado e bem informado jornalista\u201d e que \u00e9 reproduzido em outros 36 jornais do pa\u00eds, al\u00e9m d\u2019O Sul. Furando toda a imprensa ga\u00facha, o colunista de Bras\u00edlia informava: \u201cBomba pol\u00edtica explode no colo de Rigotto\u201d.<br \/>\nEra a not\u00edcia de que, ap\u00f3s 15 anos sob um inacredit\u00e1vel \u201csegredo de justi\u00e7a\u201d, a ju\u00edza Fabiana Zilles, da 2\u00aa Vara C\u00edvel da Fazenda P\u00fablica, em Porto Alegre, dera por \u201cconcluso\u201d o caso da roubalheira da CEEE. Ou seja, falta agora apenas a senten\u00e7a da ju\u00edza sobre a maior fraude ga\u00facha, que atinge diretamente o mano esperto que Germano Rigotto plantou na estatal.<br \/>\nA coluna de Cl\u00e1udio Humberto \u00e9 publicada simultaneamente nos tr\u00eas jornais do Grupo NH, que domina a rica regi\u00e3o do Vale do Rio dos Sinos, em Novo Hamburgo, Canoas e S\u00e3o Leopoldo, no entorno da regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre. Apesar disso, estranhamente, a nota daquele dia que brilhava n\u2019O Sul desapareceu num passe de m\u00e1gica dos jornais do NH.<br \/>\nO dono do grupo \u00e9 M\u00e1rio Gusm\u00e3o, um dos dois brasileiros que integra a Comiss\u00e3o de Liberdade de Imprensa e Informa\u00e7\u00e3o da poderosa Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol). O outro brasileiro \u00e9 Gustavo Ick, tamb\u00e9m do jornal NH do m\u00e1gico Gusm\u00e3o. A comiss\u00e3o da SIP, como o Clube de Opini\u00e3o ga\u00facho, jamais opinou ou sequer colocou em pauta o caso do J\u00c1.<br \/>\nNo dia seguinte, na mesma sexta-feira em que Elmar falava na Gua\u00edba, o blog de Pol\u00edbio Braga no mesmo O Sul replicava com uma manchete forte: \u201cJogo pesado mira candidatura de Rigotto\u201d. Citava a pr\u00f3pria nota de v\u00e9spera de Cl\u00e1udio Humberto, que ele classificou como \u201cobl\u00edqua\u201d, e condenava o \u201csaco de maldades\u201d contra o PMDB supostamente aberto pelo \u201cresgate do caso do jornal J\u00c1, acionado em ju\u00edzo pela m\u00e3e de Rigotto, ofendida com reportagens sobre o filho morto, Lindomar\u201d.<br \/>\nE mais n\u00e3o disse. Parecia uma mera travessura de um jornaleco irrespons\u00e1vel, enxovalhando a mem\u00f3ria de um jovem desafortunado. Pol\u00edbio esqueceu de fazer a conex\u00e3o natural dos fatos que qualquer jornalista com o rabo preso com a not\u00edcia, s\u00f3 com a not\u00edcia, deveria fazer.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A resposta<\/span><br \/>\nO \u201cresgate do caso do J\u00c1\u201d foi engenho e bravura deste Observat\u00f3rio, o primeiro a contar os bastidores da a\u00e7\u00e3o dos Rigotto contra Elmar Bones (ver \u201cO jornal que ousou contar a verdade\u201c, 24\/11\/2009, e \u201cComo calar e intimidar a imprensa\u201c, 31\/8\/2010), assinados por este jornalista.<br \/>\nO simples, ineg\u00e1vel e transparente relato da saga do jornal e de seu editor, premiado pela reportagem e processado pela fam\u00edlia do morto, virou \u201cjogo sujo\u201d na estranha interpreta\u00e7\u00e3o do blogueiro Pol\u00edbio Braga. Se n\u00e3o tivesse o rabo preso com o seu amigo Rigotto, ele poderia beber na fonte do l\u00edmpido editorial que Elmar Bones publicou no site do jornal.<br \/>\nAli est\u00e1 claro que o caso do J\u00c1, engavetado desde julho de 2007, foi desarquivado em fevereiro de 2007 n\u00e3o pelo r\u00e9u Elmar Bones, mas pelos advogados da pr\u00f3pria fam\u00edlia Rigotto. O saco de maldades, portanto, foi escancarado por quem, agora, teme sua repercuss\u00e3o pol\u00edtico-eleitoral.<br \/>\nDefinhando financeiramente, o J\u00c1 teve em 2006 a altivez de recusar uma milion\u00e1ria oferta de um partido advers\u00e1rio do ent\u00e3o governador Germano Rigotto, que se preparava para tentar a reelei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA proposta era reimprimir 100 mil exemplares da edi\u00e7\u00e3o maldita de 2001, contando os deslizes cont\u00e1beis do irm\u00e3o de Rigotto na CEEE, e espalhar a bomba pelo Rio Grande do Sul. A digna resposta de Elmar Bones, ao recusar a oferta, s\u00f3 cabe na cabe\u00e7a de um jornalista que n\u00e3o tem rabo preso: \u201cNosso jornal n\u00e3o \u00e9 instrumento pol\u00edtico de ningu\u00e9m\u201d, ensinou o editor do J\u00c1, encerrando a conversa.<br \/>\nOs artigos pioneiros do Observat\u00f3rio ecoaram fundo nas reda\u00e7\u00f5es dos principais jornais ga\u00fachos \u2013 Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Com\u00e9rcio, O Sul \u2013, evid\u00eancia de que os bons rep\u00f3rteres e editores do sul continuam atentos e inquietos, todos eles constrangidos com o sil\u00eancio que vem de cima.<br \/>\nEm telefonemas e e-mails enviados diretamente a este jornalista, que assina aqueles e este texto, uns e outros se mostram solid\u00e1rios a Bones, conscientes do crime que se comete contra a liberdade de express\u00e3o e absolutamente impotentes para executar ou simplesmente sugerir esta pauta obrigat\u00f3ria. \u201cOs textos do Observat\u00f3rio constituem uma paulada em nossas consci\u00eancias amorfas\u201d, me disse um deles, em tom emocionado e sofrido.<br \/>\nApesar de ser de conhecimento p\u00fablico o nome da ju\u00edza, o endere\u00e7o do tribunal e o n\u00famero do processo do caso da CEEE, nenhum rep\u00f3rter teve a iniciativa de apurar esta hist\u00f3ria, como mandam as regras elementares do bom jornalismo, amarrado apenas pela busca da verdade e do interesse p\u00fablico.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A fresta<\/span><br \/>\nApesar das dificuldades, aos poucos o esp\u00edrito guerreiro de Elmar Bones se afirma e se imp\u00f5e, furando a bolha de sil\u00eancio, como aconteceu com o pioneiro Juremir, na Gua\u00edba. O Estado de S.Paulo publicou uma mat\u00e9ria (11\/9), enquanto notas esclarecedoras brotam em blogs influentes e solid\u00e1rios, como os de Carlos Brickmann, Cl\u00e1udio Humberto e Ricardo Noblat.<br \/>\nDias atr\u00e1s, o blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, abriu espa\u00e7o para um in\u00e9dito pingue-pongue com Elmar Bones, de enorme repercuss\u00e3o na internet pela hist\u00f3ria que parecia novidade, mas que j\u00e1 tem dez anos de agonia e resist\u00eancia. In\u00e9dito, no caso, era a disposi\u00e7\u00e3o do rep\u00f3rter de ouvir o r\u00e9u de uma das mais longas a\u00e7\u00f5es da justi\u00e7a contra a liberdade de express\u00e3o.<br \/>\nParece improv\u00e1vel que Germano Rigotto e seus amigos consigam estancar o vazamento crescente de uma epop\u00e9ia que n\u00e3o pode ser silenciada, n\u00e3o deve ser escondida e n\u00e3o pode ser tolerada.<br \/>\nA verdade flui sempre pelas frestas cada vez mais largas de um sistema multim\u00eddia que confronta a mentira e desafia o sil\u00eancio \u2013 e torna caricata a figura anacr\u00f4nica do \u201cjornalista com rabo preso\u201d. Na elei\u00e7\u00e3o de 2006, um pequeno instituto de pesquisas de Porto Alegre, o Methodus, desafiou o rid\u00edculo ao apostar na vit\u00f3ria do azar\u00e3o Yeda Crusius contra os favoritos Germano Rigotto e Ol\u00edvio Dutra.<br \/>\nDeu no que deu.<br \/>\nNa semana passada, o Methodus publicou sua segunda pesquisa, encomendada pelo Correio do Povo para a corrida ao Senado no sul. Em rela\u00e7\u00e3o ao levantamento do m\u00eas anterior, Ana Am\u00e9lia Lemos (PP) subiu 12,4 pontos percentuais, chegando \u00e0 lideran\u00e7a com 51,8%. Paulo Paim (PT) vinha em segundo, com 47,7%. Germano Rigotto (PMDB) caiu 6,8 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira pesquisa, ficando agora com 40,9%.<br \/>\nPelo sil\u00eancio da grande m\u00eddia, n\u00e3o se sabe at\u00e9 que ponto a queda abrupta de Rigotto pode ser atribu\u00edda \u00e0 verdade latejante do J\u00c1 e ao potencial corrosivo do esc\u00e2ndalo da CEEE.<br \/>\nO bravo Clube de Opini\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o opinou sobre esta possibilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luiz Cl\u00e1udio Cunha O respeitado Clube de Editores e Jornalistas de Opini\u00e3o do Rio Grande do Sul, que re\u00fane duas dezenas dos mais importantes colunistas e blogueiros do Estado, tomou uma grave decis\u00e3o na semana passada. Por escassa maioria, numa reuni\u00e3o virtual feita pela internet, o Clube de Opini\u00e3o decidiu \u201cn\u00e3o opinar\u201d sobre o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[701,195,175,184],"class_list":["post-7349","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas","tag-caso-rigotto","tag-elmar-bones","tag-imprensa","tag-jornal-ja"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-1Ux","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7349\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}